Capítulo Dezenove

3178 Palavras
Harry estava desmaiado na cama, a febre do cio tinha dado um tempo, e eu aproveitei para preparar algo para que nós dois pudéssemos comer. Já era o segundo dia, e com sorte o período dele duraria só mais dois. Eu vinha tomando a pílula escondido de Harry, se ele me visse com o remédio provavelmente jogaria ele fora. Então cabia a mim, manter tudo em segredo. Harry comia até que bem, mas ele com certeza não era a pessoa mais sã para conversar no momento, seus olhos estavam constantemente, com aquele brilho da luxúria. Após preparar nossa refeição, levei até o quarto, deixando em cima da mesa que tinha no quarto e me aproximando dele, tocando em seu rosto e com facilidade vendo seus olhos negros se abrirem. — Oi... — Falei sorrindo e vendo ele se levantar, e ficar sentado na cama. — Oi! — Disse com a voz grossa, olhando em volta do quarto e logo pousando os olhos nos meus, sorrindo lindamente para mim e suspirando. — Trouxe comida para você. — Falei e o vi sorrir, me sentei ao seu lado e peguei o prato para ele, vendo o mesmo comer. Eu também estava comendo, e comendo até mais do que o normal, já que Harry me obrigava a comer. Eu sabia que era instinto dele, e até tentava seguir seu ritmo, mas eu já não dava mais conta. — Já tomou banho? — Perguntou para mim. — Já sim... — Respondi vendo-o tomar o suco, o que me fez prender a respiração. Eu tinha colocado pílula no suco, tanto meu quanto no dele. A intenção era que qualquer um dos dois copos iria me prevenir de uma gravidez, já que o remédio tem que ser tomado duas vezes no dia, se um alfa toma, não acontece nada com ele, mas um ômega fica prevenido. Mas, altera minimamente o sabor do suco. E Harry notou! — Esse suco está com o sabor diferente! — Falou franzindo a sobrancelha. — Ah... Me dá ele então. — Pedi, vi ele pegar o outro copo e ao tomar fez a mesma afirmação. — Esse também está! — Falou começando a ficar irritado. Para agir rápido, peguei o copo e o virei, bebi todo o suco para ter certeza de que tomaria o remédio no horário correto. Harry olhou minha ação, e fez uma coisa que sinceramente eu não esperava, ele tomou o copo vazio da minha mão, despejando o suco do outro copo e assim vendo no fundo pequenos pedaços do remédio. Merda! Harry me olhou, irritado e um tanto puto. Ele jogou o copo contra a parede, o transformando em dezenas de cacos, me olhando raivoso e logo me puxando para baixo, me prendendo cama e rosnando contra mim. Se ele estivesse normal, eu daria um soco na sua cara! Porém, eu entendia que era seus extintos. — Por que tem remédio, no suco? — Perguntou praticamente rosnando. — Harry... — Chamei, se eu mentisse ele saberia pela marca, então não dava para dizer que era de dor e pronto, se eu contasse a verdade Harry poderia ficar descontrolado, eu estava sem saída, então fiz o mais lógico. Me submeti! — Alfa... V—Você está me assustando! Harry me olhou mais uma vez, antes de sair de cima de mim, levando suas mãos até a cabeça como se fosse para recobrar a consciência. Me aproximei dele e deixei beijos por todo o seu rosto, e depois fui beijando seu pescoço, descendo da cama e logo me ajoelhando na sua frente. — Alfa... — Sussurro e vejo ele rosnar e******o. Vi ele passar o dedo por minha bochecha e depois passar o dedo por meu lábio, os abrindo levemente e me fazendo chupa-lo. — Você é tão excitante! — Ele disse sorrindo. Ótimo, consegui distrai—lo. — Eu quero você... — Falei levando minhas mãos para suas coxas, ele sorriu mais uma vez e foi me puxando para cima do seu corpo, logo beijando meu pescoço e me fazendo gemer, suas mãos eram possessivas e com certeza eram um tanto rudes ao me tocar. Meus olhos reviraram de prazer, minha boca emitiu inúmeros gemidos, meu corpo inteiro se incendiou e eu com certeza iria mais uma vez alcançar o paraíso, que era gozar sentindo Harry Demônio Laurent, me fodendo! ⚜️ O sol era incômodo, eu sabia que era tarde só pela forma que os raios solares invadiram meu quarto, com muito sono eu me virei na cama, notando a falta de Harry. Hoje deveria ser o dia que seu rut tinha acabado, e sua falta na cama me preocupou. Me levantei e mesmo estando só de cueca fui até o primeiro, andar encontrando o alfa sentado na mesa e encarando a xícara de café. — Harry? — Chamei e o vi me olhar. — Está tudo bem? Ele suspirou, se levantando e vindo até mim, tocou meu rosto e eu senti o quão perdido ele estava. — Me perdoa... — Disse baixo, e uma tristeza avassaladora tomou conta de mim. — Amor, o que foi? — Eu te marquei, sem você querer, fui rude com você e disse coisas que- — Harry! — Chamei fazendo ele parar de falar. — Amor, olha a marca realmente não foi algo acordado antes, mas não é algo que eu me arrependo. Eu amo você, e acho que vamos nos dar bem com ela, se não der certo nós fazemos a cirurgia e a retiramos. — Tem certeza? — Perguntou, mas eu senti uma felicidade enorme vindo dele. — Tenho sim. Mas, já prepara porquê meu tio vai tentar te m***r! — Falei rindo, mas eu sabia que era verdade. Nós dois fomos até a cozinha, eu preparava um café da manhã decente, porquê Harry não sabe cozinhar quase nada, ele me olhava apaixonado e sorrindo bobo. — Você tomou remédio, não é? — Perguntou. — Bem... — comecei desviando o olhar. O desespero dele foi instantâneo. — Bem o que? Amor, me fala pelo amor de deus que você tomou o remédio! Não me diz que eu joguei eles fora, por favor. — Você jogou! — Contei e vi ele arregalar os olhos, mas ele foi parando de sustar aos poucos e me olhando. Depois voltou a rir. — Está mentindo! — Não estou! — A marca, Levi. Me lembrou, e eu amaldiçoei essa maldita marca, porque agora Harry saberia exatamente o que eu sentia, e eu também sentirá todos seus sentimentos, ou seja, todo seu estresse diário seria sentido por mim. Nós voltamos a mesa e conversamos, rimos de coisas bobas e eu me encantei ainda mais por ele. Harry parecia mais leve, parecia realizado. — Então podemos casar? — Perguntou der repente me fazendo engasgar. — O que? — Perguntei voltando ao normal. — Já nos marcamos, talvez deveríamos nos casar. Não acha? — Harry perguntou me olhando, aquele olhar bonito e apaixonado. Merda! Eu nunca quis me casar! Nunquinha! E agora? — Bem... P—podemos conversar sobre isso. — Falei tentando soar firme. — Você não quer? — Perguntou mais sério. — Não é isso. — É isso sim! — É o que então? — Perguntou me analisando. — Olha Harry, não é algo que eu me imagino fazendo, okay? Eu nunca imaginei me casar e nunca quis também. Não vejo necessidade, de uma cerimônia para algo que já temos. Para que mudar o que está bom? — Nós dois, nos marcamos Levi! E você quer continuar do mesmo jeito? — Sim? — Falei e o vi ofegar um tanto nervoso. — Amor, me diz o que um casamento traria de diferente para nós dois? — Seria para oficializar o que já temos! — Se você e eu, estamos juntos e felizes, para mim é desnecessário. Eu não me importo com esse tipo de coisa, e acho uma besteira isso tudo. — Falei cruzando os braços. — Besteira? Levi você sempre soube que eu queria me casar, em algum momento eu achei que iríamos avançar na relação. — Disse sério. — Eu sei, mas a gente já mora junto, já faz tudo junto, pra que uma cerimônia? — Perguntei. — E por que não? — Eu não quero! — Falei e o vi cruzar os braços, igualmente irritado. — Só me dá um motivo... — Um motivo. Eu queria pensar em muitos, mas não vinha nenhum, somente uma coisa rodava minha cabeça e com certeza me fazia suspirar triste, olhei Harry e mordi meu lábio inferior. — Meus pais não vão estar lá... — Falei vendo sua pose séria se quebrar. — Meu pai não vai me levar até o altar, minha mãe não vai me ajudar a escolher as flores do casamento, eles não vão estar lá para dançar comigo, não vão estar lá para nada! O maior sonho do meu pai, era me ver casando com alguém especial, minha mãe sempre disse que seria o dia perfeito, e agora eles não estão aqui... Não consigo fazer isso sem eles. Harry me olhou com um olhar diferente, e eu identifiquei algo que eu odiava ver nos olhares alheios. Pena! Harry estava me olhando com dó, mas seu olhar mudou, um pequeno sorriso tomou conta dos seus lábios, e sua mão tocou na minha que estava em cima da mesa. — Tudo bem, amor. Poderia ter me dito antes, que assim eu nem insistia nisso. Eu amo você, e não é uma cerimônia que vai mudar isso. — Falou tão lindo, que eu sinceramente me derreti. — Eu te amo... — Eu também te amo, Levi. E vai ficar tudo bem coma gente. Assim, eu espero! ⚜️ Harry se sentia ansioso, eu estava ao seu lado e agora iríamos contar a Zayn sobre a marca. Kenji e Liam ficaram em Nikko a nossa espera, já que o resto da empresa viajou de volta a Londres. O garotinho sentou na nossa frente, estávamos no quarto e ele parecia nervoso, suas pequenas mãozinhas ficavam mexendo de forma nervosa e ele parecia procurar pistas do assunto. — Então filho... O papai e o tio Levi tem uma coisa muito importante para falar com você. — Harry falou. — Você é a pessoa mais importante da minha vida e eu espero que você entenda o quão importante isso é. — Tudo bem, papai... — O alfinha falou sorrindo. — Sabe aquele desenho que você assiste, onde o casal tem uma coisinha no pescoço? — Harry falou. — Sim... A marquinha feita com a boca. — Zayn falou sorrindo. — Então, essa marquinha é muito importante, você sabe... Não é? — Harry falou e o filho assentiu. — Então, você sabe que eu amo muito o Levi, e ele faz parte das nossas vidas... — Harry pegou minha mão e Zayn nos olhava atento. — E o papai fez a marquinha no pescoço dele. Zayn ficou em silêncio, eu sentia todo o nervosismo de Harry e os dois Laurents se encaravam. — Então, ele agola' é meu papai? Igual o tio Liam? — Zayn perguntou e eu notei que Harry não esperava essa pergunta. — Eu serei o que você quiser, meu amor. — Falei e Zayn sorriu. — Então você é meu papai! — Disse feliz. — Agola' eu tenho assim de papai. — Ele falou levantando três dedos. — Não meu amor, você tem assim... — Harry falou levantando mais um dedo do garoto. — Não papai. É assim! — Falou abaixando o quarto dedo. — Você, o tio Lou e o tio Liam! — E seu pai, Kenji? — Harry perguntou. — A tia da escola falou que o pai Kenji, não é papai! Ele é mamãe, porque me levou na barriguinha dele. — A explicação infantil me fez quase ter um ataque de tanta fofura. — O tio Lou, também vai carregar um bebê na barriga? — Não! Você vai ser filho único! — Harry explicou. — Mas eu queria um irmãozinho. — Zayn falou cruzando os braços. — Você tem a Kurama... É a mesma coisa! — Harry falou. — Harry! Um gato não é uma criança! — Falei. — Vai querer dá um irmão? — Harry perguntou e eu neguei. — Então a Kurama é a irmã caçula dele. ⚜️ Kent me olhava desconfiado, eu não tinha contado sobre a marca, mas meu tio parecia bem desconfiado. A questão era que Kent era bem protetor e para ele casamento é algo sério, ou seja... Se marcou, casa! — Tem alguma coisa para me contar? — Kent perguntou, estávamos na cozinha da sua casa que por acaso fica atrás do hotel. — Hm... Acho que não... — Falei. — Sabe... Quando eu fazia parte da Yakuza, eu era quem fazia planos e essas coisas... — Ele falou e eu engoli seco. — Sabe por que? — Hm... Não... — Porquê eu sou um ótimo observador! Eu sei ler uma pessoa perfeitamente, sei se ela mentindo, sei se ela esconde alguma coisa importante... Até hoje eu sou ótimo nisso! — Ah... A-acho que isso é bom... Não é? — Claro... — Kent começou a caminhar na minha direção e eu fui dando passos para trás, até sentir o armário atrás de mim e perceber que Kent me encurralou. — Fala! — E-eu não tenho n—nada para falar... — Levi Elliot—Payne! É bom você falar. — Me senti com dez anos. — O Harry e eu... Nós... Nós nos marcamos! — Falei engolindo seco. O silêncio na cozinha foi alto. Kent me olhava e analisava tudo, eu queria correr dali e me enfiar nos braços do Yasser. — E quando vem o casamento? — Perguntou. Merda! — Hm... Não vem... — Falei. — Eu não quero me casar com ele. — Posso saber o motivo? — Kent falou cruzando os braços. — Meus pais não vão estar lá... Eles não vão me ver casar, minha mãe não vai me ajudar a escolher as flores... Meu pai, não vai me levar até o altar. — Falei o olhando nos olhos. — Eu não quero fazer isso, sem eles. Meu tio apenas me olhou, com carinho e parecia ter compreensão em seu olhar. — Você o ama? — Kent perguntou. — Amo... Eu o amo, e isso é o que me conforta. — Falei sorrindo. — Quando eu voltei para casa, Ethan me fez sentar de frente para ele... De todos, ele era o que eu mais tinha medo de encarar, não por ter medo dele me bater, mas sim porque eu o respeitava tanto que tinha medo de ouvir ele dizer que tinha se decepcionado comigo. — Kent falou. — Eu tinha saído da prisão, estava marcado para sempre e tinha medo do que ouviria da boca do meu irmão mais velho. — Ele abaixou o olhar, mas logo voltou a me encarar. — Ele perguntou se eu estava bem... Perguntou se eu tinha conseguido dormir e se eu precisava de alguma coisa. Eu perguntei se ele não estava irritado, e ele disse que estava com raiva por eu ter escolhido um caminho tão errado, mas que sempre estaria de braços abertos para mim. Disse que eu tinha um sobrinho e um noivo, que era minha chance de recomeçar e que ele confiava cem por cento em mim para tomar conta de você, caso um dia ele não estivesse aqui. Engoli seco, eu nunca tinha visto meu tio falar dessa forma, ainda mais sobre meu pai. Eu sabia que eles tinham uma ótima relação, mas ainda assim era estranho de ouvir. — Eu prometi a ele que mudaria, e que se um dia ele não estivesse aqui, eu cuidaria de você e que não deixaria nenhum alfa te marcar sem te amar de verdade. — Kent colocou a mão no meu ombro. — Eu queria que você se casasse, seus pais desejavam ver isso, mas já que você escolheu não fazer isso, eu digo a você para viver esse amor. Harry se mostrou bem apaixonado por você e diferente do Kayon, ele é alguém que já levou porradas da vida para ser alguém melhor. Você pode achar que não..., mas, toda a situação do Harry fez ele crescer e amadurecer. — Kent falou. — Vocês se amam na mesma medida, e continuam sendo quem são. — Você aprova, nós dois? — Eu sempre vou apoiar você, e se você quer continuar marcado pelo Harry, eu aprovo sim. E vou continuar te aprovando enquanto eu ver o sorriso que você dá, toda vez que olha para ele. Meu tio me abraçou forte, e eu jurei que por alguns segundos era como se meu pai estivesse ali me abraçando. O calor que vinha de Kent era um calor familiar, carinhoso e que me fazia querer ficar ali. ⚜️ Harry estava eufórico, ele tinha conversando com Kenji. Ele achou importante contar para ele, já que eu fazia parte da vida dos filhos dos dois, e era algo que atingia diretamente a vida de Zayn. Eu gostava de ver como Harry colocava Zayn como sua prioridade e fazia o possível para o bem-estar do filho estar garantido. Eu sentia que tudo estava bem, nós dois estávamos caminhando para algo novo e inexplicável, eu podia sentir cada poro do meu corpo feliz por estarmos assim. Hoje iríamos embora, chegaríamos pela manhã e já teríamos um milhão de coisas para resolver. Hiroshi e Kya iriam vir para jantar e trariam o filho que já tinha dezoito anos. Quando o casal chegou, me surpreendi ao ver Hayato, ele estava enorme e parecia-se bastante com seu avô, mas também lembrava seu pai. Mirai também estava grande, a garota agora de doze anos, se parecia bastante com sua mãe. Todos estávamos na sala e Mirai se concentrava em seu celular, enquanto nós tomávamos vinho. — Hayato vai partir hoje, para Londres. — Kya disse com pesar. — Vai ficar na casa de um colega. — É seguro? — Yasser perguntou. — Kya acha que não, mas eu acho que ele deveria ir, e conhecer o mundo... — Hiroshi falou. — Aonde em Londres? — Harry perguntou e eu sabia bem o que ele queria. — Capital... Vou morar no apartamento de um amigo, e vou ver se consigo um emprego. — Hayato falou sorrindo. — Hm... Está procurando um emprego? — Harry falou. — É Harry, um emprego! E não e********o! — Respondi. — Você está precisando de um secretário, já que o Dylan está com o Archie. — Harry falou. — Eu pago quatro mil libras para o cargo. Hayato arregalou os olhos, era realmente um ótimo salário, mas o emprego era de f***r! — Aceita? — Harry perguntou. — C—claro! — Hayato falou atônito. — Pronto! — Harry se virou para mim. — Agora você já tem um secretário! — Coitado... — Falei e Hayato parecia feliz demais para notar meus avisos. Era até engraçado ver alguma feliz de trabalhar para os Laurents, m*l sabiam que o salário era para compensar a exploração. Mas fazer o que?  
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