Maju Narrando O tempo passa, mas eu ainda me olho no espelho e sinto aquele frio na barriga, lembrando do dia em que o MV desceu a mão em mim e arrancou meu cabelo na tesoura. Foi tenso, humilhante, uma parada que não dá pra esquecer fácil. Mas a vida segue, e meu cabelo também cresce. Não foi zero, mas o desgraçado cortou na raiz, me deixou praticamente careca. Agora, pelo menos, já tá num comprimento que dá pra disfarçar, começar a pensar em trança. Isso me anima, porque ficar com a cabeça raspada nunca foi meu estilo. Aqui em casa, as coisas também mudaram. Antes, o Coringa, meu pai, vivia mais presente. Agora ele quase não para em casa, sempre que tenta parar eles discutem. Passa a maior parte do tempo na boca, resolvendo corre, distribuindo ordem, acerto com os bandido. Minha mãe, L

