Capítulo 05

1616 Palavras
Enquanto o elevador subia, tirei do bolso do paletó a caixinha de veludo e fiquei analisando. Justo agora Pérola reapareceu e colocou tudo de cabeça para baixo mais uma vez. O que vou fazer agora? Guardei novamente aquela caixinha azul marinho, afinal, agora não tinha ideia do que faria. Antes de abrir a porta do quarto, respirei fundo umas três vezes. Abri a porta lentamente e entrei calmamente no quarto. Para minha surpresa July estava dormindo. Quanto tempo eu havia demorado? Aproveitei para enrolar bem o paletó e esconder o anel. Em seguida, me aproximei da cama e sentei ao lado dela, acordando-a com um beijo no rosto. – Hey… – ela espreguiçou-se. – Nossa, acho que o pouco de vinho que tomei me fez adormecer. – Ela riu fraco. – Que horas são? – Eu demorei um pouco. Não estavam encontrando meu paletó e a surpresa não ficou pronta. – Sim, era necessário mentir. Mentir de novo. Voltei a ser um completo b****a. – Eu havia encomendado um “Petit Gateau”, seu preferido. – Sorri fraco. – E me disseram que nesse restaurante do hotel faziam um dos melhores, mas… Confundiram os pedidos, por isso demorei. – Ai, Zayn… Não tem problema. – Ela me abraçou. – Tudo isso já está ótimo. – Continuou com os braços em meu pescoço. – Olha tudo que preparou. Você, sempre tentando me agradar. – Beijou o canto do meu lábio. – Agora é a minha vez. – depositou vários beijos pelo meu pescoço e começou a passar as mãos por baixo de minha camisa. Engoli seco, porque tudo que eu conseguia pensar agora era em Pérola. m***a. – July… – Segurei suas mãos, impedindo que ela tirasse minha camisa. Ela me olhou confusa. – Vamos tomar o champagne antes. – O que estava acontecendo comigo? Negando s**o com minha namorada? Quem sabe beber me ajudaria a tirar a tensão do que havia ocorrido no elevador. – Está bem. – Julia ficou nitidamente chateada. – Você está estranho. – Ela disse enquanto eu servia a bebida nas taças. – Estranho? – entreguei uma taça para ela. – Por que estaria estranho? Não… – bebi um gole. – Só fiquei chateado que as coisas não saíram exatamente como eu planejei. – Bebi mais um gole, dessa vez um longo. – Mas tudo está tão perfeito. Amanhã pedimos o “Petit Gateau”. – Ela franziu a testa, assim que me viu bebendo. – Nem brindamos. – Ah, sim… – Servi mais em minha taça, afinal já havia secado ela. – Um brinde… – hesitei um pouco. – A nós. – Depois de brindarmos, entornei de uma vez só a segunda taça de champagne. – Agora podemos continuar onde paramos? – July m*l tomou o champagne e já largou a taça no criado mudo. Sentou-se no centro na cama, chamando-me com o dedo. Tomei mais um longo gole, direto da garrafa, antes me juntar a ela. July começou a desabotoar minha camisa, distribuindo beijos pelo meu peitoral a cada botão que abria. Sentei-me na cama e ela empurrou-me delicadamente, deitou-se sobre mim. Segurei-a firme e, ainda um pouco desnorteado, desfiz os ganchos de seu sutiã. Ela riu, aquela risada picante e divertida que só ela possuía naquelas horas, e então fechou os olhos quando a envolvi com meus beijos, dando leves mordiscadas na ponta da sua orelha. Isso era algo que ela adorava. Em meio aos nossos beijos, carícias, senti seu corpo pulsar de desejo e excitação. Meu corpo correspondia aos seus toques, o calor de sua pele, o jeito dela me querer. Aquele ritmo só aumentava. July envolveu meu pescoço com seus braços e afundou o rosto em meu peito. Seu corpo involuntariamente tremeu e, de repente, o som de sua respiração ficou mais forte. Meu prazer explodiu ao ouvir seus gemidos. Fechei os olhos, tentando normalizar minha respiração, apenas a sentindo quieta abraçada a mim. Acariciando seus cabelos, meu pensamento foi longe. Eu me sentia culpado. Minha mente saiu daquele quarto e viajou até o dia de amanhã, mais precisamente às 17 horas. – Eu te amo, Zayn… – July falou as palavras, que naquele instante me fizeram sentir o pior ser humano do planeta. – Eu… Eu também. – Beijei o topo de sua cabeça, que ainda descansava sobre o meu peito. Com July era tudo tão simples, fácil e tranquilo. O que mais eu poderia querer? A paz que eu busquei finalmente havia encontrado, então por que isso me deixava inquieto agora? ^°^°^°^°^°^ Parei na calçada, diante da entrada do hotel e olhei para o relógio de meu celular, que já marcava 16:50. Comecei a lembrar da minha manhã com July, recapitulando se não havia a deixado desconfiada de nada. Inclusive, não quis arriscar, então acabei pedindo o café da manhã no quarto, para não correr o risco de nos encontrarmos com Pérola. Depois do check-out, levei-a até a agência, pois ela precisava assinar alguns papéis para o desfile. Algo sobre as marcas, não sei bem ao certo. Apesar de termos comemorado ontem nosso aniversário de namoro, combinamos para que ela fosse a minha casa pelas 20 horas, para que eu pudesse entregá-la o presente que comprei. A essa hora eu com certeza já teria conseguido resolver e esclarecer tudo com Pérola. Eu sei que preciso desse ponto final. Encarei aquela porta enorme, parecendo um adolescente bobo, ansioso e nervoso. Ao mesmo tempo em que eu sentia que não deveria entrar, algo mais forte fez com que eu caminhasse até a porta. Logo que entrei, avistei Pérola sentada no sofá, mexendo no celular. No mesmo instante, ela ergueu seu olhar e abriu um sorriso, aquele mesmo sorriso que fazia eu me perder completamente. Ela guardou o aparelho na bolsa, vindo em minha direção. – Oi! – Me cumprimentou e eu provavelmente ainda estava a admirando feito um bobo. – Pensei em irmos até o Chequers Tavern, um pub aqui ao lado do hotel. Pérola sempre ditando as regras. E eu havia perdido a fala? Apenas concordei com a cabeça, então fomos caminhando em direção ao pub, sem trocar uma palavra sequer. Nos sentamos um de frente para o outro, em uma pequena mesa próxima à porta. Pérola foi quem quebrou aquele silêncio torturante. – Sabe, Zayn… Foi muito bom te encontrar de novo. Eu tenho que admitir que estava com medo… – ela puxou o cardápio à sua frente, desviando brevemente seu olhar do meu. – Medo do quê? – Ah… – voltou a me olhar. – Medo de você desistir e me dar um bolo. – Baixou o olhar, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. – Não vou mentir, eu pensei muito antes de vir hoje e quase desisti. – Menti eu sei, mas seria patético dizer que contei os minutos para me encontrar com ela. – Que bom que não desistiu. – Ela sorriu timidamente. – Queria dizer que fiquei feliz por você ter aceitado meu convite. Seu jeito de me olhar fez com que me perdesse por alguns instantes, em vários flashbacks dos nossos encontros em seu apartamento. Eu precisava ter o controle da situação, não podia me deixar levar. – Acho melhor pedirmos. Você vai querer o que? – Levantei-me, fugindo daquele olhar hipnotizante de Pérola. – Eu vou ao balcão fazer o pedido. – Uma lager e chips com queijo. – Ela abriu a bolsa para me entregar o dinheiro. – Não. Deixa que eu pago. – Dei as costas, me dirigindo até o balcão. Trouxe nossa cerveja até a mesa, equilibrando nos braços a plaquinha com o número do nosso pedido. – Uma lager… – posicionei a caneca à sua frente. – E uma stout para mim. – Humm. Forte, sabor marcante e intenso… Continua o mesmo, Zayn? – ela perguntou de maneira provocativa. – Talvez. Ou não. – Acabei entrando em seu jogo e bebi um gole da minha cerveja. Não sei, mas eu estava começando a achar que não deveria ter ido. – Zayn, sinto que preciso te dar uma explicação do que aconteceu há dois anos. E então ela me fez lembrar o real motivo pelo qual eu estava ali. Eu necessitava dar um ponto final, precisava desse desfecho para seguir minha vida com Julia. – Eu não devia ter te deixado daquela maneira. – Ela começou a se explicar. – Melhor dizendo, no fundo não queria ter te deixado. Fui precipitada e muito i****a, mas… – Ela bebeu um gole da sua cerveja. – Fui tomada pelo desespero, querendo sair dessa cidade o quanto antes. Eu ainda estava muito machucada por conta de tudo que estava acontecendo na minha vida naquela época, mas você não merecia afundar naquele barco comigo. – Ela mantinha o olhar firme e direto em meus olhos enquanto se explicava. Eu bebi mais um longo gole da minha cerveja, continuando atento a cada palavra. – Sei que isso não justifica o modo como fui embora, porque você merecia mais que um simples bilhete pela manhã. Porém, conforme os dias se passavam, foi ficando mais difícil tentar me desculpar, então achei que seria mais fácil você me odiar, pois assim me esqueceria mais rápido. Quando te encontrei no elevador ontem, vi em seus olhos o rancor e pude ter certeza que havia feito tudo errado no passado. Sei que é um pouco tarde, que demorei dois anos, e nesse tempo você nem deve ter pensando em mim. Só esse reencontro foi o suficiente para fazer toda essa raiva e rancor vir à tona novamente, mas eu precisava me desculpar. Eu realmente espero que um dia você me perdoe, Zayn.
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