- Ana, Ana... Que Saco, Kate sabe que odeio que me acorde. Puxo a minha coberta para tampar a minha cabeça, mesmo sabendo que é inevitável, porque, um, dois e três. Ana, levanta. Eu sabia que ela iria vir ao meu quarto.
- Kate quantas vezes eu vou ter que pedir para não me acordar, ainda mais assim gritando.
- Desculpa bela adormecida, mas hoje é o dia da minha entrevista em Seattle, e a Srta garantiu que iria ficar com Ava para mim. Ela diz e eu havia me esquecido disso.
- Eu que peço desculpas. Acabei esquecendo. Digo me sentando.Cadê aquela pessoinha linda?
- Lá embaixo brincando com a bolinha de pêlo. Ela diz me fazendo sorrir.
- Você já está indo?
- Sim. Seattle é duas, três horas daqui e dirigindo parece uma eternidade.
- E porque você não vai de avião? Peço.
- Porque a grana está curta, e enquanto não arrumar um emprego eu não posso me dar ao luxo de esbanjar por aí.
- Pois se tivesse me dito teria te dado dinheiro. Indago me levantando.
- Nem pensar. Sei que os bens do seu pai ainda não foram liberados, e você está também gastando o mínimo. Suspiro pois é verdade.
- É verdade, mas eu já recebi o telefonema do advogado dizendo que fará a leitura do testamento daqui uma semana.
- Ana, eu nunca vi isso. Seu pai morreu tem três anos, ele deixou uma carta registrada em vida dizendo que seu testamento seria lido somente por uma circunstância desconhecida por você, sendo somente o advogado que estaria ciente dessa circunstância. Como pode isso? Kate questiona sorrindo.
- Coisas de Ray Steele, você o conhecia e sabia que tudo teria que ser do jeito dele. Eu não reclamo, porque pude ficar aqui na fazenda, e quanto ao dinheiro, ele deixou uma mesada para que eu estudasse.
- E agora o advogado liga dizendo que será feito a leitura do testamento?
- Sim.
- E você não está curiosa para saber que circunstâncias são essas para esse testamento ser aberto depois de três anos? Ela pede.
- Eu não parei para pensar nisso ainda. Eu só espero que meu pai tenha deixado a fazenda para mim. Eu amo esse lugar, e tudo que tem aqui.
- E ele deixaria seus bens para quem Ana? Você é filha única, não tem o que discutir nesse testamento.
- Você sabe que meu pai era envolvido demais com obras de caridades, então não me admiraria se ele deixasse algo para uma instituição de caridade.
- É nisso você tem razão. Mas minha hora chegou. Deixa eu garantir o meu sustento e da minha filha. Kate fala se levantando e pegando sua bolsa.
- Vai lá e não se preocupe com a minha filha. Falo sorrindo e Kate fecha a cara. Sei que ela morre de ciúmes de Ava.
- Arrume um namorado e depois arrume um filho para você Steele. Ava é só minha. Ela diz e eu a abraço.
- Calma Kavanagh. Só brinquei. Sei que você daria a vida por Ava e também mataria quem tentasse tirá-la de você.
- Isso mesmo. Agora deixa eu ir e cuida da minha princesa. Até mais tarde. Ela fala e sai.
Tomo um banho rápido e desço encontrando Ava brincando com minha cachorrinha bolinha. Ganhei a cachorra do meu pai antes dele morrer. Eu a amo e sei que ele me deu para eu não me sentir sozinha quando ele se fosse, já que ele sabia que estava doente e não ficaria muito tempo comigo. Eu acredito que a vida foi meio injusta comigo, pois me tirou a minha mãe quando eu tinha três anos, a mesma morreu de infarto fulminante, e meu pai morreu quando eu tinha dezessete anos de uma doença rara que não tinha cura e o mesmo já sabia que sua vida estava chegando no fim. Eu não me conformo de não tê-los aqui comigo.
Hoje tenho 20 anos. Estudo artes na faculdade de Portland, mesmo sabendo que terei que mudar meu curso para Seattle, eu gosto daqui, da faculdade. E também amo a fazenda que cresci nela. Espero mesmo que papai tenha deixado a mesma para mim, pois aqui é meu lugar e eu o amo. Brigaria muito se tivesse que deixar essa fazenda. Todos os funcionários aqui são bem legais e eu gosto de trabalhar com eles, andar de cavalo, cuidar dos meus animais. Não quero nunca deixar esse lugar.
Eu e Ava passamos o dia brincando no jardim da fazenda. A mesma me ajudou a dar comida para todos os animais. Ava é um amor de menina, e sei muito bem quando Kate diz que faria qualquer coisa pela filha. Minha amiga é uma leoa quando se trata filha.
Kate tem 26 anos, nos conhecemos em uma lanchonete que ela trabalhava, e eu sempre ia nessa lanchonete antes de ir para faculdade. Nos conhecemos e ela já estava terminando a sua faculdade de Marketing, e também estava grávida de Ava. Ela não gosta muito de falar do pai de Ava, o que ela me disse é que o cara não presta, ele só queria uma aventura e ela não fez questão de procurá-lo para falar da gravidez. Entendo em partes do lado dela, porque toda vez que fico com Ava ela me questiona sobre o pai. Ela me pergunta porque só ela não tem papai. E são perguntas que eu não sei como responder. E já até falei isso a Kate, mas ela diz que essas perguntas de Ava vão passar e com o tempo ela nem vai lembrar dessa palavra pai. Porém eu acho que minha amiga está errada. Cada dia que passa Ava vai pedi pela presença do pai e Kate tem que saber contar a ela o que houve com o mesmo.
A noite Kate chegou e Ava já estava dormindo. Kate também estava muito cansada. Ela me disse que havia conseguido. Que a vaga era dela, mas que amanhã conversariamos mais. Me deu boa noite, pegou Ava e foi embora.
Dias depois Kate me disse que teria que se mudar para Seattle. Eu estava tão acostumada com ela morando tão perto de mim, que me vi triste com a notícia. Vou sentir falta dela e da minha pequena Ava. Eu também tinha que fazer uma mudança de faculdade já que meu curso foi encerrado na faculdade por falta de turma. Automaticamente teria que ir para Seattle, pois a faculdade de Washington que seria mais perto para mim não tem meu curso. Eu as veria com frequência, porém não era a mesma coisa de estar todos os dias uma do lado da outra.
- Ana, você vai poder ficar com Ava para mim? Eu tenho que organizar o apto em Seattle antes de levá-la para lá.
- Por mim tudo bem Kate. Eu fico. Digo já sentindo saudades delas.
- E que dia é a leitura do testamento? Ela pede.
- Amanhã.
- Então como você vai ficar com Ava, sendo que você tem esse compromisso? Kate pede preocupada.
- Nada impede que eu a leve comigo Kate. Podemos até ver a faculdade para eu continuar meu curso.
- Tem certeza que ela não vai te atrapalhar?
- Claro que tenho. Ava é um amor de menina. Levando papel e lápis de cor ela fica mais tranquila do que já é.
- Nisso você tem razão, ela adora desenhar. Kate fala sorrindo.
- Então não se preocupe tá bom. Ela vai comigo. Você só deixa a cadeirinha dela para eu colocar no meu carro. Peço
- Sem problemas então. Kate sorrir. E você tem certeza que não quer ir morar comigo, já que vai estudar lá também?
- Eu ainda não pensei em meu plano de ação para essa mudança. Digo não tentando pensar nisso agora.
- E você pretende fazer essa viagem todos os dias para cá? Kate pede cruzando os braços
- Não sei ainda Kate. Fique calma tá bom, eu vou resolver e você será a primeira a saber.
- Só quero que você saiba que o meu apto está a sua disposição. A abraço a mesma agradecendo. Desde que nos conhecemos somos como irmã. E eu a amo muito.
Eu estava totalmente atrasada para a reunião com o advogado, e ainda o trânsito não ajudava. Droga. Logo hoje que tinha tantas coisas para fazer. Olho pelo retrovisor e Ava está cantarolando alguma música. Sorrio, pois hoje ela está muito engraçada.
O trânsito começa a fluir, então assim eu consigo chegar em Seattle. Depois de meia hora parado no trânsito, enfim cheguei. Tiro Ava da cadeirinha. Pego uma bolsa que está com lápis de cor é um caderno de desenho para entreter a mesma caso demore essa leitura do testamento. Passo na recepção e a moça me dar um crachá de visitante. Subir pelo elevador até o quinto andar. Paro na mesa da secretária e digo que eu tenho uma reunião com o advogado Mendes. Ela diz que ele já está me esperando em sua sala. Vou entrando com Ava no colo. E quando iria dizer alguma coisa, escuto alguém dizer algo que me fez pensar se ela falou comigo, para mim ou estava desabafando com alguém já que a sala está cheia de pessoas, pelo menos quatro contando com o advogado.
- O que essa v***a faz aqui? A garota de cabelos curtos Chanel questiona olhando para mim. Ignoro, pois eu não a conheço e nem tem porque dar ouvido a ela.
- Desculpe Sr Mendes, mas o trânsito estava caótico de Portland até aqui. Digo e Ava abaixa a cabeça em meu ombro. Ela não está acostumada com pessoas estranhas, então quando as vê tenta ficar em seu canto.
- Sr Mendes o que essa vagabunda faz aqui? Um homem na cadeira de roda pede, e agora tenho certeza que é para mim.
- O Sr me conhece? Indago.
- Bem mais do que gostaria. Ele diz me fazendo arquer a sobrancelha esquerda.
- Pois eu não o conheço, e muito menos admito que me tratem da forma que o Sr está me tratando. Digo firme o olhando, porém desvio o meu olhar, já que o seu olhar é diferente. Eu não sei explicar, mas nunca vi olhos tão intimidantes.
- Estou te tratando conforme você deve ser tratada. Sua v***a, vagabunda. Aposto que está aqui para ver se pega um pedaço da herança do meu pai. Ele diz e eu olho para o advogado sem entender nada.
- Sr Mendes, pode me explicar o que está havendo aqui? Que Merda essa de herança do pai dele? Peço e antes que o advogado abra a boca, a garota chanelzinho fala.
- Escuta bem sua p**a, se meu pai colocou você no testamento, eu juro que entro na justiça contestando o mesmo. Ela diz e eu já estou ficando com raiva deles me tratarem como uma qualquer.
- Escuta você garota, eu não te conheço, não conheço nenhum de vocês aqui, não aceito que me trate assim. Você não me conhece, então a próxima ofensa sua eu vou fazê-la engolir suas palavras.
- Claro que não nos conhece. Nunca deu as caras aqui. Meu pai morreu por sua culpa. O loiro se manifesta.
- Minha culpa? Porque? Eu não conheço o pai de vocês, nunca o conheci. Então não me acusem de algo que não sabem.
- Sabemos muito bem quem você é. É uma vagabunda que se envolveu com um homem casado. A garota fala, e eu respiro fundo. Saio da sala para deixar Ava com a secretária. A pobre menina não tem porque ouvir ou presenciar coisas que não são para a idade dela.
- Você pode ficar com ela só um instante? Peço a secretária que assenti sorrindo. Ava, a tia vai resolver algumas coisas ali dentro e você fique aqui bem quietinha. Toma seus lápis e o caderno. Faz um desenho bem bonito para tia. Falo para Ava que sorrir e já pega seus lápis e caderno. Volto para a sala e vejo o Sr Mendes andando de um lado ao outro na sala. Pronto vamos esclarecer as coisas aqui. Indago e antes que eu continue o loiro me pergunta.
- Essa menina é sua com meu pai? Ele pede me irritando.
- Eu não vou dizer se ela é ou não minha filha, porque não é da sua conta, agora quanto ao seu pai, eu não sei de quem você está falando. Eu nunca fui amante de ninguém, e muito menos de um Sr de idade.
- Ainda se fingi de vítima, de desentendida. Você não é só uma vagabunda. A garota fala e eu bato na cara dela.
- Nunca mais repita isso de mim. Você não me conhece, nenhum de vocês me conhece, então limpem a p***a da boca para falar de mim. Eu não lhes dei o direito. Digo e ela me olha com a mão no rosto. Sr Mendes, eu não estou aqui para ouvir nenhum insulto, quero entender o porque do testamento do meu pai ser aberto com essas pessoas aqui.
- Seu pai? Carrick Grey é seu pai? O cadeirante pede.
- Quem é esse homem? Indago. Meu pai é Raymond Steele. Sr Mendes, não estou entendendo, e então peço que esclareça ou marque novamente um horário para lermos o testamento do meu pai.
- Eu quero que vocês acalme-se. O advogado pede. Srta Steele, eu não posso marcar outro horário com a Srta, pois o testamento deixado pelo seu pai está ligado ao testamento deixado pelo Sr Grey para seus filhos.
- O que tem a ver os dois testamentos. A garota pede.
- Eu vou ler os dois testamentos se vocês me permitirem. Ele diz e nós somente assentimos. Bem, vamos lá então. Vou começar pela seu Srta Steele. Seu pai deixou uma fazenda com 120 mil hectares, juntos com 60 cabeças de gados, 50 cavalos, 10 porcos, 25 galinhas, 10 galos, 5 cabritos, 2 cabras e 2 burrinhos. Ainda tem uma conta no banco no nome do seu pai com a quantia de 600 mil dólares, e outra conta em nome da fazenda Steele no valor de 2 milhões e meio. É nessa conta que pagamos todos os funcionários e mantemos a fazenda funcionado neste três anos da morte do seu pai. E sua mesada foi tirada da conta do seu pai. Tem alguma dúvida?
- Não.
- Pois bem, isso foi tudo que seu pai deixou. Ele indaga e eu suspiro.
- Agora eu posso ir embora? Peço.
- Não. Vou ler o do Srs Grey agora e depois vamos concluir. Eu apenas assinto.
- Bem Srs e Srta Grey. Carrick Grey, o pai de vocês, deixou 3 casas aqui em Seattle, 2 casas na Suíça, 1 casa em Londres. Deixou também a empresa de advocacia, e um orfanato que era de responsabilidade dele. Ele também deixou Três contas bancárias. Uma no valor de 1 bilhão, outra no valor de meia milhão e a última no valor de dois milhões. A conta da empresa de advocacia também tem o valor de 1 milhão e meio. Também tem um prédio que era dele e que o mesmo recebia os aluguéis dos moradores, e por último ele deixou quatro carros que faz parte da sua coleção e não podem ser vendidos. Sr Mendes termina e eu fico pensando que esse povo é mesmo ricos.
- E como será divido esses bens? Garota pergunta olhando para mim. Ela acha mesmo que eu estou no testamento de um desconhecido.
- Em partes iguais para os três. Menos o dinheiro da empresa que não pode ser mexido, a não ser para a finalidade da empresa. Porém temos um adendo para vocês quatro receberem a herança de vocês. Ele fala e eu não entendi.
- Não entendi Sr Mendes. Peço.
- Há uma cláusula no testamento do seu pai e do pai de vocês para que vocês recebam a herança.
- E que cláusula é essa? O cadeirante pede.
- O Sr Christian Grey e a Srta Steele tem que se casar. Ele diz e eu me levanto.
- Que Merda é essa? Peço.
- Com certeza meu pai quis garantir que sua amante não ficasse na ruína. O cadeirante fala com raiva.
- Escuta, eu não sei de que Merda você está falando. Eu nunca fui amante do seu pai. Então parar de me acusar de algo tão nojento.
- Você é nojenta. E já te digo que eu não vou me casar com você. Por mim, eu não preciso dos bens do meu pai. Ele fala e a minha vontade é da na cara dele.
- Mas eu preciso Christian. Você e Elliot já tem a vida de vocês, e eu não. A garota fala.
- Mia eu não vou me casar com essa vagabunda, que com certeza meu pai quis proteger.
- Olha cara eu estou cansada de você me chamar de vagabunda, eu não sou assim e nem sou isso que você me chamou, então a próxima eu não vou me importar com seu estado nessa cadeira de roda e vou para cima de você. Falo. E outra por mim também não vou me casar com você. Nunca me uniria a alguém que pensa tão pouco de mim. Digo. Sr Mendes e o que acontece se não fizermos a vontade dos nossos pais? Peço.
- Todos os bens dos pais de vocês, irão para caridade. Ele fala e a garota estranha já levanta irritada.
- Eu não aceito isso. Eu não quero saber Christian, você não pode me deixar na miséria. Eu também não quero que você case com essa...
- Cuidado, porque eu não vou escutar mais nada de vocês. Digo a interrompendo.
- Mia, eu e Christian te daremos uma pensão. O loiro fala e ela já balança a cabeça em negação.
- Não. Eu não aceito viver de esmolas suas. Eu quero o que é meu por direito. Ela fala e Sr Mendes levanta a mão para falar.
- Srta Grey, antes de qualquer coisa, deixa eu informá-la, que caso o Sr Grey e a Srta Steele se casem, os bens correspondentes a Srta ficará bloqueados até a Srta se formar em alguma profissão da sua escolha.
- Isso não é justo. Meu pai não poderia fazer isso comigo. Ela grita exaltada.
- Mia calma. Você tem muito dinheiro ainda deixado pela nossa mãe. E outra, agora Christian não precisa se sacrificar por essa herança. Ele não será obrigado a casar com a amante do nosso pai. O loiro fala e eu queria perguntar de onde eles tiraram que eu fui amante do pai deles, porém estou aqui tão perdida em pensamento, pois a fazenda será tirada de mim se eu não me casar com esse homem. Droga, porque papai fez isso?
- Olha eu quero que vocês conversem sobre isso e decidam qual a decisão tomarão, porque eu tenho que fazer valer o que está aqui nesses testamento. Quero o Sr Christian Grey e a Srta Steele dentro de dois dias aqui para me dar a resposta.
- Não tem o que pensar. Eu não vou me casar com a amante do meu pai. Eu não quero saber quanto perderei aqui, não preciso de nenhum centavo dele.
- Não Christian. Mesmo que meus bens vão estar bloqueados, eu quero eles. É uma garantia para o meu futuro. E você nem Elliot podem me deixar na rua.
- Você está sendo traumática Mia. Você tem a herança da mamãe. O loiro diz.
- Mesmo assim, eu não quero perder a herança do papai. E caso vocês fizerem isso comigo, eu nunca perdoarei vocês. Eu estava tão cansada daquela discussão, que me levantei.
Sr Mendes, eu estou indo embora. Tenho mais o que fazer. Digo e saio.
Eu estou tentando entender o porque meu pai fez um trato com um homem que eu não conhecia. E ainda por cima decidiu a minha vida com o filho desse homem. Eu precisava de ir embora e pensar em tudo. Eu não queria perder a minha fazenda, aquele lugar é tudo para mim. Meu pai não podia ter feito isso comigo.