Eu não sabia como sair da sala de reconciliação, não sabia como vim parar aqui em casa. Minha mente não estava processando muitas coisas. Só uma coisa martelava na minha cabeça. Anastásia estava grávida, eu seria pai, e não teria total acesso à vida dele e principalmente dela. Ela seria capaz de me afastar do nosso filho, e tinha toda a razão. Eu não sou digno de ser pai, ainda mais com dúvidas e acusações que pairavam em minha cabeça. Não era possível que havia sido enganado. Não era possível que tudo sobre ela era mente e hoje estava pagando caro pelos meus erros com ela.
Em casa me sentei no sofá e bebi quase uma garrafa de Whisky. Meu tormento começou e eu ainda está a tentando assimilar tudo. Eu não sabia o que fazer agora. Estava perdido demais para fazer algo. Talvez se eu não tivesse interrompido as investigações, e ter tirado as conclusões precipitadas eu não estaria aqui agora. Talvez estaria curtindo a notícia de ser pai com ela. Burro, isso que eu fui, um tremendo babaca e nada vai poder mudar isso.
Fecho meus olhos e me lembro dos olhos azuis sem vida, tristes e com raiva naquela sala. Algo em mim já tinha desmoronado a semanas e eu tinha esperança que ela mudasse de idéia, mas nada, nada foi mudado e hoje minha cabeça só gira em tudo que vivemos e não vivemos nesses três anos.
Uma semana havia se passado e eu estava trancado em casa, mas exatamente no meu quarto. Não falava com ninguém, não comia, mesmo Gail batendo insistentemente na porta para eu pudesse me alimentar, mas não. Eu não sabia para onde ir, eu não queria ver ninguém e ter a confirmação de que eu fui um i****a prepotente, não deixei Ana se explicar. Ouço batidas na minha porta e não quero atender. Estou sentado no sofá virado para a janela, o dia lá fora está igual a mim, sem cor e sem humor.
- Christian, abre a porta. Elliot pede, mas eu não quero vê-lo. Eu não quero ouvir que eu estava errado o tempo todo e fudi com a minha vida. Mano se você não abrir, eu vou abrir com a chave que Gail me deu. Estou preocupado com você. Não respondo, sei que ele vai entrar de qualquer jeito. Christian estou entrando. Ouço barulho da chave e a porta ser aberta. Cara que susto. Gail me disse que você está trancado aqui há uma semana. O que você tem?
- Como está Mia? Peço ignorando a pergunta dele.
- Preocupada com você, pois tem uma semana que você não vai vê-la. O que foi que aconteceu? Suspiro.
- Aconteceu o que você me disse que iria acontecer. Assinamos o divórcio. Falo com lágrimas formando em meus olhos.
- Você sabia que isso iria acontecer. Eu disse para você não fazê-lo. Elliot fala.
- Eu sei, mas eu fui burro Elliot. Não acreditei em nenhum momento nela, afundei esse casamento em três anos. E hoje estou pagando por isso.
- Você se apaixonou por ela, vejo em seus olhos. E mesmo assim assinou o divórcio porque?
- Porque eu estava esperando a reação dela. Um sinal de que ela não queria isso também, porém ela foi a primeira a assinar e ainda passou o papel para mim. Eu juro Elliot, eu não queria fazê-lo, eu não queria nem ter ido a essa audiência.
- Pois eu se fosse você não tinha assinado. Teríamos brigado sim, teríamos ido a fundo nesse divórcio, mas eu não teria assinado. Lágrimas escorrem pelo meu rosto, porque agora é tarde.
- Isso ainda não foi tudo que aconteceu. Digo e ele me olha encostando no vidro da janela panorâmica. Ela está grávida. Falo e ele me olha sem entender.
- Vocês consumaram o casamento? Elliot pede surpreso.
- Sim. Ela não vai me deixar chegar perto do meu filho Elliot. Eu talvez nunca o conheça.
- Mais um motivo para não ter assinado essa p***a de papel. Ele fala exaltado.
- Eu não sabia. Ela só disse quando assinei.
- E você pretende ficar aqui trancado? Não vai correr atrás dela, da sua família? Espera que as coisas aconteçam por si só?
- Eu não sei o que fazer. Se procurá-la, sei que serei rejeitado.
- E daí? Se for preciso que seja rejeitado mil vezes, mais que lute por ela e seu filho. Parar de ficar aí se lamentando por algo que já aconteceu. Você foi um tremendo babaca, eu te disse que ela poderia não ter nada haver com papai, e você insistiu nisso. Agora é bola para frente. Se quer mesmo ela de volta vai a luta, porque se lamentar não vai trazê-la de volta. E nem seu filho. Limpo meus olhos e meu irmão tem razão. Mesmo com a rejeição dela, eu tenho que tentar. Teremos um filho e isso vai nos unir.
- Obrigada por você ter vindo. Nós sempre fomos amigos e não sei o que seria de mim sem você. Digo e ele me abraça.
- Somos mais que irmãos Christian. Tenho certeza que você faria o mesmo por mim. Sorrio, pois faria mesmo.
Mais dois dias se passaram e eu estou em meu escritório na empresa. Já peguei o telefone umas dez vezes para ligar para ela, mas sem sucesso. Quero ver se ela aceita conversar comigo, até mesmo sobre o nosso bebê, porém estou inseguro e temeroso com que ela possa falar ou fazer. Suspiro, e peguei novamente o telefone. É agora, Elliot tem razão, eu não posso adiar isso mais. Ligo para o número que Welch disse que estava no nome dela.
- Alô. Uma voz de homem se faz presente. Não deixo meu ciúmes falar mais alto, nem minha mente ir para o lado errado.
- Alô, gostaria de falar com Anastásia. Digo firme.
- A Srta Ana? Esse número não é dela. Ele fala e eu não entendi. Olho novamente o número no relatório de Welch, e olho no visor do telefone se digitei errado, mas não, está correto. Alô, Sr? Ele me chama.
- Desculpe, qual seu nome? Indago.
- Clayton. Sou o capataz da fazenda da Srta Ana.
- Ela te deu esse número? Quero entender o que houve.
- Na verdade ela me deu esse número a muitos anos, quando seu pai estava debilitado, acamado não podendo falar, então como ela tinha que tomar conta de algumas coisas dele, ela me deu esse número junto com o celular, para manter informações do pai enquanto ela estivesse fora da fazenda. Meu mundo só está desmoronando um pouco a cada dia.
- Esse número nunca esteve com ela? Peço já sabendo a resposta.
- Não Sr. Acho que a Srta usa ainda do pai dela. O Sr quer o número? Ele fala e eu desligo.
Eu cometi erros atrás de erros. Conclusões erradas, e a minha cegueira me levou a o que estou vivendo hoje. Meu pai nunca teve contato com ela. Mil vezes Merda. As coisas não poderiam ficar pior. Eu a acusei injustamente, fui impiedoso, fui um homem horrível, e nem sei se mereço realmente perdão. Passo as mãos no cabelo os puxando forte. O que me fez fechar os olhos para a verdade? O que me convenceu a duvidar dela tão firmemente? A Merda daquela foto, que ainda não sei a explicação. Mas eu preciso procurá-la, se não puder fazer parte da vida dela no momento, quero fazer parte da vida do meu filho, só assim poderia ficar perto dela também.
Andreia bate na minha porta e aparece com a cabeça abrindo a mesma. Ela entra dizendo que Suzanna está querendo falar comigo. Eu não quero falar com ela. Eu preciso pensar em como trazer Ana e meu filho de volta. Suspiro, pois sei que ela não irá desistir, então a recebo. Ela entrar e lembro das palavras de Ana, sobre Suzanna parecer uma prostituta. A mesma está vestida com uma calça esquisita, bem colada ao corpo e uma blusa de alcinha com um decote bem escandaloso. Ela sorrir para mim e eu não transpareço nada. Fico no meu modo impassivo.
- O que você veio fazer aqui Suzanna? Peço querendo que ela termine e vá embora.
- Eu disse que voltaria a te procurar quando fizesse três anos. Acredito que você já esteja divorciado e podemos retomar as nossas vidas e nossos planos. Ela fala me fazendo estremecer só de pensar em voltar para ela.
- Não vamos voltar Suzanna. Eu não quero nada com você. Digo e ela me olha surpresa.
- Achei que tínhamos conversado sobre isso. Estávamos querendo fazer nossos planos depois desses três anos, e agora você mudou de idéia. Porque?
- Porque minha vida é outra, porque eu vi que eu quero mais do que uma mulher que me ver como um banco. Ela me olha em choque. Eu quero mais, eu preciso de mais. E com você esse mais nunca iria rolar.
- Porque não? Sempre nos demos bem, você queria ter um filho comigo.
- Eu já vou ter um filho com a minha esposa. Falo.
- Você não se divorciou? Você me disse que ela estava mentindo quando falou que vocês estavam tendo relações sexuais. Que p***a é essa Christian?
- Eu que te pergunto que p***a é essa Suzanna. Eu não te devo satisfação da minha vida, e nem gosto que se meta nela. Se eu me separei ou não, se eu e ela tivemos ou não um contato íntimo não é da sua conta. Agora vai embora, e nunca, escuta bem, nunca mais apareça na minha frente, na minha vida, na minha casa e empresa. Você não é bem vinda onde eu estiver. Digo e ela me olha irritada.
- Você não pode fazer isso comigo. Eu te dei o que você queria quando estava m*l naquela cadeira de rodas.
- Que bom, eu acredito que já paguei você por ter me ajudado. Digo e me levanto. Abro a porta para ela e peço a mesma para ir embora.
- Reconsidera. Eu sou a mulher certa para você. Ela diz tentando encostar em mim, mas eu desvio dela.
- Adeus Suzanna. Falo e ela sai. Fecho a porta na cara da mesma.
Com tanta coisa para fazer e pensar, Suzanna me faz perder tempo com as palhaçadas dela. Me sento em minha cadeira e penso em procurar Ana. Se ela não estiver no apto de Katherine, vou até a sua fazenda. Quero resolver as coisas com ela.
Antes de ir embora para casa eu fui ver Mia. A mesma estava feliz e bem mais animada. Nada haver com a Mia de meses atrás. Ela parecia feliz demais, e tudo porque ela decidiu fazer faculdade de direito. Ela quer seguir os passos do papai. Fiquei muito feliz por vê-la animada e também por saber que ela seguirá os passos do nosso pai. Darei maior apoio a ela.
Já havia passado um mês da minha separação e eu não tinha ido procurar Ana. Achei que ela precisava de mais tempo e eu também. Não quero chegar e fazer besteira novamente. Quero ser o mais sensato possível para convencê-la do meu arrependimento. Eu quero ela de volta, quero nossa família. Que nosso que filho cresça dentro de um lar. Gail me avisa que o advogado Mendes está na sala querendo falar comigo. Será que é sobre Ana? Será que ela mandou ele? Vou direto pra sala e ele está de pé me esperando.
- Sr Mendes. O cumprimento com o aperto de mão.
- Sr Grey. Ele faz o mesmo. Sr Grey, eu vi aqui lhe trazer isso. Ele fala me entregando um envelope de carta. Pego intrigado. Olho para carta e depois olho para ele. Seu pai pediu para te entregar um mês depois do divórcio. Meu coração fica a mil com essas palavras. Meu pai já sabia que haveria divórcio. Me sento com a respiração acelerada. Eu vou embora, só vim aqui entregar isso ao Sr. Boa tarde. Ele fala e vai. Nem agradeci, porque estou ainda tentando entender essa carta.
Vou para meu quarto e me sento na cama. Chuva começa forte lá fora e um cala frio subiu pelo meu corpo. Respiro fundo e abro a carta. Tem uma foto de um bebê. Linda de olhos azuis, me lembra Ana. Começo a ler a carta.
" Christian, meu filho, se você está lendo essa carta é porque você foi burro o bastante para não conseguir manter seu casamento. Suas desconfianças, suas inseguranças e pior, seu jeito de querer ser o dono da verdade não te permitiu enxergar a garota linda que você tinha do seu lado. Anastásia, uma garota especial, sorridente, feliz e humano. Essa garota amável, que trouxe para sua vida, era para te tirar desse seu jeito, desse seu lado desumano, desse seu lado fechado.
Quando eu e Ray nós conhecemos, eu queria que você e Ana se conhecesse, mas Ray achou melhor deixar vocês se conhecerem agora, mesmo porque ela iria ficar sozinha desamparada com a morte do pai, e assim como ela te salvou, te ajudou, você a salvaria da tristeza e solidão e a ajudaria a ser mais feliz do que antes...
- Fico pensando em como Ana me salvou e me ajudou. Continuo lendo a carta.
Sei que vocês dois podem não ter entendido nada do nosso trato de casa e vocês. Nada haver com herança. Vocês são bem sucedidos, só faltava Mia, mas sei que vocês nunca a desampararia. Quanto a Anastásia, ela também não iria ficar sem nada, mesmo porque Ray amava aquela menina como nunca amou ninguém. Ele daria a vida por ela, assim como eu daria por você e seus irmãos. Ray sabia do sonho dela por aquela fazenda, então tratou de colocar boa parte da fazenda no nome de Ana sem ela saber e uma conta bancária com valores bem altos, para que a mesma tivesse uma vida tranquila.
Bem o que queríamos com vocês dois juntos, era que vocês se conhecesse, era que vocês se apaixonassem assim como eu era pela sua mãe, e Ray era por Carla. Queríamos que você cuidasse dela e ela cuidasse de você, porque ambos não sabiam que Anastásia nasceu para te salvar. Ela nasceu no dia dez de setembro à 23 anos atrás, onde você nasceu de novo na mesma data. Lembra quando disse que um anjo havia te salvado? Pois esse anjo é Anastásia. Ela nasceu quando mais precisávamos de uma doação de sangue, onde só seria possível se sua família fosse compatível com você, caso que ocorreu, mas devido a gravidade do problema da sua doença, não foi possível te salvar. Então ficamos sabendo que uma prima distante da sua mãe estava grávida. Talvez essa seria a nossa chance de salvar nosso filho. Sua mãe e eu ficamos esperançosos e então fomos procurar Ray e Carla para fazer os exames e se eles permitiriam que você fosse salvo através da filha deles que só seria um bebê quando fizesse a doação. E para meu alívio eles não exitaram. Permitiram a doação e hoje você está vivo, porém com uma mente perturbada, uma mente errada sobre minha relação com esse anjo que poderia ser a minha filha. Eu já te digo que jamais trair a sua mãe. A amava muito e as vezes que me ausentava do lado dela, era porque Ray não estava bem de saúde e sua mãe e eu estávamos preocupados com o destino de Ana que só teria dezessete anos. Sua mãe cogitou trazê-la para morar com a gente, porém não foi possível, pois logo sua mãe também não estava bem. E como seria para uma garota que acabara de perder o pai, vê outra morte perto dela? Pensamos muito nisso e deixamos Ana na fazenda, mas sempre de olho nela. Eu sabia tudo que ela fazia e como estava já que o capataz Clayton me mantinha informado sobre ela. A qualquer sinal de algo errado com ela, eu estava mais que disposto a ir a fazenda e trazê-la, mas não foi preciso, porque ela sempre foi forte e destemida. E foi por isso que eu e Ray chegamos ao um acordo para fazer vocês dois unirem suas vidas.
Entretanto nosso plano não deu certo. E não culpo Ana, porque tenho certeza que ela tentou, tenho certeza que com sua garra e força, ela trouxe um pouco de você. Te fez acordar para a vida. Te ajudou em que achou que precisava, e você com sua ingratidão, com sua cegueira a deixou partir. Sinto muito por você, sinto muito porque você está lendo essa carta, não era assim que eu e Ray pensávamos. Queríamos que vocês dois estivessem bem, e com planos futuros.
Olha filho não te desejo m*l algum, sempre fiz o melhor para você e seus irmãos. Espero que você possa consertar as coisas com seu anjo, mas se nada for possível, espero que você seja feliz e tenha mais compreensão com a vida".
Eu e sua mãe te amamos muito. Seja feliz, se permita ser feliz.
Do seu pai Carrick Grey.
Um nó na garganta não me permite respirar. Lágrimas não deixa de sair dos meus olhos. Eu ofendi meu pai, o julguei como o pior dia homens. Eu preciso que ele me perdoe, eu quero que ele me perdoe. Nunca imaginei tão coisa. Nunca imaginei que ele estava cuidado do anjo que havia me salvado. Calço meu tênis e pego a chave do meu carro. Passo por Taylor que me questiona alguma coisa, mas eu não quero saber de nada. Eu preciso ir a um lugar, só assim vou me sentir perdoado, amparado.
Dirijo como um louco nessa chuva. Minhas vistas estão embaçadas devido às lágrimas que não param de cair. Eu fui injusto com duas pessoas que mais amei na vida. Cheguei ao jazigo dos meus pais e me ajoelho no chão indo até o jazigo do meu pai vejo seu nome. Estendo a minha mão para passar a mesma na escrita do seu nome.
- Papai, papai, me perdoa. Me perdoa, por favor. Eu fui injusto com o Sr. Me perdoa. Prometo aqui consertar a minha vida com meu anjo, prometo aqui mudar minha vida, eu só preciso que o Sr me perdoe. Falo soluçando de tanto chorar. Pai eu estou na ruína, e tudo que eu queria nesse momento era está perto de você, te abraçar e te pedir perdão pessoalmente. Por favor papai, eu te amo muito, e mesmo com todas as minhas acusações eu nunca deixei de te amar. Só me perdoa pelo meu erro, pela minha injustiça. Eu prometo nunca mais ser injusto com ninguém, prometo ver a vida com outros olhos, e principalmente prometo que serei uma pessoa melhor.
Abaixo a cabeça, encostando a mesma na parede do jazigo. Meu choro está intenso, eu não consigo me perdoar. Porque eu fiz tudo que fiz? Porque não enxerguei a verdade? Eu não quero viver com essa culpa dentro de mim, eu preciso consertar tudo de errado que fiz e pedi perdão a única mulher que me deu o direito de nascer de novo.
Eu estou chorando com esse cap.
Pessoas daqui para frente ele vai tentar se redimir com Ana, até mesmo para ter o perdão do seu pai. Já digo, escutem bem, já digo que Ana não vai facilitar para ele, então não adianta vir com comentários de Pena e de dor para ele. E já tirando as dúvidas de vcs quanto ao bebê, ela vai deixar ele sim fazer parte da vida do filho, sem dar brechas para ele entrar na vida dela. Então fiquem calma, pois tudo se resolverá no tempo certo. Bjs e até amanhã. CAP de Elena amanhã. Muitas coisas serão explicadas.