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3825 Palavras
P.O.V Lucy Scott. Los Angeles – 08h00 A.M. Passei a madrugada inteira sentada no mesmo lugar, sentada atrás da porta. Não tinha vontade e muito menos disposição pra levantar dali e fazer qualquer coisa a respeito, nem impedir o louro de ir embora. Ele não me ouviu, não ouviu uma sequer palavra que eu tinha pra dizer. Não ouviu os meus motivos. Eu sei que nada iria justificar, mas eu ainda tinha esperança que tudo poderia ser melhor caso ele entendesse o meu lado. Mas ele se negou a ouvir, e eu tive dificuldade em dizer. Passei as mãos com agressividade no meu rosto, tirando as lágrimas dali, que não cessavam. Desde que ele virou as costas e foi embora eu estou chorando, sinceramente não sei como as minhas lágrimas ainda não secaram. O celular jogado ao meu lado vibrava a todo instante, mas eu não me importava com nada, não queria falar com ninguém. Ergui meu corpo com uma certa dificuldade e senti as minhas costas estralarem, e uma dor insuportável vir logo após. Estava há muito tempo na mesma posição. Caminhei em passos lentos até meu banheiro e me livrei de toda a roupa, entrei no box e liguei a água na temperatura morna, me sentei no chão do box e abracei meu próprio corpo, sentindo a água bater contra ele. Eu sou uma estúpida, estúpida por achar que ele não descobriria. Eu deveria ter contado, eu tive incontáveis chances de dizer a verdade, inclusive no baile, mas não disse. Agora estou pagando o preço. Sai do box, me enrolei na minha toalha e sai dali, vesti um pijama e me joguei na minha cama. Dormi em poucos minutos. (...) O celular fazia um barulho estridente de algum lugar do quarto, passei as mãos na minha cabeça sem abrir os olhos, já estava sentindo ela doer. Que merda! Lentamente abri os olhos e olhei em volta, parei meu olhar na janela vendo que já tinha escurecido, aparentemente eu dormi o dia inteiro. Me sentei na cama e peguei o aparelho que estava jogado bem do meu lado, não me lembrava de ter o deixado aqui. Ao olhar o visor me deparei com várias mensagens, de várias pessoas diferentes. Inclusive de números que eu nem tinha. O aparelho voltou a tocar, era a Emily. Soltei um longo suspiro e atendi: - Oi. – foi o que eu disse, sem pique algum. - O que você falou? – a voz da Emily não era nada amigável. - Nada. Ele descobriu. - Lucy, você está... – interrompi ela. - Ele não sabe que você está envolvida, pode ficar tranquila. – eu estava conseguindo ser extremamente fria. - Mas...- interrompi novamente. - Ele viu as fotos no meu notebook, e soube que fui eu que tirei. Foi só isso. - Quer dizer que vocês não são mais amiguinhos? – ela parecia mais contente que o normal com isso. - Para a sua felicidade, não. – soltei uma risada seca. - Que isso, querida. Eu lamento imensamente por isso! - Não precisa fingir, Emily. - Te mandarei um e-mail com a próxima pessoa que quero fotografe. - Ok. Fim da ligação. Comecei a ler as mensagens por cima. Número desconhecido: Oi, Lucy. Aqui é o Alfredo. Justin passou seu número. Falando nele, ele está estranho. O que houve entre vocês? Está tudo bem? Quando puder me retorne, tenho uma boa notícia. Suspirei. Eu perderia a amizade dele e do Chaz assim que eles soubessem de toda a verdade, que pelo jeito Justin ainda não contou. O que é estranho. Jen: Está tudo bem? Tentei te ligar algumas vezes e nada. Estou realmente ficando preocupada, você não costuma sumir o dia todo. Lucy, me dê notícias! Larguei o celular e fui até a cozinha, precisava achar algo pra comer. Preparei algo que fosse rápido e me sentei, tentando me ocupar com alguma série, mas não estava adiantando muito. Minha cabeça estava a mil com tudo o que estava acontecendo, eu me odiava tanto agora! Odiava todas as minhas ações, todas as minhas escolhas! Eu era um ser humano terrível. Peguei meu celular e tentei ligar pro Justin, sabia que ele não atenderia, mas eu precisava tentar. Ele não atendeu. Mandei algumas mensagens, talvez um dia ele me responda. Dias depois... Minha vida tinha se tornado uma tremenda bagunça, eu me enfiei em um casulo durante os últimos dias. Não respondia uma mensagem, não atendia uma ligação e não fazia nada além de ficar enfiada em um quarto o dia inteiro. Nem meu serviço eu estava fazendo. Eu ainda tinha esperanças que o Justin me escutasse, ou desse algum sinal de vida. Mas ele não apareceu, ele não disse um A. Não sei porque eu ainda estava surpresa com isso. Naquela manhã eu acordei com o mesmo pique dos outros dias, nenhum. Meu quarto estava todo escuro, eu não abria a cortina há dias. Abracei mais forte o urso de pelúcia que o louro tinha me dado no dia do parque e fechei meus olhos na esperança de que eu acordasse desse maldito pesadelo. Mas tudo que consegui foi ser atingida pelas malditas lembranças; me lembrei de todos os beijos, todos os abraços, de todas as vezes que ele me olhou como se eu fosse o ser mais precioso do mundo. Em questão de segundos as lágrimas já estavam caindo, molhando todo o urso. Eu me sentia um lixo! Fechei meus olhos com força e suspirei. A porta do meu quarto foi aberta com uma certa agressividade, não mexi um músculo sequer para ver o que era, ou melhor, quem era. Logo o corpo da minha melhor amiga surgiu diante de meus olhos, o cheiro do seu perfume impregnou todo o meu quarto, ela caminhou em passos largos até a janela e abriu a cortina com agilidade, deixando os raios solares virem de encontro aos meus olhos, incomodando de imediato a minha retina. Fazia muito tempo que eu não tinha contato direto com a luz do dia. - Fecha essa cortina! – disse irritada. - Eu não vim de Nova York até aqui pra ver minha melhor amiga nesse estado. – ela cruzou os braços e me olhou séria. - Não sei porque veio. – eu disse cobrindo meu rosto com o edredom. Jen ficou em silêncio, mas logo senti o edredom ser puxado de mim. Grunhi e olhei para ela com a cara mais fechada que eu tinha. - Eu não sei que merda aconteceu, você vai me explicar. Mas antes vai levantar dessa cama, vai tomar um banho e vai sair desse quarto. - Eu não quero! – peguei um travesseiro e tampei meu rosto. Ouvi os passos da Jen vindo em minha direção, logo ela estava puxando o travesseiro de uma forma agressiva da minha mão, com um olhar de reprovação. - Lucy Scott, não me obrigue a te tirar dessa cama a força. Você sabe que eu sou capaz de fazer isso. Bufei alto e me sentei na cama. - Que saco, Jen. Eu só quero ficar em paz! Como você entrou aqui? - Tenho uma chave. – ela deu de ombros. – Agora, vai pro banho. Você tá fedendo! Devia estar mesmo, fazia uns dois dias que eu não tomava banho, estava num estado deplorável. Levantei da cama e fui pro banheiro, assim que me vi no espelho me surpreendi. Eu estava com o rosto mais magro, olheiras escuras, lábios rachados e meu cabelo, meu deus, meu cabelo estava em seu pior estado. Ele nunca esteve tão sujo. Me livrei de minha roupa e entrei no box. Tomei um banho completo, lavei o cabelo e sai dali enrolada na toalha, ao entrar no quarto Jen estava trocando toda a minha roupa de cama, ainda não estava entendendo o que ela estava fazendo aqui. - Olha como você já está bem melhor. – ela me olhou animada e voltou a arrumar a cama. - O que você veio fazer em Los Angeles? – perguntei baixo. - Bom, você desapareceu. Não respondia nenhuma das minhas mensagens, nem atendia minhas ligações. No início pensei que tivesse haver com o seu trabalho, que sei lá, estava numa rotina corrida e não estava tendo tempo pra ver o celular, mas aí eu vi algumas fotos do Justin no Canadá. – arregalei os olhos, não sabia que ele estava lá. – Juntei alguns pontos e precisei vir até aqui pra checar, acho que eu estava certa. – ela me olhou com cuidado e suspirou. Soltei uma risada seca e neguei algumas vezes, já sentindo algumas lágrimas. - Não precisava ter vindo até aqui, Jen. Tá tudo bem! – tentei convencer a mim mesma disso. Qual é, olha o meu estado. Nada está bem! - Sim, eu precisava. Olha pra você, Lucy. Você estava entrando numa tristeza profunda, sabemos que isso pode acarretar uma depressão e isso é sério. - Eu sei. – passei as mãos pelo o meu rosto. – Obrigada por ter vindo! Ela caminhou até mim e me abraçou forte. - Eu vou preparar algo para comermos enquanto você se veste. E aí, conversamos sobre o que aconteceu. Eu assinto e em poucos segundos vejo minha melhor amiga saindo do quarto, me deixando sozinha. Não demorei pra vestir um pijama e sair dali, com o celular na mão. Desbloqueio a tela com a esperança de ver qualquer mensagem do Justin, mas nada. Abro a nossa conversa e me surpreendo ao ver que ele tinha me bloqueado, quer dizer, não é tão surpreendente assim. Só não acho que isso seja necessário, eu não ficaria mandando mensagens pra ele a todo instante. Já tinha ficado no vácuo o suficiente pra entender que ele não estava a fim de papo, para bom entendedor uma mensagem visualizada e não respondida basta. O aviso estava claro. E eu jamais forçaria a barra, ele tem direito de não querer ouvir a minha versão, eu entendo ele. Abro o meu navegador e com as mãos um pouco trêmulas digito o nome dele, confesso que estava apavorada com o que veria ali. Vários sites aparecem como opção pra mim, e a maioria deles parece dizer exatamente a mesma coisa. Justin Bieber é visto no Canadá, na casa dos avós. Comecei a ver as fotos que alguns paparazzo tinham feito dele, e ele não estava tão m*l quanto eu imaginava. Quer dizer, ele parecia bem centrado, em algumas ele aparecia até rindo ao lado de uma morena, que acho que é a mãe dele. Talvez a história não tenha o afetado tanto quanto eu imaginei, e isso é bom! Jamais iria querer que ele saísse machucado disso. Estou feliz por saber que a única que saiu ferida nisso fui eu mesma, ótimo! Eu que causei todo o transtorno, sou a única que merece as consequências. Bloqueei o aparelho novamente e fui até a Jen, ela estava concentrada na comida que fazia. Me sentei na bancada e fiquei a observando, acho que ela ainda não tinha notado a minha presença ali. - O cheiro está bom! – comentei baixo. Ela me olhou por cima do ombro e sorriu. - O que acha de colocar aquela série que começamos a assistir juntas enquanto eu termino aqui? Nunca mais vi ela. - Tá bom, pode ser. Me levanto e vou até a sala, me jogando no sofá. Pego o controle e ligo a minha tv, abrindo a Netflix. Seleciono a série e abro o episódio em que paramos, deixando pausado. Jen logo aparece ali com dois pratos na mão, um ela me entrega. Era filé com molho, o cheiro estava maravilhoso, dei uma garfada generosa enquanto esperava minha melhor amiga dizer algo, na verdade estava esperando as perguntas, que eu sei que ela estava a fim de fazer. Mas não, Jen começou a comer calada, pegou o controle e deu play no episódio me deixando completamente confusa, ela não ia tocar no assunto? No fundo eu estava extremamente agradecida a ela por isso, só eu sei o quanto ia doer falar disso agora. Depois de assistirmos uns três episódios, Jen se preparou para colocar outro. Tenho a leve impressão que finalizamos a temporada. - Não acredito que acabou assim! – Jen disse indignada. - Eu também não. – bufei e dei uma mordida numa barra de chocolate que estava na minha mão. - Temos que ver o próximo. – ela pegou o controle e se ajeitou melhor do meu lado. - Jen, acho que esse é o último da temporada. - Não, não é possível. – ela olhava para a tv com os olhos esbugalhados. – Você está certa. – ela disse depois de checar e bufou alto soltando o controle. - Logo a segunda temporada sai. – tentei consolar ela. Jen fez um bico enorme, digno de alguém mimado que não consegue o que quer. O que me causou uma risada alta, era um absurdo ela estar tão chateada com algo tão pequeno. Mas o que esperar de Jeniffer Dowson? Seus olhos escuros vieram de encontro a mim, ela soltou um longo suspiro e negou algumas vezes com a cabeça. - Eu sei que não devia entrar nesse assunto, mas...- a cortei. - Você veio por isso, está preocupada e quer saber tudo o que houve. – ela assentiu e mordeu o lábio. - Desculpa. – ela sussurrou. - Jen, tá tudo bem. – peguei na mão dela. – Não sei se realmente preciso te dizer o que aconteceu, acho que já está meio óbvio. – dei de ombros. – Ele descobriu tudo! – dei um sorriso sem vida. - Você contou? – ela me abraçou de lado. Neguei. - Nós estávamos em um evento, Emily também estava lá. Tentei contar pra ele lá, mas Emily percebeu que eu estava tentando dizer e me impediu com mais ameaças. Eu fui covarde. Quando ele veio aqui pra casa, pediu pra usar meu notebook, eu deixei. Mas esqueci que naquele dia mais cedo eu tinha usado e tinha deixado a pasta com todas as fotos ali aberta, foi a primeira coisa que ele viu quando abriu o notebook. Jen abriu um pouco a boca pra dizer algo mas nada saiu. - Tentei explicar mas ele não quis ouvir. – completei. - Você pelo menos disse que tudo foi um plano ardiloso da Emily? - Não, não consegui dizer nada. Ele ignorava tudo o que saía da minha boca. - Argh! Eu odeio essa história, odeio tudo isso e me odeio por dizer o que vou dizer agora mas, eu te avisei! Eu falei pra você dizer a verdade pra ele, Lucy. Seria melhor se ele tivesse ouvido de você! - Acha que eu não sei disso tudo? Tudo que a minha cabeça tem me dito nesses últimos dias é sobre todas as oportunidades que eu tive de dizer algo. Eu estou tão irritada comigo mesma! – passei as mãos pelo o meu rosto. - Eu quero dizer que vai ficar tudo bem, juro que quero. Mas não acredito nisso. – ela me abraçou ainda mais forte, enquanto eu deitava minha cabeça em seu ombro. - Relaxa, nem eu acredito nisso. Justin nunca vai me perdoar, agora entendo isso. - Não diz isso, aposto que quando ele voltar vai estar mais calmo e mais disposto a ouvir o seu lado. Assenti, mas no fundo eu sabia que isso não ia acontecer. Justin me excluiu totalmente da sua vida, ele não vai querer saber mais detalhes sórdidos de toda essa sujeira. E eu vou respeitar isso, já fiz muito m*l pra ele. Não quero causar mais nenhum! Meu celular começa a vibrar ao meu lado, o pego vendo o olhar curioso de Jen seguir cada movimento meu. O número era desconhecido, de imediato pensei em não atender. - Atende, pode ser ele. – Jen incentivou. Mesmo eu sabendo que não era, quis acreditar que havia essa chance. Queria tanto ouvir a voz dele me dizendo que tudo vai ficar bem. Atendi, e dei um longo suspiro colocando o aparelho no ouvido: - Meu Deus! Finalmente você atendeu. Que merda você e o Justin estão aprontando? Os dois não dão notícias há dias. – a pessoa do outro lado disse tudo de uma vez não me dando a chance nem de raciocinar. Apesar da voz soar conhecida eu não consegui ligar a ninguém. - Desculpa, mas quem é? – vi por canto de olho a minha amiga murchar, ela realmente estava esperando que fosse o Justin. - Sou eu, o Alfredo. – ele disse rápido. Me repreendo várias vezes por ter atendido essa merda de ligação. Falar com um amigo do Justin era a última coisa que eu queria agora. Não que eu não gostasse do Alfredo, eu gosto demais dele. Mas levando em consideração que ele não conseguiu falar com o Justin nesses últimos dias e tem tentado falar comigo, ele vai fazer perguntas. Perguntas que sei que não estou a fim de responder. - Oi, Alfredo. – digo sem ânimo algum. - Você viu alguma mensagem que mandei? - Dei uma olhada. Desculpa não ter respondido, não estou nos meus melhores dias. - Pelo visto nem o Justin. Vocês não estão bem, né? – ele fez uma pausa. – Eu pedi incontáveis vezes que ele me desse o seu número, em nenhuma delas ele passou. Pedi que ele desse apenas uma notícia pra você, e ele pediu que eu mesmo desse. – Alfredo falava tão desesperadamente que estava me agoniando. Parecia que ele estava com esse assunto entalado na garganta há dias, só esperando eu e o Justin aparecer para vir com os questionamentos. - Está tudo bem sim. – foi o que eu disse. - Não, Lucy. Nada está bem! Você tem noção de que o Justin não responde nada, que simplesmente desapareceu e ninguém consegue falar com ele? Isso não é normal. Ele só tem esse tipo de atitude quando nada está bem. Mordo meu lábio com força, tentando ao máximo segurar as lágrimas, que eu sei que vão vir. - Eu não sei o que dizer. – digo baixo. Até me pergunto se ele ouve o que eu digo, mas quando ouço seu longo suspiro sei que ele ouviu. - Que tal começar pela verdade? - Não estou pronta para falar sobre isso, Alfredo. - Eu entendo, só quero deixar claro o quanto eu gosto de você, mesmo nos conhecendo pouco, você faz um bem danado para o Justin. - Você não sabe o que tá dizendo. – minha voz sai embargada. - É lógico que eu sei, Lucy. Você foi a melhor coisa que aconteceu para ele nesses últimos tempos. - Se você soubesse da metade da história, jamais diria algo desse tipo. - Independente do que tenha acontecido, vocês vão ficar bem. - Não tenho tanta certeza assim. - A gente precisa se encontrar! - Acho melhor não. - Eu marquei uma entrevista em um local bem conhecido pra você trabalhar. Arregalei meus olhos, do que ele está falando? - Do que você está falando, Alfredo? - Justin tinha me dito que você é uma excelente fotógrafa e pediu pra mim arranjar algo pra ti, e bom, eu arranjei. Tentei te falar isso na há uns dias atrás, no dia que a entrevista estava marcada, mas você não deu notícias. Justin? Justin tinha pedido pra ele arrumar um serviço pra mim? O quão bom ele pode ser? - Quer dizer que eu perdi a oportunidade? - Não necessariamente, eu ainda posso remarcar. Se você quiser, claro. - Eu realmente adoraria. - Era exatamente o que eu queria ouvir! Precisamos nos ver para marcar todos os detalhes. Bufei. Eu não queria ver o Alfredo. - Precisa mesmo disso? - Lógico que precisa! Nos vemos amanhã, te mando o horário e o endereço por SMS. - Mas..- fui interrompida por ele. - Amanhã a gente se vê! Ligação finalizada. Jen me olhava atenta, esperando que eu dissesse quem era e o que tinha me dito. Encostei minhas costas totalmente no sofá e suspirei, eu devia estar feliz, certo? Agora vou poder me livrar da Emily e de toda essa sujeira. Mas não, tudo o que penso é que pra isso terei que ver um dos amigos mais próximos do cara a quem eu fiz m*l, e ele sequer sabe da história. Será que Alfredo me ajudaria se soubesse o que eu fiz? Será que ele estaria sendo tão gentil assim? Acho que não. - Quem era? – a voz da Jen me tira dos meus devaneios. - Alfredo, amigo do Justin. - Ele te xingou? – ela parecia afoita. A olhei incrédula e neguei imediatamente. - Não. Ele nem sabe o que aconteceu. - Não? Mas como? – agora ela esta confusa. - Justin sumiu depois da descoberta, de acordo com o Alfredo, ele não responde uma mensagem. - Por que você me parece tão tensa então? - Ele quer me ver amanhã, me ofereceu um emprego. - Ok, isso é bom, não é? – ela franziu o cenho. – Você devia estar feliz. - Acha que eu devo contar a ele? – pergunto de uma vez, a olhando seriamente. Jen pensa por um momento. - Sinceramente? – assinto. – Levando em consideração que toda a situação se agravou depois de você omitir a verdade, acho que o melhor é contar. Pelo menos pra ele você vai poder deixar claro seu lado. - E se ele me odiar por isso? – mordo meu lábio. - Vai ser o direito dele, e você vai ter que entender. Você só precisa dizer a verdade, e depois ele vai analisar como vai lidar com ela. - Certo. Eu sei que ele vai me odiar. – solto uma risada seca. – Eu prejudiquei o amigo dele. - Você não sabe de nada, para de se preocupar antecipadamente. O encontre, conte toda a história, ele vai entender. - Justin pediu pra que ele arrumasse esse emprego pra mim. – contei assim que me lembrei do Alfredo me dizendo isso. – Antes de descobrir tudo. – completei. - Sério? Parece até que adivinhou que você precisava de uma válvula de escape. – ela soltou uma risada. – É por essa e por outras que eu acho que se você tivesse dito desde o início ele teria te ajudado a sair de toda essa merda. - Sim, ele teria. – passo as mãos pelo o meu rosto nervosa. – É um saco não poder voltar no tempo e consertar as coisas. - Esquece o passado, Lucy. – ela passou um dos braços em volta do meu pescoço e me puxou para perto, apoiando a cabeça na minha. – Já foi, não tem como mudar. O que importa é o que você vai fazer daqui pra frente. Sei que vai fazer a coisa certa dessa vez! - É, eu vou. Uma pena que eu precisei perder ele pra entender. Eu definitivamente não queria estar no meu lugar agora.
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