_ Maninho, posso falar com você? _ Angel disse, após uma batida na porta.
_ Claro, entre. _ Gustavo tirou os olhos do celular e respondeu.
_ Então, eu gostaria de falar sobre você…e a Mari. _ a filha mais velha dos Smith tocou no assunto com cautela.
_ Você concorda com o pai e a mãe, é isso? _ o rapaz suspirou, cansado.
_ Você sabe que sim, Gus, mas também é fato que a aproximação de vocês tem feito muito bem a ela. Aos dois, na verdade. Dá para ver seus olhinhos brilhando lá da esquina… _ Angel soltou uma risada e o irmão sorriu, envergonhado.
_ Eu só te peço uma coisa meu irmão: jamais troque a sua vida com Deus por ninguém, nem mesmo por ela. A Mari é minha melhor amiga e eu a amo, eu oro muito para que Jesus toque seu coração, mas você não pode deixar seus sentimentos falarem mais alto do que a voz de Deus. Quando sentir dificuldade de ouvir a voz Dele, você já sabe o que precisa fazer.
_ Você tem razão, Angel.
_ Acredite, Gus, essa palavra também serve para mim.
_ Como assim? Algo que eu deva saber? Algo com relação ao Logan? _ Gustavo reprimiu os olhos, numa atitude de defesa.
_ Relaxa, maninho, nada com que dê vai se preocupar. Outra hora te conto, beijos.
Angel se levantou da cama do seu irmão num salto. Ela se despediu apressadamente e saiu do quarto com um sorriso zombeteiro no rosto.
_ “Preciso descobrir o que está acontecendo”. _ Gustavo pensou, sério.
Antes de dormir como era costumeiro, o rapaz ajoelhou-se e fez uma oração sincera, um tanto quanto receoso.
_ “Deus, eu gostaria de continuar perto da Mari, o Senhor sabe como gosto dela, mas também não quero que minha vida contigo seja prejudicada. Se em algum momento, eu trocá-lo por ela, o Senhor tem permissão para tirá-la de perto de mim.”
Talvez sem ter dimensão das palavras que saíram de sua boca, talvez pela confiança de que tudo caminharia bem, Gustavo terminou a oração até mais leve. De qualquer forma, o que ele disse, consciente ou não, não foi apenas jogado ao universo. E é a partir dessa oração que as coisas vão (des) andar.
No dia seguinte, Gustavo decidiu que deveria se afastar, embora não totalmente. Começando pela ida à faculdade, que sempre ocorria, pois o clube de natação ficava próximo à instituição. Gustavo demorou a arrumar suas coisas de forma proposital e piscou para Angel, quando ela o indagou. A irmã entendeu na hora o que o atraso significava e sorriu.
_ Bom dia. _ Angel afirmou, com um sorriso no rosto.
_ Bom dia, Angel. _ Bia cumprimentou a amiga.
_ Bom dia. _ Natália falou, assim que entrou no carro, quando Angel parou.
_ Bom dia, meninas. Ah, O Gustavo não vem hoje? _ Marianna perguntou assim que entrou no carro da amiga.
_ Ele acabou se atrasando e me pediu para vir na frente, ele sabe que ainda passa para buscar vocês, então me liberou.
_ Ah. _ Marianna respondeu com o levantar rápido de sua sobrancelha.
Durante todo o dia Mariana não interagiu, seus pensamentos estavam no dia anterior, na conversa que teve com Gustavo. Ela cogitou mandar uma mensagem para seu melhor amigo, mas não queria parecer precipitada.
Talvez fosse apenas um atraso. Ou talvez não.
A filha de Irma checou o celular diversas vezes entre uma aula e outra. Nenhuma notificação. Será que havia acontecido alguma coisa? Uma estranha sensação invadiu o seu coração. Ela decidiu falar com o irmão de Angel assim que as aulas terminassem.
_ Marianna? _ Gustavo chamou assim que a viu.
_ Olá. _ A garota disse com a voz um tanto oscilante.
_ Aconteceu alguma coisa? _ A expressão dele ficou preocupada.
_ Eu não sei, por isso vim aqui.
_ O que? _ o rapaz estava confuso, apesar de ter a leve impressão de que sabia o motivo da ida da melhor amiga.
_ Está tudo bem? _ A moça olhou-o nos olhos, procurando alguma informação.
_ Está sim, mas por quê?
_ Oh, é que você não veio conosco e geralmente você me manda…nada, esquece. Se está tudo bem, então eu devo ir.
_ Eu estive ocupado essa manhã, cheguei no treino atrasado e só parei agora pouco. Semana que vem vai haver uma competição importante, a mais importante até agora: os olheiros dos campeonatos mundiais estarão lá. _ Gustavo disse, começando a se sentir arrependido da decisão de se afastar.
_ Verdade? Que incrível, Gus! Meus parabéns já antecipados, sei que vai se sair bem.
_ Obrigado. Ah, quando eu tiver os ingressos, te falo, se você quiser assistir, claro.
_ Com certeza eu vou querer.
_ Tudo bem, vou guardar seu ingresso.
_ Certo. É, bom treino e boa sorte na competição.
De qualquer forma, seu coração estava feliz por saber que o sonho da vida de Gustavo estava tão próximo de ser realizado. E, por ele, ela decidiu fazer algo que foi ele mesmo quem ensinou: orar.
_ “Deus, eu sei que não sou o tipo de pessoa que mantém uma frequência de oração, mas quero te pedir uma coisa: ajude o Gus a conseguir essa vaga, ele tem sido tão fiel ao Senhor e eu sei que ele tem um talento fora do comum. Ajude-o, por favor, em nome de Jesus, amém.”
Agora, com um sorriso no rosto, ela caminhou para o ponto de ônibus mais próximo e entendeu que tudo ficaria bem.