A noite desceu como uma sombra sufocante, trazendo consigo um silêncio pesado. Eu já não distinguia mais as horas. O tempo se dissolvia numa névoa densa, sem forma, sem significado. Tudo era um borrão. Meu corpo doía, minha mente queimava. Os remédios estavam ali, espalhados sobre a mesa. Ansiolíticos. Analgésicos. O que importava? Não fazia diferença. Peguei um, depois outro. O gosto amargo deslizou pela minha garganta com um gole de uísque. Talvez isso me desligasse. Talvez me desse algumas horas de paz. Mas não foi isso que aconteceu. Minutos depois, o quarto começou a girar. As sombras se esticavam, tomando formas irreais. Meus olhos pesavam, mas eu não conseguia fechá-los. Alguém me observava. Senti a presença. O som de passos ecoou pelo cômodo, mesmo sabendo que ninguém mais estava

