CAPÍTULO 25

2049 Palavras
Ouço um barulho lá no fundo, mas eu não quero acordar. Fui dormir tarde depois que cheguei a Portland. Ana já estava com seus nove meses completos e eu não queria ficar longe dela agora, então me hospedei em um hotel. O barulho ainda continua, suspiro jogando o travesseiro longe. Bufo pois terei que levantar e ir na sala buscar o telefone que toca insistentemente. Pego meu relógio que deixei na cômoda e são quase três da manhã. Quem poderia me ligar uma hora dessas? Levanto a contragosto e vou para sala. Acho meu celular jogado no sofá e vejo que tem várias ligações de Mia. Merda. Retorno a ligação e ela atende eufórica. - Christian, o bebê vai nascer. Ela fala em um só sopro. - Mia onde vocês estão? Questiono já ido para o quarto para me vestir. - Estamos a caminho do hospital. Ela fala feliz. - Você está com ela agora? Como ela está? Peço colocando o telefone no viva voz. - Kate e José estão com ela no carro dela. Eu estou indo atrás. Ela estava sentindo fortes dores e a bolsa já tinha estourado. -Ok, te encontro no hospital. Falo e acabo de me vestir. Meu coração está acelerado. Meu filho vai nascer. Meu filho vai nascer. Pego as chaves do carro, pois não vou acordar Taylor uma hora dessa. Ao amanhecer precisarei bastante dele. Já chamei o elevador, que demorou uma eternidade. Na entrada do hotel já dei a chave para o manobrista pegar meu carro. Eu estava nervoso, muito nervoso. Esperava que ela me deixasse assistir o parto, tinha medo que ela e sua rejeição não me permitisse a ver esse momento único. O manobrista trouxe o carro e eu quase o expulsei o mesmo de dentro dele. Peguei a direção e fui rumo ao hospital. Tantas coisas aconteceram depois da nossa última conversa. Não nos falamos, cinco meses que ela passou me ignorando e eu não pode fazer nada. A não ser dar o tempo que ela precisava. Mas o tempo não foi bom para mim, pois a inquietude do meu coração, um alarme na minha cabeça me diz que ela vai seguir em frente e eu vou sofrer pelo resto da vida. Eu a julguei por três anos e agora eu seria julgado pelo resto da vida, e sem direito a uma chance de me redimir. Cheguei no hospital e estacionei m*l, porém nem quis saber. Eu queria já ter chegado. Fui para a recepção e informei que Anastásia Steele tinha dado entrada para ganhar um bebê, e eu era o pai da criança. Ela me permitiu entrar e me disse que era no terceiro andar. Dessa vez não esperei o elevador, fui pelas escadas, subindo de dois em dois degraus. Cheguei no terceiro andar e já fui para recepção e dei meu nome, falei o de Ana e ela me disse a sala de espera. Na sala de espera Mia, Kate e José já estavam ali andando de um lado ao outro. - Como ela está? Questiono mais querendo saber onde ela está para eu poder assistir o parto. - A médica encaminhou a mesma para sala de parto. Mia diz. - Eu quero assistir o parto. Reafirmo. - A médica disse que daqui a pouco mandava uma enfermeira ou enfermeiro vim ver se você havia chegado. Kate diz não parando para me olhar. Comecei a andar de um lado a outro. Já havia se passado dez minutos e nada. Estava com receio que ela tenha pedido para não me chamar. Mais quinze minutos e minha minha mente não estava fluindo muito bem. Ela não me quer perto nem para assistir o nascimento do nosso filho. Um enfermeiro chega na sala me tirando dos meus pensamentos. - Anastásia Steele. Quem é o pai? Ele pede - Sou eu. Christian. - Venha comigo. O Sr quer assistir o parto? Ele pede. - Claro que sim. - Então vamos rápido. Entre naquela sala troque de roupa que eu já venho te buscar. Ele fala rápido e eu faço tudo. Não demora muito e ele já está me esperando. Chego na sala e a Dra me pedi para me posicionar perto de Ana. Quando vejo ela está desacordada. Que p***a é essa? Passo as mãos na cabeça. - O que houve com ela? Questiono indo para perto da médica. - Sr Grey, ela estava perdendo muito líquido e também sem forças. Tivemos que sedar-la. Vamos fazer uma cesária de emergência. Então peço para o Sr que fique onde eu disse. Não podemos demorar. - Ela vai ficar bem? Peço nervoso. - Sim. Ela ficará bem. Agora por favor. - Quero gravar o parto para ela ver. Digo pegando meu telefone. - Pode fazê-lo sem atrapalhar a equipe. Vou para um ângulo da sala onde consigo gravar todo o parto. A médica começa o procedimento de cesárea. Não demora muito para eu escutar um chorinho, parecendo mais um resmungo. Antes de pegá-lo em meus braços, gravo para Ana ver como ele nasceu. Paro de filmar e o pego. Ele é lindo. Meu rosto já está banhado em lágrimas. É uma sensação indescritível, senti-lo em meus braços. Ver suas mãozinhas, seu rostinho procurando algo. Tão lindo, tão perfeito. Sou tirado da minha bolha com a enfermeira me chamando. - Temos que levá-lo. Ela diz e eu sorrio entregando ele para ela. Médica pede para eu sair da sala para ela terminar os procedimentos com Ana. Espero realmente que ela fique bem. Troco de roupa e vou para sala de espera. Mia se joga nos meus braços me dando parabéns. Katherine e José também me dão os parabéns de longe. Mostro para ambos o vídeo do parto. Eles babam no meu filho. que é a coisa mais linda do mundo. Kate pergunta por Ana, e eu digo que a mesma estava desacordada pois estava muito fraca para prosseguir com o parto normal. Kate fica pensativa e vejo em seus olhos que refletem medo. Eu também estou assim. Ela precisa acordar, nosso filho precisa dela. Depois de não sei quantas horas, a enfermeira aparece para dizer que tanto Ana quanto o bebê estão bem, O bebê já está na incubadora e Ana já havia ido para o quarto. Suspirei aliviado. Fomos no berçário ver meu bebê branquinho com cabelos pretos iguais aos de Ana. José, Mia e Kate estão babando por ele. No quarto Ana fico ali sentado esperando a mesma acordar. Já fazem algumas horas que a enfermeira passou aqui e disse que ela demoraria acordar. O sedativo ainda estava fazendo efeito. Já eram quase nove da manhã e nada dela despertar. Kate queria ter ficado aqui, mas eu não deixei, por mais que eu sei que Ana não me quer perto, esse momento é nosso. Saio para tomar um café e comer alguma coisa. Elliot me liga me desejando os parabéns. O agradeço. Acabei o meu café e voltei para o quarto, ao entrar vi que Ana já estava acordada e com uma cara de dor. - Calma, deixa eu te ajudar. Você não pode fazer esforço. Falo a ajudando a se sentar na cama. - E o nosso filho? Ela pede. Fico feliz por ela se refere a nosso filho e não só dela. - Está bem. Ele é muito lindo. Branquinho com cabelos pretos iguais ao seu. Não sabemos ainda os olhos. Falo com maior sorriso no rosto. Ela não diz nada e fica olhando para um ponto fixo no quarto. Você precisa me falar o nome para que eu possa registrá-lo. - Noah. Ela fala e eu gostei do nome. - Gostei do nome. Digo e ela não me olha. Noah Steele Grey. O silêncio instala dentro do quarto até a enfermeira vir e examinar Ana. Ela fala que já já trará o nosso filho. A médica entra logo depois e é todo sorriso. - Srta Steele como se senti? - Com um pouco de dor. Ana diz. - É normal, nos primeiros dias será assim mesmo. Eu vou te dar alguns analgésicos para dor. Nada de esforço físico, os pontos podem inflamar dependendo do que você faça. Resguardo no máximo de quarenta dias mesmo. Quero te ver aqui dentro de quinze dias para retirada dos pontos. O bebê de vocês é lindo, forte. Está bem saudável. Recomendo procurar uma pediatra para ele. Alguma dúvida? A dra indaga. - Não. Só quero ver meu filho. Ana diz com meio sorriso. - Ele já deve está vindo para conhecer a mãe. Vou deixar vocês qualquer coisa estarei aqui até às duas da tarde. Srta Steele esqueci, te darei alta daqui dois dias. A médica diz e sai. - Eu gravei o parto para você ver. Digo e ela não me olha. - Obrigada! Depois você manda para o meu celular. Ela diz e fica em silêncio novamente. Não demora muito e uma enfermeira entra com uma pessoinha linda enrolada em uma manta azul. - Olha quem está louco para te conhecer mamãe. A enfermeira diz e Ana é todo sorriso. Ana pega ele em seus braços e começa a chorar passando seus dedos no rosto dele. Ela não diz nada, somente fica admirando Noah, e ele parece que reconhece a mãe, pois abre os olhinhos. Chego perto para ver a cor e são iguais aos meus. Sorrio ao perceber que ele tem algo meu. Ele começa a chorar um pouco e a enfermeira diz que ele está com fome. Já deve ter sentido o cheiro do leite. Eu gostaria muito de participar desse momento, mas não quero deixar Ana nervosa por eu estar ali. Digo que vou registrar Noah e já volto. Ela não se importa, não diz nada e então eu saio. Ana já estava na casa dela. Tentei ficar na fazenda para ajudá-la, mas a mesma não quis. Disse que a fazenda estava cheia de pessoas para ajudá-la. Tratei de não discutir e me resignei a ficar no hotel e ir todos os dias para ver Noah. Eu não parava de babar nele. Elliot veio conhecer o sobrinho e disse que ele era a minha cara. Fiquei feliz em ouvir isso. Passei um mês ali, e era hora da gente sentar e conversar, pois eu não queria ficar afastado de Noah a semana toda. Teríamos que arrumar um meio termo. Eu viria para cá e passaria três dias aqui e ela faria o mesmo indo para Seattle. Eu não podia me ausentar tanto do trabalho. Como todos os dias eu chegava na fazenda, Amélia me levou até o quarto de Noah que foi muito bem decorado com cores azul claro e branco. Quase nunca via Ana, ela não fazia questão de me ver e eu estava perdido a cada dia para que ela pudesse ceder um pouco. Fiquei um tempo com Noah e fui bater na porta do quarto de Ana. - Pode entrar. Ela diz e eu abro a porta. Ela está deitada lendo um livro sobre filhos recém nascidos. - Precisamos conversar. Digo e ela se senta com calma. - O que você quer? Ela pede sem me olha. - Como vamos ficar? Eu não quero ficar afastado dele. Moramos a três horas de distância. Não posso deixar as coisas lá para vir para cá. - Entendo. Eu ainda não sei o que podemos fazer, mas não se preocupe não vai durar muito tempo. Ela diz e eu não entendi. - Explica, porque não entendi. Indago. - Já comprei uma casa em Seattle. Vou me mudar para lá assim que ela tiver pronta para mim e para ele. - Ok. Fico feliz por isso. Achei que seria mais difícil esse assunto com ela. - Era só isso? Questiona pegando o livro novamente. - Sim. Estou indo embora hoje. Qualquer coisa você tem meu número. - Ok. Não é possível que vamos ficar assim. Não é possível que nossa relação será tão fria dessa forma. Eu a amo, e isso só aumenta a cada dia, porém vejo que ela não sente nada por mim. Tenho certeza que só serei o pai do filho dela. Vou embora triste, pois pensei que com o nascimento do nosso filho ela iria amenizar as coisas, iria se abrir mais, mas acho que ela está mais fechada do que nunca.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR