Capítulo 1: Estopim

2690 Palavras
- 689, 690, 691, 692, 693, 694, 695, 696, 697, 698, 699... 700. Com a contagem de flexões finalizada, James Pendleton tira o bloco se concreto de suas costas e senta no chão, suando bastante e respirando ofegante. - Parabéns, você completou o treino diário. Dia 10 de janeiro de 2015 checado. - avisou o programa de treino no celular dele. James desliga o celular e se levanta, e vai até o banheiro, ele toma um banho e quando sai, se olha no espelho. Ele tem os olhos castanhos, cabelo baixo e preto e com as pontas meio ruivas, e uma barba que crescia devagar. James passa a espuma no rosto e vai se barbeando com a gilete. Assim que ele termina, passa a toalha no rosto e sai do banheiro. Ele morava em um apartamento caro em Sydney, na Austrália, sua cidade natal. A sala de estar de James era cheia de esculturas de artesanato, móveis caros, piso de madeira e lustres pelo local. Tinha também uma estante cheia de livros de estudos sobre todo tipo de assunto, desde de estudos da física até a teoria da evolução de Charles Darwin. James já tinha lido a estante inteira. Ele vai até a varanda, onde é possível ver boa parte da cidade, e James gostava muito de admirar a vista, Sydney era animada e colorida, com músicas clássicas e rock 'n' roll, tocando pelos bares. A noite já estava se estabelecendo, e James se arrumou colocando tênis, uma calça jeans, camisa branca e uma jaqueta de couro. Ele passa um bom perfume e sai de casa, indo até seu restaurante favorito, o Três Bocas. Assim que ele chega, ele abre a porta e um sino em cima dela toca, e então James pega um bolinho de dinheiro e joga em cima do balcão, e uma senhora garçonete gordinha pega o dinheiro. - O de sempre, senhora Adelle. Pode ficar com o troco. - Você é sempre um anjo, Harper. Ele se aproxima dela e deixa que a velha garçonete lhe dê um beijo na bochecha. Em seguida ele vai andando até uma mesa vazia, mas percebe que tinha alguém observando ele de longe, uma mulher, parecia hispânica. Até James às vezes ficava assustado em como a cabeça dele funcionava, ele conseguia sentir cheiros, ouvir e enxergar coisas a uma distância absurda. Conseguia até mesmo identificar quantas pedrinhas de sal tinha no saleiro em cima de cada mesa, somente usando seus super sentidos aguçados. Chegando na mesa, ele se senta e espera pelo pedido. James nem precisava olhar, usando seus sentidos, ele conseguia ver que a garota hispânica estava com o coração acelerado enquanto olhava pra ele, e ela também estava sentada sozinha e tomando bebida barata. Então de mansinho, ele espera um momento em que ela se levanta, e vai na direção dela, e finge esbarrar nela sem querer, e ela acaba deixando cair um pouco da bebida no vestido, mas ele consegue segurar a garrafa antes de ela cair no chão. - Minha nossa, me desculpe, me distraí. - disse ele. A garota ficou olhando o vestido molhado e James pegou uns papéis toalhas no balcão e deu pra ela se secar. - Me desculpe eu... sou muito distraído. - Não, tudo bem. Foi erro meu, não vi você passando. Ela tentou secar, mas só conseguiu dar uma amenizada. - Deixa eu te pagar uma bebida. - ofereceu ele. - O'Que? N-Não, tá tudo bem, não foi nada. James ouviu o coração dela bater ainda mais rápido. - É o mínimo que posso fazer pra compensar. Eles dois se olham, a mulher era morena de cabelo cacheado e ela passou um batom preto bem forte. - É muita gentileza sua, eu aceito. - disse ela. James sorriu de canto de boca e tirou mais uma nota do bolso e deu para a garçonete. - Uma dessas pra aquela mesa, transfira meu pedido pra lá também. - pediu ele. A garçonete acenou com a cabeça, dando uma piscadinha discreta olhando pra ele e pra garota. James e ela se sentaram na mesa, e então ela comentou: - Caramba, nunca vi ninguém gastar tanto de uma vez só em uma noite. - Eu gosto de aproveitar o melhor. - Como deve ser. Eles riem. - Desculpa, eu não perguntei seu nome. - disse James. - E nem me disse o seu. - Harper Williams. - Esmeralda Blanco. - É raro ver espanhóis por aqui, o que te traz até tão longe? - Sou intercambista. - Isso é interessante. - E você? - Recém formado em engenharia elétrica. - Me parece bem interessante também. - Meh, é um tédio. A garçonete deixou a bebida na mesa, e saiu. Esmeralda pegou a garrafa e abriu, então ela foi dando uns goles aos poucos enquanto eles conversavam. - O que está achando da Austrália? - Acho bem mais exótico que a Espanha às vezes. - De que parte da Espanha você é? - Cádis. - Cidade portuária? Também já morei em uma. - Qual? - Pilgrim, oeste da casa do tio Sam. - Você viaja bastante, deve ser legal. - Sabe como é... eu gosto de conhecer outras línguas. - ele falou em tom de flerte. - Você conhece muitas? - Por que não me testa? Esmeralda sorri, e então diz: - No me pareces mucho. - Estoy seguro que te impresionarías. Ela olha interessada para ele. - Onde aprendeu a falar tão bem? - Que isso, eu tô sempre pronto pra melhorar. - Vai ter que saber usar a língua muito bem, se quiser me impressionar. - Acho que tô pronto pra isso. Com o clima esquentando, Esmeralda diz: - Não vai beber nada? - Não sou muito fã de bebidas. - É falta de educação deixar uma dama bebendo sozinha. Ela lambe bem a boca da garrafa, olhando ele nos olhos, e então oferece sua garrafa pra ele beber. James aceita e pega a garrafa, dando um gole longo e demorado. - Uau, o que um cara como você faz numa espelunca como essa? - ela disse. - Procurando algo novo. - Você já visitou a Espanha? - Nunca visitei a Espanha. - Hm... eu também nunca visitei a Austrália antes. - Quer fazer um tour comigo? Ela morde o lábio, e então toma o resto da bebida e pergunta: - E o seu pedido? - O que tem? - Esse vestido molhado tá me incomodando. Será que não tem algum lugar que a gente possa conversar e... que eu fique sem ele? James sorri. - Vou pedir pra viagem. Eles vão pro apartamento de James, e assim que a porta fecha, eles começam a se pegar aos beijos e vão tirando a roupa até chegar no quarto. Algumas horas depois, os dois estavam deitados na cama debaixo do mesmo lençol, Esmeralda estava abraçada com James, enquanto ele enrolava o cabelo dela no dedo. - Isso foi demais. - ela comentou, esbaforida. - Uhum. Ele fica calado, de olhos fechados e aproveitando o momento. Esmeralda faz o mesmo. Até que alguém toca a campainha, e James se levanta, põe um short e vai atender a porta. Era o serviço de entrega do restaurante. - Harper Williams? - perguntou o entregador. - Sou eu. - respondeu James. Ele pagou e então pegou o lanche e trouxe pra dentro, colocando numa mesa. Esmeralda sai do quarto de calcinha e usando a blusa de James. - Com fome? - ele mostrou as sacolas na mão. Então eles se sentaram no sofá e comeram, conversando bastante: - O serviço de entrega daqui é bom, até no meio da madrugada eles vêm trazer. - disse Esmeralda. - Por isso eu só como no Três Bocas. Esmeralda olha para ele curiosa, e pergunta: - Qual o seu segredo, Harper? - Segredo? - Ora, vamos. Você é muito forte, tipo, muito forte mesmo. - Eu exagerei? - Foi simplesmente a melhor que eu já tive, achei até que fosse desmaiar. James riu. - Mas é sério, eu nunca conheci ninguém com uma pegada assim antes. Qual o seu segredo? - Sou muito bom gata, só isso. - É mais do que isso, você é forte. - Eu malho. - Sí, claro. - ela falou sarcasticamente. Esmeralda olha mais ao fundo e vê uma máscara de gás preta com lentes brancas pendurada em uma parede. - Peça maneira. - ela comentou. - O'Que? Ela apontou pra máscara e James se virou pra olhar, então respondeu: - Achei num brechó. - Eu não sabia que essas coisas vendiam em brechó, aquela ali parece muito real. - Não é nada demais, acredite. Ela ignorou a máscara, e quando eles acabaram de comer, eles se olham e Esmeralda pergunta: - Ainda tá com fome? - Eu tô faminto! Ele vai até ela e a beija, e então os dois voltam pro quarto e fecham a porta. Pela manhã, James acorda e vê Esmeralda sentada na cama, folheando um livro. Quando ela percebe que ele acordou, ela diz: - Bom dia, super homem. - Que horas são? - Oito da manhã. Acordei cedo e fiz um café, então peguei um livro da sua estante sobre composições químicas, espero que não se importe. - Só não faz orelha na ponta. Ele se levantou, então foi até a cozinha e tomou um pouco do café, e Esmeralda chegou ali, usando o vestido da noite anterior mas com a blusa de James por cima. - Meu vestido ainda está molhado, então... espero que não se importe se eu levar uma blusa. - Não tem problema. Ele chegou perto, querendo dar um beijo nela, mas Esmeralda recuou e disse: - Tentador, mas eu preciso voltar agora. Nos encontramos à noite? - m*l posso esperar. - Deixei um presente pra você na sua cômoda. - E nem é meu aniversário. - ele ironizou. Esmeralda ri, então dá um beijo dele e vai embora dizendo: - Não se atrase! James respira fundo, e então ele arruma toda a louça deles da madrugada e arruma o quarto também. Ele encontra a calcinha de Esmeralda com o número de telefone dela na cômoda, e ele guarda aquilo, sorrindo. Quando terminou de arrumar e limpar a casa toda, James reparou que faltava um volume em sua estante que ele esqueceu de comprar, e como ele tinha o resto do dia livre, ele decidiu ir até a livraria para comprar esse volume que faltava. Mas antes ele precisava sacar dinheiro no banco. James foi andando pela rua tranquilamente até o banco, e viu um rapaz se despedir de um senhor idoso, pela conversa que James pôde ouvir, eles eram avô e neto. Os dois falavam sobre sacar o resto das economias. O idoso entrou primeiro que James, e sentou em uma cadeira. James foi direto para um caixa eletrônico. Ele ainda estava sacando o dinheiro quando ouviu os guardas chamando a atenção do idoso. - Você tá ficando s***o, velhaco? Eu tô sentado aí. - Mil perdões senhor segurança, eu não sabia que você estava sentado aqui. Três seguranças grandes cercaram o senhor idoso. - Tá ficando gagá? - disse um deles. O idoso estava ficando com medo. - Só vim pegar meu dinheiro, é pra minha cirurgia de apêndice. - Então a múmia aqui tem dinheiro, rapazes. - outro guarda debochou. Eles começaram a rir e ficaram impedindo o idoso de levantar, empurrando ele de volta para cadeira. James estava escutando tudo, e ficava repetindo pra si mesmo: - Não é contigo James... não se mete... não se mete... Um guarda pegou a carteira do idoso e virou ela do avesso, jogando os documentos dele no chão e pegando a única nota que tinha ali. - 1 dólar? Não tem vergonha de ser tão pobre assim? - Me desculpe, olha, só deixa eu ir, isso é tudo que eu tenho pra pagar o ônibus de volta pra casa. - o idoso implorava. Os guardas riram dele. - Aí! - James gritou. Eles se viraram para trás e viram James olhando f**o pra eles. - Deixem esse senhor em paz. Os guardas se entreolharam, e um deles, o mais marrento, jogou a carteira no colo do idoso e veio andando até James. - Bom dia senhor, sua mãe não te ensinou que é falta de educação se meter aonde não é chamado? - o guarda debochou. - Não, eu estava ocupado demais na cama com a sua mãe. - James retrucou. Os outros dois guardas riram. - Você é valente, tem um porte legal. - o guarda olhou James dos pés a cabeça. Então ele ameaçou dar um soco em James, parando o punho próximo ao rosto dele, mas James nem sequer piscou. - Você é bom. Não me faça te bater, some daqui logo. O guarda deu dois tapinhas leves na cara de James, e ele revidou derrubando o guarda com um soco. Os outros dois puxaram as armas e apontaram pra ele. - Não me faça repetir, deixem esse senhor em paz. James se virou de costas e voltou até o caixa eletrônico. O guarda marrento levanta com o nariz sangrando muito, e então ele pega seu cassetete, vai até os outros, e dá um golpe com força na cabeça do idoso, derrubando ele no chão. Os outros dois guardas ajudaram ele, e começaram a chutar o idoso com força. James viu aquilo, então ele foi até a porta dos fundos e a trancou. Os três guardas chutavam o idoso, que sangrava muito enquanto gritava de dor no chão. - Ei! - James chamou eles. Quando eles se viraram, um dos guardas foi atingido na cara por uma lata de lixo, e ele caiu no chão, voando por cima do idoso. - Quem você tá pensando que é?! - disse o outro guarda. Ele pegou o cassetete e veio bater em James, mas ele só segurou o cassetete e bateu com ele na cabeça do guarda com tanta força que o cassetete entortou, e o guarda caiu no chão. Só sobrou o marrento, que sacou sua arma e mirou nele, mas antes de puxar o gatilho, James chutou uma cadeira que tinha entre eles e ela acertou os joelhos do marrento, deixando ele desequilibrado. James correu até ele, pulou em cima da cadeira e acertou uma joelhada no queixo dele, quebrando alguns dentes do guarda, e fazendo ele cair no chão. Ele desce da cadeira e vai até o guarda, e pisa no peito dele, depois se agacha e fica próximo ao rosto do marrento, e então diz: - Vocês covardes são todos iguais. E ele dá dois tapas fortes na cara do guarda e cospe nele. Logo em seguida ele olha pro idoso, que estava caído no chão e gemendo de dor, então James vai acudir dele. - Senhor, você está bem? Senhor?! O idoso m*l conseguia falar, ele estava com os dentes quebrados e a boca sangrando. Ele olha para James, e em seguida desmaia. Imediatamente James pega seu celular e liga pra ambulância. Algumas horas depois, o idoso já estava sendo atendido de emergência por médicos no local, assim como os seguranças. James ficou a algumas ruas de distância, escutando tudo. O neto daquele idoso chegou desesperado só pra ver o avô estirado no chão, e quando se aproxima dele, um médico diz: - Ele não resistiu. James pôde ouvir que o coração do idoso já tinha parado de bater, e em seguida ouviu o neto dele chorando e gritando enquanto abraçava o corpo de seu avô morto. Aquilo deixou James doente, ele sentia seu coração pulsando, o estômago revirando, e a raiva subir como nunca. Completamente devastado, ele vai pra casa e tranca a porta, tentando ignorar o que os pensamentos dele diziam pra ele fazer. O sangue de James fervia que nem fogo, a veia na têmpora dele saltava, ele não conseguia pensar em outra coisa se não dar o troco nos responsáveis. Ele se senta no sofá, e imerso em seus pensamentos, ele começa a pensar no que fazer, até que ele volta a si por um instante e vê a máscara de gás na parede.
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