Capítulo 04

1773 Palavras
Meu corpo reagiu a proximidade de seu rosto deitado sobre meu peito, que me fez dar um grande suspiro. Eu ainda podia sentir a vibração de nossos corpos. Em seu quarto, havia uma grande janela atrás da cama que fazia a lua refletir em seu rosto, ela estava ainda mais bonita seus traços eram delicados. Era uma atração irresistível o que eu sentia por ela, não sabia exatamente explicar o que estava sentindo nesse instante, era tudo novo para mim, era tão intenso, mas podia dizer que naquele momento me senti completo. – Acho que nossos caminhos se cruzaram mais do que deviam, não é mesmo? – Ela ergueu o rosto, pousando seu queixo em meu peitoral. – Talvez devessem se cruzar mais vezes? – E tudo que consegui foi abrir um sorriso torto. Sim, eu queria encontrá-la mais vezes, não queria ser apenas um caso de uma noite só. – Talvez. – Ela sorriu fraco e depositou um beijo rápido em meus lábios e deitou novamente em meu peito. ^°^°^°^°^°^ Nossos encontros casuais, começaram a se tornar frequentes nas semanas seguintes. Nos encontrávamos todos finais de noite em seu apartamento. Com o passar dos dias eu estava me tornando incapaz de imaginar uma noite sem ela e quando estamos juntos eu perco o controle, me sinto flutuando. Ela me virou do avesso, de todas as formas, pela primeira vez me sinto completo. ^°^°^°^°^°^ Era sexta à noite, estava saindo do banho, escutei alguém tocar a campainha. Com apenas a toalha enrolada em minha cintura, caminhei tranquilamente até a porta para atender. – Pérola . – Fiquei surpreso ao vê-la ali, era a primeira vez que vinha até o meu apartamento. Lutei para reprimir a vontade de pegá-la em meus braços, beijá-la ali na porta mesmo, mas ela por sua vez mantinha um autocontrole impecável. Podia até dizer que a notei distante e até um pouco tensa. – Entra… vou servir um drink para nós. – A convidei para entrar e esperei ansiosamente pelo que ela tinha a me dizer. – Zayn… Eu… – a ouvia enquanto servia a bebida em nossos copos. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa interrompi no mesmo instante e larguei os copos ali na bancada e me aproximei dela. Seus olhos queriam me dizer algo, mas era algo que provavelmente eu não queria ouvir. – Só me responde uma coisa, eu só quero saber se você sente isso também! – E antes dela responder qualquer coisa, não pensei duas vezes, a segurei firme pela cintura e a puxei para um beijo intenso, cheio de necessidade. Nossos lábios se movimentavam desesperadamente, cheio de desejo e saudade. Ela não me parou e sem romper o beijo começou a explorar meu corpo, com o toque suave de seus dedos roçando em minha pele levemente úmida. A senti deslizar suas mãos até a borda da toalha. Essa mulher me enlouquecia. – Por favor… – ofegante, ela separou nossos lábios. – Zayn… – Não, não diga nada, Pérola . – Sussurrei e a segurei firme em meus braços e comecei a distribuir pequenos beijos pelo seu pescoço, senti sua pele arrepiar e não demorou para que ela demonstrasse estar entregue às minhas carícias. Prendi a respiração ao sentir o prazer percorrendo meu corpo quando suas duas mãos agarraram de leve minhas costas nuas. Apenas minha toalha separava nossos corpos. A cada toque dela era um estímulo insuportável e meu corpo implorava por mais. Seus lábios percorriam pelo meu peito nu e eu não conseguia mais conter tudo que eu estava sentindo naquele momento. Toda paixão, desejo e dor, sim a dor de ter impedido que certas palavras fossem ditas antes. Quando a tomei em meus braços, ela envolveu suas pernas em minha cintura, já estávamos tomados pelo desejo e prazer daquele momento, não havia como voltar atrás. Eu me sentia tonto e flutuando cada vez que estou com ela. Eu não pensava em mais nada, apenas em desfrutar aquele momento com a mulher que havia se tornado dona do meu coração. Eu obedecia a todos os seus movimentos e comandos. E mais uma vez ela se entregou a mim por completo. Com meu corpo em total êxtase e o suor escorrendo pela minha testa desabei ao seu lado no tapete da sala. Enterrei meu rosto em seu pescoço e a abracei com força. Fiquei admirando-a, deleitei-me ao vê-la assim tão vulnerável e aos poucos adormecendo em meus braços. ^°^°^°^°^°^ Os raios de sol começaram a entrar pela janela, meus olhos custaram a abrir. Ao me virar na cama, senti o vazio que lá estava. Meu coração acelerou. Será que Pérola havia ido embora? Em um pulo levantei-me da cama e vesti minha boxer que estava no chão. A procurei pelo apartamento e o silêncio revelou que ela não estava mais lá. Assim que cruzei a sala, percebi um pequeno pedaço de papel em cima da mesa de centro: Zayn, não existem palavras para expressar o quanto a noite passada foi maravilhosa, mas essa foi a nossa despedida. Entendo se você me odiar. Você é um cara incrível e tenho certeza que será muito feliz. Um dia quem sabe você entenderá os meus motivos. Eu precisava ir embora, para longe, mas independente o quão longe de você eu estiver, pode ter certeza que eu não te esquecerei e lembrarei com detalhes de todos esse tempo que passamos juntos. Com amor, Pérola. Não consegui me controlar e amassei aquele papel como se pudesse amassar a dor que eu estava sentindo. Eu só podia descrever que eu estava passando pelo verdadeiro inferno naquele instante. Peguei meu celular e tentei ligar para ela, mas foi em vão, todas ligações caiam na caixa de mensagem. Senti-me totalmente sem rumo, então não pensei duas vezes. Vesti a primeira camiseta e calça que encontrei. Calcei meus tênis e desci para pegar minha moto. Na maior velocidade que consegui, percorri Londres até chegar ao endereço de Pérola. Sei o quanto eu era patético que mesmo depois daquele bilhete eu correr atrás dela, mas pouco me importava, ela me deixava louco e eu precisava dela. O portão estava destrancado, então corri e toquei a campainha incontáveis vezes, mas não obtive nenhum retorno. Olhei para o relógio e marcava meio dia, talvez lá no pub, o tal do Michael teria alguma informação dela. Toda dignidade que eu tinha já havia escorrido pelo ralo, subi mais uma vez na moto e nem sei como cheguei tão rápido ao destino. Estacionei de qualquer jeito e corri o mais rápido que pude e tive sorte em encontrar Michael, o barman, abrindo o pub. – Michael… – me curvei e coloquei as mãos nos joelhos, recuperando meu fôlego. – A Pérola … ela… ela já chegou? – Quem? – Ele me olhou, como se estranhasse a minha pergunta. – A Pérola! – Ela não foi embora? – Ele respondeu com outra pergunta. – Já? – Era nítido meu desespero nas minhas perguntas. – Ela disse para onde? – Ela veio ontem à tarde para assinar a venda da parte dela. O Sr. Johnson havia dado um prazo de até 20 dias para ela se decidir sobre a venda e ontem era o prazo final. – Michael contou. – Mas para onde ela foi? – Eu já estava ficando impaciente. – Eu não sei. Ela só veio se despedir… E entregou a chave do apartamento também, que era do Sr. Johnson. Ela era uma grande amiga minha, mas ela não me falou nada e não quis perguntar já que ela saiu daqui chorando. Era como um balde de água fria caindo sobre minha cabeça, foi como me senti naquele instante. – Está bem, Michael. Não vou mais tomar seu tempo. Obrigado. – Dei as costas, feito um derrotado. Nunca pensei em me encontrar nessa situação, lágrimas escorreram pela minha face, sem que eu as pudesse controlar. Fui caminhando até chegar novamente na minha moto. Cheguei em casa, sem acreditar em tudo que havia acontecido. A dor não cabia mais em meu peito, peguei minha garrafa de vodca e preparei um drink. Passei o dia prostrado no sofá, a noite chegou e abri mais uma garrafa. Tarde da noite e eu com os olhos vermelhos e tudo que desejo é ter uma amnésia e esquecer essas semanas intensas do verão. Choro feito uma criança em meu apartamento. Como tudo isso dói, é insuportável. Pérola eu preciso de você. Flashback Off Toda essa dor, voltou a apertar meu peito. E logo fui resgatado das minhas lembranças com a voz estridente de Jennie. – Hey, Zayn… não vai voltar para a cama? – Ela espalmou o colchão. Dei a última tragada e joguei o toco de cigarro pela janela e me virei para ela. – Jennie, eu vou te levar para casa agora, está bem? – Fechei a janela. – Mas eu queria ficar… – ela fez uma cara de emburrada. – Só mais um pouquinho. – Imitou voz de bebê. – Sabe, foi tudo ótimo, mas eu te avisei antes de você concordar em vir até a minha casa. Lembra? – Puxei minha camiseta que estava pendurada no braço da poltrona e a vesti. – Eu sei… – soltou o ar pesadamente. – É que eu pensei… – Olha, Jennie. – Sentei ao seu lado na cama. – Eu não te prometi café da manhã ou passeios no parque amanhã, não é mesmo? – Ela balançou a cabeça negativamente. – Você parece ser uma garota legal, mas… desculpe, mas eu não sou esse tipo de cara. – Baixei o olhar e então levantei da cama. – Tudo bem. – Ela respondeu demonstrando sua insatisfação. Peguei seu sutiã, que estava nos pés da cama e alcancei a ela. – Continuei a alcançar o restante de suas peças de roupa que estavam espalhadas pelo chão. Eu não me sentia nem um pouco feliz em tratá-la assim, eu sei que estava agindo feito um e******o e não me orgulhava nem um pouco disso, mas era inevitável, afinal não pretendia acordar com essa Jennie enchendo meus ouvidos. Sim, sou oficialmente um m***a e definitivamente não sei lidar com isso, com esse vazio que apenas aumentava a cada mulher diferente com quem eu dormia, mas vou deixar esse assunto para uma sessão futura com algum psicólogo. Tudo que eu necessito agora é um copo de whisky e fingir que você Pérola está aqui comigo e que isso poderia ser “para sempre”…
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