Eu ainda estava bolando a ideia do jantar com Ana. Descartei a ideia de usar Mia, pois Ana poderia achar r**m com ela por estar me ajudando. Mia me disse que ela não fala de mim, ao contrário de Kate que fala de Elliot sempre. Tinha receio de que ela pudesse ficar com raiva de Mia, e neste momento Mia precisa de uma amizade verdadeira e tranquila. Não gostaria de tirar a amizade de Ana dela.
Pensei em convidá-la, mas sei que terei um Não bem grande na cara, ou ser ignorado como sempre. Porém eu precisava tentar. Eu preciso dela de volta na minha vida, e não só como a mãe do meu filho. Estava difícil, eu queria poder conversar com ela sobre a gente, ou pelo menos sobre nosso filho, mas ela estava irredutível.
O problema disso tudo é que o tempo estava passando e nada de resolvermos a nossa vida. Eu estou perdendo tudo da gravidez dela. Posso dizer que pedir os quatros meses, não sei o que aconteceu com ela cada mês, não sei se o humor dela foi alterado devido ao seu estado, não fiquei admirando a barriga dela para ver se estava crescendo a cada dia, não vi seus enjôos, apesar dela dizer a médica que não teve nada. Não sei se ela teve desejos para eu satisfazê-los. Cada detalhe passado estava me deixando triste e m*l por dentro. Porque é e era um momento que eu queria viver ao lado dela. E como disse, o tempo estava passando e ela não me dava brechas para nada.
Me veio a cabeça de fazer um convite de trabalho. Sei que ela está ainda vendo a questão da galeria para expor seus quadros. Eu poderia fingir ser uma pessoa interessada em seu trabalho. Porém tenho medo de como ela vai reagir com essa mentira branca. Mas também eu não tenho muito o que fazer, já que ela não me deixa chegar perto. Usarei essa estratégia e seja como Deus quiser. Espero que ela não ache r**m, que seu coração esteja aberto nesse dia.
Pedir a Andreia para marcar com ela em nome de outra pessoa qualquer em Portland mesmo. Fiz questão de reservar o restaurante e passei para Andreia confirmar com Ana na quinta feira às oito da noite. Daqui dois dias então eu estaria com ela e torcia para a mesma me ouvir, para a gente ter uma conversa civilizada. Seremos pais daqui uns meses, e precisávamos manter uma relação boa para a criação do nosso filho.
A noite em casa, Elliot veio falar comigo. Ele estava preocupado com alguns investimentos que ele fez e também criou uma poupança para Ava.
- E aí cara como você está? Ele pede me abraçando.
- Estou indo. Não posso dizer que estou cem por cento, mas estou bem.
- Nada ainda com Ana? Indaga se sentando no sofá.
- Nada. Ela é mais teimosa do que tudo. Marquei um jantar com ela na quinta feira.
- Ela aceitou? Elliot pede surpreso.
- Não com Christian Grey, mas com um cara chamado Gabriel Diniz.
- Você forjou um nome para poder jantar com ela?
- Era o único meio que eu achei de chamá-la para sair e conversarmos.
- E você acha que isso dará certo?
- Não sei Elliot. Estou torcendo para que ela ceda só um pouco. Que ela me deixe falar. Vamos ter um filho e não quero que o mesmo nasça no meio dessa confusão toda entre nós.
- Tomará que você consiga irmão. Torço por vocês dois.
- Eu também. E como está Ava? Peço querendo esquecer um pouco de Ana. Como se fosse possível.
- Eu não me imagino sem ela na minha vida. Ela uma menina incrível, passamos o final de semana todo só eu e ela. Cara não tinha sorriso melhor do que o dela. A vozinha me chamando de papai. Eu não me canso de ser chamado assim. Meu irmão diz com um brilho no olhar.
- E Katherine?
- Foi ficar com Ana.
- E como vocês dois estão?
- Na mesma, conversamos somente o necessário, e para te falar a verdade, eu não pretendo mudar isso por enquanto. Ainda estou chateado com ela por ter me escondido minha filha. Não quero aproximação de nenhuma mulher, a única que neste momento quero é minha pequena loirinha de olhos verdes.
- Tenho medo que minha relação com Ana seja assim, porém ao contrário de você, eu quero ela de volta. Falo.
Elliot começou a falar dos investimentos que ele havia feito. Eu o aconselhei a mudar algumas coisas. Bebemos cerveja e voltamos no mesmo assunto que ronda minha vida, minha mente e meu coração. Ana.
Hoje já era quinta feira. Passei o dia todo nervoso, com medo da reação dela. Mas eu não podia desistir agora. Ela havia confirmando mais cedo o jantar, e eu já estava aqui no carro esperando a mesma chegar no restaurante. Ainda faltava cinco minutos, mais parecia uma eternidade. Meus pés estavam inquietos no chão do carro. Minhas mãos estavam suadas. Olhava de dois em dois minutos para a porta do restaurante. Esse jantar seria decisivo para nós dois, mesmo que ela não me ouvisse agora, ela veria que não desistiria dela por nada. Taylor me chama apontando para a porta. Olho e ela está ali entrando no mesmo. Espero uns minutos e saio do carro. Respiro fundo e vou para dentro do restaurante. Falo para recepcionista o nome de Gabriel Diniz. Ela me mostra a mesa, olho e vejo Ana sentada, olhando para fora através da janela. Respiro fundo mais uma vez, e sigo para a mesa. Ela ainda não percebeu que eu estou aqui. Chego na mesa e olhei bem para ela.
- Boa noite! Falo. Ela me olha, e volta o seu olhar para janela. Já vi que a conversa não será fácil. Me sento. Vamos conversar? Peço, e ela não me olha.
- Vocês já querem fazer o pedido. O garçom chega e questiona para gente.
- Ana? A chamo. Ela me olha e olha para o garçom.
- Eu ainda não quero pedir nada. Estou esperando alguém. Ela diz. O garçom fica parado olhando pra gente.
- Nos dê licença. Falo olhando para o garçom. Ele assenti e sai.
- Ana foi eu que marquei esse encontro com você. Esse Gabriel Diniz, não existe. Ela vira seu rosto para mim com raiva. Não diz nada, se levanta rápido. Merda. Era disso que eu tinha medo. Ela sai andando e eu me levanto para ir atrás. Saio do restaurante e ela já estava indo para seu carro. Ana. A chamei , mas ela não olha para trás. A alcanço e pego em seus braços.
- O que você quer Christian? Me diz o que você quer. Ela pede quase chorando.
- Eu só quero conversar. A gente precisa conversar. Falo com calma.
- Não, a gente não precisa conversar. Não tem o que conversar. Já falamos tudo um para outro e não temos mais nada para falar. Ela diz me olhando. Por favor me deixar em paz.
- Ana eu estou tentando. Falo e suspiro.
- Então para de tentar. Eu não quero que você tente mais nada. Christian isso não vai mudar nada entre a gente. Eu quero paz, coisa que não tenho desde que te conheci. Você terá acesso ao seu filho quando e onde quiser, mas neste momento eu preciso ficar comigo mesma. Eu preciso ficar tranquila por causa da gravidez, e com você me cercando dessa forma eu não consigo respirar. Eu não consigo pensar em mim, não consigo trazer paz ao meu bebê, porque toda vez que encosto a mão na minha barriga, eu lembro das suas palavras, lembro que estou grávida de um homem que me machucou bastante. Você está tentando, e eu também estou tentando esquecer cada palavra sua, porém você não me dar tempo para eu esquecer, você insistir em querer se aproximar de mim, mas eu não quero isso. Ela suspira. Quando pedir para você que não acompanhasse a gravidez não foi por maldade, mas sim para me preservar, preservar a minha sanidade, para esquecer o que eu vivi ao seu lado. E mais uma vez você não me dar espaço, mais uma vez você quer se impor para mim.
- Eu só quero que você me perdoe, mas também que tenhamos uma relação amigável para o bem do nosso filho.
- Eu não quero contato com você. Será que você não percebe que eu ainda estou sofrendo? Será que você percebe que a cada dia que você tenta uma aproximação eu fico mais ferida por dentro? Antes de pensar no que você quer, pense no que eu quero, no que eu preciso.
- Eu não posso deixar você sair da minha vida assim.
- Eu nunca estive na sua vida Christian. Quando achei que tínhamos uma oportunidade de mudar as coisas entre a gente, você acabou com essa chance. Então parar de ficar atrás de mim. Parar de querer consertar o que não há conserto. Eu preciso de tempo, eu preciso que você me dê tempo e espaço.
- Quanto tempo? Pergunto em desespero. Eu vou perdê-la para sempre, já sinto isso.
- Não sei, e não vou te dizer que amanhã ou depois podemos voltar, porque não é verdade.
- Eu não posso te perder.
- A gente não perde o que nunca teve. Tudo na nossa vida foi um erro. Nosso casamento foi um erro. Nossa primeira noite foi um erro, e só não me arrependo, porque tem um ser crescendo dentro de mim que não tem culpa dos nossos erros. Olha vamos ter essa última conversa. Chega de tentar, chega de querer que as coisas funcionem do seu jeito e chega de querer consertar algo quebrado que não tem mais jeito. Ela fala e vai para seu carro. Suspiro com os olhos cheios de lágrimas.
- Eu não vou abrir mão das consultas. Falo e ela não diz nada. Entra no seu carro e vai embora.
Minhas esperanças terminam aqui. Ela nunca mais vai querer nada comigo e eu serei somente o pai do filho dela. Viverei com essa culpa pro resto da vida, e ainda vou vê-la esfregando outro homem na minha cara. Pai, porque você deixou essa mentira chegar onde chegou? Elena porque você fez essa mentira acabar com a nossas vidas? E eu, como fui burro o bastante para não enxergar que eu tinha uma mulher linda, honesta e verdadeira comigo. Eu a perdi e nem sei mais o que posso fazer para mudar o pensamento dela.
Já havia passado três meses, e o nosso único contato era as consultas, que ela nem olhava para mim. Não conversávamos sobre nada. Não nos cumprimentavamos. Ela saia do consultório sem falar um a para mim. Eu ainda sabia dela através de Mia que deu para passar o final de semana com Ana na fazenda, e do segurança que ainda a vigiava. Mas confesso que eu estava surtando por não ficar próximo dela, por não conversarmos e pior ainda por não participar da gravidez. Mia me disse que o bebê chuta muito a barriga de Ana. E eu não estava lá para sentir e ver esse feito. Eu não estava perto para fazer o meu papel de marido que seria se eu não tivesse sido um i****a completo.