-BAILEY- o grito de Joalin saiu desesperado e lavado pelas lágrimas de angústia e pânico- BAILEY- ela gritou mais uma vez, ainda mais alto, entre os soluços que já se faziam presentes- Bailey- disse baixo da última vez, as lágrimas tiraram completamente a força de sua voz
-JOALIN- sua voz saiu abafada por entre as folhas da mata densa- JOALIN- ele gritou mais uma vez vendo a loira de joelhos na beira do lago
Ela havia levantado mais cedo naquela manhã, como sempre, enjôos. Foi até o lago para tomar um banho, não conseguiu vomitar mas talvez relaxar um pouco a ajudaria.
Quando a finlandesa chegou próximo ao lago, percebeu que seu short estava lavado por sangue.
Seu bebê, não podia ser, era impossível.
Em poucos segundos seu corpo foi tomado pelo pânico, medo e terror.
Ela gritou pelo filipino até perder suas forças e quando ele apareceu, não entendeu o que estava acontecendo.
-Jojo, o que foi?- perguntou assustado, até chegar até sua altura e perceber o sangue.
-Nosso filho- sua voz saiu completamente falhada e rouca, seu rosto estava completamente lavado pelas lágrimas.
A expressão de Bailey foi de assustado, ele demorou alguns segundos para perceber a gravidade do que estava acontecendo.
- Eu não fiz nada de errado, eu juro eu não fiz, eu não fiz Bay eu não fiz- ela dizia atropelando as palavras, tentando justificar mais para si do que para o mais novo.
Não demorou para as lágrimas do asiático começarem a rolar por seu rosto deacontroladamente.
Bailey se ajoelhou do lado de Joalin, tão afogado em mágoas e sentimentos, dores como ela.
- Você não fez nada de errado- afirmou com certeza antes de abraça-la com toda a força que conseguiu reunir.
Eles choraram e choraram no ombro um do outro. Um choro de desespero, de pânico.
Dor.
Aquele bebê, aquele pequeno feto dentro da barriga de Joalin era a esperança dos dois, a esperança de sair daquela ilha e a força de acordar todos os dias, de não perder a fé que alguém apareceria para resgata-los.
Aquele pequeno serzinho os ensinava paciência, a aguardar todos os dias por um barco, por um helicóptero ou por sua chegada, pelo seu nascimento.
O filho dos dois era a distração, a diversão e o reflexo do amor, era o único refúgio que eles tinham.
E agora? Agora tudo parecia estar destruído, agora ele parecia não estar mais ali.
Ele tinha ido embora e levado junto com ele toda a força que seus pais tinham para lutar, para continuar.
Aquela criança era a luz que eles tinham dentro daquela ilha, era o que eles achavam ser o motivo e a principal razão deles terem parado ali.
Mas agora parecia que os dois estavam levando uma surra da vida.
Toda a dor emocional parecia ser maior que qualquer golpe físico que pudessem receber naquele momento.
Aquele bebê dentro de Joalin conseguia ter uma importância ainda maior que um filho para os dois, era o amor, era o cuidado, esperança.
E tudo parecia perdido.
Mais uma vez tudo parecia perdido.
Eles se sentiram mais perdidos do que em qualquer outro momento naquele lugar.
Tinham perdido o que tinham construído de mais bonito, de mais genuíno e natural possível.
Tinham perdido o reflexo da vida, do amor.
O choro parecia que não ia acabar nunca, sentiam um vazio imenso no peito, um vazio que talvez nunca conseguisse ser preenchido.
Tinham acabado de perder o ser que por mais que tivessem a tão pouco tempo, era o que mais amavam no mundo.
-Ai- Joalin olhou para a barriga
-Tá tudo bem? Você tá bem? O que tá acontecendo?- o filipino a soltou desesperado
-Ai- ela colocou a mão sobre a barriga
- Joalin você tá bem? Me diz que você tá bem, por favor não faz isso comigo, Jojo eu não aguento- ele segurava em seus ombros tentando entender o que estava acontecendo
-MEXEU- ela voltou a ficar em pé completamente desestruturada, enxugando as lágrimas do rosto com força e colocando a mão na barriga a mostra
-O Que?- Bailey parecia ainda mais perdido
-MEXEU BAILEY, MEXEU. TÁ VIVO, EU NÃO PERDI, EU NÃO PERDI NOSSO FILHO.