Enlouquecendo

1066 Palavras
Rocco DeLuca Eu observava do meu escritório no andar de cima, através do vidro fumê que dava para o palco principal. A boate estava lotada, o ar carregado de fumaça e desejo, homens gritando por mais enquanto as garotas dançavam. Mas os meus olhos estavam fixos na porta do camarim, esperando Caterina sair. Eu sabia que estaria pedindo muito da virgenzinha se a colocasse a venda novamente, então dançar aqui foi a negociação mais óbvia para mim. Irina havia feito seu trabalho, como sempre. Ela era boa nisso: treinando as novatas, mantendo a casa em ordem. Mas ver Caterina com ela me irritava de um jeito que eu não entendia. Irina era minha p**a, de certa forma. Fácil, sem complicações e uma boa b****a. Mas Caterina... p***a, Caterina era um incêndio que eu não conseguia apagar e aquele fogo que fazia minhas bolas se apertarem com força. Talvez fosse apenas por eu não conseguir realmente tê-la em minha cama. Não que aquilo fosse impossível já que ela havia oferecido sua virgindade como moeda de troca antes. Vittorio entrou sem bater, como de costume, com uma pasta na mão. — Rocco, os homens estão prontos para o ataque em Scilla. Enzo está lá, com a menina. Mas os aliados de Cavaglieri estão se mexendo. Pode ser uma armadilha. Eu assenti, sem tirar os olhos da tela de segurança que mostrava o camarim. Caterina estava se maquiando agora, os movimentos nervosos, mas determinados. — Vamos amanhã. Quero acabar com isso antes que vire uma guerra maior. — Tem certeza que quer pegar a garota? — ele perguntou, — Quero dizer vale a pena? — Vale. — respondi sem desviar o olhar, — É mais uma moeda de troca com Caterina. Vittorio seguiu meu olhar e bufou. — Ela vai dançar hoje? Você tá louco, irmão? Trazer ela pra cá, no meio de tudo... — Ela quis. — respondi seco. — Disse que dança bem. Vai subtrair da dívida. Ele riu, balançando a cabeça. — Dívida, é? Ou você só quer vê-la se contorcendo no palco pra você? Eu aposto na segunda opção. Eu o encarei sentindo a raiva subindo. — Cale a boca, Vittorio. Ela é minha responsabilidade agora que a peguei. — Sua obsessão, você quer dizer. — Ele jogou a pasta na mesa. — Cuidado, Rocco. Mulheres como ela não pertencem a esse mundo. E Irina já tá p**a da vida com isso. Eu ignorei, voltando para a tela. A porta do camarim se abriu, e Caterina saiu, o corpo envolto em um robe curto, os cabelos soltos caindo como uma cascata castanha. Meu p*u endureceu só de olhar. p***a. Ela ia dançar. Para todos aqueles desgraçados. Mas no final, era para mim. — Anuncie ela como "Angelica". — ordenei ao DJ pelo interfone. — E certifique-se de que ninguém toque nela. Qualquer um que tentar, quebra os dedos. Vittorio saiu rindo, mas eu não me importei. O show estava prestes a começar, e Caterina ia aprender que, nesse mundo, tudo tinha um preço. Inclusive eu. As luzes da boate baixaram de repente, mergulhando o salão em um vermelho profundo e pecaminoso. O DJ cortou a música anterior com um scratch dramático e a voz grave dele ecoou pelos alto-falantes: — Senhores, com vocês… pela primeira vez no palco principal… a nossa nova estrela… Angelica! O primeiro acorde de “You Can Leave Your Hat On” explodiu no ambiente. Lento, sujo, perfeito. Meu coração deu um soco no peito quando ela surgiu. Caterina. Não, Angelica. O robe preto curto escorregou pelos ombros dela como se tivesse vida própria, caindo no chão com um sussurro que ninguém ouviu. Ficou só de lingerie preta, meias arrastão até a metade das coxas e saltos altíssimos que faziam suas pernas parecerem infinitas. O cabelo castanho solto, ondulado, balançava a cada passo. Ela não olhou para a plateia de cara. Olhou direto pro vidro fumê do meu escritório. Como se soubesse exatamente onde eu estava. Filha da p**a. Ela sabia. A primeira nota cantada bateu e ela começou a se mover. Devagar. Dolorosamente devagar. As mãos subiram pelo corpo, dos quadris até os s***s, apertando de leve, como se estivesse se tocando só pra mim. Os quadris rodaram num oito perfeito, o bumbum empinando de um jeito que fez minha mão apertar o copo de uísque com tanta força que quase quebrou o vidro. A plateia enlouqueceu. Notas voaram pro palco. Gritos. Assovios. Homens se levantando, babando. Eu senti o sangue ferver nas veias. Minha. Ela desceu de joelhos, abriu as pernas num split perfeito que fez metade da boate gemer alto. As mãos foram pro fecho do sutiã. Meu corpo inteiro travou. Se ela tirasse aquilo ali, na frente de todo mundo, eu ia descer e arrancar olho por olho. Mas Caterina era mais esperta que isso. Ela só brincou com o fecho, deixou a alça cair de um ombro, mostrou o suficiente pra enlouquecer, mas não entregou. Virou de costas, desceu até o chão, empinando aquela b***a redonda e perfeita, balançando devagar enquanto olhava por cima do ombro… direto pra mim. Eu já estava de pé, sem nem perceber. A mão no coldre da pistola dentro do paletó. Vittorio tinha razão. Eu estava louco. Louco pra descer ali, jogar ela no ombro e f***r ela até ela esquecer que tem nome. A música subiu no refrão. Ela se levantou num giro, jogou o cabelo pra trás, andou até a barra do poste como se fosse dona do mundo. Subiu com uma facilidade que me fez cerrar os dentes. Pernas abertas no metal frio, desceu de cabeça pra baixo, o corpo inteiro esticado, s***s quase escapando do sutiã. Quando ela abriu as pernas no alto do poste, a boate inteira perdeu o ar. Eu perdi o juízo. Bati no interfone com força demais. — Luzes vermelhas agora. Fim do show. — rosnei. O DJ obedeceu na hora. As luzes ficaram só vermelhas, a música cortou no clímax. Caterina congelou no poste, o peito subindo e descendo rápido, suada, os olhos ainda cravados no vidro fumê. A plateia reclamou alto pela interrupção, mas meus seguranças já estavam subindo no palco. Ela desceu devagar, pegou o robe, cobriu o corpo e saiu andando como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse acabado de incendiar a p***a toda. Eu desci as escadas de dois em dois degraus. Estou enlouquecendo por ela.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR