Já em casa, retirei aquele cheque do bolso de trás da minha calça e juro que fiquei surpreso com aquele valor. De certa maneira eu não estava tão fodido como achava que estava. Lá não só continha meu pagamento, mas o triplo do valor combinado e no cantinho atrás do cheque havia algo escrito:
“PS: Desculpa mais uma vez, espero que cubra todos os gastos e o café também.”
Realmente o valor cobriria o conserto, afinal foi apenas um raspão, o café e mais outros gastos além. Acho que é como dizem, há males que vem paro bem, acabei saindo no lucro no final.
Guardei aquele cheque de volta no bolso das calça, amanhã mesmo iria descontar. Chutei meus coturnos no canto da sala e de repente me dei conta de algo ou melhor dizendo, dei falta da algo extremamente importante. m***a, meu violão! Que cabeça de vento, como consegui esquecer justamente do meu violão. Claro, na hora em que saí correndo por causa da minha moto, sequer peguei o case. Como sou um e******o, agora ia precisar voltar lá e dar de cara com aquela louca da tal da Pérola, novamente.
Olhei para o relógio, se eu corresse quem sabe ainda conseguiria pegar o pub aberto. Desci as escadas do prédio feito um louco, subi na moto e acelerei o máximo que pude.
Parei a moto bem em frente ao pub e as grades já estavam abaixadas, mas pude notar uma porta ao lado entreaberta, o barman poderia ainda estar ali.
Bati na porta que acabou se abrindo por completo, cruzei a porta e a deixei encostada assim como a encontrei e não havia mais ninguém lá. Dei mais uns passos adiante para ir até o bar, onde provavelmente eu deveria ter deixado meu violão.
Ao me aproximar, as luzes da bancada do bar estavam todas acesas e a louca, digo, a tal da Pérola, estava sentada de costas, em um banco de frente para o bar. Fui me aproximando a passos lentos e pude ver que ela encarava um copo quase vazio à sua frente, enquanto seu dedo circulava a borda do mesmo.
– Hey… – chamei sua atenção com a voz meio baixa, tirando-a do estado de transe em que se encontrava. Antes dela virar seu rosto, a notei enxugar os olhos com a ponta dos dedos. Toda aquela raiva que eu estava sentindo há uma hora, dissipou-se.
Ela parecia tão fragilizada que naquele momento pude jurar que uma vontade de a confortar me atingiu em cheio, estava totalmente o oposto daquela desequilibrada que tentou me atropelar. Fiquei até sem palavras encarando aqueles olhos verdes, que pareciam mais azulados por estarem levemente marejados.
– Olá, senhor “Não quero que nossos caminhos se cruzem nunca mais”. – Ela provocou, sua voz estava um pouco embargada, mas aquele sentimento durou alguns segundos e ela tornou-se insuportável novamente.
– Só voltei para buscar meu violão. – Respondi com descaso.
– Sim… – ela soltou um suspiro. – Espere aí que vou buscar. – Levantou-se do banco e caminhou em direção à escada atrás do bar.
Alguns instantes depois ela voltou carregando a case do meu violão.
– Aqui está… – ela me entregou o instrumento.
– Obrigado. – Pendurei a alça em meu ombro e antes de eu me virar para ir embora, Pérola tocou em meu braço.
– Hey, Zayn, antes de ir e nunca mais cruzar o meu caminho… que tal me acompanhar em um drink? Por conta da casa. – Ela sorriu.
Por um instante cheguei a ficar um pouco desconfiado, seria veneno? Será que ela estava tentando mais uma vez tirar uma com a minha cara?
– Escolhe o que você quiser… – ela deu a volta na bancada do bar. – Logo isso não será mais meu… – abriu os braços, girando o corpo indicando todo o pub. – Vamos! – Ela insistiu. – Assim quem sabe consigo me redimir pelo dia desastroso de hoje, que tal?
Pensei por alguns instantes e mais uma vez constatei o quanto ela era louca e ainda por cima tinha bebido. E eu mais i****a ainda em querer aceitar. Mas, bebida de graça na companhia de uma bela mulher, jamais deve ser recusada.
– Está bem… – dei de ombros. – Acho que assim posso esquecer que você tentou me m***r e destruir minha moto. – Satirizei e ela riu.
Larguei mais uma vez meu violão ao meu lado e me sentei junto ao bar.
– E então o que vai ser? – Empurrou o cardápio de bebidas na minha frente.
– Whisky… – respondi sem analisar muito o menu.
– “Keep Walking”, Zayn… – ela riu. – Ótima escolha. Com gelo ou sem?
– Sem. – comecei a observar enquanto servia meu copo. Eu ainda nem sequer havia tomado um gole e eu a estava achando extremamente atraente? A doida que tentou me atropelar? Acho que eu precisava beber mesmo, esses pensamentos precisavam sair da minha cabeça.
– Agora é a minha vez! – Pérola em um pulo virou-se de frente para a parede onde estavam dispostas todas as garrafas nas prateleiras. – Aqui está a minha amiga tequila… – pegou a garrafa e olhou o rótulo. – Gran Patrón Platinium. – Leu pausadamente. – É, essa vai doer no bolso de alguém. – Ela gargalhou, abriu a garrafa e despejou a dose no copinho que ela pegou do bar. E empinou a dose de uma só vez.
– E o sal? E o limão? – Perguntei.
– Não tenho tempo para isso… – serviu mais uma dose e empinou novamente. Ela se abanou e riu. – Nossa, isso é forte para c*****o.
Fui obrigado a rir com ela. Enquanto eu bebia o meu whisky, continuava observando suas caretas a cada dose que ela tomava e foi quando me peguei analisando sua boca e cada traço de seu rosto. Chega, Zayn, não esqueça do que ela fez com a sua moto.
Empinei mais um gole, me recuperando de meus devaneios.
Ela sequer havia bebido toda garrafa, virou-se para pegar mais uma garrafa de tequila.
– Acho que você devia me acompanhar… – ela me disse. – Que tal agora, Jose Cuervo? Temos muitas para degustar. – Abriu a garrafa e pegou um copinho extra debaixo do balcão e colocou na minha frente. Tomei o último gole que restava em meu copo e o afastei para o lado. Era como se eu não conseguisse negar nada a ela, uma total desconhecida, mas era estranho a maneira como eu me senti naquele momento, tão à vontade com ela.
– Qual é o motivo de tanta comemoração? – Comecei a indagar, para entender o porquê de tanta “generosidade” com alguém que ela m*l conhecia.
– Comemoração? Não… – ela balançou o dedo negativamente. – Isso se chama apagar os problemas e os desastres da vida. – Encheu meu copinho, fazendo-o transbordar no balcão. – Ops… – ela riu e era nítido que o efeito da bebida já havia a atingido. Afinal, quando cheguei ela já estava bebendo.
– Desastres? – Continuei. Comecei a ficar mais curioso em saber sobre ela.
– Você simplesmente acorda e descobre através de uma mensagem que seu marido está tendo um caso. – Ela contou e riu exageradamente. – Com sua vizinha! – Ergueu o copinho para o alto e empinou mais uma dose.
– Marido? – A interrompi.
– Opa! – Ela gargalhou. – Ex marido! – Encheu mais uma dose, transbordando pelo balcão. – E para completar ele não me quer mais como sócia para não atrapalhar o novo relacionamento fofíssimo dele. – Ela fez uma careta e empinou mais uma dose de tequila. – Inclusive quer me pagar o dobro da minha parte, só para eu não ter que ficar mais por perto. Que tal o meu dia? Magnífico, não é mesmo, Zayn? – Encheu novamente nossos copos, transbordando mais ainda sobre o balcão.
Ela continuou desabafando e eu a escutando e então começamos a conversar sobre diversos assuntos. Acho que bebida tomou conta e sequer notei as horas passarem, eu, Zayn Malik, me peguei rindo de uma piada de uma mulher desconhecida? Não estava me reconhecendo e pior que não estava com vontade de ir embora. Escutamos um barulho da porta bater com o vento.
– Eu esqueci de fechar a porta! – Comentou alto e quando se levantou acabou se desequilibrando um pouco e se segurou na borda do banco. – Zayn… Não deveria ter me deixado beber tanto. – Ela riu mais uma vez. Era uma risada gostosa, contagiante que acabei rindo de novo junto com ela.
– Se bem que metade da tequila está espalhada pelo balcão. – Apontei para toda bebida que escorria pelo balcão. Eu estava um pouco tonto, mas não havia bebido tanto quanto ela. – Acho que agora é minha deixa para ir embora. – Tive a sensação de que se eu ficasse mais um segundo tão perto dela, a agarraria ali mesmo.
– Deve ser muito tarde… – sua voz saiu arrastada. – Sabe… nem sei porque acabei falando tudo isso para você. Mas até que você me fez rir, no fim quem acabou no lucro fui eu. – Ela sorriu e foi a passos curtos caminhando quase que em ziguezague em direção à porta.
Pendurei meu violão em minhas costas e a acompanhei para impedir que ela caísse.
– Só espero que não tente mais me atropelar por aí. – Brinquei. Queria vê-la sorrir de novo. Meu Deus, o que está acontecendo comigo?
– Quanto a isso não tem que se preocupar… – ela respirou fundo e lançou um sorriso fraco, contrário do que eu esperava. – Então é isso, Zayn, espero ter me redimido por tudo que causei hoje. – Ela se escorou na porta e segurou na maçaneta para a abrir, mas não conseguiu.
De repente, não sei se foi a bebida ou o que, mas eu estava um pouco relutante para ir embora, um sentimento estranho tomou conta de mim, o que estava acontecendo? Eu não queria deixá-la ali.
– Você vai ficar bem? Como vai voltar para casa? – Por que eu estava perguntando isso e por que eu estava me preocupando tanto com ela? Agora o louco era eu.
– Meu carro está ali… – ela apontou.
– Não… – respondi. – Se sem ter bebido quase me matou hoje. Nem pensar que vai dirigir.
– Tudo bem… Eu vou a pé então. Eu moro duas quadras daqui. E está uma noite tão agradável. – Ela riu e passou a mão pelos cabelos.
Com certeza eu estava em melhores condições que ela e não poderia deixá-la ir sozinha para casa. Ajudei fechar o pub.
– Tchau! – Ela acenou se despedindo do pub.
– Ah não. – Ela colocou a mão na testa. – Eu estou na minha antiga casa. Eu esqueci, sou uma tonta mesmo.
– Eu te levo. – Sugeri. – Vem, sobe na moto.
– Nunca andei de moto. – Ela olhou receosa.
– Vamos… – ofereci meu capacete a ela. – Não precisa ter medo, apenas vai ter que se segurar bem firme em mim.
– Depois de tudo que eu fiz hoje, você não vai tentar se livrar de mim no meio do caminho, né? – Arqueou uma sobrancelha.
– Não sei, vai ter que confiar em mim. – Eu sorri de lado.
Ela subiu na moto e logo pude sentir seus braços firmemente envoltos em minha cintura. Todo esse contato me fez eu me sentir diferente, poderia inclusive dizer que estava um pouco nervoso.
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Enfim chegamos à sua casa. Desci primeiro da moto para ajudá-la a descer.
– Obrigada, Zayn. – Ela me entregou o capacete.
– Viu? Não te larguei no meio do caminho. – Brinquei e me escorei na moto.
Ela deu risada e bateu em meu ombro. Com este movimento ela acabou se desequilibrando, então a segurei rapidamente, evitando com que ela caísse.
Nossos corpos estavam extremamente próximos e minhas mãos começaram a suar frio. Ela me olhou bem nos olhos e em um movimento impetuoso ela selou nossos lábios em um beijo ardente, não conseguia explicar o que estava sentindo naquele momento, sentir seus lábios quentes e tão macios junto aos meus, tudo parecia como uma tempestade de emoções. Sua mão agarrou minha nuca e foi quando me senti entregue ao poder que aquela mulher exercia sobre mim. Entrei em conflito com meus sentimentos e pensamentos, pois a química que rolava entre nós era algo que não havia sentido com mulher alguma.
Rompemos o beijo e nos entreolhamos, ambos um pouco confusos. Ela abriu o portão e sem dizer uma palavra, em um movimento sutil ela me puxou de leve me convidando para entrar. A vontade de sentir seus lábios nos meus novamente e a vontade de tocar sua pele, não me permitiu negar, eu estava totalmente embriagado por ela. Será que estou louco por querer tanto ela?
Em meio aos beijos ela foi nos direcionando até o seu quarto e minhas pernas tremiam feito um i****a, o gosto de seus lábios eram entorpecentes, me senti desesperado querer tocar todo seu corpo, um desejo incontrolável de tê-la em meus braços prevaleceu. E ela foi se entregando a mim, àquela batalha alucinada de prazer, o modo que ela gemia, o sibilar de t***o por entre os dentes, eu estava indo à loucura. E então nos deixamos levar por esse desejo mútuo feroz e cheio de luxúria.