- Você o que?- ele levantou as sobrancelhas assustado e deu dois passos para trás, sentindo seu corpo tonto e se segurando no ar para não cair.
Joalin pescou sua mão e tentou segurar o peso do corpo do moreno, pelo menos o suficiente para que ele sentasse na grande pedra logo atrás de si.
-Eu tô grávida- ela repetiu baixo
-Você- ele apontou para a barriga da finlandesa, parecia ter perdido todos seus sentidos e sua capacidade de raciocinar, sua visão estava escura e seu coração batia mais rápido que nunca
- Sim Bay- ela enxugou uma lágrima - e eu tô desesperada
-Meu Deus- ele respirou fundo, ainda sem conseguir absorver nada direito, estragava as mãos pelos cabelos, completamente perdido
- Isso não poderia ter acontecido, pelo menos não aqui, não desse jeito. Não sei o que fazer, eu tô com medo, com muito medo. -o pânico tomou conta de seu corpo, havia acabado de assumir não só para si que estava grávida, também tinha Bailey, que agora além de ciente de toda a situação, não parecia em seu melhor estágio emocional. Joalin não conseguia se controlar, disparou a falar, mesmo com o garoto ainda longe.
- Eu, eu não tô entendendo direito- ele esfregou as mãos sobre os olhos marejados- Como você sabe que tá grávida?
Joalin virou de lado, apontando para o pequeno relevo na barriga
- Eu não engordo comendo besteira, como iria engordar com frutas?
-Mas então pode não ser? Pode ser alguma outra coisa- tentou arrumar alguma justificativa. Ela não poderia ter certeza antes de um exame, ou em sua situação, da barriga realmente crescer, certo?
Errado.
- Não Bailey- ela ficou estressada com a forma como ele tentou arrumar uma justificativa, mesmo que possivelmente faria a mesma coisa em sua posição, a verdade é que ela se sentiu estranha com o que ele disse, como se o mesmo não fosse capaz de acreditar e ela se sentiu necessitada a proteger o pequeno feto dentro de si com unhas e dentes- enjoos matinais a mais de um mês, mais fome, s***s sensíveis, tontura, menstruação atrasada, muito atrasada. Eu tenho certeza, não sei o que está acontecendo comigo ou com o meu corpo mas eu sinto no meu peito essa criança dentro de mim.
O filipino levantou a cabeça pela primeira vez desde que a loira começou a falar, seu rosto estava completamente lavado pelas lágrimas e a sua única reação foi abraça-la, o mais forte que conseguiu.
Ele lavou os ombros da loira com suas lágrimas, soluçava e se sentia fraco, incapaz, perdido. Sentia mais medo do que nunca, não eram mais apenas os dois, eles tinham mais alguém para cuidar, quando m*l conseguiam cuidar de si mesmos. Quase que imediatamente, o sentimento paterno já fazia parte dele, que já se sentia na obrigação de cuidar, proteger um filho.
Joalin percebeu que precisava ser forte, a verdade é que a ideia de ser mãe já estava sendo trabalhada dentro dela desde que os sintomas começaram, antes mesmo que ela sentisse desconfiança pela primeira vez. Ela daria um jeito, tinha medo? Obvio, muito. Mas sabia que conseguiria, que era capaz, no fundo ela sabia. Talvez ela tivesse esperado tanto para admitir porque só o faria quando estivesse pronta para agir como uma verdadeira mãe e proteger a vida de seu filho.
Ela estaria mentindo se dissesse não ter nenhuma noção de como cuidar de uma criança, afinal, quando seus irmãos nasceram já tinha idade suficiente para ajudar seus pais e se sentir um pouco responsável pelos pequenos.
Bailey por outro lado, estava completamente perdido. Era justamente por isso que ele tinha medo.
-Como deixamos isso acontecer?- ele finalmente desfez o abraço, mas permaneceu próximo a finlandesa. Sua pergunta já tinha resposta, ele só queria um pouco de conforto.
- Você se arrepende?- ela sabia que era cedo para perguntar e tinha medo da resposta, mas no fundo, só precisava saber
- Não- May suspirou pesado- Eu só tenho medo, medo de não saber o que fazer, de nunca voltarmos pra casa.
-Quando chegamos aqui- a loira forçou a vista, tentando controlar as lágrimas- eu sentia que não iriamos voltar tão rápido, isso me desesperava. Você me falou pelo menos umas 10 vezes que não era possível termos parado nessa ilha por acaso, que tinha um porquê.
- Eu acho que esse porquê tá dentro de sua barriga- apoiou uma das mãos na altura do estômago da finlandesa- Isso não teria acontecido se não fosse aqui, seria praticamente impossível a gente ter alguma coisa e se tivesse, com certeza usaria camisinha.- As coisas pareciam mais claras, era mais conveniente acreditar que o destino deles já estava traçado, que precisavam estar ali, que ela precisava engravidar.
Joalin fechou os olhos com força e enxugou uma lágrima.
-Eu sinto que não vai demorar pra saírmos daqui, voltar pra casa. Se Deus quiser essa criança vai nascer em um hospital.
-De quantos meses você acha que está?
-Acredito em 3 meses.
-Precisamos dar um jeito de sair dessa ilha. Meu Deus, eu vou ser pai.