Capítulo 09 – Rony

925 Palavras
Pela primeira vez eu estava apreensivo em realizar um trabalho. Tinha algo estranho com aquele homem. Ele não parecia precisar de proteção porque estava sendo ameaçado, ao contrário, ele demonstrava que estava mais para o ameaçador do que para vítima. Uma viagem que ele denominou como sendo de negócios políticos, nada teve a ver com essa natureza. Tratou-se de encontros furtivos em locais suspeitos e com pessoas que claramente tinham algo a esconder da lei. Era minha primeira vez escoltando pessoas de caráter duvidoso? Não. Mas as outras eu sabia onde estava pisando e ali eu também estava às cegas. De quem mesmo eu deveria proteger o senador? De inimigos políticos ou de inimigos no comércio ilegal de drogas e eletrônicos? Porquê era aquilo que a cada minuto fixava claro pra mim. Eu não gostava daquele tipo de contrato. Normalmente eu preferia saber que estava protegendo um bandido. Isso não me importava, era meu trabalho. Mas ser enganado e levado a entender que ele era uma vítima indefesa, fragilizava meu trabalho também, eu precisava saber com quem estava lidando. No Brasil, eu tinha meus meios de descobrir as coisas, ali era mais difícil e eu tive que redobrar a atenção. O jantar daquela noite estava me deixando preocupado. Ele tinha marcado o encontro em uma boate que eu tinha pesquisado e descobri que era famosa na região por ser ponto de encontro de chefes da máfia que iam em busca de drogas e sexo em grupo. Onde aquilo era um encontro político? Tentei tirar informações dele no carro antes de chegar ao local marcado. - Tem algo que eu precise saber antes de entrar nessa boate? O senador virou e me encarou sorrindo cinicamente. - Só precisa saber que não pode deixar nada acontecer comigo, basta? Encarei-o de volta sério. - O que poderia acontecer com o senhor? Aqui não parece ser um lugar frequentado por seus adversários políticos. Ele sorriu e apertou o relógio de ouro em volta do pulso. - E quem lhe disse que eu tenho adversários só na política? Apertei os lábios irritado. - Isso não é brincadeira senador, eu preciso saber o que me espera, se o senhor quer que eu te proteja. - Seu trabalho é guarda costas, então se preocupe em salvar minha vida se for necessário, não precisa se intrometer nos meus assuntos. Respirei fundo tentando adquiri calma. - Tudo bem, mas saiba que não posso adivinhar quem são seus inimigos se o senhor não me falar. Ele bateu no ombro do motorista. - Chegamos amigo, pode relaxar por que a reunião é demorada. O local estava lotado de gente e a música era alta. Só de olhar via-se que era um local onde a droga corria solta e muitas mulheres com roupas extravagantes se penduravam no pescoço de homens visivelmente embriagados. Eu apostava um braço que metade daquelas garotas eram menores. Um chinês se aproximou do senador e o cumprimentou com um aperto de mão gritando para se fazer ouvir no meio da música estridente. - Bem vindo senador, sua mercadoria está à sua espera. Mercadoria? Que merda ele estava falando? Os dois se dirigiram aos fundos da boate e eu os segui atento a todos os movimentos à minha volta. Entramos por um corredor iluminado por uma luz neon que ofuscava um pouco a visão e no final ele parou próximo a um quarto. - A menina custou caro, senador. Não é todo dia que se encontra uma virgem. Puta que pariu! O senador sorriu e dessa vez ele parecia diabólico. Os olhos estavam meio arregalados e ele respirava forte. O homem nem tinha bebido, ou será que ele tinha usado alguma coisa no hotel? - É novinha do jeito que eu pedi? O chinês lambeu os lábios. - Cheirando a leite. Ele pegou a chave e entregou ao senador. - É toda sua, pelo tempo que quiser. E se afastou de volta pelo corredor m*l iluminado. O senador se virou pra mim. - Não saia de perto dessa porta e aconteça o que acontecer não deixe ninguém entrar nesse quarto. Minha voz estava presa na garganta. Se eu falasse a desgraça estava feita, por que aquele filho da p**a me arrastou de um pais distante para ficar à espreita acobertando ele estuprar uma menor. Meu ódio aumentava a cada eu que eu respirava e eu sabia que aquilo não ia acabar bem. - E tape os ouvidos para não ficar e******o segurança. A coisa ai dentro vai ser das boas. E fechou a porta na minha cara. Levei as mãos à cabeça sentindo o sangue correr mais rápido nas minhas veias. Então era isso? Aquele velho imundo estava metido no mundo da prostituição. Pensei na Melissa e na loucura que ela ia fazer se metendo naquele mundo sem volta. O que teria acontecido se não fosse eu o escolhido para ser o primeiro cliente dela. Como ela estaria naquele momento e se ela cruzaria com um homem como aquele mostro ali do outro lado da porta. O suor escorria dentro do terno preto e minhas mãos estavam suadas. - Se prepara Rony, uma guerra vai ser declarada e você está sozinho nessa. Mandei uma mensagem para o Nico e verifiquei minha arma. Eu não podia ser conivente com um crime daquele. Apurei os ouvidos e detectei os sons dentro do quarto. A cada palavra que entrava nos meus ouvidos meu sangue corria mais rápido e no minuto que ouvi um grito assustado e amedrontado, eu me afastei e derrubei a porta com um chute.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR