Pré-visualização gratuita Prólogo.
Felipe.
Deitado na minha cama em nosso apartamento em São Paulo. Um filme com a nossa trajetória passa pela minha cabeça enquanto desfruto da maciez do meu colchão depois de mais um show perfeito. O público lotou o Recanto das Aves, local destinado à apresentação. Ainda consigo ouvir a multidão cantando as músicas do novo CD. Foi mágico, ainda estou arrepiado.
Mas, me lembro que há sete anos não era assim tão bom. Apanhamos muito da vida até chegarmos aqui.
Éramos dois jovens em busca de reconhecimento. Hoje temos, porém, foi penoso e humilhante conseguir.
Quando saímos da nossa cidade, no interior do Paraná, nosso tio Jairo nos acompanhou. Ele acreditava em nós. Eu tinha 18 anos e Fred 21. Jairo já estava na casa dos 40, mais maduro, porém nada preparado para sair de nossa pequena cidade e enfrentar o mundo afora.
Nos primeiros meses ele até conseguiu nos manter em pensões à beira da estrada, onde só havia colchões. Os gastos com combustível e alimentação quase não cabiam no nosso orçamento, e os pequenos shows não rendiam muito, o que era pouco se tornou escasso. Começamos a dormir no carro, uma velha Kombi azul… Ela era mais problema do que ajuda... E assim fomos por meses.
Em uma noite de show, meu tio arrumou briga com um garçom e na hora de dormir, ele não apareceu. Dois dias se passaram e nada. Fred e eu estávamos com medo que algo mais grave tivesse acontecido, o procuramos por todo canto da cidade. Fomos à polícia local que nos levou ao IML e foi lá onde encontramos o corpo de Jairo, que havia morrido na noite em que desapareceu, de acordo com os registros. Apanhou até perder os sentidos, os hematomas estavam lá para contar. Ele foi enterrado como indigente porque não tínhamos dinheiro para mandá-lo para casa. Com muita dor no coração, combinamos de dizer que não reconhecemos o corpo, se a polícia desconfiou, não nos falaram nada. Lamentamos por dias. Mas o que podíamos fazer?
Ano após ano, fomos seguindo de bar em bar. Cantávamos em bares, parques, circos e eventos das cidades por onde passávamos. Ainda não conseguimos pagar pelas nossas estadias, mas já é possível nos alimentar. O acontecido com nosso tio nos fez homens arredios e desconfiados. Confiávamos apenas um no outro.
Um dia, em um posto de Goiânia, estávamos deitados em um banco de madeira. O violão de lado; tentávamos compor mais uma música. Fred sempre teve facilidade com as notas, e eu com as letras.
Um carro de luxo preto estacionou bem perto de onde estávamos. Foi quando eu vi Vitor sair de dentro dele. Meu coração disparou, eu curtia demais a dupla. Eles já estavam no auge, e para nós eram referência. Vitor não me viu a princípio, mas Ian assim que saiu do carro, ficou encarando o violão. Ele se aproximou, e Fred, assustado, caiu do banco.
Ian, sempre sério, nos cumprimentou. Se sentaram conosco e pediram para que mostrássemos nossa música. Sem jeito, mas com um sonho, nós cantamos, Ian e Vitor tinham como empresário o Rick, um primo deles que também nos foi apresentado ali. Foi assim que a nossa trajetória começou. Eles são visionários. Fomos levados para conhecer sua fazenda e nos contaram que nos levariam para São Paulo, onde ficava o estúdio de gravação da dupla.
Rick e os meninos se tornaram nossos empresários e assim começamos a deslanchar na carreira. Com eles, as mulheres caiam matando e aproveitamos tudo, sem restrições. Hoje, graças a eles eu posso dar a minha família conforto, saúde e estudos.
Fizemos no cemitério da cidade uma cerimônia em homenagem a Jairo. Contamos tudo à família e eles entenderam.
Ian sempre foi o pegador, mas começou a se importar com o título quando viu Karen Hills pela primeira vez na TV, o cara se apaixonou pela nadadora.
Ela e a prima são lindíssimas, logo se tornaram parte da bagunça do mundo sertanejo. E com elas, a família e os amigos, e foi onde acabei me tornando amigo de Tom, o cara é f**a nas quadras e está preso na coleira da linda Bruna. No entanto, antes desse casal se acertar, muita água rolou, e foi nessa loucura que eu conheci a mulher que me ferrou com todas as outras.
Alicia, a deliciosa italiana.
Uma loira de pele branquinha e olhos verdes. Um corpo escultural. Autêntica e disposta a curtir o Brasil. Contudo, as coisas não saíram como planejei, e ela se foi com a promessa que voltaria.