— Claro! Mas...
Os seus lábios interrompem a minha próxima alfinetada.
— O que você iria dizer?
— Não lembro.
Tento puxá-lo para outro beijo, mas ele retrai-se.
— O que tem de bom para fazer por aqui?
Esfrego os meus dedos na minha testa para amenizar a frustração de não ganhar outro beijo, ele caminha pela casa buscando o que fazer, quando ele para de repente e me encara.
— Você ainda pergunta? — Cruzo os braços.
— Está com fome?
— Não sei ao certo.
— Posso? — [Aponta para a cozinha]
[Meneio um, sim.] Ele segue para a cozinha. Será que ele é habilidoso na cozinha, se for vai ser um clássico cliché de filmes românticos que já assisti. Assisto atrás do balcão, tudo que ele precisa vou a dizer ou apontando onde estão guardados.
— Vai fazer um doce?
— Melhor, sabia que cursei gastronomia alguns anos atrás?!
— Para aprender a fazer uma sobremesa? — Indago.
— Esta desdenhando das minhas habilidades sem ao menos provar.
— Desculpe-me, pela minha falta de apreço.
Ele me obriga a cortar frutas, e chama-me varias vezes de subchefe.
— Você tem assistido muito a Ratatouille. — Zombo. [Risadinhas]
[Grito] Ele dá-me um belisco na bochecha.
— A mousse de salada de frutas tem que ficar perfeito, deixe de brincadeiras, subchefe, mais atenção ao trabalho.
Desdenho com caretas.
— Eu quero que você mexa a calda por trinta minutos sem parar! — Ele ordena.
Faço um pacto interno de ficar calada comigo mesma, sigo calada fazendo tudo que ele ordena. Até eu sou capaz de entender o grau da situação apesar de não querer levar a sério.
— Quero a maior travessa que a sua mãe tiver, ok?!
— Sim chefe.
[Risos] a sua risada é tão fofa, que chega a ser gostosa de ouvir.
Depois de toda a obra-prima feita a bagunça é enorme, como uma simples sobremesa suja tanta louça? Assim como dividimos as tarefas anteriores, dividimos a essa. Ele lava e eu seco e guardo a louça. [Barulho de porta abrindo] Isaías chega.
— O que está a acontecer aqui? — Isaías pergunta.
— Greg veio fazer sobremesa.
Isaías dá um sorriso de canto e sobe para o quarto dele. Greg e eu vamos para a sala jogar um pouco com Isaías, o que, na verdade, eu apenas fico a assistir e é uma disputa acirrada entre os dois. A sobremesa leva um tempo para ganhar consistência na geladeira.
— Quer dizer que os pombinhos estavam se divertindo sozinhos em casa? — Salienta Isaías.
[Barulho de porta] — Oi galerinha do m*l! — Diz Larissa num tom divertido.
— Oi Lari! — Digo. — O que faz aqui garoto?
— Mousse!
— Ah eu quero!
Greg foi preparar a mousse e enquanto isso tiro as minhas dúvidas sobre Greg e a sua culinária.
— Essa história que o Greg é cozinheiro é balela, não é?
— Não bobinha, é a mais genuína verdade! Ele até deixou os estudos por um tempo para fazer o curso.
Enquanto ela fala sobre o Gregorio eu observo que os meninos trazem as tigelas de sobremesa até nós.
[pigarro] — Garotas!
Ele serve-nos, coloco a primeira porção na boca. [gemidos] É ótimo, melhor até que as tradicionais, tento não olhar para Greg, mas falho.
— O que me diz subchefe?
— Se você tivesse trazido esta sobremesa quando chegou e pedido perdão não teríamos brigado tanto! — Brinco.
[risos e conversas calorosas]
A tarde foi bem agradável na companhia de todos, mesmo até quando os meus pais chegaram, eles até provaram e aprovaram a sobremesa do Greg.
— Amor? — Isaías indaga ao ouvir Greg chamar-me de amor.
— Somos namorados. — Diz Greg.
— Desde quando? Ela sabe que vocês estão a namorar? E os nossos pais?
[Gargalhadas]— Para você ver, sabemos e ela também, é um tanto quanto estranhos essa frase ser verdadeira, tratando se desses dois. — Diz o meu pai.
— Já tem uma semana! — Respondo Isaías.
— Traidora, o que aconteceu com o nosso tratado de irmãos que contam tudo um para o outro?
— Eu esqueci! — Desdenho.
Gregório beija-me na frente de todos, e o meu coração fica figurativamente na minha mão, pois os meus pais estão a ver a cena toda.
— Eu amo-te. — Ele sussurra entre os nossos lábios.
— Obrigada por hoje, diverti-me bastante. — Agradeço-o.
Depois de um tempo, Gregório vai para casa fico a observar ele ir embora. Ao virar-me Isaías e Lari encaram-me surpresos ainda.
— Anaju meu irmão não te merece, mas é um máximo vê-los juntos.
— Sério mesmo, como ele conseguiu? — Pergunta Isaías surpreso.
— Venceu-me pelo cansaço!
No entanto, ao anoitecer, minha família e a Larissa nos encontrávamos à mesa. Depois do jantar subo para o quarto, deito-me no puf e fico a encarar o teto pensado sobre o hoje. Foi ótimo e eu não quero iludir-me nem nada acreditando na ideia de que tudo será perfeito por que sei que não será as brigas e discursões viram. Uma luz chama a minha atenção, observo a janela e alguém continua a direcionar a luz da lanterna na minha direção, vejo Gregório na janela do seu quarto.
Fico ao lado da janela. Ele mostra um cartaz:
(●'◡'●) ESTOU COM SAUDADES!
Eu sorrio para ele.
Ele pega outro:
(┬┬﹏┬┬) QUERO DORMIR COM VOCÊ!
(✿◡‿◡) DEIXE A JANELA ABERTA!
Pego o meu caderno e um pincel e escrevo-lhe um belo não:
NÃO (╬▔*▔)╯
Fecho a janela e puxo a persiana, sem chance Greg, sem chance de você dormir aqui comigo! Onde está com a cabeça!? [batidas na janela] Foi questão de segundos e ele já batia na minha janela.
— Greg, o que faz aqui?
— Vim dormir com você, agora sai da frente que eu quero entrar, sabia que aqui está frio?
— Mas eu falei não!
— Não ouvi isso.
— Eu escrevi!
— Não enxergo de tão longe.
— Vai embora.
Ele pula para dentro do quarto, mesmo eu não o permitindo.
— Podemos ficar acordados, já que não quer dormir comigo, contando que eu fique com você é o que me importa.
— Sabe que não podemos ficar acordados temos aulas amanhã.
— Então vamos dormir, eu aaah [bocejo] já estou até com sono, não seja irresponsável vamos dormir logo.