Capítulo 08 – Melissa

551 Palavras
Não deu tempo de desistir e encerra a ligação porque ele atendeu no segundo toque. Agora era tarde, eu não podia bater o telefone na cara dele. - Melissa? - Sim, lembra de mim não é? Ouvi uma risadinha baixa do outro lado da linha. - Não tenho como esquecer tão rápido uma pessoa que me deu um prejuízo de 5 mil reais. Embora o tom fosse de brincadeira, eu me senti meio culpada. - Se quiser eu devolvo. - Claro que não menina, tudo bem com você? Deitei no sofá aproveitando o silencio da casa no final da tarde. Eu tinha ainda meia horas antes de pegar o Rian na creche. - Tudo bem sim, e... você? - Tudo ótimo. É... existe uma criança mesmo? Franzi a testa confusa. - Não entendi. - Você tem mesmo um filho? Ele achava que eu tinha inventado? - Claro que tenho, o que achou? Que eu tentei te sensibilizar contando uma mentira. - Muitas fazes isso. - Eu não faço. - Tudo bem, também achei que você não tinha cara de mentirosa. Que cara de p*u! - Obrigada. Ele riu. - Por nada. - Não precisava mandar a comida, você já tinha me dado o dinheiro. - Pensei que pudesse gastar com oura coisa e deixar a criança com fome. Aquele cara era de falar as coisas na lata. - Gastar com que? - Não sei. Drogas, bebida, roupas... sei lá. - Não uso drogas, não bebo e não sou vaidosa. - Hum, que casar comigo? Ele tinha senso de humor. - Engraçadinho. Olhei o relógio e levantei de um pulo. - Nossa! Estou atrasada pra pegar meu filho na creche. - Calma garota, é muito longe? - Não, é aqui na rua mesmo. - Então deixa de desespero. Fui andando pela sala, calçando os sapatos e ajeitando a roupa. Coloquei o telefone no viva voz e ajeitei meus cachos no vidro da tv. - Quantos anos tem seu filho? - Três. Falei mais alto pra ele ouvir. - Já tem alguma promessa de emprego? - Nada, mas amanhã eu vou sair por ai pra ver umas vagas que anunciou no jornal ontem. - Não desanima não, vai dar tudo certo. - Vai si, eu acredito. - Não voltou no bar do Hugo não é? Vixe, a voz dele mudou num piscar de olhos. - Não. Não voltei e espero não precisar. - Bom assim. - Obrigada de novo. - Certo. Se cuide e cuide do seu filho. Eu vou arrumar umas coisas aqui. Vou viajar amanhã. Viajar? Ele ia embora? - Viajar... pra onde? - Eu vou fazer um trabalho na Itália. Arregalei os olhos. - Na Itália mesmo? fora do pais? - Sim. - Você trabalha de que? - Eu sou guarda-costas. - Hum, isso não é perigoso não? - É. - E porque você faz? - Alguém tem que fazer não é? -Verdade. Ei, preciso ir agora, já estou atrasada. - Tudo bem, vá cuidar do seu filho. - É... boa viagem, você vai ficar quando tempo lá? - Uma semana. - Ah, é rápido. - Sim. Bom... se precisar de alguma coisa pode me mandar mensagem. O que ele achava que eu ia precisar? - Não vou precisar de nada não. - Então tá... tchau Melissa. - Tchau Rony.
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