Eu fiquei alguns segundos parado em frente ao espelho, ajustando o colarinho da camisa, mais por hábito do que por necessidade. Estava arrumado desde a primeira vez que olhei meu reflexo, mas mesmo assim continuei ali, encarando aquele homem que parecia ter tudo e, ao mesmo tempo, não tinha nada do que realmente queria. A verdade era simples e c***l: eu sabia que aquela noite com a Vick tinha gosto de despedida, mesmo que ninguém tivesse colocado isso em palavras. Meu celular vibrou sobre a bancada do banheiro, e eu nem precisei olhar a tela para saber quem era. Ainda assim, peguei o aparelho, como se adiar aquela ligação pudesse mudar alguma coisa. — Fala — atendi, com a voz controlada. A voz do meu pai veio firme, sem rodeios, como sempre. — Você já devia estar a caminho. O tempo es

