A sensação que tiraram o chão de seus pés, que o mundo está girando tão rápido que começou a próxima volta sem terminar a última e que agora a Terra está não só se atropelando como fora de órbita, atropelando outros planetas. Essas eram as exatas emoções de Bailey, em todas as dificuldades que passou em sua vida, nenhuma delas te tirou o chão de tão forma como essa gravidez.
Mudar de país sem saber falar uma palavra de inglês, quando se é uma criança, parecia menos assustador. Participar de uma seleção, aprender a dançar e viajar o mundo com os melhores amigos através do canto e da dança parecia mais estável.
Mas agora? Agora Bailey era um adolescente, perdido em uma ilha deserta, no meio do Atlântico com sua melhor amiga. Ela estava grávida e ele era o pai.
Pelas contas rápidas, teria um filho logo após Joalin completar 19 anos, um pouco antes dele completar 18.
Teria um filho antes dos 18. Nem de longe esses eram os planos para sua vida.
Mas era assim, deveria se acostumar. Somos pegos de surpresa, vivemos as consequências de nossos atos e muitas vezes somos surpreendidos com planos que não deram certo. A vida continua.
Mas que vida? Se estavam perdidos naquela imensidão azul.
"E que imensidão"
E então Bailey não sabia se estava tratando do mar a sua frente ou dos olhos de oceano da sua melhor amiga, se é que ainda eram melhores amigos.
Ele estava em choque, tinha medo, seria pai.
Pareceu impossível se acostumar com aquilo nos primeiros dias.
Ele estava afastado e isso deixava Joalin extremamente triste.
"Será que ele vai fugir quando tiver oportunidade, igual meu pai biológico fez?"
Ela tinha medo, ele também, mas eram medos diferentes.
Dia após dia, foi assim que a semana se passou.
Joalin queria fugir daquele lugar, se sentia sufocada, sozinha. Não tinham ficado juntos, m*l tinham conversado e nas poucas palavras que trocavam, o filipino demonstrava uma preocupação excessiva com a barriga da loira.
Nos primeiros dias ela detestou, quem ele pensava que era para proibi-la de comer certas frutas e não deixar que subisse nas árvores em busca de alimento quando m*l olhava em sua cara?
Mas aí ela percebeu, aquele era o sentimento e cuidado paterno se desenvolvendo dentro dele. Sem barreiras, da forma mais genuína e sem o mínimo de instruções.
Ela queria, precisava conversar sobre seus medos, suas inseguranças, mas ele parecia não dar ouvidos.
Por um milésimo de segundo, ela pensou que May não se importava mais com ela, com seus sentimentos, mas apenas com o que ela carregava no ventre.
Para um mulher grávida, que teria que lidar com todas as vertentes mais maldosas do mundo machista quando voltasse para casa, aos 18 anos e com os hormonios fervendo dentro de si, não parecia fácil. Joalin se sentia uma bomba relógio, prestes a explodir.
Ela caminhou brava até a cachoeira, mais uma dia em que quando acordou, foi perguntada sobre a criança que carregava. Nenhum "como você está?", "e os enjoos?".
Ela se sentia péssima e extremamente egoísta mas nos ultimos dias não se sentia nada mais além de uma máquina geradora de um filho.
-Você pode me explicar o que está acontecendo?- Bailey tentou acompanhar os passos rápidos da finlandesa.
- Não quero conversar, Bailey- ele fingiu não ouvir e continuou apertando as canelas atrás dela.
- Joalin, nós precisamos.
- Eu era sua melhor amiga Bailey, agora parece que tudo que eu sou é uma maquina geradora de um filho. Um filho que eu não queria, você acha mesmo que eu tô preparada pra tudo isso? Ainda mais aqui. Agora parece que eu tenho que lidar com tudo isso sozinha, que você deixou de se preocupar comigo, como amiga ou como não sei mais o que a gente era. Parece que a minha única importância é essa criança que eu tô carregando. p***a Bailey, eu passei os últimos dias sozinha, eu chorei sozinha, eu vomitei sozinha, eu comi sozinha e eu só não dormi sozinha porque não temos outra opção. Nem de longe isso é o que eu imaginei pra minha vida, não imaginava ficar perdida, engravidar agora. Isso não era o que eu queria mas eu não engravidei sozinha, não me trate como se eu tivesse feito isso ou como se eu só fosse mãe do seu filho porque antes de tudo isso, você me chamava de melhor amiga. Não era o que eu imaginava, eu queria pais unidos para os meus filhos, como eu não tive. Queria apoio enquanto estivesse grávida, queria o casamento perfeito, queria uma estrutura, um amparo.
Joalin parecia explodir em lágrimas, chorava de soluçar, como uma criança. Colocou para fora todos os seus medos, suas inseguranças e indignações.
Bailey não sabia o que dizer, não sabia o que estava fazendo, por onde começar e como agir. Ele estava perdido e tentando dar o melhor de si, mesmo que não parecesse tão bom assim.
-Me desculpa- foi a única coisa que conseguiu dizer, antes de abraça-la com força