Capítulo 3: Tráfico Humano

2634 Palavras
- Psiu! Psiu! PSIU! James abre os olhos sentindo uma dor de cabeça imensa, ele força a visão e consegue enxergar melhor, e ele vê que está numa cela escura sem banheiro, sem cama e sem nada, apenas uma corrente prendendo as mãos dele e uma porta de grade na frente dele. A cela é bem empoeirada. - PSIU! James olha pro lado, irritado com aquele zumbido. Quando olha, um rapaz n***o estava sentado e acorrentado, assim como ele. - Você tá vivo, cara? - o rapaz perguntou. - Quem... o que...? Onde estamos? - Num navio negreiro em algum lugar no mar da Nova Zelândia. - Como é que é? James ainda estava meio zonzo, mas ele usa sua capacidade cerebral e a tonteira para na mesma hora, assim como a dor dos ferimentos dele, e então ele se move bruscamente, se sentando direito no chão. - Você devia pegar leve, irmãozinho. Esse machucado aí parece f**o, você deve ter sofrido uma concussão forte, não que eu seja médico, claro. - Quem é você? - Meu nome é Samuel, e o seu? James olha bem pra ele e diz: - Harper Williams. - Eu até te daria um aperto de mão como boas vindas Harper, mas como pode ver, eu tô algemado demais pra isso. - Samuel falou com bom humor e mostrando as correntes. James fingiu que não ouviu ele. - Eles rasparam sua cabeça também? - Samuel passou a mão pela cabeça dele, completamente careca. - Não, eu gosto de manter o cabelo baixo. - Por que? - Preguiça de cuidar dele. Mas isso realmente vem ao caso? Onde nós estamos? - Eu já falei, num navio negreiro em... - Não, me refiro à geografia, no que a gente tá se metendo? - Você parece ter tomado uma surra, e isso acabou te trazendo até aqui. - Samuel olhou James dos pés a cabeça. - Tinha que ver os outros caras. - Sim, claro. - O que estão fazendo aqui? Tráfico humano? - Não é uma colônia de férias se você está acorrentado em uma cela como essa. - Você é um piadista. - Procuro manter o bom humor, me ajuda a pensar melhor. - Como veio parar aqui, Samuel? - Eu estava em casa hackeando alguns arquivos no meu carro quando de repente uns caras me cercaram e trouxeram pra cá. - Você é hacker? - Sou. - Isso vai ser útil. - Do que você tá falando? - Eu tô ouvindo choro de crianças aqui dentro, a vários andares abaixo e acima. Tem pessoas mais velhas também, algumas da nossa idade e todas estão apavoradas. - Como você consegue escutá-las de tão longe? - Longa história. Por que esses caras estão fazendo isso? - Estão a mando do senhor Hugo Mandrazo. Ele paga esses piratas para s********r pessoas vulneráveis e trazer pra cá. - Vão vender nossos órgãos? - Depende da sua faixa etária. Os idosos vão servir para serviços braçais, pessoas da nossa idade geralmente têm os órgãos vendidos, mas como você é todo Exterminador do Futuro, eles provavelmente vão te mandar pra alguma arena de lutas e apostas no Cazaquistão. Eu provavelmente vou ter os órgãos retirados e vou ser transformado em um boneco de palha, e as crianças, se forem meninos, vão trabalhar forçado em serviços perigosos, e se forem meninas com menos de 12 anos, vão servir de prostitutas na Índia. Isso enfureceu James, e ele se levantou, arrebentando as correntes das mãos como se não fossem nada, depois ele vai até a porta e começa a observar os dois lados do corredor. - O que você está fazendo?! - disse Samuel. - Orquestrando nossa saída daqui. - Saída?! Ficou louco? - Quer virar um boneco de palha? Samuel levantou e foi até ele. - Estamos num navio negreiro no meio do mar, como você espera escapar daqui? Nadando até a Austrália de novo? - Eu não vou deixar esses caras barbarizarem vidas inocentes. - Como você planeja fazer isso? - Assim. James pôs a mão sobre o pescoço de Samuel e apertou uma região específica com força, e Samuel caiu desmaiado no chão, fazendo um barulho imenso. - SOCORRO GUARDAS! ELE DESMAIOU! ELE TÁ TENDO UMA CONVULSÃO! - James começou a gritar na porta. - ALGUÉM AJUDA AQUI! Dois guardas vieram imediatamente e abriram a cela reclamando um com o outro: - Você deu comprimidos demais, de novo! - Foi você! O senhor Mandrazo não vai gostar de receber a mercadoria estragada. Assim que eles abriram a cela, o primeiro guarda se abaixou e foi imediatamente verificar como Samuel estava. James ficou escondido atrás da porta. Quando o guarda abaixou, ele viu que Samuel só estava apagado e não estava espumando pela boca, e então ele se virou pro lado e levou um chutão na cara, batendo a cabeça na parede e desmaiando. O guarda que estava na porta m*l teve tempo para reagir, e James empurrou a porta com toda a força, e ela bateu na cabeça dele, matando o guarda na hora. - Beleza, a barra tá limpa. Samuel desperta, e ele tira o guarda desmaiado de cima dele. - Podia ter me avisado que ia fazer isso, eu mesmo fingia e até espumava pela boca. James não dá atenção a ele e só quebra as correntes que amarravam as mãos de Samuel. - Vamos embora. Os dois saíram da cela, andando rapidamente pelo corredor. - Como você faz isso? - Isso o que? - Tudo isso, você ouve tudo à distância, nocauteia guardas treinados com um golpe só. - É complicado demais pra explicar agora. James para de repente quando eles chegam perto de um corredor paralelo, e Samuel para logo atrás dele. - O que foi? - Tem dois guardas vindo, parecem distraídos. - James estava usando os sentidos. James olhou pra esquerda e entrou num vestiário, Samuel foi logo atrás, e eles ficaram escondidos ali, esperando os guardas passarem. - Qual é o plano? - perguntou Samuel. - Eles pegaram minha mochila, ela está dentro de uma sala há alguns corredores daqui, posso sentir. Preciso recuperá-la. - Vai se arriscar por uma mochila? Sério? - O que tem dentro dela é importante. Além do que, só tem dois guardas dentro do armário de achados e perdidos, você dá conta de um deles enquanto eu derrubo o outro. Lá também tem uns curativos que podemos usar. - Vai na frente, chefe. Assim que os guardas passaram, James e Samuel foram de fininho até a porta da sala, onde encontraram um identificador de digitais como tranca. - d***a, se eu tivesse um aparelho, eu poderia hackear essa tranca. - Não precisa. James revirou uma lixeira no corredor e pegou um palito, então foi até a tranca e só com algumas cutucadas no vão da fechadura, ele abriu a porta. - Você é bom mesmo. - Samuel ficou impressionado. - Eu estudei muito sobre tudo, exames de balística, exames de perícia e um monte de coisa que todo mundo acha um lixo inútil... inclusive como arrombar uma tranca digital v*******a. Ele abriu um pouco a porta e pôs o olho lá dentro, vendo dois guardas sentados em cadeiras próximas a uma porta. - Você pega o da direita e eu o da esquerda. - James falou para Samuel. - O-Oque? Eu nem sei brigar! - No 3... 3! James empurra a porta e eles entram correndo dentro da sala, James pulou em cima do guarda da esquerda, dando um chute no peito dele e empurrando ele na parede, depois ele deu um soco esquerdo no guarda e segurou a cabeça dele, e bateu com ela numa mesa no lado direito. Samuel tentou socar o guarda da direita mas acabou levando um soco na cara e caiu no chão. O guarda segurou ele pela manga da camisa e deu outro soco nele. Então Samuel revidou dando uma cabeçada nele que doeu muito mais em Samuel do que no guarda, mas deu tempo pra ele se levantar e alcançar um taser em cima da mesa e eletrocutar o guarda até ele cair no chão desmaiado. - Boa sacada. - falou James. Ele foi até a porta e trancou ela. Samuel se sentou numa cadeira, respirando ofegante e com o nariz sangrando. James abriu um armário e pegou sua mochila, então a abriu e pegou o revólver dourado e a máscara de gás. - Que doidera, onde você arranjou isso? - Samuel apontou para máscara. - Comprei em um brechó. - James mentiu de novo. Ele pegou um estojo com bandagens e jogou uma pomada para Samuel, para passar no supercílio aberto dele. James tira a camisa e vê alguns arranhões pela pele dele, e passa um remédio por ali sem nem fazer cara de dor. - Como você consegue fazer tudo isso, Harper? Parece que você nem sequer sente dor. - Dor é psicológico. - Hmph, você é muito doido cara. James termina de passar o remédio pelas feridas dele, e então ele passa um pouco no ferimento atrás da cabeça dele e enrola sua cabeça com bandagens. - Isso não vai te incomodar? - perguntou Samuel. - É só por um tempo, eu me recupero rápido. James deu uma boa olhada em um traje que tinha guardado no armário, e o pegou. Era uma roupa tática preta, com colete balístico cinza escuro. - Hm... isso pode ser útil. Ele colocou a roupa em cima da mesa, pegou uma faca no bolso dos guardas desmaiados e fez algumas modificações na roupa até que ela ficasse ideal. Ao fim, James vestiu a roupa, colocou um capuz e pra completar, pôs a máscara de gás. - Você tá tão... ameaçador. - elogiou Samuel. - Essa é a intenção. - Pra onde nós vamos? - Estive todo esse tempo usando meus sentidos pra saber da situação do navio, e ouvi alguns guardas conversando a alguns andares abaixo, parece que esse senhor Mandrazo está na Nova Zelândia. - Eu poderia hackear e descobrir tudo que posso sobre esse esquema, mas pra isso eu preciso da minha ferramenta hacker de volta. - Onde ela está? - Eu achei que poderia estar aqui, mas pelo visto não está. James usou os seus sentidos e começou a notar coisas a alguns andares acima, e pôde ouvir alguns guardas comentando sobre uma ferramenta a alguns andares acima, próximo a um depósito de armas. - Ótimo, dois coelhos com uma cajadada só. Ele foi até a porta, e Samuel interrompeu dizendo: - Onde você tá indo? - Vou buscar sua ferramenta e pegar algumas armas. Fique aqui e tranque a porta, não deixe ninguém entrar até eu voltar. - Entendido. James fechou a porta e Samuel trancou ela e também colocou uma cadeira na frente. Então James correu pelo corredor inteiro e encontrou uma janela, então passou por ela e se debruçou do lado de fora, ainda era noite. Ele viu uma escada de serviço e pulou nela, então foi subindo até o andar onde os guardas estavam, e passou por outra janela, e caiu agachado no corredor sem fazer barulho. Tinham poucos guardas por aquele andar, a maioria ficava no andar dos prisioneiros, então aquilo seria fácil. - Como é que essa coisa funciona? - Eu sei lá, o doidinho usava isso aí pra invadir sistemas, e conseguia o tempo todo. Vende isso daí no mercado n***o, deve valer alguma grana. Os guardas comentavam entre si enquanto James ia chegando perto deles sorrateiramente. Eles estavam parados próximos a uma janela, e um deles estava com a arma em punho, então James sabia que teria que apagar aquele primeiro. Ele fica escondido num canto em um corredor paralelo, e fica usando seus super sentidos para perceber a posição deles, e assim que os dois estão virados pra janela, James vai pra cima deles sorrateiramente e quebra o calcanhar do guarda armado com um chute, pega a arma dele, e o joga pela janela, fazendo ele cair no mar. O outro fica apavorado e quando pega o rádio para alertar os outros, James dá uma coronhada com a arma na cabeça dele e o guarda desmaia. James recupera a ferramenta hacker, e põe ela no bolso. Depois ele arromba a porta da sala do depósito de armas, e arrasta o guarda lá pra dentro e amarra ele num canto. Após isso, a visão que James teve era a do paraíso, estantes e mais estantes com variados tipos de armas. James tinha conhecimento muito avançado em combates corporais, armas brancas e armas de fogo, um treinamento militar completo. Ele tira a máscara e o capuz, e vai olhando de estante em estante, vendo todas as opções. A roupa dele só tinha coldre para duas armas, então ele precisaria escolher com sabedoria. Uma das estantes oferece um variado arsenal de pistolas, austríacas, russas, alemãs, americanas, j*******s e tudo mais. Embora fosse tentador pegar a mais destruidora que tivesse ali, a intenção era ser furtivo até encontrar Mandrazo, então James pegou uma pistola 9mm preta com o cabo texturizado e pente estendido. Ele pôs a arma no coldre da perna esquerda. Depois ele pegou uma pistola menor para Samuel, uma Glock G28 Baby de Calibre .380 e 10 tiros. Partindo para os rifles, era ainda mais tentador a visão de variedades que tinha ali, todos com o potencial de destruição enorme e extremamente confortáveis de usar, porém como a situação exigia algo mais discreto, James pegou um M15a4 com mira, apoio e pente estendido, e o guardou no suporte nas costas. Tinha também um cinto de facas bem afiadas por ali, o que poderia vir a calhar, então James pegou o cinto e colocou ele, e logo depois saiu da sala de armas. Em poucos minutos ele voltou até Samuel, e bateu na porta. - Sou eu. Samuel reconheceu a voz de James e abriu a porta, ele logo entrou e eles trancaram de novo. - Conseguiu encontrar? - Aqui. - James devolveu a ferramenta hacker. - Agora vamos fazer um estrago! - Tem mais uma coisa. Ele entregou a Glock para Samuel. - Isso é sério? Olha o tamanho dessa arma. - É só pra emergência, não quero você se expondo ao perigo, entendeu? James estava colocando os silenciadores na pistola e no rifle, depois organizou os pentes pelo seu colete tático. Samuel estava mexendo em um computador, usando o hacker para acessar tudo que pudesse encontrar pelo sistema sem alertar ninguém. Até que ele encontra algo novo: - Inacreditável. - O que foi? Descobriu alguma coisa? James se achegou perto dele, e Samuel falou: - É ainda pior do que pensávamos. - O que? - Esse esquema do Mandrazo, ele é de escala mundial! - Como é? - Agentes de várias Corporações do mundo estão ligados a isso, eles financiam e usufruem dessa rede de contrabando, provavelmente é a maior do mundo. - Agentes Corporativos, é? Isso explica como eu vim parar aqui. - Como você veio parar aqui? - Resumindo a história: me envolvi com uma garota hispânica e o irmão dela não gostou nem um pouco. A gente se meteu numa confusão e a "polícia" me mandou pra cá. - É praticamente impossível saber quantos estão envolvidos nisso, são milhares, talvez até bilhões. Tem alguns presidentes envolvidos também, maioria com histórico de lavagem de dinheiro e corrupção. Eles vendem crianças pra servir como prostitutas ou sofrer com o trabalho infantil, fora o tanto de dinheiro que eles roubam por dia da população, olha esse número, não dá nem pra contar! James ficou pensativo. - Harper, o que vamos fazer quanto a isso? Ainda pensativo, James responde: - Vamos primeiro libertar todo mundo aqui dentro, depois vamos arrancar a cabeça do Mandrazo e de quem mais estiver envolvido. Eles não vão escapar de nós.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR