- Psiu! Psiu! PSIU!
James abre os olhos sentindo uma dor de cabeça imensa, ele força a visão e consegue enxergar melhor, e ele vê que está numa cela escura sem banheiro, sem cama e sem nada, apenas uma corrente prendendo as mãos dele e uma porta de grade na frente dele. A cela é bem empoeirada.
- PSIU!
James olha pro lado, irritado com aquele zumbido.
Quando olha, um rapaz n***o estava sentado e acorrentado, assim como ele.
- Você tá vivo, cara? - o rapaz perguntou.
- Quem... o que...? Onde estamos?
- Num navio negreiro em algum lugar no mar da Nova Zelândia.
- Como é que é?
James ainda estava meio zonzo, mas ele usa sua capacidade cerebral e a tonteira para na mesma hora, assim como a dor dos ferimentos dele, e então ele se move bruscamente, se sentando direito no chão.
- Você devia pegar leve, irmãozinho. Esse machucado aí parece f**o, você deve ter sofrido uma concussão forte, não que eu seja médico, claro.
- Quem é você?
- Meu nome é Samuel, e o seu?
James olha bem pra ele e diz:
- Harper Williams.
- Eu até te daria um aperto de mão como boas vindas Harper, mas como pode ver, eu tô algemado demais pra isso. - Samuel falou com bom humor e mostrando as correntes.
James fingiu que não ouviu ele.
- Eles rasparam sua cabeça também? - Samuel passou a mão pela cabeça dele, completamente careca.
- Não, eu gosto de manter o cabelo baixo.
- Por que?
- Preguiça de cuidar dele. Mas isso realmente vem ao caso? Onde nós estamos?
- Eu já falei, num navio negreiro em...
- Não, me refiro à geografia, no que a gente tá se metendo?
- Você parece ter tomado uma surra, e isso acabou te trazendo até aqui. - Samuel olhou James dos pés a cabeça.
- Tinha que ver os outros caras.
- Sim, claro.
- O que estão fazendo aqui? Tráfico humano?
- Não é uma colônia de férias se você está acorrentado em uma cela como essa.
- Você é um piadista.
- Procuro manter o bom humor, me ajuda a pensar melhor.
- Como veio parar aqui, Samuel?
- Eu estava em casa hackeando alguns arquivos no meu carro quando de repente uns caras me cercaram e trouxeram pra cá.
- Você é hacker?
- Sou.
- Isso vai ser útil.
- Do que você tá falando?
- Eu tô ouvindo choro de crianças aqui dentro, a vários andares abaixo e acima. Tem pessoas mais velhas também, algumas da nossa idade e todas estão apavoradas.
- Como você consegue escutá-las de tão longe?
- Longa história. Por que esses caras estão fazendo isso?
- Estão a mando do senhor Hugo Mandrazo. Ele paga esses piratas para s********r pessoas vulneráveis e trazer pra cá.
- Vão vender nossos órgãos?
- Depende da sua faixa etária. Os idosos vão servir para serviços braçais, pessoas da nossa idade geralmente têm os órgãos vendidos, mas como você é todo Exterminador do Futuro, eles provavelmente vão te mandar pra alguma arena de lutas e apostas no Cazaquistão. Eu provavelmente vou ter os órgãos retirados e vou ser transformado em um boneco de palha, e as crianças, se forem meninos, vão trabalhar forçado em serviços perigosos, e se forem meninas com menos de 12 anos, vão servir de prostitutas na Índia.
Isso enfureceu James, e ele se levantou, arrebentando as correntes das mãos como se não fossem nada, depois ele vai até a porta e começa a observar os dois lados do corredor.
- O que você está fazendo?! - disse Samuel.
- Orquestrando nossa saída daqui.
- Saída?! Ficou louco?
- Quer virar um boneco de palha?
Samuel levantou e foi até ele.
- Estamos num navio negreiro no meio do mar, como você espera escapar daqui? Nadando até a Austrália de novo?
- Eu não vou deixar esses caras barbarizarem vidas inocentes.
- Como você planeja fazer isso?
- Assim.
James pôs a mão sobre o pescoço de Samuel e apertou uma região específica com força, e Samuel caiu desmaiado no chão, fazendo um barulho imenso.
- SOCORRO GUARDAS! ELE DESMAIOU! ELE TÁ TENDO UMA CONVULSÃO! - James começou a gritar na porta.
- ALGUÉM AJUDA AQUI!
Dois guardas vieram imediatamente e abriram a cela reclamando um com o outro:
- Você deu comprimidos demais, de novo!
- Foi você! O senhor Mandrazo não vai gostar de receber a mercadoria estragada.
Assim que eles abriram a cela, o primeiro guarda se abaixou e foi imediatamente verificar como Samuel estava. James ficou escondido atrás da porta.
Quando o guarda abaixou, ele viu que Samuel só estava apagado e não estava espumando pela boca, e então ele se virou pro lado e levou um chutão na cara, batendo a cabeça na parede e desmaiando.
O guarda que estava na porta m*l teve tempo para reagir, e James empurrou a porta com toda a força, e ela bateu na cabeça dele, matando o guarda na hora.
- Beleza, a barra tá limpa.
Samuel desperta, e ele tira o guarda desmaiado de cima dele.
- Podia ter me avisado que ia fazer isso, eu mesmo fingia e até espumava pela boca.
James não dá atenção a ele e só quebra as correntes que amarravam as mãos de Samuel.
- Vamos embora.
Os dois saíram da cela, andando rapidamente pelo corredor.
- Como você faz isso?
- Isso o que?
- Tudo isso, você ouve tudo à distância, nocauteia guardas treinados com um golpe só.
- É complicado demais pra explicar agora.
James para de repente quando eles chegam perto de um corredor paralelo, e Samuel para logo atrás dele.
- O que foi?
- Tem dois guardas vindo, parecem distraídos. - James estava usando os sentidos.
James olhou pra esquerda e entrou num vestiário, Samuel foi logo atrás, e eles ficaram escondidos ali, esperando os guardas passarem.
- Qual é o plano? - perguntou Samuel.
- Eles pegaram minha mochila, ela está dentro de uma sala há alguns corredores daqui, posso sentir. Preciso recuperá-la.
- Vai se arriscar por uma mochila? Sério?
- O que tem dentro dela é importante. Além do que, só tem dois guardas dentro do armário de achados e perdidos, você dá conta de um deles enquanto eu derrubo o outro. Lá também tem uns curativos que podemos usar.
- Vai na frente, chefe.
Assim que os guardas passaram, James e Samuel foram de fininho até a porta da sala, onde encontraram um identificador de digitais como tranca.
- d***a, se eu tivesse um aparelho, eu poderia hackear essa tranca.
- Não precisa.
James revirou uma lixeira no corredor e pegou um palito, então foi até a tranca e só com algumas cutucadas no vão da fechadura, ele abriu a porta.
- Você é bom mesmo. - Samuel ficou impressionado.
- Eu estudei muito sobre tudo, exames de balística, exames de perícia e um monte de coisa que todo mundo acha um lixo inútil... inclusive como arrombar uma tranca digital v*******a.
Ele abriu um pouco a porta e pôs o olho lá dentro, vendo dois guardas sentados em cadeiras próximas a uma porta.
- Você pega o da direita e eu o da esquerda. - James falou para Samuel.
- O-Oque? Eu nem sei brigar!
- No 3... 3!
James empurra a porta e eles entram correndo dentro da sala, James pulou em cima do guarda da esquerda, dando um chute no peito dele e empurrando ele na parede, depois ele deu um soco esquerdo no guarda e segurou a cabeça dele, e bateu com ela numa mesa no lado direito.
Samuel tentou socar o guarda da direita mas acabou levando um soco na cara e caiu no chão. O guarda segurou ele pela manga da camisa e deu outro soco nele. Então Samuel revidou dando uma cabeçada nele que doeu muito mais em Samuel do que no guarda, mas deu tempo pra ele se levantar e alcançar um taser em cima da mesa e eletrocutar o guarda até ele cair no chão desmaiado.
- Boa sacada. - falou James.
Ele foi até a porta e trancou ela.
Samuel se sentou numa cadeira, respirando ofegante e com o nariz sangrando.
James abriu um armário e pegou sua mochila, então a abriu e pegou o revólver dourado e a máscara de gás.
- Que doidera, onde você arranjou isso? - Samuel apontou para máscara.
- Comprei em um brechó. - James mentiu de novo.
Ele pegou um estojo com bandagens e jogou uma pomada para Samuel, para passar no supercílio aberto dele.
James tira a camisa e vê alguns arranhões pela pele dele, e passa um remédio por ali sem nem fazer cara de dor.
- Como você consegue fazer tudo isso, Harper? Parece que você nem sequer sente dor.
- Dor é psicológico.
- Hmph, você é muito doido cara.
James termina de passar o remédio pelas feridas dele, e então ele passa um pouco no ferimento atrás da cabeça dele e enrola sua cabeça com bandagens.
- Isso não vai te incomodar? - perguntou Samuel.
- É só por um tempo, eu me recupero rápido.
James deu uma boa olhada em um traje que tinha guardado no armário, e o pegou. Era uma roupa tática preta, com colete balístico cinza escuro.
- Hm... isso pode ser útil.
Ele colocou a roupa em cima da mesa, pegou uma faca no bolso dos guardas desmaiados e fez algumas modificações na roupa até que ela ficasse ideal.
Ao fim, James vestiu a roupa, colocou um capuz e pra completar, pôs a máscara de gás.
- Você tá tão... ameaçador. - elogiou Samuel.
- Essa é a intenção.
- Pra onde nós vamos?
- Estive todo esse tempo usando meus sentidos pra saber da situação do navio, e ouvi alguns guardas conversando a alguns andares abaixo, parece que esse senhor Mandrazo está na Nova Zelândia.
- Eu poderia hackear e descobrir tudo que posso sobre esse esquema, mas pra isso eu preciso da minha ferramenta hacker de volta.
- Onde ela está?
- Eu achei que poderia estar aqui, mas pelo visto não está.
James usou os seus sentidos e começou a notar coisas a alguns andares acima, e pôde ouvir alguns guardas comentando sobre uma ferramenta a alguns andares acima, próximo a um depósito de armas.
- Ótimo, dois coelhos com uma cajadada só.
Ele foi até a porta, e Samuel interrompeu dizendo:
- Onde você tá indo?
- Vou buscar sua ferramenta e pegar algumas armas. Fique aqui e tranque a porta, não deixe ninguém entrar até eu voltar.
- Entendido.
James fechou a porta e Samuel trancou ela e também colocou uma cadeira na frente.
Então James correu pelo corredor inteiro e encontrou uma janela, então passou por ela e se debruçou do lado de fora, ainda era noite.
Ele viu uma escada de serviço e pulou nela, então foi subindo até o andar onde os guardas estavam, e passou por outra janela, e caiu agachado no corredor sem fazer barulho.
Tinham poucos guardas por aquele andar, a maioria ficava no andar dos prisioneiros, então aquilo seria fácil.
- Como é que essa coisa funciona?
- Eu sei lá, o doidinho usava isso aí pra invadir sistemas, e conseguia o tempo todo. Vende isso daí no mercado n***o, deve valer alguma grana.
Os guardas comentavam entre si enquanto James ia chegando perto deles sorrateiramente.
Eles estavam parados próximos a uma janela, e um deles estava com a arma em punho, então James sabia que teria que apagar aquele primeiro.
Ele fica escondido num canto em um corredor paralelo, e fica usando seus super sentidos para perceber a posição deles, e assim que os dois estão virados pra janela, James vai pra cima deles sorrateiramente e quebra o calcanhar do guarda armado com um chute, pega a arma dele, e o joga pela janela, fazendo ele cair no mar.
O outro fica apavorado e quando pega o rádio para alertar os outros, James dá uma coronhada com a arma na cabeça dele e o guarda desmaia.
James recupera a ferramenta hacker, e põe ela no bolso. Depois ele arromba a porta da sala do depósito de armas, e arrasta o guarda lá pra dentro e amarra ele num canto.
Após isso, a visão que James teve era a do paraíso, estantes e mais estantes com variados tipos de armas.
James tinha conhecimento muito avançado em combates corporais, armas brancas e armas de fogo, um treinamento militar completo.
Ele tira a máscara e o capuz, e vai olhando de estante em estante, vendo todas as opções. A roupa dele só tinha coldre para duas armas, então ele precisaria escolher com sabedoria.
Uma das estantes oferece um variado arsenal de pistolas, austríacas, russas, alemãs, americanas, j*******s e tudo mais. Embora fosse tentador pegar a mais destruidora que tivesse ali, a intenção era ser furtivo até encontrar Mandrazo, então James pegou uma pistola 9mm preta com o cabo texturizado e pente estendido. Ele pôs a arma no coldre da perna esquerda.
Depois ele pegou uma pistola menor para Samuel, uma Glock G28 Baby de Calibre .380 e 10 tiros.
Partindo para os rifles, era ainda mais tentador a visão de variedades que tinha ali, todos com o potencial de destruição enorme e extremamente confortáveis de usar, porém como a situação exigia algo mais discreto, James pegou um M15a4 com mira, apoio e pente estendido, e o guardou no suporte nas costas.
Tinha também um cinto de facas bem afiadas por ali, o que poderia vir a calhar, então James pegou o cinto e colocou ele, e logo depois saiu da sala de armas.
Em poucos minutos ele voltou até Samuel, e bateu na porta.
- Sou eu.
Samuel reconheceu a voz de James e abriu a porta, ele logo entrou e eles trancaram de novo.
- Conseguiu encontrar?
- Aqui. - James devolveu a ferramenta hacker.
- Agora vamos fazer um estrago!
- Tem mais uma coisa.
Ele entregou a Glock para Samuel.
- Isso é sério? Olha o tamanho dessa arma.
- É só pra emergência, não quero você se expondo ao perigo, entendeu?
James estava colocando os silenciadores na pistola e no rifle, depois organizou os pentes pelo seu colete tático.
Samuel estava mexendo em um computador, usando o hacker para acessar tudo que pudesse encontrar pelo sistema sem alertar ninguém. Até que ele encontra algo novo:
- Inacreditável.
- O que foi? Descobriu alguma coisa?
James se achegou perto dele, e Samuel falou:
- É ainda pior do que pensávamos.
- O que?
- Esse esquema do Mandrazo, ele é de escala mundial!
- Como é?
- Agentes de várias Corporações do mundo estão ligados a isso, eles financiam e usufruem dessa rede de contrabando, provavelmente é a maior do mundo.
- Agentes Corporativos, é? Isso explica como eu vim parar aqui.
- Como você veio parar aqui?
- Resumindo a história: me envolvi com uma garota hispânica e o irmão dela não gostou nem um pouco. A gente se meteu numa confusão e a "polícia" me mandou pra cá.
- É praticamente impossível saber quantos estão envolvidos nisso, são milhares, talvez até bilhões. Tem alguns presidentes envolvidos também, maioria com histórico de lavagem de dinheiro e corrupção. Eles vendem crianças pra servir como prostitutas ou sofrer com o trabalho infantil, fora o tanto de dinheiro que eles roubam por dia da população, olha esse número, não dá nem pra contar!
James ficou pensativo.
- Harper, o que vamos fazer quanto a isso?
Ainda pensativo, James responde:
- Vamos primeiro libertar todo mundo aqui dentro, depois vamos arrancar a cabeça do Mandrazo e de quem mais estiver envolvido. Eles não vão escapar de nós.