Capítulo 13

1244 Palavras
Parece que nunca. Não posso falar isso. Se eu contar, o máximo que vou receber é um sermão histórico e ser proíbido de voltar a falar com ela, vou deixar todos preocupados e vão querer ir embora antes do tempo. Melhor deixar para depois... Depois que eu soltá-la. Sim! Não vou conseguir ir embora e deixa ela aqui com aquele desgraçado. Agora, como vou fazer isso? Ele é rodeado de capangas. Vai ser difícil matá-lo. Droga! Jamais pensei em m***r um humano no auge da nossa sobrevivência. Mas ele merece. Droga de novo. Como posso decretar quem merece ou não ser morto? Está a cada dia que passa mais difícil ser um humano normal. De qualquer forma, estou decidido que não vamos embora sem ela. É sexta-feira pela manhã e eu resolvo descer depois que os meus irmãos e os meus cunhados saem. Eles não querem que eu saia, me imploram para eu permanecer em casa, mas eu preciso sair, e se eu explicasse o porquê, tudo pioraria. Assim que saio do bloco, vejo homens andando para tudo quanto é lado, estão muito ocupados, cortando e carregando lenha, alguns estão a preparar comida, outros nem sei o que, e ninguém percebe a minha presença. Eu não sei o que fazer. Decido perguntar para alguém onde fica o consultório do Doutor Ferdinando, nem sei se ele tem um consultório. Procuro uma pessoa com cara de simpática e chamo por ela. — Com licença — digo para um rapaz, ele está andando para algum lugar, pelo menos não está carregando nenhum peso. O rapaz é simpático, acho que ele tem vinte anos. — Oi, coisa linda — diz o rapaz a me olhar de baixo para cima a l****r os beiços. — Não me lembro de você. Quer alguma coisa de mim — ele aperta a mão no órgão genital e se insinua para mim. — Olha, deixa lá, eu pensei que fosse outra pessoa. Gente, as aparências enganam, lembrem-se sempre. Eu me afasto para procurar outra pessoa mas aquele rapaz me persegue e me pega pelo braço, a mão dele está suja e ele acaba me sujando. — Acho que você quer vir comigo para trás do bloco 5. Agora fico com medo. E esse bloco 5? Se todo mundo vai pra lá fazer suas orgias, como que é o mais reservado? — Não, por favor... — Não, por favor — ele me imita fazendo uma cara triste. — Quanto mais você implora, mais t***o me dá. Você é muito lindo. — Eu sou novato aqui — uso meu último recurso. — Sou suspeito de ser um infectado. Parece que vou me safar, o rapaz fica desanimado. Depois ele me segura forte de novo e diz: — Vem comigo, eu vou encontrar um saco plástico. — O quê? Pra quê? — O que está acontecendo aqui? — esta pergunta faz o rapaz eu dar um pulo. O rapaz me solta imediatamente e engole em seco. — Prefeito — o rapaz gagueja —, eu só estava... Eu só estava... O Prefeito abaixa a cabeça lentamente e olha para a região pélvica do rapaz que está alterado. O rapaz se envergonhado e tentar esconder a ereção. — Volte ao trabalho — ordena o Prefeito e o rapaz sai dali tão rápido quanto ficou ereto. Nem posso acreditar que o Prefeito salvou a minha pele. Será que ele tem algum lado bom. — O que faz aqui rapaz? Soube que não lhe deram ofício — diz o Prefeito com as mãos na cintura. — Eu estou indo ver o Doutor Ferdinando — minto. Não sei mais o que poderia inventar. — É mesmo? Eu também. Salvo pelo gongo. Pela segunda vez. — Que maravilha, então vamos — eu aponto a mão para um caminho aleatória. — Depos do senhor. O Prefeito Lemos começo a andar e eu começo a acompanhá-lo. — Jovem, onde você estava ontem? — a súbita pergunta do prefeito me faria urinar nas calças se eu tivesse incontinência. — Com o Doutor Ferdinando — respondo com muita tranquilidade e ele acredita, percebo pela expressão do seu rosto, mas eu preciso falar mais coisas para preencher a mentira. — Ontem passei pelos rapazes normalmente e não passei por esse assédio de agora. — Tome cuidado por aqui, jovem — começa a dizer o prefeito —, estes homens fazem de tudo por s**o. Agora sim mudou o discurso. Estamos caminhando para o bloco 5, tenho certeza, chega o meu coração começa bater mais rápido. — É, eu percebi. Eu disse que sou novato e suspeito de ser um infectado e ele nem se importou. — Ah! — Lemos expressa o seu desapontamento. — Esses rapaz não aprendem nada. Já nos livramos de tantos infectados. — Ele olha para mim de uma maneira diferente e eu finjo que não vejo. Estou começando a ficar com nojo. — Você é um rapaz educado, bonito e atraente... Vixe! Espero que ele não esteja querendo chegar aonde eu espero que ele não queira chegar. — Limpinho e cheiroso — continua o prefeito. — Um prato cheio para os homens mais fracos. A falta da mulher faz os homens mais viris optarem pelo que estiver mais próximo delas. Este discurso está muito estranho. Ele abre a porta do bloco 5 e faz menção para que eu entre. Ele me trata como uma dama. — Obrigado — ser educado para mim é automático. A porta do primeiro apartamento está aberta a revelar que realmente o Doutor Ferdinando tem um consultório. O AP foi customizado para ele trabalhar. Antes de entrarmos, o prefeito olha para mim e murmura: — Espero mesmo que você não esteja infectado. Ambos entramos na sala do Doutor, mas eu entro com ânsia de vômito. — Olá, prefeito — diz o Doutor alegremente, ele está sem máscara —, veio buscar o remédio? — Sim, Doutor. Ferdinando abre a gaveta da sua mesa e retira uma cartela de comprimidos para entregar a Sinésio Lemos. — Aqui está — Doutor Ferdinando olha para mim e diz: — E você, meu jovem, a quê devo a honra da sua presença? O prefeito olha pra mim intrigado e depois e olha para o Doutor. — Mas ele disse que estava aqui ontem com você. Congelo na hora. Eu arregalo os olhos tão rápido que não sei como Ferdinando percebe. — E ele estava — confirma Ferdinando tranquilamente. Salvo pelo gongo pela terceira vez. — Ah! Você falou de um jeito que pareceu que foi a primeira vez que ele apareceu aqui. — O Prego me disse que não viria aqui hoje, fiquei surpreso. A gente conversa enquanto não tenho muito o que fazer, ele me disse que quer ser professor. — Sim — confirmo —, eu tenho uns livros que trouxe e leio bastante, eu ia continuar a leitura hoje mas decidi vir para continuarmos a conversa. Eu vejo nos olhos do prefeito que tudo faz sentido para ele, no dia que ele invadiu o meu AP, ele viu um livro em cima do sofá e tenho certeza que ele leu o título. — Muito bem, estou indo — o prefeito passa a mão nos meus cabelos e manda que o Doutor me entregue uma pulseira especial. Finalmente vai embora. — Primeiro me diga, por que você veio, depois me diga, por que mentiu para o prefeito? — pergunta o Doutor. Eita! Essa foi na lata. Nem esperou eu respirar.
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