As pernas de Joalin finalmente pararam de tremer e as lágrimas que antes eram de sofrimento, passaram a ser de alegria.
Seu bebê não parava de se mexer dentro dela.
Se um dia tivesse imaginado viver uma sensação parecida, pensaria que os leves chutes não seriam suficientes para tranquiliza-la.
Mas diferente do esperado, os movimentos a trouxeram uma sensação de paz, segurança.
Bailey e Joalin viveram momentos de pânico e dor como nunca tinham passado antes e agora, minutos depois tudo estava bem.
Isso só os mostrava o quanto eram fortes, como tudo iria ficar bem e logo voltariam para casa.
Daria certo, depois de tudo que aconteceu eles tinham certeza disso.
Um susto daquele tamanho talvez tivesse acontecido para reestabelecer os laços de força e de amor dos pais daquela criança.
Também servia como um aviso, a Loukamaa estava sem quaisquer avaliação médica daquela gravidez, precisava ter o máximo e todo cuidado possível.
Depois do incidente, o bebê mexeu durante todo aquele dia, é claro que com intervalos desiguais, mas parecia que sempre que os dois começavam a se preocupar ele avisava "Ei, mamãe e papai, eu estou aqui e vou ficar bem".
Joalin passou os dois primeiros dias com medo, até se acostumar com a ideia de que realmente estava tudo bem.
O bebê parecia se mexer de acordo com as emoções da mãe, quando ela estava agitada e nervosa ele mostrava sua presença, quando estava tudo bem ele parecia estar dormindo.
Isso só mostrou para ela como o corpo humano é perfeito, como seu corpo estava preparado para gerar um filho, mesmo que ela só tivesse dezoito anos e mais que isso, como aquele bebê que ainda estava se formando já conseguia sentir o mundo do lado de fora, ele conseguia entender os sentimentos de sua mãe e o laço genético parecia fazer a criança se importar com o bem estar dela.
Alguns dias depois, ele mexia poucas vezes mas o suficiente para deixar os dois tranquilos.
A sensação era nova e gostosa para a loira, além de ser a única forma de sentir seu filho e ver que ele estava bem. Os chutes eram leves, Bailey tentava sentir mas ainda não era possível, eles também não doiam ou incomodavam mas era um momento especial para a mãe e o bebê, um momento particular e cheio de emoção e amor.
Ela chorava as vezes, Bailey também chorou alguns dias, mesmo sem conseguir sentir os movimentos.
Os dois passavam horas acariciando a barriga e conversando com ela.
Como conseguiam amar tanto uma criaturinha tão pequena, que nem tinham visto o rosto ainda? Que nem sabiam como era?
Passavam o tempo falando sobre nomes e como queriam que fosse algo especial e com o significado de forte.
Pensavam em Bernard ou Ethan se fosse um menino e Briana ou Kendra se fosse uma garota, sendo as segundas opções as favoritas. Ainda teriam tempo para pensar sobre isso e nenhuma possibilidade era muito certa, esperavam poder pesquisar os significados antes da decisão final.
Pensaram sobre nomes locais de seus países de origem e por fim decidiram que nomes comuns em países de língua inglesa seria a melhor opção.
Nos últimos dias o que eles mais faziam era conversar, conversavam sobre tudo, era um dos únicos passatempos que tinham.
Durante alguns dias, Joalin cismou que já tinham quatro meses de gestação e Bailey tentava fazer contas e se lembrar se realmente era possível ou se ela tinha engravidado de primeira.
Os dois tinham acabados de almoçar e estavam perto do lago, o filipino colhia algumas frutas e ela ajudava segurando.
- Você ouviu isso?- ela perguntou, o barulho estava distante e vinha dos ares- Bailey
-É UM HELICÓPTERO- ele gritou se jogando de uma altura considerável de uma das árvores e correndo em direção a costa, fora da mata e onde estava a cabana.
Joalin acabou ficando um pouco para trás e reunia forças para tentar acompanha-lo. Ela tinha as mãos abaixo da barriga tentando reduzir o impacto, estava com a blusa dobrada na altura dos s***s e conseguia ver pequenas ondulações de seu bebê se mexendo enquanto corria.
Ele chegou na faixa de areia no momento exato em que o helicóptero sobrevoava a ilha, correu procurando o sinalizador e disparou duas vezes, respirando fundo e com medo, muito medo.
Joalin conseguiu alcança-lo após os disparos e olhava para cima, forçando a vista.
Medo, insegurança, esperança.
-Tá descendo Bay- ela disse feliz- Tá descendo, vamos sair daqui.