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4284 Palavras
- "A dama de vermelho" o homem murmurou. Seu tom de voz era baixo e suave, mas reverberava como um estrondo. A máscara lhe dava a aparência sombria que exalava, porém apenas o terno preto era capaz de fazer a mesma coisa. O olhar da mulher desceu para as mãos do homem, torcendo para não parecer sentir falta do aperto ao redor de sua garganta. Mas ele percebeu, sempre percebia. E quando seus olhares se encontraram, de um tom de azul para o outro, foi como uma implosão. A mulher se perguntou como vivera vinte e três anos sem experimentar aquela sensação. Ela se sentia amarrada sem cordas, silenciada com palavras nos lábios, ressuscitada pela morte. Era como se o que houvesse de obscuro nele desse luz à ela. Custou muito esforço para Blair conseguir esconder as raízes do medo se infiltrando em seu corpo. Se aquele homem realmente fossem quem Spencer dizia, ela não devia se aproximar daquela forma, naquela intensidade. Para Ethan, o encontro de olhares valera mais do que qualquer encontro de corpos. Era como se ele fosse um livro aberto àqueles olhos, sendo lido parte por parte. O homem se aproximou, tentado a nadar no fogo que exalava de Blair. Por um breve momento, Ethan acreditou que sua alma tivesse encontrado a cura. Ele tocou a bochecha dela primeiro, e o frio metálico do anel em seu indicador causou arrepios na pele feminina. As coisas que queria fazer desafiariam o inferno, mas Banks se conteve. Tudo que sabia sobre ele eram informações vagas, mas, mesmo se soubesse tudo que queria, Blair não poderia se preparar para seu toque. Com a pouca distância, a presença de Ethan tornou-se tangível. Ele não a tocou para além da bochecha, mas Blair o sentia como a batida de seu coração. O ar estava crepitado ao redor dela, e o toque em sua pele ardia em vida. - "Eu quero você" as palavras do homem eram como o roncar de um motor. Seus dedos deslizaram para os lábios volumosos da mulher, e o desejo que sentiu por eles parecia uma descarga elétrica. Ele estava acostumado a sentir atração pelas beldades que conhecia, e sempre tinha o que queria delas. Com Blair, no entanto, ele queria tantas coisas que m*l conseguia pensar no que faria primeiro. E, ele sabia, ela estava entregue desde o primeiro momento. Seu controle não falhava, e aquela ruiva era um território marcado a vários dias. Desde que a viu abrir a porta do quarto, interrompendo seus planos com a modelo norueguesa, depois fugindo para o elevador... Ethan simplesmente soube que Blair precisava ser sua. Foram pouquíssimos segundos entre o momento em que ele viu o vislumbre do vestido vermelho na porta e o instante em que decidiu verificar se aquela silhueta era tão desenhada como ele pensara. - "Me diga o que você quer" ele murmurou. O tom de voz baixo não a deixava enganar; era uma ordem. O homem era acostumado a lidar com o comando, estando sempre por cima e ditando como as coisas aconteceriam. Por mais envolvido que estivesse, não avançaria até ouvir de sua vítima o que queria. Este era seu jogo; seduzir sua presa, dar pequenos goles de água para alguém sedento. E então, quando não pudessem mais suportar o desejo dentro de si, imploravam por qualquer coisa que ele oferecesse. O olhar da mulher era de luxúria, implorando por tudo de mais carnal que poderia existir. Ethan estava disposto a fazê-la implorar, literalmente. Contudo, os olhos desafiantes dela não indicavam submissão. Seu corpo pedia pelo homem, mas sua cabeça não acompanhava o desejo. Ela ainda não estava no jogo, não da única forma que Ethan queria; completamente entregue. Banks estava acostumado com mulheres desejando que o controle da situação lhe fosse dado. Algumas já haviam se mostrado difíceis, inacessíveis, e ele só precisava descobrir a abordagem certa para vencer o desafio. No fundo, vê-lo superar as expectativas apenas para se renderem era uma espécie de submissão. - "Isso não vai funcionar no seu ritmo, Sr. Banks" Blair recobrou sua postura. Estava tão afetada que não se reconhecia. Ela lembrou-se de seu propósito em toda aquela situação. Familiarizar-se com a elite, conhecer pessoas, fazer laços, estar ao lado do pai e sorrir, se entregar ao mundo da fama. Mas nunca, em hipótese alguma, ela deveria sentir-se afetada pelo alvo de seu trabalho. Ethan era um investigado, não um amante em potencial. - "Não vou entrar no seu jogo" os dedos de Ethan ainda estavam sobre os lábios dela, sentindo seu hálito quente enquanto ela pronunciava as falas carregadas de desejo. Blair tentou afastar-se, contudo, Ethan posicionou ambas as mãos na bancada da pia, uma em cada lado do corpo da mulher. Ele a aprisionou da maneira mais sutil que poderia. Todo o corpo dela desejou aceitar a investida de Ethan e acabar em uma das cabines. Mas ela sabia que o ar sombrio não era apenas parte de sua sensualidade, era um perigo real, e proteger-se seria sua melhor arma. - "Não brinca comigo" a voz parecia ganhar um tom a mais de rouquidão, causada unicamente pela excitação inflada entre os corpos. - "Eu brincaria, mas não quero me perder" a suavidade na voz da mulher era contrariada pelas palavras que, em seus lábios, pareciam sensuais. - "Pense sobre isso, porque não tem retorno" Os olhos azuis esverdeados de Ethan estavam escuros, revelando suas intenções poucos decentes. Ele controlou-se para não usar seu poder de persuasão, pois sabia que poderia convencer a mulher. Mas não seria suficiente. Ela deveria pedir. Desejar. Implorar. Viciar-se. Ethan carregava consigo uma capacidade hercúlea de destruir corações. O homem não usava as mulheres, isso seria pouco perto do que sua aparência permitia-lhe fazer. Ele envolvia suas mentes e, com esforço mínimo, ganhava seus corações. Além de suas calcinhas. A intenção não era envolver sentimentos, apenas corpos. Ele abriu espaço para que ela fugisse de sua ministração. Estava certo de que, em um momento ou outro, a teria. Blair jogou os cabelos para trás antes de caminhar para longe. Ela sabia que não iria resistir. A atração era forte demais para ser anulada. Seria apenas uma questão de tempo até se entregarem e deixarem o fogo consumir o que precisasse. Porém, enquanto pudesse manter sua alma longe do anjo caído, ela o faria. - "Você não vai resistir muito antes de ser minha, Angel" A mulher parou por um segundo ao ouvir seu segundo nome. Poucas pessoas sabiam que, em seu nome, ela guardava a palavra "anjo", e normalmente não gostava da analogia. Contudo, ouvindo aquela voz grossa, ainda mais rouca com vontades reprimidas, Blair não se importou. Ela suspirou, sentindo-se uma vitoriosa por não se jogar nos braços fortes de Ethan por uma segunda vez. Ele gostava do jogo, e ela gostava do jogador. Seria uma interessante disputa por controle, mas ela jurou que não cederia, pois não tinha essa opção em seu catálogo. * Quando voltou para sua mesa, Blair percebera que o motivo pelo qual saiu não era mais um problema. Sua fama seria irrelevante, caso estivesse ocupada desejando o único homem que não deveria. A ruiva sentia seus joelhos fracos; o toque do anjo caído estava tão vívido em sua pele quanto as células. Drake se levantou para puxar a cadeira para ela, com elegância e graça. Para estranhos, pensar neles como um par era automático. - "Eu disse que você seria meu chaveiro nos eventos, mas acho que o chaveiro sou eu" ele comentou ao se acomodar juntamente com a amiga, que segurou uma risada. Ambos se concentraram no palco quando os músicos terminaram uma melodia clássica, dando espaço ao mestre de cerimônia. - "Senhoras e senhores, nós esperamos que estejam tento uma noite agradável. As entradas serão servidas agora, depois teremos uma saudação do anfitrião" e, após um gesto elegante, a música voltou a ressoar pelo ambiente, junto ao burburinho de vozes em conversas particulares. - "Você está meio corada, mas não parece estar surtando. Tudo bem com a notícia?" Drake se voltou para Blair com uma expressão preocupada. - "Não quero pensar sobre isso agora" ela disse, mas a verdade era que a mulher era incapaz de pensar em qualquer coisa além do par de olhos verdes azulados. - "Eu não quero vê-la m*l outra vez" Durante a amizade deles, Blair passara por declínios severos em sua saúde mental. A infância conturbada, os problemas com abandono e decepções e todos seus fracassos pesavam sobre ela, de tempos em tempos. Nunca parecia estar bem, só vivia intervalos de felicidade. Apenas a lembrança dos momentos ruins era capaz de destroçar os momentos bons, então Blair prometera para si mesma que faria de tudo antes de se deixar cair em depressão novamente. - "Não vai acontecer de novo" ela encarou os olhos de Drake para lhe garantir isso. A mulher se preparou para dizer algo mais, vendo a dúvida serpentear o semblante de Drake, mas foi interrompida por uma voz rouca atrás de si. - "Sr. Collins" Jean imediatamente olhou para o homem atrás de sua filha. Aquele tom, calmo como o mar, escondia uma tormenta devastadora. Simples palavras pareciam um comando no tom de Ethan. - "Sr. Banks, é uma honra estar aqui" Collins levantou-se e estendeu a mão para Banks, que aceitou com um aperto firme. - "É uma honra tê-lo aqui" Naquele momento, uma suposta verdade caiu sobre Blair. Ethan era o anfitrião da noite, e havia a abordado chamando-lhe de "dama de vermelho". Era assim que ela estava na primeira vez o que o vira, como uma possuidora única do tom escarlate. Era provável que tudo aquilo tivesse sido armado para que ele a visse novamente. Seria compreensível, para alguém com a magnitude de Banks, mover céus e terra para conseguir o que quisesse. Apesar de sentir um nó na garganta diante da presença imponente, Blair se esforçou para virar-se e olhar o homem de terno n***o. Ela pensou por um minuto antes de falar algo, pois sabia que poderia gaguejar facilmente. Ethan era esse tipo de homem, com esse tipo de efeito sobre as pessoas. - "É um excelente lugar" ela murmurou. A ruiva estava apenas jogando as cartas. O curso daquela conversa poderia ser uma pista útil na investigação de Spencer. - "Estou pensando em algumas reformas, mas também gosto" aquela frase afirmativa mostrava uma parcela do poder aquisitivo de Ethan. Após assumir os negócios da família, ele se tornara um dos homens mais ricos do país. - "Manter as coisas como estão, as vezes, é o melhor a ser feito" Blair olhava para os olhos do homem, ainda tentando escolher entre o verde e o azul. Era intimidador, mas ela estava disposta a suportar o frio na barriga para passar alguns segundos a mais olhando para ele. Enquanto isso, Ethan mantinha o olhar nos lábios vermelhos daquela mulher, tentando superar a visão de sua silhueta afastando-se dele. Ambos guardavam lembranças que os deixavam acesos, principalmente porque sabiam que alguém, necessariamente, teria que submeter-se. O desejo era inegável, mas os meios para tal eram questionáveis. - "Eu prefiro estimular as estruturas, mas a senhorita deve saber disso" ele abriu um sorriso educado, depois pediu licença aos demais e rumou ao palco quando foi chamado. Quando Ethan pegou o microfone, os ruídos ao redor do salão cessaram. As pessoas queriam o ouvir e esforçavam-se para tal. Sua voz trovoou, fazendo Blair prender a respiração e lembrar-se de momentos antes, quando aquele tom era usado para dizer que ele a queria. Ele começou a discursar com facilidade, como se tivesse passado a vida toda fazendo aquilo. As palavras do homem sobre o palco acabaram em poucos minutos. Ele não precisava ser prolixo para expressar tudo que desejava. A economia de gestos e ações era parte da névoa misteriosa que o envolvia. E quando a música clássica recomeçou, o prato principal foi servido pelos garçons ao longo do salão. Nada menos que exímio. - "Vamos falar com alguns conhecidos. Você nos acompanharia, Jean? Essas pessoas são fãs do seu trabalho" a mulher, Sra. Clark, convidou. - "Claro, seria um prazer" Jean se levantou e olhou para a filha. Buscou algum indício de que ela o queria ali, mas não encontrou. - "Blair, Drake" e com um aceno de cabeça, ele se afastou da mesa, juntamente com o casal. Drake se voltou para a amiga, finalmente tendo um minuto sozinho com sua parceira. Ele a viu relaxar, visivelmente feliz pelo afastamento do pai. Drake não tinha muitas coisas contra Jean, mas sabia de seu passado e conhecia os pecados que escondia. - "Ainda bem que não tenho interesse em você, gata, porque estaria perdendo feio para o Banks" ele decidiu deixar o clima ainda mais leve com seu comentário. - "Não tem o que perder. Ele é um problema que os psiquiatras não conseguiriam tirar da minha mente" - "Bom que saiba" ele murmurou, e Blair sorriu com nervosismo. Ela pensou em quantas sessões de terapia seriam necessárias para esquecer alguém como Ethan, e chegou à conclusão de que não estava interessada na resposta. - "Eu preciso ir ao toalete. Não queria deixar você com eles, mas agora está tudo bem, certo?" o homem ao seu lado perguntou, e nesta pequena frase ela notou o cuidado protetor de Drake. Ele, diferente de qualquer outra pessoa no mundo de Blair Collins, não tinha a capacidade de a decepcionar. - "Certo" ela concordou, em seguida soprou-lhe um beijo. Enquanto via seu elegante amigo caminhar até o toalete do salão, Blair sentiu seu corpo estremecer com a proximidade de Ethan. Ela se recusava a aceitar a energia pulsando em seu sangue quando ele estava por perto, mas era incapaz de ignorar. Era impossível não pensar em como aquela conexão seria incabível quando seus corpos se tocassem. A ruiva culpou-se por ser capaz de identificar a presença dele antes mesmo de vê-lo. - "Angel" ele chamou seu nome com certa autoridade, já conhecendo as reações dela. Banks era bom lendo pessoas, e focar sua atenção em uma figura como Blair era um esforço prazeroso. Ele analisou a mulher enquanto ela se levantava. Mesmo nervosa, ela sabia exalar sensualidade. - "Tyler" ela se virou para ele, também usando seu segundo nome como referencial. Algumas noites antes, quando Blair se reuniu com Spencer para vasculhar os poucos detalhes sobre Ethan aos quais tinham acesso, ela descobriu seu segundo nome. Também descobriu o tipo ideal de mulher para ele, baseando-se nas fotos de suas acompanhantes; altas, magras, loiras. - "Então você pesquisou sobre mim" Ethan ponderou. Não ficou surpreso, apenas um pouco curioso. - "Eu faço o que precisa ser feito" a voz aveludada compondo aquelas palavras era o princípio do pecado. - "Sabemos o que precisa ser feito" Ethan se aproximou ao sentenciar, captando para si toda a atenção e oxigênio da mulher. Tudo que ela sentia era ele. Em todos os sentidos. Em todos os lugares. - "Não vai acontecer enquanto estiver me vendo como uma vítima" ela abriu um leve sorriso. Com aquele vestido vermelho justo, os saltos fatais e as palavras de uma mulher convicta, Blair estava pronta para colocar o d***o de joelhos. Ethan aproximou-se devagar. Ele sabia que precisava roubar seus sentidos aos poucos, para que ela nunca percebesse o que estava sendo feito. Para que não tivesse escapatória. - "Não se esqueça que essas são as palavras de uma mulher que se jogou em mim, torcendo para ser minha próxima refeição" sua voz grave comprometeu completamente a audição da mulher, deixando seu corpo atordoado e fazendo suas pupilas dilatarem. Desde o encontro no elevador, o homem havia pensado em Blair mais do que deveria. Ele teria superado a atração entre eles, isso se ela não tivesse avançado. A partir do momento que sentiu o arrepio em sua pele e a excitação brilhando em seus olhos, ele soube que teria uma missão; tirar Blair Collins de seu sistema. Ethan tinha recursos para colocar o jogo a seu favor, mas aquilo não importava muito quando ele olhava para os lábios dela. - "Isso não foi gentil" ela pontuou. - "Você adoraria ser uma vítima agora" os pensamentos dele se voltaram para o momento em que os longos dedos estavam ao redor da garganta da mulher, pressionando com força suficiente para fazê-la suspirar. Ele não tinha certeza sobre o que estava fazendo Blair hesitar. Para ele, era simples demais assumir o controle e esperar a outra parte render-se. Contudo, Ethan tinha uma certeza na vida; ele não aceitaria uma recusa. Vendo a expressão assustada e afetada da ruiva, o homem decidiu que precisaria de uma abordagem infalível. Ela não iria ceder em público, não com facilidade. Precisariam de um ambiente particular, onde a conexão gritasse alto e abafasse os outros quesitos. - "Este não é meu ritmo" por fim, foi o que Blair conseguiu dizer. Ethan era capaz de perceber certo perigo naquela mulher. Não o tipo de perigo esmagador e imediato, mas sim o tipo lento e fatal. Seria como uma cobra; enganaria com um abraço, e terminaria estrangulando os ossos. - "É neste ritmo que eu vou colocar você, principessa" Banks desenrolou a última palavra em seu perfeito italiano. - "Boa sorte com a tentativa" Ethan acenou, mostrando aceitação ao desafio com muito prazer. Provar para Blair que ela era uma vítima por opção seria a missão da vida do homem, daquele momento em diante. Quando Banks afastou-se, tendo certeza de que a mulher sentiria falta da sua presença, ele estava certo. O corpo dela fraquejou, como se sua força vital houvesse sido retirada. Eles não sabiam, mas, a partir daquele momento, haviam entrado em um jogo que não poderiam ganhar. E mais, não poderiam sair. * Blair acordara na manhã seguinte pensando em como amava o lugar, mas odiava a forma como tudo e todos acordavam tão cedo. Ela se preparava para voltar a Las Vegas quando a porta do seu quarto foi aberta. Apenas Drake tinha o cartão de acesso para destravar a porta, então ela não deu-se ao trabalho de olhar para ver quem entrara. - "Eu estou destruído" o homem se jogou sobre a cama desalinhada e soltou um suspiro de alívio. Blair estava no banheiro, arrumando seus pertences antes da viagem de volta. Ela apareceu na porta e olhou para seu amigo amarrotado, cheirando à bebida e mulher cara. - "Noite agitada?" ela perguntou enquanto escovava as longas madeixas de seu cabelo. - "Não me lembro da metade" Drake confessou. Após a conversa mais do que íntima com Ethan, Blair foi incapaz de continuar naquele ambiente. Ela sentia que perderia as faculdades mentais a qualquer minuto. Com uma desculpa qualquer, ela se retirou para seus aposentos e derivou em um merecido sono. O que ela não esperava era sonhar com as mãos de Ethan deslizando por seu corpo. Drake continuou no salão, aproveitando as taças de vinho, pois jamais recusava uma boa dose alcóolica. - "Isso é bom. Se tiver feito besteira, não vai se lembrar" Ela deixou a escova sobre a pia do banheiro e caminhou até a mesa, no canto do quarto, onde o café da manhã estava posto. Apesar de ter encerrado a noite cedo, todo o esforço que fez nos sonhos parecia cobrar-lhe na realidade também. - "Impossível não me lembrar. A besteira está na minha cama agora, por isso fugi para a sua" Drake cobriu o rosto com as mãos para evitar a luminosidade entrando pelas janelas da suíte. Ele ainda usava as roupas da noite anterior, enquanto sua amiga usava um robe branco. - "O que quer dizer?" Blair se inclinou sobre a mesa e separou alguns alimentos para seu amigo comer, colocando tudo sobre um prato. - "Tinha duas loiras na cama quando eu acordei. Pensei que minha visão estivesse duplicada pela bebedeira, mas não era o caso" - "Elas são parecidas?" diante da pergunta, Drake soltou uma risada. - "Elas são gêmeas" - "p**a merda!" Blair deixou o prato cair sobre a mesa. - "Eu sei. Quando me perguntarem se eu dormi com gêmeas hollywoodianas, vou poder afirmar" - "Ninguém pergunta isso. Aliás, você não lembra da noite, não pode afirmar que aconteceu" - "Homens perguntam tudo sobre sexo. E, não, realmente não me recordo. Mas eu estava bêbado, não i****a" A mulher pensou a respeito. Se homens realmente falavam sobre sexo abertamente, teriam citado algum envolvimento entre ela e Drake em alguma conversa. Ela pegou o prato com comidas leves para o amigo e o levou até a cama. - "Falaram sobre mim?" Blair questionou. - "Já me parabenizaram por comer uma ruivinha gostosa, e eu tive que fazer meu discurso de irmão mais velho para explicar que não existe química entre nós. Na verdade, seria bem nojento" ambos sorriram para a situação, sabendo que todos viam ligação entre eles, menos os próprios. Eram muito acostumados com a irmandade para cogitarem outro tipo de relação. Drake tivera uma irmã caçula, mas ela havia morrido quando ainda era um bebê. Aquilo despertou um sentimento familiar por Blair, como se ela pudesse ser o que ele perdera. O amor que sentia por ela era puro, livre de malícia e segundas intenções. - "Vamos esquecer isso. Eu tenho novidades, gata" - "No plural?" - "Bem..." Drake se levantou e sentou-se ao lado da amiga, ansiando para compartilhar suas alegrias com ela. - "Os organizadores da Fashion Week me enviaram o cronograma do desfile inteiro, isso significa que estou dentro" - "Meu Deus!" Blair saltou sobre o amigo, literalmente, fazendo seus corpos penderem para trás e baterem contra o colchão macio. Ele aceitou seu abraço apertado, passando os braços por sua cintura e a puxando para mais perto. - "Estou tão feliz por você" ela sussurrou, mas sua vontade era de gritar para o mundo todo. - "Tenho mais uma coisinha" Drake anunciou quando voltaram a se sentar, lado a lado, um tanto quanto ofegantes. - "Conta, conta, conta!" - "Ben Clark, aquele cara que estava na nossa mesa ontem, me apresentou para algumas pessoas depois que você subiu. Me pediram para fazer um teste para uma minissérie da HBO. Eu pensei que fosse um convite retórico, só uma oferta para parecerem gentis. Mas me enviaram um e-mail, e a coisa é bem séria" Drake sentia-se inflado de emoção. Ele não se lembrava da última vez que sua vida fora tão bem encaminhada. Assim como a mulher, ele tinha o passado como uma cruz pesada a ser carregada. - "Estou orgulhosa de você" Blair apertou as mãos do amigo calorosamente. Para alguém que viveu a vida arrastando correntes, a oportunidade de voar era libertadora. - "Eu sei que está. E agora vamos fazer isso da forma certa" ele olhou para o belo rosto dela, recordando-se de como haviam errado inúmeras vezes antes de tentarem, de fato, acertar. - "É claro que vamos. Somos uma equipe incrível. Agora você vai trabalhar muito, ficar rico e me sustentar" Blair levantou-se sorrindo, e seu amigo gargalhou alto enquanto se jogava novamente na cama. Quando ela afastou-se para terminar de se organizar, seu celular começou a tocar. Blair não estava esperando ligações, mas sentiu a ansiedade caminhando para perto enquanto lia o número desconhecido piscar no identificador de chamadas. - "Blair Collins" ela murmurou com a voz suave ao atender, pronta para o que fosse. A mulher, apesar da pouca idade, havia desenvolvido uma capacidade invejável de superação. Estava sempre mantendo as expectativas baixas. - "Olá, Srta. Collins. Eu sou Spencer Davis, mas você deve saber. Liguei para passar algumas informações. Está disponível?" - "Sim" Blair respondeu. Havia alguns dias que Spencer não entrava em contato. Ele disse que ela não precisaria comparecer ao departamento, apenas aos eventos. Em partes, a ruiva se sentia uma espiã, como se estivesse infiltrada no meio daquelas pessoas endinheiradas, coletando e armazenando informações. - "À esta altura, você deve ter encontrado algum m****o da família Banks novamente" - "Sim" ela respondeu, escondendo a forma como encontrou o m****o da família. - "Bem, eu gosto de fazer anotações, mesmo que pareçam mínimas. Peço para que faça isso, e relate tudo que seus olhos avistarem" - "Certo" - "Eu tenho uma novidade, Blair. Não podemos correr riscos nesta parte da investigação, então eu consegui um emprego para você" - "Um empego..." ela repetiu, não conseguindo esconder a confusão em sua voz. - "Sim. Se alguém investigar sua vida, não quero que saibam que tem ligação com a polícia. A partir da próxima semana, você prestará serviços à Agent Inc" Blair levou alguns segundos para processar a informação. Desde que saíra de Nova Iorque, seu único objetivo era trabalhar como uma pessoa comum, receber um salário mediano e morar em um apartamento simples. No entanto, ela viu-se morando em um apartamento milionário, trabalhando como uma agente infiltrada e sendo fonte de matéria para as manchetes. Sua expectativa e sua realidade eram universos opostos. - "Eu entendi" a ruiva percebeu que ainda precisava responder. Drake percebeu o nervosismo da amiga e levantou-se. Ele também estava ansioso, e olhar para o rosto pensativo de Blair não ajudava. Seu semblante era de alguém perdido; tanto tempo lidando com notícias ruins fizeram aquela mulher desconhecer notícias boas. - "Você trabalhará com Michele Brian, viúva de Benedict. Ela também pode ser uma peça importante na investigação, mas, por hora, pode apenas dedicar-se ao trabalho" - "Certo. Então estou oficialmente demitida?" - "Será como se você nunca tivesse trabalhado em uma delegacia" - "Entendido" - "Perguntas?" Spencer queria que tudo fosse executado com excelência. Após anos sem respostas concretas, o inspetor esperava fazer de sua última chance algo proveitoso. Erros não seriam admitidos, e ele contava com Blair. - "Não. Obrigada pelo novo emprego"
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