— É melhor você ir. — Sua voz vem rouca, cansada, como se lutasse ferozmente contra seus instintos. — Um dos meus homens vai te levar pra casa.
Don dá a volta pelo quarto e começa a abrir a série de botões da camisa fina, um por um. Seus dedos longos têm unhas curtas, e as veias dançam sob a pele bronzeada das mãos.
— E quanto a minha dívida com você? — me recomponho, como se há poucos segundos não estivesse prestes a colar meus lábios aos seus.
— Vai saber quando for a hora.
— Não é essa a resposta que eu quero, Don. Não é justo. Fiz tudo o que me pediu!
— É somente essa a resposta que terá. Contente-se com isso.
— Eu não…
— Louise. — Ele me encara, recuperando o ar autoritário. — Quando eu voltar, te quero fora daqui!
Don some de vista, os passos ecoando pela suíte enquanto se afasta. Fico travada no lugar, a raiva e o orgulho ferido me fazendo morder o lábio inferior. Vou esperar esse cara voltar e arrancar uma resposta decente dele. Não quero viver todos os dias pensando no que vai acontecer quando ele aparecer do nada e me obrigar a esconder um corpo ou algo pior. Don pode ser implacável e arrogante, mas eu posso ser teimosa e insistente na mesma medida.
***
Exploro a suíte luxuosa sob a penumbra vermelha. Para ser sincera, não me parece muito o estilo do Don. Toda aquela personalidade amarga me dá a impressão de ele é o tipo de cara que te fode no chão de terra, com os joelhos no milho ou em cacos de vidro. É um tanto específico, mas é essa a vibe que me passa. Um bruto. Um bruto que te come tão, mas tão bem que você nem liga onde seja.
Deus que me perdoe!
Encontro o banheiro e me tranco dentro dele. Diante do espelho que cobre a parede de porcelanato preto, analiso a estranha no reflexo. Meu batom vermelho permanece intacto. Pareço uma garota de programa nesse vestido colado que marca até meus ossos. Chego um pouco mais perto do reflexo e passo os dedos pela marca do Cérbero no pescoço. Que coisa humilhante. Mandei Camile ficar longe de Marlon como se eu fosse muito responsável e ajuizada. Se soubesse que, além de entrar no carro do Don, ainda aceitei me vestir com sua boneca, fui marcada como sua propriedade em uma boate de sexo, ela nunca mais levaria meus conselhos a sério.
Toco a maçaneta da porta e saio, mas paro quando ouço uma voz feminina rompendo o silêncio. Esgueiro-me por trás do cobogó que divide o ambiente e olho por uma das frestas.
Uma mulher loira e tão alta quanto uma modelo atravessa o quarto. Ela está dentro de um vestido azul-turquesa que desenha seu corpo cheio de curvas. Recolho-me à minha insignificância e penso em um jeito de sair daqui sem ser vista. O problema é que só há duas saídas e em ambas preciso passar por onde eles provavelmente me veriam.
É inevitável. Não tenho muito o que fazer senão observar ela terminar de desabotoar a camisa de Don, ronronando como uma gata manhosa. Depois, ela desce a barra do próprio decote, deixando os s***s à mostra. Nem eu consigo resistir à tentação de observá-los, mas não por muito tempo, porque o lutador os segura e os abocanha com brutalidade. Ele a aperta, chupa seus m*****s duros com uma possessão e intensidade que me roubam o ar.
Paralisada, observo a cena com água na boca.
— Que saudade que eu estava de você, Santoro, devia aparecer mais vezes por aqui…. — A voz aveludada da loira some com o tapa que ele estala no rosto dela.
Puta. Merda.
— Quieta, c*****o. — Ele a segura pelo maxilar e a puxa para frente. — De joelhos.
A mulher se recupera em um segundo. Passa a língua pelos lábios e limpa o rastro de sangue que desce no canto de sua boca. Ela sorri com uma luxúria que preenche o espaço, o olhar sedutor provocando-o como se quisesse apanhar muito mais.
Minha curiosidade se atiça quando Don desaparece e volta com uma corda de sisal. A loira geme, excitada, enquanto ele amarra os pulsos finos e depois a levanta, içando-a pela corda. Ela se senta na cama e olha para ele, os s***s vermelhos e marcados pelos dentes de Don.
Ele desabotoa o cinto e desce a calça, o volume bruto explodindo dentro da cueca. Meu coração dispara na expectativa de vê-lo pelado. Quando Don coloca o p*u para fora, prendo a respiração, aturdida e chocada. O desgraçado é tão grande, grosso e veiúdo que enverga para o lado e enche minha boca de saliva. A imagem é absolutamente obscena e deliciosa a ponto de apertar minhas coxas uma na outra.
A mulher começa a chupá-lo, e Don ergue o queixo, me dando uma visão do pescoço forte, os músculos rígidos. O pomo de adão sobe e desce. O corpo inteiro desse homem é insano, esculpido à mão. Ele arqueia as costas quando seu p*u atinge o fundo da garganta dela, e ainda assim ela não o engole por completo. Não cabe. Sedenta, a loira alterna os movimentos para dentro e para fora, e ele aplica mais pressão na parte de trás da cabeça dela. Os gemidos femininos misturando-se ao som do boquete sórdido enviam pontadas violentas direto para o meu ventre.
Jesus.
Ele fecha os olhos, imerso no prazer, os lábios entreabertos, a expressão de puro t***o em cada músculo. Eu o observo fixamente, hipnotizada. Molhada.
Não posso continuar aqui.
Se eu achava que poderia controlar minha atração por esse homem, assisti-lo fodendo a boca de uma mulher só me mostrou o quanto estou ferrada. Porque é do jeito que eu gosto. Do jeito que eu sempre quis ser fodida.
Calebe tirou minha virgindade no banheiro da casa dele há quatro anos. Foi horrível, mas Íris havia dito que a primeira vez sempre era péssima. Então veio a segunda, a terceira e tantas outras, e tudo o que eu queria era que acabasse logo.