Tim deu uma golada no copo de cerveja e olhou para Sam, que estava aos amassos com a ruiva, beijando-a de língua, apertando-lhe os peitinhos por cima da blusa. E ao contrário do amigo, parecia bem animado.
— Agora você ter que f***r com nós dois, sua p*****a safada. — disse Tim dando outra golada na cerva.
— Hum... Os dois? — Perguntou a ruiva olhando-os com um belo sorriso — 150 completos para os dois!
— p***a, o que há com as vadias hoje em dia? — gritou Tim, ensandecido — Acha que suas bucetas são sócio comunistas, p***a? Se não pagarmos vão fazer uma greve?
— Não. — disse seriamente a ruiva — Simplesmente não farei o programa e você vai voltar para casa, bater punheta.
— O QUÊ SUA v***a? — falou Tim, indo pra cima dela.
Antes que ele começasse a estapear a ruiva, Sam, se levantou e ficou na frente dela, fazendo um escudo humano, impedindo que o amigo avançasse.
— p***a Tim: pensei que estávamos aqui nos divertir. — disse Sam, acalmando o colega — Tô doido para comer esse rabinho, cara.
— Desde quando você já comeu alguém, Sam? — disse Tim dando um sorriso irônico — Vou pagar o preço dessa v***a. Vamos, p**a!
Os três foram em direção aos quartos e entraram. A moça foi para o banho. Os rapazes esperaram na cama. Tim foi para o banheiro. A água percorria sua pele branca e macia. Ela alisava delicadamente seus belos cabelos ruivos, que chegavam à cintura. Qualquer homem ficaria tocado pela cena, menos é claro, Tim, pois ele nascera desprovido de sentimentalismos. Para ele, a vida nada mais é do que um depósito de necessidades. E as pessoas, meros produtos descartáveis, onde ele aproveita o que precisa e depois se joga fora.
— Vou limpar essa sua b*******a rosinha é na língua — disse Tim escarnecendo a ruiva do lado de fora do banheiro — Não precisa se preparar tanto assim.
— Ainda não me purifiquei! — disse a ruiva dentro do banho — Aguardem que eu não vou decepcioná-los.
Tim, movido pelo instinto, já não conseguia escutar. Entrou no banheiro, agarrou a ruiva pelos braços e a beijou com fúria. A jovem tentou resistir, mas logo desistiu. Foi descendo para o pescoço e depois deu uma boa chupada nos s***s dela, com uma das mãos sempre em sua x**a. Encostou sua cara com força na parede. Não precisou pedir para ela empinar o r**o, ela o fez naturalmente e então ele meteu com todas as forças que tinha, dentro da x**a dela. Metia por trás, agarrava suas t***s e mordia sua nuca no melhor exemplo animalesco. Tirou o p*u e gozou nas nádegas, se enxugou e saiu.
— Termine logo e saia, — disse Tim ofegante — pois ainda não terminamos com você.
Ao sair do banheiro Sam estava deitado na cama olhando para o teto.
— E aí? Pronto para sua primeira f**a? — Sorriu Tim com ironia — Tem certeza que sabe como f***r uma v***a?
Sam não respondeu. Tim bebia vodca pura, direto na garrafa. Passados mais dez minutos depois, ela finalmente, ela saiu do banho nua, apenas enxugando os cabelos com uma toalha.
— Vamos os dois comer você de vez. — Tim falou num tom autoritário.
— Não sei não, cara. — disse Sam, com um pouco de receio.
— Deixe de ser frouxo, c*****o! — gritou Tim, exaltado com o que Sam disse — Já experimentei a b*******a: agora vou comer o cu.
A ruiva tirou a toalha e por um momento parecia que não havia mais oxigênio no planeta. Ela caminhou nua na direção de Sam, e como um demônio da luxúria, tirou suas roupas. O garoto parecia hipnotizado pelo olhar penetrante da garota, e apenas respondia aos comandos. Ela sentou no seu p*u e começou a dançar. A cada movimento Sam ficava mais louco.
— Fique de quatro que vou entrar na festa. — disse Tim com o mesmo desejo de Sam.
A moça obedeceu e os dois meteram em conjunto nela. Transaram até não aguentar mais e sentirem que seus corpos foram sugados por inteiro. No final, ela cobrou apenas 50 de cada. Tim pagou satisfeito e saiu do bar do PATTO.
No meio do caminho, olhou para Sam e viu uma expressão de satisfação e felicidade.
— O que você e a ruiva conversaram antes de se beijarem daquele jeito? — perguntou Tim, incomodado com o amigo sorridente.
— A ruiva disse que se eu a beijasse com a maior sinceridade do mundo, — Sam começou a explicar com um ar de empolgação — eu poderia fazer um pedido que ele se realizaria.
— p***a! E você acreditou nessa merda? — disse Tim irritado — O que foi que você pediu?
— Pedi para escrever um livro pequeno, com uma história super f**a, — explicou Sam, com muita seriedade — que fizesse as pessoas pensarem se era real ou inventado.
— c*****o, Sam! Tanta coisa para pedir, e você pede uma merda dessas? — Disse Tim puto — Que retardado você é!
Ambos caminharam por mais ou menos uns vinte minutos e mais adiante se despediram, indo cada um para suas casas. Tim m*l chegou, falou com os pais e foi para o quarto, catar um resto de vodca que deixou numa garrafa atrás da cama. Lá ele colocou seus rocks para tocar, bebeu até chapar e foi dormir ao som de sua música preferida:
“I'm always thinking bad. I never have nothing good to say. I'd rather tear things down, than build them up… It's easier that wayI'm only happy when I'm in my misery. I'll cut you down and give you lip. Being positive's so unhip I'll cut you down cause I'm a fool, being positive's so uncool… Yeah: I hate everything. I even hate you too. So f**k you”.
O baque surdo do despertador rasgou o silêncio da manhã. Tim gemeu, a cabeça latejando em compasso com as poucas e turvas lembranças da noite anterior. Fragmentos de risos forçados e um gosto amargo na boca dançavam espectralmente pelas suas pálpebras fechadas. Desligou o aparelho com um tapa hesitante, o corpo pesado como se carregasse os pecados de um mundo esquecido.
Arrastou-se da cama, os pés descalços agarrando o chão frio como se buscassem alguma âncora em meio ao mar revolto da sua ressaca. Vestiu o uniforme escolar com movimentos lentos e a estranha sensação de ter permanecido acordado durante toda a noite grudada na sua pele como uma sombra. Havia algo de errado naquela manhã, uma dissonância que ele não conseguia decifrar, mas que o envolvia num manto de inquietude.
Ao chegar ao pátio do CEAS, a primeira onda de estranheza transformou-se num calafrio: Sam não estava ali. A ausência do amigo, geralmente tão presente, pairava no ar como um mau presságio. Tim tentou afastar a preocupação, atribuindo o sumiço à inevitável ressaca que certamente afligiria Sam após a mesma noite de excessos. “Amanhã ele aparece”, murmurou para si, tentando convencer-se da normalidade da situação.
Mas o amanhã se arrastou e Sam continuou sendo uma vaga no vazio da sala de aula. O segundo dia sem notícias intensificou a pontada de ansiedade no peito de Tim, transformando-a numa sombra persistente. No sábado, o silêncio que emanava da ausência de Sam tornou-se insuportável. A despreocupação inicial desintegrou-se, dando lugar a um pressentimento sinistro que corroía seu ser.
Movido por uma força que não compreendia, Tim decidiu ir até a casa de Sam. O caminho pareceu mais longo e tortuoso do que de costume, as árvores da rua sussurravam enquanto ele caminhava. A casa de Sam, antes um refúgio familiar e acolhedor, agora exalava uma aura de clausura e mistério.
Os pais de Sam o receberam com rostos pálidos e olhos fundos. A notícia que deram a Tim o atingiu como um golpe no estômago. Sam estava trancado no quarto desde o domingo, emergindo apenas brevemente quando sentia fome ou sede, absorto num misterioso “momento de inspiração”. As palavras dos pais pareciam forçadas, com uma apreensão m*l disfarçada. Eles mencionaram que Sam estava evitando visitas, um comportamento atípico que intensificou a crescente sensação de pavor em Tim.
Despedindo-se dos pais de Sam com um nó na garganta e um turbilhão de pensamentos na mente, Tim voltou para casa. A luz do sol parecia fria e distante, e as cores do mundo perderam a vivacidade. A certeza de que algo terrível havia acontecido a Sam o acompanhava como um obsessor implacável.
A semana seguinte arrastou-se num ritmo torturante, cada hora carregada de expectativas sombrias. Na segunda-feira, a notícia quebrou a tênue fachada de normalidade no CEAS como um relâmpago em céu aberto. Sam havia se suicidado.
A voz da diretora Conceição, embargada emocionalmente, ecoou pelo microfone da rádio, lançando um véu de choque e incredulidade sobre os alunos. Os pais de Sam haviam ligado, relatando os detalhes macabros daquela última noite. Sam havia se trancado no quarto, escapulido de casa na calada da madrugada, retornado duas horas depois e ingerido chumbinho ali mesmo, na entrada da casa, antes mesmo do sol nascer. A porta da sua casa se tornou sua lápide improvisada, antes que pudesse sequer buscar refúgio.
O anúncio reverberou no peito de Tim como um grito silencioso. Uma dor lancinante, misturada a uma culpa inexplicável, o invadiu. Ele precisava de ar, precisava escapar daquele ambiente sufocante de luto e confusão. Sem pensar, correu para o portão lateral da escola, um lugar esquecido onde uma velha caixa de força enferrujava sob a ação do tempo.
Uma certeza inexplicável o impulsionava. Ele sabia, com uma convicção visceral que desafiava a lógica, que Sam havia estado na escola naquela fatídica madrugada. Não havia nenhuma evidência concreta para sustentar essa crença, apenas uma intuição sombria que o guiava como um farol espectral.
Chegou à caixa de força com o coração martelando no peito. As mãos trêmulas alcançaram a trava enferrujada e a abriram. Dentro, em meio à poeira e teias de aranha, estava ele: o caderno de Sam. As folhas onde os deveres escolares eram usualmente rabiscados haviam sido arrancadas, deixando para trás um volume mais fino, carregado de um peso misterioso. Na capa, rabiscado com letras maiúsculas e hesitantes, jazia um título enigmático: “SETE DIAS E UM DESTINO”.
Tim pegou o caderno com cuidado, como se manuseasse um artefato frágil e perigoso. Enfiou-o na mochila, o peso do objeto estranhamente reconfortante em meio ao caos emocional que o assolava. O levou para casa, cada passo ecoando o vazio deixado pela ausência de Sam.
Assim que cruzou a porta, sua mãe o abordou com os olhos marejados, repetindo a notícia devastadora da ligação dos pais de Sam. Tim ouviu em silêncio, a dor entorpecendo sua capacidade de reação. Com uma voz rouca e distante, respondeu que não iria ao velório. Não suportava a atmosfera carregada e opressora desses rituais de despedida.
Refugiou-se no seu quarto, o santuário da sua adolescência agora manchado pela sombra da perda. Caminhou até o canto esquecido atrás da cama, onde escondia sua garrafa de vodca, um escape proibido para as noites insones. Abriu a tampa com um clique metálico, levando a garrafa aos lábios e tomando um gole longo e amargo, buscando em vão anestesiar a dor lancinante que o consumia.
Deitou-se na cama, o corpo exausto e a mente fervilhando de perguntas sem respostas. Pegou o caderno de Sam, a capa de papelão gasta e as letras rabiscadas parecendo clamar por atenção. Ele seria um detetive improvável, mergulhando nas últimas palavras do amigo em busca de algum fragmento de verdade, alguma pista que pudesse iluminar a escuridão daquele suicídio repentino e inexplicável.
Com a voz embargada e o coração apertado, Tim abriu o caderno na primeira página e começou a ler em voz alta, as palavras de Sam ecoando no silêncio lúgubre do quarto, desvendando lentamente os segredos obscuros de…