Ruth estava de frente para o fogão preparando o café da manhã e papai estava sentado na ponta da mesa com um jornal na mãos.
- posso saber qual é o motivo especial desse café maravilhoso? - perguntei, caminhando até ela, beijando sua têmpora e espiando as panquecas que cheiravam deliciosamente bem. - isso parece divino - comentei.
Me sentei na mesa e enchi uma xícara de café.
- É seu último dia de aula, querida, pensou mesmo que eu não comemoraria? - disse ela, virado pra nós com a espátula na mão.
Encolhi os ombros.
A formatura, no sábado, é mais importante.
ela revirou os olhos.
- vamos comemorar ambos, cada passo da sua vida é importante para nós - avisou, recolhendo o prato com panquecas e o depositado em cima da mesa.
- Não é todo dia que os pais têm a honra de formar uma médica na família.
um sorriso bobó curvou os meus lábios para cima.
- Ainda falta a residência, mãe, daqui três anos nós voltamos até essa conversa - brinquei.
Meu pai dobrou o jornal e o colocou ao lado na mesa, cruzando as mãos em frente ao rosto e me encarando com afinco.
- Não fez do que a sua obrigação, Bridget -crispo, desculpando os braços e sorvendo um gole de café. - mas não culpa sua mãe pelo orgulho bobo e por querer te agradar.
Engolir o nó na garganta junto com o café quente.
A diferença dele comigo não me incomodava tanto quando Brandon era vivo, meu gêmeo fazia questão de suprir todas as ofensas que eram proferida pelo nosso Pai, mais desde que ele morreu, o comportamento apático passou a me atormentar, assim como a culpa que ele me fez carregar por tantos anos pela morte do Brandon, Mark nunca perdoou Deus ou universo por tê-lo tirando o único filho homem que teve, muito menos perdoou a mim, a responsável pelo banho de chuva.
Passei boa parte da minha vida tentando ser motivo de orgulho para ele, tentando fazer com que ele me visse com outros olhos além da culpa que evidentemente jogava para cima de mim. infelizmente, ele era ignorante demais para isso. Mark tinha a certeza de que eu era a culpada pelo câncer de Brandon, ele achava por termos dividido o útero, eu havia limitado de câncer forte, fazendo sucumbir a doença ainda tão jovem.
Por um bom tempo, pensei o mesmo que ele, deixei que a culpa me afogasse e a vida fosse sem graça e desinteressante, mais isso mudou quando eu cresci o suficiente para compreender que o câncer era uma doença silenciosa e mortal, portanto, não havia culpados pela morte do Brandon.
Eu sabia porque estava endividada e porque sucumbir a afobação para entrar na faculdade sem ligar para as consequências. queria ser motivo de orgulho para Mark, de alguma forma, ao menos uma única vez na vida, mas percebi não muito tarde que nada parecia surtir efeitos nele, que ele nunca me olharia como olhava pra Brandon. Era como se o coração tivesse se envolto em gelo após a morte do filho, quando seu sonho de ser pai de um menino foi corrompido.
Ruth bufou, ignorando as palavras fria e depreciativos do marido.
- Nós amamos você, Bridget - disse ela, pausando uma mão em cima da minha, apertado de leve para enaltecer a fala.
Ela sempre tentava apaziguar a diferença do marido, mas nada fazia com que doesse menos, nem mesmo todo o carinho que depósito em mim desde que a tragédia assolou a nossa família.
Olhei para parede de fundo da cozinha e encarei o retrato de Brandon. ele sorria para a câmera, alheio a doença silenciosa que já se alastrava pelas suas célula. Brandon era como a luz que iluminava a nossa família, depois que ele se foi, levou com ele um pedaço de cada um de nós.
- Você é o meu maio orgulho - contínuo minha mãe.
Um gosto amargo impregnou em minha língua, me forçando a engolir em seco e abrir um sorriso que não chagava aos olhos. A mentira trazia uma sensação r**m, arrastando com ela o sentido de culpa.
Eles não faziam ideia de que eu era uma grande farsante, pensavam que eu era bolsista, que meu prestígio no colegial foi o responsável pela minha bolsa de estudo, não sabia das dividas que eu carregava.
A mentira me transformava em uma péssima filha? bem...eu mentia para eles há anos, vivia uma força que eu mesma criei. Mas, se minha mãe soubesse a verdade ela ainda se orgulharia de mim ou eu teria que lidar com a indiferença dela também? Não sabia a resposta, a culpa pela mentira não era forte o suficiente para me fazer criar coragem e contar a verdade.
Puxei a minha mão da dela e bebi um gole do meu café adocicado, tentando afastar o amargo da minha boca.
- Coma as panquecas, do jeitinho que você gosta. - ela sorriu, inclinando o queixo em direção ao prato.
Espetei o garfo em uma delas e e virei o vidro de mel, melando mais do que o de costumava fazer, uma tentativa de adoçar a m***a que estava a minha vida. Definitivamente, não era uma m***a completa, já que estava preste de me formar e resolver um terço dos meus problemas, mas isso não diluída o fato de que eu era uma completa mentirosa. se Brandon estivesse vivo, estaria rindo da minha cara neste momento.
- Então deliciosa como sempre - comentei, mastigando, engolindo e colocando mais na boca para evitar a conversa.
Em uma semana, as coisas mudaram, começaria a pagar as minhas dividas e eles nunca descobririam a verdade, morreria sendo uma filha mentirosa e era isso.
Ao menos, ser uma mentirosa me dirimir de ter que ouvir mas desaforo do meu pai. se ele descobrisse a verdade, nada poderá impedir de jogar na minha cara, e, para piorar, desta vez ele teria razão para isso.
Minha mãe se levantou bruscamente, tirando-me dos devaneios, ela caminhou até a pia e depósito dentro dela a xícara e o prato vazio.
- Preciso ir para a casa dos Parkson, não quero me atrasar - avisou, conferindo a hora em seu relógio velho no pulso.
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