Na entrada da escola, Gregório agarra a minha mão. Sei que isso é uma forma de demonstra carinho e também propriedade, ele acha que não sei. Vejo alguns curiosos cochicharem entre as suas duplas ou grupos.
— Como sento se sente sendo a noticia do momento? — Pergunto ao Gregório.
— Quê? — Ele pergunta confuso.
— Acho que falam de nós! — Digo olhando em volta.
— Por que acha isso?
— Porque estamos próximos!
— Tipo assim? — Ele pergunta-me abraçando.
Ele faz-me rir com as brincadeiras dele, beijinhos e declarações de amor em público, são coisas que não estou familiarizada. Acho que me acostumo á isso.
— Agora vamos parar de namorar na escola, você sabe que é proibido! — Gregório repreende-me.
— Você é muito descarado quando não te convêm. — Digo de braços cruzados.
— Vamos, minha marrentinha, a aula nos espera.
Hoje tem sido um dia diferente sendo namorada dele, nos sentamos juntos durante as aulas, e no refeitório, não expulsei ele nenhuma vez, na verdade, dessa vez a presença dele era muito bem-vinda às vezes tudo o que precisamos é deixar o passado no lugar dele.
Aguardo por Gregório do lado de fora da sala de aula, terminei a prova antes dele, acho que ficar a observar o pátio enquanto o aguardo sair.
Escuro!
A minha visão foi tapada pela mão de alguém, aposto que é o Greg com as gracinhas dele.
— Até parece que eu não sei que é você namoradinho.
— Não era assim que você me chamava! — A voz de Daniel soa no meu ouvido.
— Quando é que você vai entender que acabou? — Afasto-me dele o encarando com um misto de susto e raiva.
— Eu só quero uma última oportunidade de me explicar e fazer-te gostar de mim novamente, eu sinto muito por tudo e sinto muito a sua falta. — Os seus olhos lacrimejados com falsas lágrimas não me convencem.
— Isso não vai rolar...
Ele se apressa para me agarrar antes mesmo que eu possa reagir, ele me beija como se isso fosse convencer-me do contrário tento inutilmente desenvencilhar-me até que sinto um puxão. Vejo Gregório socar Daniel com brutalidade. È uma cena terrivel.
— Ela ainda é minha, eu sinto que ela ainda me ama! — Grita Daniel.
— Ela não é objeto, seu i****a!
Logo o estamos cercados por alunos, monitores, diretor e zeladores. Os homens afastam os meninos. O diretor repreende ambos e de imediato os levam para a direção, ficar na detenção já é comum para os dois.
Depois que tudo é resolvido, sigo para casa, o diretor ligou avisando sobre o acontecido e consequentemente os meus pais estão-me a dar um sermão por conta da imprudência do Greg. Eles privaram-me das minhas regalias, sem celular, sem computador e sem passe livre para ir aonde eu quisesse que no caso seria a biblioteca.
O bom que Greg também recebeu castigo, ele foi proibido de vim aqui ate que o meu castigo acabe.
— Se você ousar ligar esse computador as consequências prolongaram-se, está entendido mocinha?
— E se eu precisar para alguma pesquisa escolar? — Questiono.
— Faça as pesquisas nos livros.
Por conta da confusão, os meus pais que tiverem que sair dos seus empregos, resolveram ficar para o almoço. Foram as horas mais lentas da minha vida. Sentada à mesa eu fico a ouvir os sermões do papai.
— Esse cara que te agarrou, por acaso não seria aquele bad boy que você namorava? — Ele passa a mão no cabelo. — Nunca aprovei você com aquele moleque!
— Quando é que o senhor vai esquecer isso? — Questiono batendo na mesa.
— Nunca Ana Júlia, um pai nunca esquece quando os filhos passam por perigo, eu só te quero proteger, no passado eu falhei muito me preocupando apenas com trabalho.
— Serei sincera com ambos, é o Daniel. — [Respirando fundo] — Ele agarrou-me, mas espero ter deixado claro que eu estou com o Greg, ele só está a fazer essas coisas por que não aceita a minha escolha.
[Um breve silêncio]
[pigarro da minha mãe] Ela levanta se da mesa me encarando com o seu semblante preocupado, e vai para a cozinha.
— Amanhã irei deixá-la na escola, terei uma conversa com esse marginal. Querida?!
— Sim, meu querido? — Ela questiona longínqua.
— Lembra que eu te falei que escolas...
— Para um psicólogo você ousar completar essa frase seria absurdo, você mesmo sabe que ninguém é igual! e Ana Julia, nada de quebrar as regras até nós chegarmos, ok?
Ela parece preocupada demais nesse meio tempo que ela ficou na cozinha. Porem, ambos saem de casa. O que me restou foi meu MP4 e fones de ouvido, eles proibiram todas as coisas que eu gosto de tocar, porem esqueceram o som na sala, eu conecto-os e aumento o volume no máximo, eu amo Bon Jovi, eu entrego-me ao sofrimento da voz em never say goodbye não há como não sofrer.
[Barulho musical] eu danço, interpreto e canto as minhas músicas favoritas.
[Aplausos] Esse som de aplausos que eu ouço não vem da música que estou a ouvir, viro me depressa e vejo o Greg na escada.
— C-como... [Balbucio] — você...
[Me interrompe]
— A sua janela estava aberta!
Reviro os olhos.
— Eu ouvi um barulho, tipo de festa e imaginei que a senhorita dava uma festa sem me convidar, entretanto, vim conferir! E além de linda sua voz é apaixonante.
— Você não tem limites não é? — Pergunto com um sorriso sutil, ou até mesmo namorador deixando em mistérios meus sentimentos.
— Quem tem limite é fronteira, meu bem! — Ele caminha na minha direção, tenho vontade de correr, mas permaneço no lugar.
Ele me puxa para uma dança, o meu corpo o segue contra a minha vontade consciente, já o meu inconsciente toma conta do controle sempre me traindo.
— Eu poderia mandá-lo embora, mas essa porta encontra se trancada o que me impede de expulsá-lo.
— Achei que você estava cheia de saudades, mas como de costume você é tóxica.