Reencontro

2057 Palavras
Tinha recebido a mensagem do Alfredo há uma hora. Estava receosa claro, mas já tinha entendido a importância desse encontro, e a importância de poder dizer a verdade pra alguém que faça parte da vida do Justin. Estava na frente do espelho, terminando de ajeitar meu cabelo. Estava toda arrumada. Mas para o meu azar meu cabelo não estava muito a fim de colaborar, não ficava bom de jeito nenhum, o que confesso que estava me irritando um pouco. Quando terminei ali, peguei minha bolsa e sai do quarto. Jen estava sentada no sofá falando com alguém no telefone, pela sua feição séria, só podia ser alguém que estava a ajudando nesse processo da grife. Eu realmente acho que vir até Los Angeles nesse instante não foi bom para os seus negócios, a sua marca estava ainda no início e todos os preparativos estavam sendo feitos ao mesmo tempo, Jen precisava estar por perto para supervisionar. Mas dizer isso a ela seria uma tremenda perca de tempo, sei que ela só iria embora quando tivesse cem por cento de certeza que estou bem. Jen é realmente muito parceira. Ela jamais me deixaria sozinha em um momento desse. Paro em sua frente e com alguns movimentos tento a explicar que estou de saída, não queria mesmo atrapalhar a sua ligação. Ela franze o cenho pra mim e levanta o dedo indicador em minha direção, como se estivesse pedindo um minuto. - Roger, espera um instante. – ela afasta o celular da orelha, e tampa o microfone com a palma da mão, para que a pessoa do outro lado da linha não ouça o que vai ser dito. - Já está na hora? – ela pergunta baixo. - Sim. - Qualquer coisa me liga, ok? – seu olhar era preocupado. Jen parecia minha mãe as vezes. - Pode deixar. Ando até a porta, pego as chaves e aceno pra ela, saindo dali. O caminho até o restaurante onde Alfredo havia marcado foi um pouco longo, por se tratar de um lugar mais distante. No fundo eu estava feliz por isso, não sei o quão conhecido Alfredo é, a última coisa que quero agora é chamar a atenção da imprensa e ter mais fotos minhas espalhadas por ai. Paro o carro em frente ao estabelecimento vendo que não se tratava de um lugar luxuoso, ainda bem! A única experiência que tive em um restaurante chique não foi nada agradável. Saio do carro o travando e caminho em passos rápidos até a entrada, assim que entro vasculho todo o local com os olhos. Lembrava muito aquelas lanchonetes dos anos 80, o lugar era todo trabalhado nessa temática. O que me fez rir automaticamente, eu realmente adorava lugares assim! Me sentia incrivelmente confortável. Vi uma mão acenando e no reflexo encarei a pessoa, vendo que era o Alfredo, ele estava sentado em uma das mesas mais afastadas dali. O lugar não estava cheio, mas tinha algumas pessoas. Fui até ele e rapidamente me sentei em sua frente. - Você está ótima. – ele disse gentil. - Obrigada! Eu realmente gostei desse lugar. – disse animada. - Sabia que ia gostar. Nas poucas vezes que conversei com o Justin sobre você, ele disse que você gostava de lugares com temáticas diferentes. Engoli seco e tirei o sorriso do rosto na mesma hora. O assunto Justin sempre me destruiria, não tem jeito. Saber que ele sabe tanto sobre mim me incomoda, porque significa que ele se importava de verdade comigo, e isso é terrivelmente triste. Alfredo percebe a minha mudança brusca de humor e me olha preocupado. Ele sabe que tem algo errado, está óbvio. Não precisa ser um gênio para notar. - Acho melhor a gente focar só no seu novo emprego. – ele diz e sorri de lado. Alfredo estava se esforçando pra me deixar confortável. - Tenho que te falar algumas coisas antes. – respiro fundo e começo a brincar com meus próprios dedos. – Sobre o Justin. – completo. Ele assente e fica em silêncio, me olhando atento. Penso por alguns segundos por onde devo começar. - Antes de eu começar a dizer, peço que me ouça até o fim. Se depois quiser ir embora sem dizer uma palavra, eu vou entender. Mas preciso que me ouça até o fim. – tento deixar isso bem claro. - Tá ok, agora você me deixou preocupado. – Alfredo encostou totalmente na cadeira e passou as mãos na cabeça. - Eu sou fotógrafa e jornalista formada. – ele assente. – Trabalho como paparazzi atualmente. Olho atenta pra ele podendo ver cada reação que ele tem, vejo ele entortar a boca com a minha revelação. Acho que ele está começando a entender o quão r**m isso é. - Quando eu me formei tive dificuldades pra achar um emprego, eu realmente procurei muito, mandei muitos currículos e fui atrás, mas nada surgia. Até que me apareceu a oportunidade de trabalhar na maior revista atualmente, a People. – ele assentiu. – Eu fiquei feliz mas não entendi muito bem porque eles estavam me chamando, afinal não me lembrava de ter mandado algum currículo lá. Mas ainda assim fui na suposta entrevista. Quando cheguei lá descobri que eles me queriam pra ser uma paparazzi. – soltei uma risada nervosa ao me lembrar disso. – Obviamente recusei, não precisa conhecer muito o trabalho dos caras pra saber o quão bizarro é! Mas eu estava passando dificuldades, por falta de grana. Estava com alguns aluguéis atrasados, sem muita coisa pra comer em casa e praticamente sem combustível. Eu precisava de um emprego urgente. E tudo piorou quando meu síndico foi até o meu apartamento me despejar. Só não fez porque minha melhor amiga quitou toda a minha dívida, mas ali estava claro que eu não tinha muitas opções. – fiz uma pausa. Contei toda a história. Falei de qual era o plano inicial, que eu não pretendia me aproximar do Justin e nem me tornar uma amiga íntima, mas que por algum motivo ele me quis por perto. Disse também sobre a minha tentativa de desistir do emprego e de como a Emily me encurralou com a história do contrato. Alfredo não estava esboçando sentimento algum sobre o que eu dizia, ele estava com os olhos fixos em mim. Não conseguia decifrar o que passava em sua mente, e isso era extremamente agoniante. - Está me dizendo que todas aquelas fotos que saíram da suposta agressão foi você quem fez? – ele perguntou depois de um tempo em silêncio, Alfredo estava assustadoramente calmo. - Sim, é isso que estou dizendo. – respondo séria. – Não só as fotos, fui eu que escrevi a matéria também. Alfredo não parecia surpreso com nada do que eu dizia. - Por isso o Justin foi para o Canadá? Por que você disse isso pra ele? - Ai que mora o problema, eu não disse nada. Fiquei com tanto medo dele me odiar que me mantive em silêncio, ele acabou descobrindo sobre as fotos. Mas não sabe da matéria, e o quanto a Emily está envolvida nessa sujeira toda. Alfredo negou algumas vezes e suspirou. - Que merda, Lucy! Eu devia estar puto contigo, mas não estou. Porque te entendo. – ele bufou. – Mesmo você tendo sido uma completa filha da p**a com meu amigo, eu te entendo. Ouvir isso dele me dava um alívio gigantesco. Parecia que tinha tirado um peso enorme de minhas costas. - Mas acho que você devia ter dito a ele toda a verdade. Você não o conhece? Ele teria pagado essa multa maldita, teria te tirado dessa. Justin ia entender que você não tinha a intenção de magoá-lo. - Agora eu sei disso. – passei a mão pelo o rosto. – Eu só queria que ele me escutasse, que ele ouvisse tudo que tenho pra dizer sobre isso. Mas ele se negou a ouvir. - Também né. Ele se sentiu enganado, Lucy. Acho que a maior decepção dele foi você não ter dito nada. Foi ele quem descobriu. - Acha que ele vai me perdoar? - Sim, ele vai. Justin não é rancoroso. Mas isso não significa que ele vá voltar a confiar em você, acho que as coisas nunca mais serão as mesmas pra vocês. - Tinha medo de que você me dissesse isso. – posso sentir as lágrimas vindo. - Eu sinto muito, sinto de verdade. Sei que ele é importante pra você e que gosta dele de verdade, que nunca quis causar todo esse m*l a ele. Mas não é assim que ele vê, provavelmente Justin está pensando que você calculou tudo. As pessoas sempre quebram a confiança dele. - Pelo o que ele me disse no dia, é exatamente isso que ele tá pensando. – solto uma risada seca. – Mas não é assim, Alfredo. - Eu sei que não. E se você tivesse contado toda a história pra ele, ele também saberia. Depois de nossa longa conversa, ele me disse tudo sobre o emprego que havia me arrumado, era em um estúdio gigantesco no centro de Los Angeles, eles costumavam fotografar algumas modelos bem famosas e algumas pessoas bem influentes. Tudo parecia incrível pra mim e o melhor era que eu estaria livre de vez da Emily se arrumasse mesmo esse emprego. - Como você vai fazer com a multa? – Alfredo pergunta abrindo a porta para que eu possa passar. Saio na frente olhando por cima do ombro, vendo que rapidamente ele sai da lanchonete, parando ao meu lado. - Uso o salário do novo emprego pra pagar. – digo simples e dou de ombros. - Provavelmente você não vai ganhar muito nos primeiros meses, não acho que vai dar pra quitar essa multa tão rápido assim. Ele vai me acompanhando até o meu carro, o destravo e olho para o Alfredo soltando um longo suspiro. - Eu sei disso, mas quero me livrar da Emily logo e desse emprego horroroso. Não aguento mais! – passo as mãos nervosamente pelo o rosto. - Se quiser eu posso te emprestar esse dinheiro. – ele cruza os braços. Nego na hora. - Nada disso! Você não tem que se preocupar com isso, Alfredo. - Lucy, entenda uma coisa. Agora você é minha amiga e amigos ajudam uns aos outros. Eu tenho essa grana e não vai me fazer falta alguma. - Eu sei disso. Só não quero que se preocupe atoa. - Não é atoa. – ele riu. – Quero que saia dessa logo. - Eu nem consegui o novo emprego ainda, vamos dar um passo de cada vez. Se eu realmente conseguir, a gente vê isso. - Eu sei o que você está fazendo. – ele apontou o dedo em minha direção e manteve um sorriso divertido nos lábios. – Está desconversando. Isso não vai colar comigo. Soltei uma risada. - Será que não? – abri a porta do meu carro e me sentei no banco do motorista, vendo o Alfredo se apoiar na minha porta, a mantendo aberta. - Sem contar que, esse emprego já é seu! Justin me falou das suas fotos, não tem como eles não te contratarem. - Vamos ver. Ele sorriu e fechou a minha porta, coloquei o cinto e dei partida, ouvindo ele bater na janela, abri um pouco, vendo ele se inclinar. - Já sabe, assim que for contratada me mande o número da sua conta que eu transfiro o dinheiro. - E se eu esquecer de mandar mensagem? Sabe como é, posso me distrair. - Nada disso, Lucy! – ele fechou a cara, o que me causou uma risada. – Não me impeça de te ajudar. - Você já fez muito por mim. - Só me dê notícias! - Tá bom. – revirei os meus olhos, me dando por vencida. Ele sorriu e se afastou do carro, para que eu pudesse sair. Dei um último aceno e sai dali, deixando o Alfredo para trás. Passar esse tempo com ele foi importante pra mim! (...) Acordei atrasada na manhã seguinte, eu tinha menos de 30 minutos para estar no estúdio, e ainda estava me vestindo. - Sabia que ficar assistindo filme até tarde ia dá r**m pra você. – Jen disse enquanto me encarava do batente da porta. - Não, mas isso não tem nada a ver. – me levantei assim que coloquei o sapato. - Como não? Encarei meu reflexo no espelho e até que o resultado não estava de todo r**m, era o máximo que eu podia fazer agora. - A culpa foi do meu celular que não despertou. Peguei minha bolsa e sai do quarto, ouvindo os passos da Jen bem atrás de mim. - É, mas dormir cedo teria te ajudado. Peguei as minhas chaves e fui em direção a porta, a abri e parei me virando para a Jen. - Acha que estou apresentável? – encarei meu próprio corpo, voltando meus olhos a Jen que me analisava. - Você está ótima! E vai se sair bem! – ela disse sorridente. Soltei um longo suspiro, eu estava nervosa! Essa era a minha chance de me livrar da Emily de vez, não posso perder. - Me deseje sorte! – disse e me virei para sair dali. - Você não precisa de sorte. – ouvi Jen dizer e sorri, não me virei pra ela. Entrei no elevador e logo já estava diante do meu carro, coloquei o endereço que Alfredo havia me passado e fui. A minha sorte é que o local é bem próximo de onde moro, não demorei nem 15 minutos pra chegar. Parei o carro em frente ao estúdio, o lugar não era grande, não por fora. O nome era bem destacado, e as paredes eram pretas, o que chamava bastante a atenção de quem passasse por ali. Sai do carro com a minha bolsa no ombro e o travei, caminhando em passos lentos até a entrada do local. A porta devia ser travada, percebo isso quando tento abri-la, mas não obtenho sucesso. Ouço um barulho, como se alguém tivesse destravado e a empurro, percebendo que ela se abre sem muito esforço. Entro, e o que vejo é um hall, o lugar é decorado com alguns quadros e plantas. Logo a minha frente tem uma mesa gigantesca onde uma garota está sentada, ela fala com alguém no telefone. Tem alguns papéis sobre a mesa e um MacBook, é a secretária. Caminho até ela e espero pacientemente que ela termine seu telefonema, ela não me olha nesse curto período de tempo. - Bom dia, no que posso ajudá-la? – ela questiona assim que termina a ligação. Um sorriso enorme está em seu rosto, ela é tão simpática que soa falso. Não é como se ela realmente estivesse feliz em me receber ou a manter um contato comigo, ela só precisa fazer isso, e faz bem. Apesar de parecer algo forçado e robótico, é um pouco acolhedor de certa forma. Melhor do que se ela estivesse me olhando de cara fechada. - Bom dia! Tenho um entrevista marcada. – meu sorriso é mínimo. Diferente dela eu não consigo forçar. - Ok, qual é o seu nome? – ela ainda sorri. - Lucy Scott. A garota começa a digitar algo em seu computador, logo o seu olhar volta a mim. - Espere um instante. – ela ergue o dedo indicador e pega o telefone que está bem em sua frente, apertando um botão e o colocando no ouvido. – A das nove horas chegou, pode recebê-la agora? – pausa. – Ok. – ela desliga e me olha. – Me acompanhe por favor! Ela se levanta e ajeita o vestido no corpo. Logo estamos passando por uma porta e andando por um corredor, tudo que escuto é o eco do salto dela se chocando contra o chão, e devo dizer, é um barulho insuportável pra quem está nervoso. Começo a passar a mão suada pela calça torcendo para que meu ato faça elas pararem de suar, mas isso não acontece. Talvez tenha até piorado. Ela abre uma porta de vidro e dá espaço para que eu possa passar, entro ouvindo o som da porta se fechando. Estou dentro de um estúdio de fotografias. Vejo que tem uma tela enorme em uma das paredes, uma mesa com algumas câmeras e outros equipamentos, alguns figurinos e bem ao canto uma outra mesa, onde um cara se encontra, a única pessoa no local, além de mim claro. Ele demora a me olhar, me mantenho no mesmo lugar, sem mover um músculo sequer. Quando seus olhos vem de encontro a mim ele sorri, diferente do sorriso da secretária seu sorriso é extremamente gentil. - Por favor, eu não mordo. Pode vim até aqui. – ele se levanta e me analisa. Vou até ele, assim que estou perto o suficiente ele estica sua mão pra mim, como uma forma cumprimento. Pego na mão dele de uma forma firme e confiante. - Meu nome é Leonard. - Eu sou a...- ele me interrompe. - Lucy, eu sei. – ele solta uma risada. – Alfredo me falou muito sobre você, acho que não precisa se apresentar. Sinto minhas bochechas corarem um pouco, Leonard era um cara bem bonito e charmoso. Ele deixaria qualquer garota constrangida só de olhar pra ela. - Espero que ele tenha dito coisas boas. – sorrio. - Sim, coisas ótimas! Ele me disse muito sobre o seu trabalho, e confesso que fiquei bem interessado e curioso. - Não acho que eu seja tão boa quanto ele deve ter dito. - É isso que quero ver. – olhei confusa pra ele. Leonard caminhou até a mesa onde estavam as câmeras e pegou uma delas, vindo em minha direção. - Quero que tire algumas fotos minhas. – ele falou de uma forma simples. - Aqui? Agora? – perguntei tudo de uma vez, engolindo seco. - Sim, Lucy. – ele me entregou a câmera. – Não fique nervosa, quero apenas que fotografe. Esqueça de onde está, e do propósito disso. Pense apenas que eu sou um cliente que quer umas fotos tiradas por você. Assinto, vendo ele andar até o telão. Minhas mãos estão trêmulas, fico um pouco a frente dele e ligo a câmera. Aponto para ele e o encaro pela lente, ele sorri e isso me deixa ainda mais nervosa. Por que ele tem que ser tão lindo? Foco, Lucy, foco! Essa é sua chance, não se esqueça! Suspiro alto e começo a tirar as fotos, Leonard vai fazendo algumas poses estranhas o que me causa algumas risadas. Depois de vários cliques, ele se deu por satisfeito e veio até mim. Estava apreensiva com o resultado disso, sentia que não tinha feito o meu melhor. Não estava preparada pra isso. Leonard pega a câmera da minha mão e começa a ver as fotos pelo visor dela. As caras que ele faz ao ver as fotos são diversas. Às vezes ele sorria, algumas ele fazia umas caretas estranhas e em algumas ele entortava a boca, o que pra mim é um péssimo sinal. De onde estou não consigo ver as fotos junto com ele, e pra ser sincera nem sei se gostaria de ver. Logo os seus olhos claros me encaram seriamente, isso não pode ser bom. - Eu estou surpreso. – é o que ele diz. – Você conseguiu se sair melhor do que eu imaginava. Sinto um alívio gigantesco ao ouvir o que ele diz, é tão bom saber que me sai bem. - Fico verdadeiramente feliz em ouvir isso! – sorrio largo. - Que bom! Porque eu preciso de alguém como você na equipe. - O que quer dizer com isso? – minha felicidade é tanta que m*l consigo me conter. - Quero dizer que você está contratada! – ele sorri. Sem me conter o abraço rapidamente, ele gargalha com o meu ato. - Me desculpe, eu me empolguei. - Tá tudo bem, Lucy. Depois disso nós acertamos os meus horários, e todos os detalhes. Eu finalmente trabalharia em algo que eu gosto, eles costumavam fazer algumas fotos para revistas e essa seria a minha função. O caminho de volta ao meu apartamento é curto, ao chegar encontro a Jen sentada no sofá vendo algo em seu notebook, ela digita algo apressadamente. Deve ter haver com a grife. Fecho a porta e deixo a bolsa no balcão, vou até o sofá e me jogo ao seu lado. Ela não desvia os olhos do notebook nem por um segundo sequer. Encosto minha cabeça em seu ombro, tentando ver o que ela tanto digita no notebook, mas sem sucesso. - Eu já te dou atenção, só deixa eu terminar isso aqui. – ela disse ainda concentrada no computador. Concordei e permaneci ali, na mesma posição, calada. Não queria atrapalhar ela. Lembrei do Leonard e de como ele foi legal comigo, pensei em como seria a minha vida a partir de agora, que agora eu faria o que eu gosto. Sorri automaticamente ao pensar em tudo isso. Só de estar longe da Emily minha vida melhora 100%. - Ok, pra você estar sorridente assim posso supor que tudo ocorreu bem. – Jen se afastou um pouco para me olhar melhor. Ergui minha cabeça e me desencostei dela. - Eu consegui o emprego. – sorri. Logo senti o corpo da Jen ser jogado contra mim, ela me abraçou forte, e eu retribui. - Parabéns, parabéns! – ela dizia animada, ainda me abraçando. – Sabia que ia conseguir. – ela disse depois de me soltar. - Eu estou tão feliz, Jen. Feliz por finalmente poder trabalhar em algo que gosto. – minhas bochechas já estavam doendo. – Sem contar que o Leonard é um amor. Jen franziu o cenho e me olhou visivelmente confusa. - Quem é Leonard? – ela questionou. - O meu chefe. Minha amiga abriu um sorriso malicioso no mesmo instante. - Você está interessada nele. – ela apontou o dedo em minha direção e abriu ainda mais o sorriso. - Lógico que não. – respondi constrangida. Desviei meus olhos do seu olhar acusatório. - Lucy, eu te conheço, não tente me enganar. Voltei a olhar pra ela e revirei os meus olhos. - Ok, talvez eu tenha achado ele bem gatinho. – confessei baixo. Jen soltou uma gargalhada alta. - Eu sabia! - Mas é só isso, não tenho interesse nenhum nele. Ele é meu chefe, Jen. Não vai rolar nada! – disse tudo de uma vez, atropelando minhas próprias palavras. Ela riu ainda mais. - Tudo bem se você quiser se enganar assim. – ela deu um tapa leve no meu ombro. - Não estou me enganando. Meu celular começa a tocar, o que me dá um grande alívio, não aguentaria continuar nesse assunto com a Jen. Peguei o aparelho vendo que era o Alfredo, atendi: - Parabéns!!! – ele disse assim que eu atendi. - Como soube? - Leonard é muito meu amigo, Lucy. Assim que você saiu de lá ele me ligou, e não poupou elogios ao seu respeito. Soltei uma risada. - Que bom, ele é muito gentil! - Sim, e costuma chamar bastante a atenção das mulheres. - Nada a ver, Alfredo. - O que acha de sairmos pra comemorar? - Não sei. - Lucy, qual é? Hoje é um dia importante, vamos vai ser legal! - Minha amiga pode ir junto? – Jen me olhou de canto de olho e negou com a cabeça. Ela devia estar pensando bobeira. - Claro que pode! Onde quer ir? - Tem um barzinho bem legal, te mando o endereço. - Ok, aproveita e já me manda o número da sua conta. - Tá né. – ele riu. - Nos vemos às oito? - Às oito! - Ok, beijos. - Beijo. Ligação finalizada. - Eu não sei a onde você me enfiou mas já achei errado. – Jen disparou a falar assim que terminei a ligação. - Achei que quisesse sair pra comemorar o meu novo emprego. – dei de ombros. - Ah, é isso? - Sim. Alfredo quer comemorar, achei que seria legal se você fosse. - Achei que fosse algum encontro. - Encontro com quem? – arqueei a sobrancelha. - Com o Leonard. – ela fez uma voz fofinha e me fez cócegas. - Nada a ver. – dei risada e me afastei dela. (...) Mandei todas as informações que o Alfredo queria, combinamos de nos encontrar lá no bar mesmo, seria mais fácil. O bar era o mesmo que eu havia gostado, achei que seria o lugar ideal para comemorar a minha contratação já que eu amo a vibe do local. A única coisa negativa de tudo isso é que eu me lembraria de todos os momentos que tive com o Justin lá, vou ter que lidar com isso. Me olho no espelho pela última vez, gostando do que vejo. Nessa noite em específico eu senti que precisava caprichar mais no visual, fiz algumas ondas no cabelo, e fiz uma maquiagem mais marcada. Estava usando um vestido que marcava bem o meu corpo, ele ficava acima do joelho. Me sentia linda. - Podemos ir? – Jen questionou da porta. - Sim. – a olhei e sorri. - Você está maravilhosa! – ela sorriu. - Você também! Jen sempre estava linda. Saímos juntas, Jen decidiu que iria dirigindo porque de acordo com ela na vez em que ela foi dirigindo tivemos sorte e uma noite incrível. Não quis discutir isso com ela, Jen sempre acreditou muito em sorte e em destino. Haviam mais carros ali do que eu estava acostumada a ver, Jen parou em uma vaga e saímos. Alfredo já nos esperava lá dentro, entramos rapidamente. A primeira coisa que notei foi a banda que tocava, que como na primeira noite em que vim era acústica. Meu sorriso abriu aí, mas logo se desmanchou quando fui atacada por algumas lembranças, queria que o Justin estivesse aqui, queria que ele comemorasse essa conquista comigo. Era horrível ter que lidar com a falta que ele fazia na minha vida. - Ei, hoje é uma noite alegre. – Jen me abraçou de lado e me balançou um pouco. Ela devia ter notado que tive uma queda brusca de humor. - Eu devia ter escolhido outro lugar. – estava me segurando pra não chorar. - Você ama esse lugar. Não pode deixar de vir aqui só porque teve bons momentos com o Justin. Você precisa criar novas lembranças. Assinto. Vasculho o lugar com os olhos e logo vejo o Alfredo acenando de umas das mesas, puxo a Jen e caminho até ele. Abrindo um sorriso. - Vocês demoraram! – ele se levantou. - A linda aí demorou um século pra se arrumar. – Jen disse. – E a propósito, meu nome é Jeniffer, mas pode me chamar de Jen. – ela esticou a mão para o Alfredo, que pegou prontamente. - Alfredo. – ele sorriu amigável. Abracei o Alfredo e sentamos. Eu e Jen estávamos de frente para o Alfredo e de costas para a entrada do bar. - Você não contou toda a situação pro Chaz, né? – Alfredo perguntou. Vi que a Jen ficou desconfortável com o assunto, e acho que Alfredo também notou isso. - Não, não quero contar isso por mensagem. – dei de ombros. - Tem algo que eu não sei aqui? – ele manteve seus olhos fixos na Jen. Ela estava sorridente, e no momento em que ele citou o Chaz ela ficou séria e distante. Parecia que nem estava mais ali. Olhei para a Jen, se alguém tinha que falar algo, esse alguém era ela, se sentisse confortável, claro. Não quero contar sobre um assunto que não me envolve. Ela olhou pro Alfredo e deu um longo suspiro. - Digamos que eu me envolvi com o Chaz e as coisas não acabaram muito bem. – ela tentou falar da forma mais simples que pode. Alfredo pareceu pensativo. - Ah, você é a garota que foi embora pra Nova York. – ele disse agitado. - Sim, como sabe? – Jen o questionou atenta. - Justin tinha me dito na festa do Jaden que o Chaz não estava muito bem por causa de uma garota que tinha ido embora. – Alfredo disse. – Achei que se tratava de alguém que não estava nem aí pra ele, mas esse não é o seu caso. – ele disse de uma forma triste. Jen ficou com um semblante abatido. Essa era pra ser uma noite divertida e animada, mas estava se tornando algo triste. - Acho melhor mudarmos de assunto. – eu disse. Alfredo focou a sua visão do nada em algo atrás de nós, sua feição mudou para tensa em segundos. Achei estranho, Jen também. - Alfredo? Tá tudo bem? – passei uma de minhas mãos na frente do seu rosto, mas ele permaneceu parado. - Não sabia que você vinha aqui, cara. – uma voz surgiu do nada. Engoli seco várias vezes, sentindo todo o meu corpo tremer. Jen me olhou assustada, enquanto eu permanecia paralisada. Desviei meus olhos para onde a voz tinha vindo, ele estava ali, parado em frente a nossa mesa. Sua feição estava tão perdida quanto a minha, enquanto ele mantinha seu olhar preso no meu. Não esperava encontrá-lo tão cedo, não queria que fosse assim. - Justin? – foi o que me limitei a dizer. Parece que o destino gosta mesmo de pregar peças na gente.
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