- "Não acredito que vamos para o tapete vermelho novamente" Drake murmurou em um gritinho, m*l escondendo a alegria que sentia naquele dia.
Após receberem uma cesta de café da manhã enviada por Jean, ambos haviam feito uma confortável viagem até Los Angeles. O ponto crucial fora o jatinho fretado pelo Sr. Collins para que a filha dispusesse de todo conforto possível. A intenção era envolver Blair até que seus pensamentos pudessem girar em torno do homem que o pai era, e não do homem que foi.
- "Você combina com essa vida" Blair respondeu enquanto deslizava os dedos pelo cetim do vestido que usaria na noite.
Era uma peça imponente, em um tom de vermelho muito próximo dos fios acobreados em seu cabelo. Diferente do anterior, o vestido não era ousado. De mangas longas, comprimento recatado e frente fechada, o modelo Dolce&Gabbana parecia perfeito para a ocasião. Seu único detalhe relevante, para além da costura bordada, era a longa a******a nas costas.
- "Concordo"
Drake apreciou a vista através das janelas panorâmicas do quarto de Blair. Los Angeles era diferente de Vegas, como se fosse o lado bom da moeda. Uma cidade agitada, mas resguardada de toda luxúria e caos. Cheia de pessoas ricas e poderosas, mas também de pessoas comuns vivendo dias tediosos.
A ruiva entrou no banheiro da suíte para se vestir enquanto o amigo admirava a cidade dos anjos. Pecaminosa em vários sentidos, no entanto, ainda assim, cheia de uma tranquilidade calorosa. Também era a cidade das estrelas hollywoodianas, o que fazia com que Los Angeles fosse alvo de olhos curiosos por todo mundo.
Drake estava pronto, vestindo um terno branco para fazer uma analogia ao local. O sorriso simpático complementava os cabelos castanhos dourados, e tornava impossível não gostar do homem. Enquanto sua amiga era reclusa, evitando o afeto para se proteger da decepção, ele buscava o amor das pessoas para se sentir menos quebrado. Se gostassem dele de verdade, talvez fosse possível recuperar parte das sensações que os traumas lhe roubaram.
Enquanto ele alinhava o paletó, parecendo muito bonito dentro da vestimenta, Blair saiu do banheiro. Ele levou um minuto para digerir a visão mais do que encantadora dela, mas sabia que sua amiga estava sempre fatal.
O vestido teria um caimento comportado em qualquer mulher, mas não em Blair. O volume em seus s***s, a cintura fina e pernas torneadas preenchiam o vestido como se tivesse sido costurado exclusivamente para ela. Seu cabelo estava solto, ondulado de forma imperfeita e, ironicamente, isso lhe deixava perfeita. Brincos e tornozeleira de pequenos diamantes eram o segundo foco.
- "Meu Deus" foi tudo que Drake pôde dizer.
- "Estou bem?"
Ela girou para que ele pudesse ver todo o vestido. Porém, tratando-se de Blair Collins, qualquer roupa a deixaria bem. Era um motivo compreensível de inveja que a ruiva parecesse linda em qualquer ocasião.
- "Você está muito linda, não que seja uma novidade"
Ela aplicou uma última camada do batom vermelho vívido antes de sair. Era indiscutível que aquela era sua cor, pois ornava com os fios de cabelo de modo a canalizar toda e qualquer atenção.
*
As luzes da cidade de Los Angeles eram o que iluminava o mundo em tempos de trevas. O futuro estava nos arranha-céus e em sua imponência. Cada prédio situado nos arredores da cidade que nunca dormia tinha uma finalidade; mostrar seu poder.
O Roosevelt Hotel era um ambiente interessante. Com sua fachada branca e grandes pilares arredondados de sustentação, o prédio contava com um visual moderno. Seu interior não era diferente, dispondo de elegância em abundância. Os lustres em variados cômodos, o piso em mármore puro e as suítes superiores com piscinas internas eram indícios de uma fortuna.
No banheiro da suíte principal, em um dos hotéis mais visados da cidade, Ethan Banks terminava de alinhar a gravata borboleta de maneira milimétrica em seu smoking. Ele avaliou o próprio reflexo, procurando defeitos que qualquer outra pessoa não notaria. Mas aquele homem era obcecado pela perfeição nos detalhes. Sua vestimenta, como de costume, era inteiramente escura. O único brilho em sua figura vinha dos anéis prateados em seus dedos.
Quando houveram batidas na porta, ele abandonou o banheiro da suíte e partiu, passando por uma pequena sala privativa e chegando à porta. O quarto era grande, e parecia ainda maior pelas paredes de vidro ao redor do cômodo, que davam a ilusão de que não existia um limite entre a suíte e a cidade.
Ethan destrancou a porta para que seu advogado pudesse entrar. Carter, Joseph Carter. Para além de advogado, Carter também era amigo pessoal de Ethan. Banks gostava de trabalhar com pessoas de seu convívio social, porque, ao contrário do que a maioria pensava, Ethan via uma vantagem nisso. Seria mais fácil atacar o ponto fraco de alguém que ele conhecia, caso fosse traído. O homem via negócios em todas suas relações.
- "Como foi o voo?" ele perguntou enquanto movia-se para dar espaço à passagem de seu advogado.
- "Cansativo, mas confortável"
Joseph adentrou a suíte, olhando ao redor do cômodo com certa curiosidade. Ele era um homem com estatura alta, porte físico forte e elegantemente vestido em terno sob medida. Era loiro, caucasiano, com pele e olhos claros.
- "O que tem a me dizer sobre o contrato?"
Ethan fechou a porta e caminhou até a pequena sala de estar da suíte, com dois sofás e uma mesa centralizada. Joseph quis gargalhar, porém soltou apenas um sorriso fraco.
- "Aquele contrato ridículo de compra do apartamento em Vegas? Como seu advogado, sugiro que não faça isso. Como seu amigo, proíbo você de aceitar essa proposta"
- "O que há de r**m na proposta? Eu quero comprar o imóvel, alguém quer vender e vamos fechar negócio"
Ethan permaneceu de pé enquanto Joseph sentava-se e servia duas doses de um conhaque que estava sobre a mesa, esperando por ele. Carter havia estado por algumas horas no jatinho de seu chefe, então sentia-se necessitado de uma dose alcoólica.
- "A imobiliária quer vender o imóvel por um valor muito alto, e você sabe disso. Esperar pela porcaria do apartamento por alguns meses a mais não vai ser um problema, mas comprá-lo agora, com certeza, será"
Ethan estava inquieto por dentro. Ele caminhou para perto do vidro que o separava da cidade iluminada e suspirou, girando o anel em seu dedo anelar enquanto pensava. Aquilo era o que o diferenciava de milhares de outras pessoas. Não importava o que ele sentisse, sempre escondia.
- "De quantos meses estamos falando?" sua voz copiava sua postura; inabalável, inacessível e poderosa.
A verdade era que Ethan tinha motivos ruivos para querer estar em Las Vegas novamente. Era difícil pensar na mulher que encontrara no elevador sem desejo ou obsessão, então ele estava decidido a aproximar-se. Aquele tipo de mulher era capaz de destruir um homem, se quisesse, e Ethan estava disposto a provar disso.
- "Em torno de dois meses, mas eu entrarei em contato com Lana para acertarmos os detalhes da compra. E, apenas para esclarecer, uma compra com preço justo"
- "Você tem três semanas"
- "Posso trabalhar com isso. Agora, me diga, o que aconteceu em Vegas?"
Carter conhecia Banks, ou, pelo menos, pensava conhecer. Ele sabia que seu amigo não fazia negócios ruins. Para Ethan, quando tratava-se de dinheiro, as coisas precisavam ser meticulosas. Aquela atitude impulsiva de querer adquirir um apartamento milionário não parecia vinda de Ethan.
- "Quero expandir"
- "Eu não entendo sobre negócios, mas entendo sobre pessoas e atitudes inteligentes. Comprar um imóvel acima do preço nunca é inteligente"
Joseph inclinou-se sobre a mesa de madeira portuguesa e encarou seu amigo. Ethan estava próximo ao vidro da janela, contemplando a visão de uma parte privilegiada da cidade.
- "Está se mudando para Vegas e abandonando as práticas antigas? Isso tem relação com alguma mulher?" Joseph insistiu na questão, e pensar que a raiz do problema era uma mulher estava correto.
- "Pare de supor. Mulher nenhuma é um problema meu"
- "Eu adoraria ter problemas como esse"
- "Então aproveite a noite de hoje, pois o salão está cheio de problemas como esse. Terminou?"
- "Sim. Podemos ir agora. E, sobre mulheres, você deveria saber manter uma ao seu lado, Banks"
- "Por que seu mundo gira em torno de mulheres?"
Ethan dispôs-se a caminhar em direção à porta. Ele estava tecnicamente atrasado, pois tinha o dever ético, como anfitrião, de chegar mais cedo. Mas decidiu que esperaria seu amigo antes de descer até o salão de festas.
- "Pelo mesmo motivo que seu mundo gira em torno de homens engravatados. Quem está melhor, amigo?" Carter levantou-se e também caminhou até a porta, seguindo os passos de Banks.
- "Você está muito engraçadinho hoje, Carter. A propósito, o cara pagando seu salário está melhor"
*
Sede dos filmes mais aclamados pelo mundo cinematográfico, a cidade dos anjos era mais um ambiente de fingimento e atuação do que de prazer. Os locais, por mais luxuosos e elegantes, não exalavam dinheiro como Vegas. E nem deveriam. Para Los Angeles, o legado de Hollywood era suficiente.
Os eventos eram, também, um momento adequado para reafirmar laços de influência e mostrar ao mundo que, para além do dinheiro, os convidados tinham contatos. Era um acordo confidencial entre as estrelas americanas; estar no topo e ajudar quem estava no topo a permanecer.
No banco de trás da limusine, Jean, Drake e Blair esperavam do lado de fora do Roosevelt. Um dos hotéis mais famosos entre as estrelas do tapete vermelho. A princípio, seria apenas um jantar entre o elenco que compunha o filme, mas acabara se tornando motivo para uma pequena aglomeração de fotógrafos.
- "Você está bem famoso" Drake sorriu para Jean.
- "Parece que sim" o homem mais velho olhou para fora, vendo todas aquelas pessoas idolatrarem seu nome.
Em contraste com sua felicidade, Blair sentiu um embrulho no estômago. O passado estava longe, mas as lembranças sempre estariam por perto. Seu pai poderia esquecer o que fizera e seguir em frente como um anjo, na cidade dos anjos, mas não seria tão fácil para ela. A mulher sabia que uma nova vida era tudo de que Jean precisava para expurgar seus pecados.
Ela afastou todos os pensamentos, concentrando-se em seu papel na investigação de Spencer. Aquilo não era sobre seus assuntos familiares, e sim sobre um caso a ser resolvido.
Após atravessar a entrada do hotel, ignorando as várias perguntas e seguindo para dentro do prédio, Blair agarrou a mão de Drake e não a soltou até sentir-se menos sufocada. Ela queria abandonar toda a farsa e voltar para o que considerava normal, mas não lhe parecia justo. Depois de tudo, o mínimo que ela poderia fazer era aceitar aquela vida, por Drake.
O salão fora reservado para a ocasião, com mesas ao redor do ambiente posicionadas com vista para o palco. Certamente teriam algumas atrações durante a refeição. O local era límpido, adornado com uma decoração em branco perolado.
Do outro lado do salão, Banks e Carter foram guiados por uma das organizadoras do evento até seus respectivos acentos. As mesas eram arredondadas, com toalhas e laços perolados. Um pequeno jarro de orquídeas situava-se sobre a mesa, como artigo de decoração.
Joseph olhou ao redor do salão, analisando todas as pessoas que fingiam adorar estar ali. A verdade era que o dinheiro coordenava suas vidas, onde e quando deveriam estar. Por este fator, elas pareciam um tanto quanto douradas aos olhos da sociedade.
- "Eu havia me esquecido de como as pessoas gostam de ser magras nesta parte do país" Joseph comentou, analisando uma das convidadas enquanto ela caminhava pelo lugar.
- "Nesta parte e em todas as outras" Ethan corrigiu, porém não deu-se ao trabalho de desviar seus olhos para a modelo citada.
- "De onde eu venho, as mulheres preferem ter um pouco mais de carne. Você sabe, para não morrerem anêmicas"
- "Você está bem longe da Itália, Carter"
Tudo no mundo cinematográfico era insignificante para Ethan, mas ele cumpria seus compromissos. Se fora convidado e aceitara, então certamente compareceria. No entanto, olhando para aquelas pessoas ricas, bebendo bebidas caras e confraternizando, ele sentiu-se deslocado.
Os homens estavam em ternos ou smokings, e as mulheres usavam saltos que pareciam uma extensão de seus corpos, assim como o silicone em seus s***s.
- "Eu não acompanho as notícias, mas os boatos chegaram até mim. Eles sempre chegam" Joseph encarou Ethan com uma expressão leve, porém séria.
- "Eles são o que são; boatos" Banks não costumava importar-se com o que as pessoas diziam. Desde que sua verdade permanecesse intacta, ele não acreditava em boatos.
- "Estão falando sobre uma mulher. Eu não ouvi muito, mas parece que ela não é algo que você possa comparar. Isso me deixou... curioso"
- "Primeiramente, nenhuma mulher deve ser comparada. E, em segundo lugar, ela é uma mulher ou uma deusa?"
Joseph gargalhou para a ironia marcante no tom de voz do amigo. Ele sabia que Ethan era alguém realista, e que não impressionava-se facilmente com a beleza feminina. Uma mulher precisaria ter algo realmente singular em si para chamar sua atenção.
Enquanto isso, cumprimentando alguns conhecidos no caminho, Jean conduziu sua filha até uma mesa em frente ao palco.
Os olhares se voltaram para Blair, como em todos os momentos acontecera. Era inevitável olhar para o balançar naturalmente sensual de sua cintura, hipnotizar-se por seu corpo envolto no tecido vermelho. Imaginar como seu cabelo seria macio era como uma religião. Ela parecia cara demais até para o mais rico dos homens ali, e não apenas tratando-se de dinheiro.
O vestido justaposto ao corpo curvilíneo parecia uma perfeita extensão de si. Blair chamava atenção por seus fios flamejantes, por seu rosto bonito e angelical, por seu corpo acentuado e, frequentemente, por seus vestidos sensuais. Naquela noite, não foi diferente. Ela ganhava olhares masculinos, porque os homens a queriam, e ganhava olhares femininos, porque as mulheres queriam ser ela.
Do outro lado do salão, Joseph não deixou de notar Blair quando ela caminhou até sua respectiva mesa. Era impossível não olhar para a ruiva e perguntar-se se ela, de fato, poderia ser tão bonita. Seu feitiço de sensualidade era compatível com qualquer pessoa, em qualquer lugar.
- "Olhando apenas para a forma como ela anda, posso apostar o que você quiser que é uma deusa" Joseph respondeu à pergunta retórica que Ethan fez, minutos antes.
Ethan, em um primeiro momento, teve uma reação confusa, e chegou a franzir as sobrancelhas. No entanto, ao virar-se e olhar na direção em que Carter olhava, ele entendeu o motivo pelo qual seu amigo estava babando. Ela estava lá, com toda sua beleza absurda e inigualável.
O trio, Jean, Drake e Blair, sentou-se em uma mesa juntamente com um casal. A mulher, com pouco mais de quarenta anos, usava uma combinação clássica de branco e preto em seu vestido. Seu marido, um senhor com mais idade, estava ótimo em um smoking. Após as apresentações calorosas de pessoas felizes por conhecer Blair Collins, eles iniciaram uma conversa sutil e agradável.
- "Não sei se eu posso falar sobre isso agora, mas a ansiedade está me matando" Drake murmurou baixo, apenas para sua amiga ouvir.
Na mesa arredondada, o casal mais velho estava lado a lado. Jean estava ao lado esquerdo do homem, Sr. Clark. Blair e Drake estavam em frente ao casal.
- "Fale antes que essa ansiedade chegue aqui" ela respondeu no mesmo tom sussurrado.
A conversa na mesa fluía bem, e músicos no palco tocavam uma melodia requintada. Blair supôs que não seriam o foco, não no momento.
- "Acabo de ler uma matéria sobre você em um tabloide de fofocas"
Drake inclinou o celular sob a mesa para que Blair pudesse ver que, enquanto fingia se interessar pela conversa com o senhor e senhora Clark, Drake lia fofocas.
- "O que diz?"
Seu coração acelerou e sua respiração foi comprometida. Ela se sentiu alheia. Tudo que queria era excluir seu pai de sua vida e, naquele momento, havia se tornado uma pequena estrelinha ao seu lado.
- "A dama de vermelho mostra-se ao mundo após anos sob especulações. Filha de Jean Collins, Blair surge como uma fênix. Há quem diga que ela estará no próximo filme do diretor, mas sua melhor posição seria como capa de revistas..." Drake fez uma pausa em sua leitura quando Jean lhe fez uma pergunta. Ele respondeu, educadamente, antes de continuar.
- "Seu nome se tornou recorrente entre as estrelas. Alguns apostam que ela voltará ao anonimato, mas, certamente, depois de sua aparição no vestido escarlate, o mundo não lhe esquecerá em uma noite"
Blair tomou uma ingestão profunda de ar. Não era o fim do mundo, ela sabia disso, mas significava que seu relacionamento com o pai fora exposto. Antes daquilo, ela vivia evitando os telefonemas e negando as investidas de Jean. Não queria ser sua filha. Ela pensou que aceitar uma reaproximação fosse indiferente. Naquele instante, sua vida havia mudado. A ruiva não poderia se esconder novamente, buscando refúgio nas profundezas do desconhecimento.
- "Com licença" ela pediu antes de levantar-se.
Depois, a ruiva caminhou graciosamente para longe da mesa, evitando qualquer levantamento que poderiam fazer. Não demorou muito para encontrar o toalete, e fez daquele lugar seu esconderijo momentâneo. Assim como o salão, o ambiente era requintado.
Alguns eventos, roupas caras, uma vida milionária por alguns meses. Era isso que Blair queria temporariamente, apenas por tempo suficiente, até a investigação de Spencer terminar, depois se arranjaria de outra forma. Permanecer ao lado do pai nunca fora uma opção.
Ela tinha a opção de mandar o mundo ao inferno e ignorar seu pai, como fizera por grande parte de sua vida. Mas sempre teria um ou outro comentando, a perseguindo e investigando a fundo até descobrir o motivo da desavença familiar. A cada filme que Jean dirigisse, a cada sucesso, estariam lá as especulações sobre sua filha revoltada. Blair não sabia qual das opções seria pior; mentir sobre uma relação estável ou lidar com as consequências da verdade.
Ela se recostou no mármore da pia e fechou os olhos. Sua mente se voltou para o melhor momento de sua vida dentro de muitos meses. O elevador. Ethan Banks. Os olhos verdes azulados.
Blair não queria pensar nele, mas era impossível evitar. Aquele breve encontro se tornara seu ponto de paz e caos. Por um momento, fechando os olhos com força e concentrando sua respiração, ela poderia jurar que ainda sentia o perfume do homem. Não era apenas o cheiro forte, amadeirado, claramente importado. Era o aroma de poder que instigava o que havia de mais intenso nela.
E então ela sentiu sua presença. No mesmo instante, soube que aquilo não era apenas uma lembrança. Ethan estava lá. De pé, poucos metros dentro do toalete, com um terno preto e as mãos nos bolsos da calça. O anjo caído a estava observando, analisando sua reação enquanto ela abria os olhos e deixava a verdade lhe alcançar.
Blair separou os lábios para acalmar a respiração que começava a acelerar-se. Era a primeira vez que o via por inteiro, sem máscaras. Seu rosto conseguia ser ainda mais bonito pessoalmente, desprovido de imperfeiçoes consideradas normais. Aquele homem mantinha um padrão de beleza inalcançável.
E, para ele, ver a ruiva pela segunda vez era como uma benção. Iluminada pelas lâmpadas opacas, ela parecia ter uma própria luz ao redor de si; um fogo pronto para queimá-lo.