semanas Depois..O quarto estava silencioso.
A única luz vinha da tela à sua frente.
Ele estava sozinho.
Completamente focado.
Obcecado.
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As imagens das câmeras do clube rodavam uma após a outra.
Corredores.
Salão principal.
Entradas e saídas.
Nada.
Nada que explicasse completamente.
Até que…
Ela apareceu de novo.
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Mascarada.
Uniforme preto e branco.
Passos firmes… mas sem arrogância.
Sem malícia.
— Volta — ele ordenou para si mesmo, pausando o vídeo.
Deu zoom.
A máscara de renda escondia o rosto.
Mas não escondia tudo.
O jeito de andar.
A postura.
A delicadeza.
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Ele continuou assistindo.
Agora mais atento.
Mais envolvido.
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Ela entrando na sala.
Hesitante.
Cautelosa.
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Ele… no sofá.
Descontrolado.
Vulnerável.
Algo que ninguém jamais veria.
Exceto ela.
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Ele apertou os punhos ao se ver naquele estado.
Droga.
Raiva.
Mas então…
algo mudou.
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Ela se aproximou.
Devagar.
Sem medo exagerado.
Sem interesse.
Sem cálculo.
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— Você precisa de ajuda… — a voz dela ecoou no áudio.
Suave.
Preocupada.
Real.
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Ele congelou.
Repetiu o trecho.
De novo.
E de novo.
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A voz.
Era aquilo.
Era isso que não saía da cabeça dele.
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Ele continuou.
Observando cada detalhe.
Cada gesto.
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Ela tocando o rosto dele.
Com cuidado.
Sem pressa.
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Ele franziu o cenho.
Algo ficou claro.
Muito claro.
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— Ela não sabia quem eu era… — murmurou.
Porque se soubesse…
teria reagido diferente.
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O vídeo continuava.
E ele reparou em algo ainda mais importante.
Ela nunca olhou ao redor procurando algo.
Nunca tentou abrir gavetas.
Nunca tocou em nada que não fosse necessário.
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— Não tentou roubar… — ele disse baixo.
Nenhuma carteira.
Nenhum relógio.
Nenhum sinal de interesse.
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Aquilo…
não era uma armação comum.
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A imagem mostrou ele segurando o pulso dela.
Mesmo fraco.
Mesmo fora de si.
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— Não vai embora… — sua própria voz ecoou.
Raspada.
Quase um pedido.
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Ele ficou em silêncio.
Assistindo.
Sentindo.
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E ela…
ficou.
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O vídeo não mostrava tudo.
Mas mostrava o suficiente.
Proximidade.
Intensidade.
Momentos que não precisavam ser explícitos…
pra serem fortes.
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Ele passou a mão no rosto.
Respirando fundo.
Como se, de alguma forma…
estivesse revivendo tudo.
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Até que…
ela apareceu de novo.
Já vestida.
Se arrumando.
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Ele se inclinou levemente para frente.
Sem perceber.
Como se aquilo importasse mais do que deveria.
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Ela parou por um segundo.
Olhando pra ele.
Dormindo.
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O áudio captou sua voz.
Baixa.
Quase um sussurro.
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— Eu não sei… isso tudo foi estranho pra mim…
Uma pausa.
Um pequeno sorriso surgiu no rosto dela.
Triste.
Doce.
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— Eu não esperava…
Silêncio.
Respiração leve.
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— Mas… foi a minha primeira vez.
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Ele travou.
Completamente.
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O mundo pareceu parar.
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Ela se inclinou um pouco.
A mão encostando de leve no peito dele.
Um gesto simples.
Mas carregado de algo que ele não conseguia explicar.
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E então…
ela foi embora.
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A tela ficou vazia.
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Ele não se mexeu.
Não por alguns segundos.
Nem por minutos.
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A mente dele girava.
Rápida.
Confusa.
Intensa.
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— Primeira vez… — repetiu baixo.
Incrédulo.
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Aquilo não fazia sentido.
Nada daquilo fazia.
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Não era uma profissional.
Não era uma armação comum.
Não era interesse.
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Então o que era?
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Ele se levantou devagar.
Passando a mão no cabelo.
Andando de um lado para o outro.
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Algo dentro dele…
não estava em paz.
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Ele parou.
Olhou de novo para a tela.
Para o ponto vazio onde ela estava segundos atrás.
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— Eu preciso encontrar você…
A voz saiu mais baixa.
Mas mais intensa.
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— Eu preciso saber quem você é.
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E então, quase num sussurro…
como se fosse uma promessa:
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— E quando eu encontrar…
Ele fechou os olhos por um segundo.
Respirou fundo.
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— você não vai mais desaparecer.
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Enquanto isso…
em outra parte da cidade…
sem saber que estava sendo procurada…
Sofia segurava um teste em mãos.
As mãos tremendo.
O coração acelerado.
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E duas linhas vermelhas…
mudavam completamente o rumo da sua vida.