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2742 Palavras
DULCE Saviñon pov's Chegamos até o local onde o encontro aconteceria. Era um campo aberto nos arredores da cidade, onde estava acontecendo um show de rock em um pequeno palco improvisado. Algumas pessoas estavam sentadas em toalhas sobre a grama, comendo hambúrgueres que estavam sendo preparados em churrasqueiras. Além disso, haviam muitas caixas térmicas com cerveja e refrigerante, sendo abertas vez ou outra.  No lugar onde Christopher deixou sua moto, muitas outras no mesmo estilo estavam paradas, com gente sentada em algumas, conversando, se beijando e até discutindo. O estilo de todos ali era único. Jeans rasgado e jaquetas de couro pareciam ser uma regra de vestimenta. As muitas tatuagens pelo corpo eram bem radicais e expressivas. Tinha gente de toda idade e o clima era de pura animação.  — Quer uma cerveja? — Christopher perguntou, chamando a minha atenção que antes estava voltada para o show que acontecia.  — Sim.  Automaticamente, ele segurou a minha mão e me levou até uma das caixas térmicas, que estava ao lado de um homem de meia idade que assava carnes em uma churrasqueira.  — Pequeno Christopher! — o homem o cumprimentou, abrindo os braços para um abraço e o erguendo do chão.  — Sempre com braços fortes, Bill. — Christopher riu ao se soltar do abraço.  — Eu mantenho a forma. E o seu pai, como vai?  — Cada vez mais ocupado com o trabalho, mas sempre muito bem.  — Diga a ele que mandei um abraço.  — Pode deixar. — Christopher sorriu. — Ah, essa é a Dulce. — apontou para mim. — E Dulce, esse é o Bill, um velho amigo do meu pai.  — Seja bem vinda! — ele me cumprimentou com um aperto de mão firme e um sorriso gentil no rosto. — Tenho certeza que vai se divertir bastante.  — Espero que sim. — retribuí o sorriso.  — Refrigerante ou cerveja? — Bill perguntou.  — Duas cervejas. — Christopher disse.  Bill abriu a caixa térmica, pegou duas garrafas de cerveja e nos entregou.  — Fico feliz que tenha sossegado, Christopher. Já deu muita dor de cabeça pra muita gente, hein? — Bill riu.  — O que? Não, eu... ham... — Christopher gaguejou e olhou para mim com um olhar confuso.  — Não sou a namorada dele. — respondi por ele. — Nós somos só... bem... — o que seria correto dizer para os outros?  — Amigos? — Bill perguntou, arqueando uma das sobrancelhas.  — Tipo isso. — Christopher deu de ombros.  — Tipo isso? — Bill riu e tornou a mexer nas carnes da churrasqueira. — E por que ainda está segurando a mão dela?  Só depois que ele disse isso que nós percebemos que ainda estávamos segurando a mão um do outro. Soltamos no mesmo instante e eu senti minhas bochechas esquentarem um pouco. Bill riu, mas nada disse.  — Aí, paizão, dois hambúrgueres! — uma garota com uma voz estridente falou ao se aproximar.  — Estão quase prontos. — Bill avisou.  — Espera... Christopher? — ela sorriu para ele.  — Oi, Rose. — Christopher sorriu também.  — Que bom te ver! — Rose jogou os braços sobre ele, lhe dando um forte abraço. — E quem é a sua amiga? — me olhou de relance.  — Essa é a Dulce. E Dulce, essa é a Rosely, a filha do Bill. — ao nos apresentar, ele ainda estava com o braço em volta da cintura dela e eu não pude deixar de reparar nisso. — É um prazer. — sorri e estendi minha mão para ela, que me cumprimentou com uma pitada de desconfiança.  Não deixei de analisar seu estilo e a mudança de comportamento ao olhar para mim. Ela era uma típica motoqueira, tinha os cabelos bem escuros, usava uma bandana na cabeça, uma blusa branca sem mangas e uma calça de couro preta. Também tinha bastante tatuagens, mas não o suficiente para cobrir os braços. A que mais chamava atenção com toda certeza era a que dizia "luck you" no seio esquerdo. Ela era muito bonita e com toda certeza fazia muito mais sentido Christopher se atrair por alguém como ela. Mas por que eu estava pensando nisso?  E sobre o comportamento, a garota passou de super alegre a desconfiada quando seus olhos bateram em mim. Se eu pudesse chutar, diria que ela e Christopher já tiveram algo e que talvez ela tivesse uma personalidade territorialista.  — Sua primeira vez em um evento assim, não é? — ela me olhou de cima a baixo. — Roupa fofinha. — sorriu de canto, de uma forma debochada.  — Ah, obrigada. — tentei me mostrar positiva, algo que desarmaria qualquer intenção dela de me fazer sentir desencaixada. — Eu adorei o seu estilo e a cor do seu cabelo é incrível! — tentei soar o mais sincera possível.  Se tem uma coisa que acaba com a rivalidade feminina é elogiar uma mulher quando ela não espera isso de você. É um jeito de dizer "ei, nós não somos inimigas e nem estamos disputando nada só por termos v*****s".  — Obrigada. — ela relaxou a pose de ataque e pareceu mais confortável.  — Rose, deixe Christopher e Dulce se divertirem, venha me ajudar aqui. — Bill pediu. — O pessoal está faminto hoje. — brincou.  Nos despedimos deles e começamos a andar pelo local. Christopher ia cumprimentando algumas pessoas pelo caminho e eu notei que ele tinha mesmo muitos amigos. Era incrível a facilidade dele em socializar. Qualidade essa que faltava muito em mim.  — Legal a forma como lidou com a Rose. — ele comentou quando achamos um espaço com sombra na grama e nos sentamos.  — É uma técnica chamada rapport. Quando alguém está tendo uma postura equivocada, você assume uma postura contrária pra que a pessoa acione o seu lado empático e se espelhe em você, abaixando a guarda. — Coisas que aprendeu na faculdade?  — Sim. — assenti. — Acho que a vida teria sido mais fácil se eu já conhecesse o rapport durante o ensino médio. — ri.  — É, bem... — ele desviou o olhar e pareceu ficar desconfortável.  — O que foi?  — É que você usaria essa técnica comigo, certo? Eu era um babaca.  — Não, babaca não, eu passei a gostar da palavra. — brinquei. — Você era escroto.  — Sim. — sorriu fraco. — E eu sinto muito.  — Tudo bem. Você não pode mudar o passado, mas pode moldar o presente.  — E estou fazendo isso bem?  — Está fazendo muito bem. — maliciei.  — Bom saber. — sorriu e depois deu um gole em sua cerveja.  Começamos a prestar atenção na música que tocava, cantarolando alguns versos juntos. O vento bateu em meu rosto, balançando meus cabelos para trás. Fechei os olhos e respirei fundo. Quando tornei a abri-los, notei Christopher olhando para mim com um sorrisinho de canto.  — O que foi? — perguntei.  — Você está muito mais bonita vestida assim do que com qualquer outra roupa que tenha.  — É? — olhei para as minhas roupas.  — Sim, o couro lhe cai bem. — ajeitou a minha jaqueta. — Deveria tirar uma foto para o seu i********:.  — Eu não gosto muito de tirar fotos. — dei de ombros.  — Por que não?  — Sei lá, eu só não gosto. Só tiro quando estou em um lugar legal e quero mostrar isso ao mundo.  — E esse não é um lugar legal? — abriu os braços, indicando o ambiente em volta.  — Tirar uma foto aqui? Com todo mundo olhando? — abaixei o tom de voz como se aquilo tivesse que ser um segredo.  — Sim...? — indagou confuso, no mesmo tom que eu.  — Melhor não.  — Que besteira, doutora. — tirou seu celular do bolso. — É só uma foto. — ergueu o celular na minha direção.  Fiquei sem jeito, contraí os ombros e virei meu rosto para o lado. Ouvi Christopher resmungar alguma coisa e olhar para mim com repreensão.  — Esse é o meu melhor ângulo. — expliquei.  — Deixe a câmera ver o seu rosto.  Fiz o que ele disse, mas continuei com uma expressão travada, totalmente incapaz de relaxar.  — Dulce, olha pra mim, não pro celular.  Assenti e fiz o que ele disse. Olhei bem em seus olhos e ele também olhou para os meus. Aos poucos, meu corpo relaxou e eu me senti confortável o suficiente para sorrir. Christopher sorriu de volta e tirou algumas fotos minhas.  — Ficaram ótimas. — aproximou-se, mostrando as fotos para mim.  — Não acha que o sorriso ficou esquisito? — mordi o lábio inferior, insegura.  — Claro que não. — ergueu a cabeça e me encarou. — Estão ótimas, você deveria mesmo postar.  — É. Acho que sim. — o encarei de volta.  Naturalmente, aproximamos nossos lábios e nos beijamos por um tempo, um beijo suave e inocente. Estávamos dando muitos beijos daqueles ultimamente e havia se tornado uma coisa tão comum que nós nem questionávamos se isso quebraria alguma regra ou não.  O show foi ficando mais animado, as pessoas ficaram de pé e se aglomeraram na frente do palco, pulando, cantando alto, se abraçando e sorrindo com muita alegria. Christopher tomou apenas mais uma cerveja, já que teria que dirigir depois, mas eu bebi mais algumas e fiquei animada além da conta, perdendo totalmente a vergonha de fazer stories na frente das outras pessoas. Fiz até mesmo um vídeo cantando com Christopher, agarrada ao seu pescoço, nossos rostos colados.  Tiramos até fotos juntos. Em uma delas, pedimos para alguém tirar enquanto eu estava nas costas dele, ambos sorrindo. Me peguei pensando que se a gente tivesse se permitido sair juntos antes, teríamos colecionado boas memórias.  O evento terminou no início da tarde e como última tarefa, todos os motoqueiros saíram juntos pelas ruas, apertando suas buzinas e gritando. Perdi totalmente o meu medo, apoiei minhas mãos nos ombros de Christopher e fiquei de pé sobre os pedais, depois soltei uma das mãos, a erguendo, sentindo o vento forte bater em mim. Depois que sentei novamente, abracei ele apertado, não por receio do veículo, mas simplesmente porque era mais confortável assim.  Quando cortamos caminho e nos afastamos dos outros, eles buzinaram em sinal de despedida.  — Podemos passar em um lugar antes de eu te deixar em casa? — perguntou.  — Onde?  — Hoje é aniversário do meu pai e ele vai viajar daqui a uma hora, então é o único momento que tenho para entregar o presente dele.  — E tudo bem se eu conhecer o seu pai?  — Não, mas já que eu vou conhecer o seu, essa regra não faz mais tanto sentido.  Ele entrou em um bairro de elite e foi até a entrada de um dos prédio de luxo. O porteiro o reconheceu no mesmo instante e abriu os portões para que entrássemos. Christopher parou sua moto no estacionamento, em uma vaga com a placa "V. Uckermann". Nós descemos e ele destrancou o assento da moto e o ergueu, pegando de lá uma caixa de presente.  — Em que andar o seu pai mora? — olhei para cima, notando como o prédio era enorme.  — Na cobertura.  — E você não mora com ele?  — Eu tenho vinte e oito anos, doutora. Por que eu moraria com o meu pai? — riu.  — Você também mora em uma cobertura? — perguntei começando a acompanhá-lo enquanto ele se dirigia para o interior do prédio.  — Ainda não, mas estou negociando pra que isso aconteça logo.  Entramos no elevador e ele apertou o botão referente à cobertura.  — E aí você podia começar a deixar eu ir até a sua casa. Deve ser muito bom t*****r numa piscina de uma cobertura.  — Ah, é legalzinho. — deu de ombros.  — É claro que você já fez isso. — revirei os olhos.  — Sabe onde eu nunca transei? — chegou mais perto, me olhando com aquela malícia no rosto. — Em um elevador. — manteve seu rosto bem pertinho.  — Ah, é? — ergui a sobrancelha.  Fui até a barra da calça dele e enfiei uma das minhas mãos lá dentro, agarrando seu p*u em seguida. Christopher arfou em supresa e ficou boquiaberto sem se mover.  — Dulce, a câmera, Dulce... — grudou seu corpo mais ao meu, uma forma de esconder da câmera o que acontecia.  — Você não gosta de um pouco de adrenalina? — provoquei, o estimulando. Não demorou até Christopher estar ereto.  — Adrenalina é bom, ser preso não. — sussurrou, claramente abalado com as minhas investidas. — Bobagem. — o masturbei mais forte.  Christopher saiu de seu controle, me agarrou e me colocou contra a parede, me beijando com voracidade. Continuei com a mão em suas calças, tocando-o enquanto nossas bocas brigavam pelo mesmo espaço.  O elevador parou e ele rapidamente se afastou de mim, respirando fundo. Ambos olhamos para a câmera e notamos a lente focada em mim, que ainda estava encostada contra a parede.  — Mas que filho da p**a. — Christopher resmungou, ergueu o dedo do meio para a câmera, depois agarrou meu braço e saímos do elevador.  — Parece que alguém gostou do pequeno show. — dei risada.  — Quem não iria gostar de ver?  Andamos pelo corredor que tinha uma única porta no final dele, do único apartamento naquele andar. Christopher tocou a campainha e em alguns minutos a porta foi aberta por um homem que era uma versão mais velha perfeita de Christopher. Ele estava ajeitando a sua gravata e sorriu para nós dois.  — Oi, filho! Oi, Dulce!  Franzi a testa e olhei para Christopher, que ficou sério e com um olhar de repreensão para seu pai.  — Falou sobre mim para o seu pai? — perguntei confusa, já que ele aparentemente desrespeitou a própria regra.  — Pai! — Christopher reclamou.  — Ah, não se preocupe. Eu descobri sozinho, nem sabia como você era. Mas como o Christopher não traz nenhuma mulher aqui, imaginei que você fosse a Dulce. — Victor se explicou. — Por favor, entrem. — deu espaço para passarmos. — Eu já estava de saída, mas ainda tenho alguns minutos.  — Vou ser rápido. — Christopher disse, trazendo a caixa de presente para a sua frente. — Feliz aniversário! — sorriu.  — Ah, o que? Não precisava! — Victor sorriu e os dois se abraçaram.  Enquanto eles trocavam palavras de carinho, observei o local, ficando boquiaberta com a riqueza do ambiente. O pai de Christopher deveria ser um grande empreendedor e talvez eu fosse gostar de conversar com ele sobre negócios agora que eu iria comandar uma clínica sozinha. Mas provavelmente aquela ideia ficaria apenas em meus pensamentos. Eu ainda não podia me envolver com a família de Christopher.  — Feliz aniversário, senhor Uckermann! — fui gentil.  — Muito obrigado, Dulce. E pode me chamar de Victor.  — Bom, eu só passei aqui pra isso. — Christopher explicou. — Você vai viajar e eu preciso levar a Dulce em casa. Te vejo depois. — agarrou minha mão e me fez acompanhá-lo até a porta.  — Podemos marcar um jantar. — Victor disse ao nos acompanhar. — Eu gostaria de conhecer a minha futura nora melhor. — ele parecia estar brincando quando disse isso, talvez gostasse de irritar o filho.  — Se você não fosse meu pai, eu mandaria você ir se f***r. — Christopher falou.  — E se você mandasse eu ir me f***r, eu socaria a sua cara. — seu pai respondeu.  — Eu sei. Até mais. Feliz aniversário. Te amo. — foi dizendo enquanto fechava a porta da frente, sem deixar seu pai dizer mais nada.  — Relação saudável a de vocês. — ri enquanto andávamos até o elevador.  — A melhor de todas.  [•••] Christopher me deixou na frente do meu prédio e continuou sentado na moto depois que eu desci e lhe entreguei o capacete.  — O dia foi legal. — falei.  — Sim. E você sobreviveu aos motoqueiros.  — E você também vai sobreviver hoje à noite.  — Ainda tem essa, não é? — fez careta. — Aposto que vai ser pior do que deixar você bater em mim com um chicote.  — Isso é uma opção? — fingi interesse.  — Não, isso não é uma opção. — franziu a testa.  — Está bem, babaca, te vejo daqui a três horas. — dei um selinho nele.  — Até daqui três horas, doutora. — sorriu.
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