Capítulo Um - Ann-Marie

1459 Palavras
WINDBER, WESTERN USA • 26 DE AGOSTO DE 2008 No primeiro dia de Ann-Marie na Universidade de Windber, a garota optou por Literatura Inglesa. Ela vem de uma família boa, com ótimas condições financeiras. Seu pai, Bruce, trabalha por horas na sua empresa, uma das maiores fábricas de produtos agrícolas do estado. m*l tem tempo para a família, sempre viaja a negócios. Sua mãe, ela não chegou a conhecer, foi embora quando ainda era muito nova. Ann-Marie arrumou suas malas com tudo que precisaria com a ajuda de Mary, sua empregada, ou a única figura feminina que a garota sempre teve. Depois de despedir-se de Mary, a garota entrou no seu carro e seguiu o caminho para o campus da Universidade. Ao chegar e estacionar seu carro, desceu e tirou suas malas. Pegou o papel que havia recebido com as informações sobre o dormitório e as aulas. Como seria o primeiro dia, teria uma série de palestras. Andando pelos corredores, procurava a porta que informava C11, onde seria seu quarto. Ao abrir a porta, uma música agitada ecoava, e uma garota com longos cabelos ruivos estava sentada na cama, com um livro na mão. — Oi! — a ruiva cortou o silêncio. — Olá. Você é a Olivia? — Em carne e osso. — A ruiva sorriu. — Eu sou a Ann-Marie, sua colega de quarto. — Fiquei chateada de me colocarem com uma caloura, mas depois pensei: “Isso pode ser legal!”. Vou ser sua guia. Nem vai precisar de identidade falsa para ir a lugares legais. — O quê? — Olhou confusa para a garota. — Estou brincando. — Riu da cara de Ann. — Quase não vai me ver por aqui. Eu estudo, trabalho, basicamente só venho dormir. — Uau, uma garota ocupada. — Preciso me sustentar, já que tive a brilhante ideia de me mudar para cá. Uau, quantos livros! — A ruiva disse assim que Ann-Marie abriu uma das malas. — Gostei da sua vibe literária. — Obrigada? — Soou mais como uma pergunta do que uma afirmação. — Você estava lendo quando entrei, certo? — Só leio o necessário. — A ruiva riu. — Fique à vontade, está no meu horário. Não me espere para ir dormir. — Até mais. Agora que o silêncio reinava no dormitório, a morena abriu suas malas, arrumando tudo em uma cômoda que havia no canto. O cômodo não era tão grande, diferente do que tinha em casa. Duas camas, uma ao lado da outra. Duas cômodas, porém ambas tinham várias coisas em cima. O quarto era escuro, por conta das cortinas roxas nas janelas, em contraste com as paredes metade azul e metade branca. Algumas horas depois, terminou de ajeitar tudo, até mesmo os pertences que estavam jogadas em cima dos móveis. Espantou-se com o som do celular. Era uma mensagem do seu pai. “Estou orgulhoso de você.” — É, eu também. — A garota acabou pensando alto. Ann-Marie se surpreendeu ao ver que já era noite, separou suas coisas e saiu dali, à procura de onde era o banheiro. Tomou um banho rápido e aproveitou para lavar os cabelos, pois estavam molhados de suor devido ao esforço feito na arrumação do quarto. Assim que voltou para o dormitório, Ann-Marie ajeitou sua cama, pegando um livro e deitando para lê-lo. Já era tarde da noite quando, ouviu burburinhos vindo do lado de fora do quarto. — Eu disse que o caminho era seguro. — Reconheceu ser a voz de Olivia. — Não deixaria uma bela moça sozinha na cidade uma hora dessas. — De onde ela já havia escutado essa voz? — Não seja tão bom moço, Chris. Você com esse seu jeito tem mais cara de badboy do que de mocinho. Olá, te acordei? — Olivia falou assim que abriu a porta e notou que Ann estava acordada. — Não, eu… — Assim que a garota viu Christoffer, seu coração parou por segundos. Um misto de emoções tomou conta dela. Sua boca secou, seu estômago embrulhou. Sentia como se já tivesse vivenciado isso, mas era impossível pois nunca havia sequer visto aquele rapaz. Quando Chris olhou para a menina, sua boca se abriu e seu coração parou. Congelado, sua memória voltou anos atrás quando ainda tinha sua amada em seus braços. Lembranças vieram à tona e sua mente estava em colapso. — Christoffer, essa é a Ann-Marie, minha colega de quarto. Ann, esse é o Chris. — Olivia apresentou os dois, mas ambos pareciam petrificados. — É um prazer. — Ann se manifestou, sorrindo para o rapaz. — Igualmente. Bom, agora que está devidamente entregue, vou indo. Nos vemos por aí. — Rapidamente o garoto saiu dali. — O que faz acordada até agora? — Olivia fechou a porta e deixou sua bolsa em cima da cama. — Estou lendo, estava te esperando. Mas, como disse que não precisava, resolvi ler um pouco. — Ah, você é uma fofa mesmo. Porém tem dias que chego bem tarde. — Você sempre vem acompanhada? — A curiosidade de Ann sobre o belo rapaz instigava a querer saber mais sobre ele. — O Chris? Não, conheci ele no bar onde trabalho há alguns dias. Insistiu em me deixar em casa, pois já está tarde. Vou tomar um banho rápido. Trouxe um lanchinho para nós. Logo que Olivia deixou o quarto, Ann-Marie não conseguia parar de pensar em Christoffer. Sentia no fundo da sua alma que já o conhecia, mas isso era impossível, visto que era a primeira vez que o via. Todavia, aquilo incomodava a morena de tal maneira, como se precisasse encontrá-lo a qualquer forma. Precisava manter-se perto dele. Se falasse com alguém sobre isso, soaria pura insanidade. A garota não sabia explicar, só sentia que precisava aproximar-se dele, pelo menos para entender tudo o que estava sentindo. — Voltei!! — A ruiva abriu a porta sorridente. — Ainda não tivemos oportunidade de nos conhecermos melhor. Enquanto falava, a ruiva ajeitava uma mesa de dois lugares que estava no canto do quarto. Retirou de sua bolsa duas embalagens de comida e uma garrafa de suco. — Espero que goste. Fala mais sobre você. — Curiosamente a ruiva perguntou, dando uma garfada no seu espaguete. — Eu moro com meu pai, mas ele passa mais tempo na empresa do que em casa. Fico mais sozinha ou com a Mary. Ela é a governanta lá de casa, foi quem me criou. — E sua mãe? — A curiosidade da ruiva era enorme. — Não a conheci, ela foi embora quando ainda era um bebê. Não me recordo dela. — Sinto muito. — Antes sentia falta de ter uma mãe, mas aprendi a valorizar quem eu tinha sempre do meu lado. No caso, a Mary. Ela é como uma mãe para mim. — Eu morava com minha avó. Sempre quis fazer faculdade, mas ela não tinha condições. Morava em um vilarejo na Escócia. Um pouco longe de tudo. Lugarzinho cheio de histórias e lendas. — A ruiva sorriu ao se lembrar. — Mas, quando minha avó faleceu, prometi a mim mesma que sairia daquele lugar e teria minha graduação. Aqui estou eu. — Sinto muito, Olivia. — Ann-Maria segurou a mão da ruiva, como forma de conforto. — Já faz alguns anos, sinto falta dela, mas também sinto como se ela estivesse sempre olhando por mim. — E seus pais? — A morena estava curiosa pela história da amiga. — Pouco tempo depois que nasci, o vilarejo foi atacado por uma fera sedenta, como os anciões contavam. Segundo eles, demônios sugadores de sangue atacaram nosso povo e dizimaram centenas, incluindo meus pais. — Demônios sugadores de sangue? — Ann-Marie perguntou, confusa e sem entender. — Sim. — Olivia gargalhou da cara de confusão de Ann. — Eles diziam que era vampiros. Eu te disse, lugarzinho cheio de lendas… — Mas, como assim? — Foram ursos, tenho certeza. O lugar era cercado por florestas. Mas, eles juravam que era vampiros. — A ruiva ria ao se lembrar da forma que a história era contada na sua infância. Não muito longe dali, Christoffer andava pelas ruas completamente atordoado. Não conseguia crer no que havia visto. Sua amada estava ali, debaixo de seus olhos. A confusão tomava conta dele. Seu coração estava agitado, não sabia o que fazer ou como reagir. Ao entrar em casa, fechou a porta por trás de si, ficando encostado nela. — Ei, que cara é essa? — Alec perguntou assim que viu a cara de espanto do irmão. — Parece que viu um fantasma. — Brincou, — Eu a vi. — Viu quem? — Alexander estava confuso, mas preocupado, pois nunca havia visto o irmão agindo daquela maneira. — A Marie-Jeanne. Eu vi a Marie-Jeanne.
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