Sofia Narrando Assim que cheguei em casa, empurrei o portão devagar e entrei. O cansaço grudado no corpo, os ombros pesados, mas foi só botar o pé dentro que aquele cheiro me atingiu no peito: alho fritando no azeite. Aquele aroma que abraça a gente sem nem perguntar se pode. Fechei os olhos por um segundo e sorri. Fui direto pra cozinha, já sabendo que a responsável só podia ser uma. E lá estava ela, dona Ingrid, de avental, mexendo a colher de p*u na panela e cantarolando baixinho uma música antiga do Tim Maia. — Boa noite, minha filha — ela disse, virando o rosto pra mim com aquele sorriso cheio de carinho. — Boa noite, dona Ingrid. — respondi, indo direto pegar um copo d’água. A garganta seca de tanto falar e correr o dia inteiro. Bebi tudo de uma vez só. Depois encostei nela e d

