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1022 Palavras
Na entrada da escola, Gregório agarra a minha mão. Sei que isso é uma forma de demonstra carinho e também propriedade, ele acha que não sei. Vejo alguns curiosos cochicharem entre as suas duplas ou grupos. — Como sento se sente sendo a noticia do momento? — Pergunto ao Gregório. — Quê? — Ele pergunta confuso. — Acho que falam de nós! — Digo olhando em volta. — Por que acha isso? — Porque estamos próximos! — Tipo assim? — Ele pergunta-me abraçando. Ele faz-me rir com as brincadeiras dele, beijinhos e declarações de amor em público, são coisas que não estou familiarizada. Acho que me acostumo á isso. — Agora vamos parar de namorar na escola, você sabe que é proibido! — Gregório repreende-me. — Você é muito descarado quando não te convêm. — Digo de braços cruzados. — Vamos, minha marrentinha, a aula nos espera. Hoje tem sido um dia diferente sendo namorada dele, nos sentamos juntos durante as aulas, e no refeitório, não expulsei ele nenhuma vez, na verdade, dessa vez a presença dele era muito bem-vinda às vezes tudo o que precisamos é deixar o passado no lugar dele. Aguardo por Gregório do lado de fora da sala de aula, terminei a prova antes dele, acho que ficar a observar o pátio enquanto o aguardo sair. Escuro! A minha visão foi tapada pela mão de alguém, aposto que é o Greg com as gracinhas dele. — Até parece que eu não sei que é você namoradinho. — Não era assim que você me chamava! — A voz de Daniel soa no meu ouvido. — Quando é que você vai entender que acabou? — Afasto-me dele o encarando com um misto de susto e raiva. — Eu só quero uma última oportunidade de me explicar e fazer-te gostar de mim novamente, eu sinto muito por tudo e sinto muito a sua falta. — Os seus olhos lacrimejados com falsas lágrimas não me convencem. — Isso não vai rolar... Ele se apressa para me agarrar antes mesmo que eu possa reagir, ele me beija como se isso fosse convencer-me do contrário tento inutilmente desenvencilhar-me até que sinto um puxão. Vejo Gregório socar Daniel com brutalidade. È uma cena terrivel. — Ela ainda é minha, eu sinto que ela ainda me ama! — Grita Daniel. — Ela não é objeto, seu i****a! Logo o estamos cercados por alunos, monitores, diretor e zeladores. Os homens afastam os meninos. O diretor repreende ambos e de imediato os levam para a direção, ficar na detenção já é comum para os dois. Depois que tudo é resolvido, sigo para casa, o diretor ligou avisando sobre o acontecido e consequentemente os meus pais estão-me a dar um sermão por conta da imprudência do Greg. Eles privaram-me das minhas regalias, sem celular, sem computador e sem passe livre para ir aonde eu quisesse que no caso seria a biblioteca. O bom que Greg também recebeu castigo, ele foi proibido de vim aqui ate que o meu castigo acabe. — Se você ousar ligar esse computador as consequências prolongaram-se, está entendido mocinha? — E se eu precisar para alguma pesquisa escolar? — Questiono. — Faça as pesquisas nos livros. Por conta da confusão, os meus pais que tiverem que sair dos seus empregos, resolveram ficar para o almoço. Foram as horas mais lentas da minha vida. Sentada à mesa eu fico a ouvir os sermões do papai. — Esse cara que te agarrou, por acaso não seria aquele bad boy que você namorava? — Ele passa a mão no cabelo. — Nunca aprovei você com aquele moleque! — Quando é que o senhor vai esquecer isso? — Questiono batendo na mesa. — Nunca Ana Júlia, um pai nunca esquece quando os filhos passam por perigo, eu só te quero proteger, no passado eu falhei muito me preocupando apenas com trabalho. — Serei sincera com ambos, é o Daniel. — [Respirando fundo] — Ele agarrou-me, mas espero ter deixado claro que eu estou com o Greg, ele só está a fazer essas coisas por que não aceita a minha escolha. [Um breve silêncio] [pigarro da minha mãe] Ela levanta se da mesa me encarando com o seu semblante preocupado, e vai para a cozinha. — Amanhã irei deixá-la na escola, terei uma conversa com esse marginal. Querida?! — Sim, meu querido? — Ela questiona longínqua. — Lembra que eu te falei que escolas... — Para um psicólogo você ousar completar essa frase seria absurdo, você mesmo sabe que ninguém é igual! e Ana Julia, nada de quebrar as regras até nós chegarmos, ok? Ela parece preocupada demais nesse meio tempo que ela ficou na cozinha. Porem, ambos saem de casa. O que me restou foi meu MP4 e fones de ouvido, eles proibiram todas as coisas que eu gosto de tocar, porem esqueceram o som na sala, eu conecto-os e aumento o volume no máximo, eu amo Bon Jovi, eu entrego-me ao sofrimento da voz em never say goodbye não há como não sofrer. [Barulho musical] eu danço, interpreto e canto as minhas músicas favoritas. [Aplausos] Esse som de aplausos que eu ouço não vem da música que estou a ouvir, viro me depressa e vejo o Greg na escada. — C-como... [Balbucio] — você... [Me interrompe] — A sua janela estava aberta! Reviro os olhos. — Eu ouvi um barulho, tipo de festa e imaginei que a senhorita dava uma festa sem me convidar, entretanto, vim conferir! E além de linda sua voz é apaixonante. — Você não tem limites não é? — Pergunto com um sorriso sutil, ou até mesmo namorador deixando em mistérios meus sentimentos. — Quem tem limite é fronteira, meu bem! — Ele caminha na minha direção, tenho vontade de correr, mas permaneço no lugar. Ele me puxa para uma dança, o meu corpo o segue contra a minha vontade consciente, já o meu inconsciente toma conta do controle sempre me traindo. — Eu poderia mandá-lo embora, mas essa porta encontra se trancada o que me impede de expulsá-lo. — Achei que você estava cheia de saudades, mas como de costume você é tóxica.
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