Capítulo 07 – Rony

653 Palavras
- Você vai passar um mês na Itália, escoltando um político famoso. Olhei para meu pai e tossi sem saber como dizer a ele que queria passar aquele serviço. - Tem que ser eu? Ele franziu a testa. - Ué, não é você que prefere trabalhar fora do Brasil? Por que essa pergunta agora? Porque no momento eu quero ficar aqui. - Tenho uns compromissos importantes aqui. Ele me olhou confuso. - Mais importante que seu trabalho? Nico se mexeu na cadeira. - Tem mulher no meio disso. Chutei a perna dele. - Não tem mulher nenhuma, é coisa minha, mas quer saber? Eu vou nesse trabalho sim, quero ficar longe de vocês por uns dias e não precisar olhar para essa cara cínica de vocês. Nico deu uma gargalhada. - Está nervosinho Ronivom? Que foi? Levou chifres ou brochou? Fuzilei-o com o olhar. - Você devia se preocupar com sua protegida e me esquecer. Ele fechou a cara. - Esqueça a Isabela, ela é problema meu. - Bota problema nisso hein! Valentim parecia perdido na conversa. - Que merda vocês estão falando? Falamos ao mesmo tempo. - Nada. - Hum, estou de olho em vocês. Levantei e olhei o relógio. - Posso ir? Já que vou viajar tenho umas coisas a resolver. - Vá e volte com mais um serviço exemplar, não quero saber de surpresas dessa vez. - Não terá, eu garanto. Surpresa era a p***a da minha mente estar totalmente voltada para um assunto que eu não devia. Fazia uma semana desde aquele encontro inusitado com aquela garota e desde então eu só fiz coisas absurdas. Primeiro coloquei uma fortuna na conta dela e não satisfeito mandei minha secretaria comprar várias coisas de comer e mandar entregar na casa dela. Eu não a conhecia o suficiente e vai que a maluca gastasse o dinheiro com roupas e drogas e deixasse a criança com fome, isso se existisse uma criança mesmo. Elas recorriam a todas as artimanhas para conseguir dinheiro, embora eu achasse que a tal Melissa não tinha cara de mentirosa, parecia mais uma garota sofrida e sozinha. - Bom Ronivon Aguiar, já fez sua cota de caridade, que tal um boa trepada antes de enfrentar essa viagem? Naquela noite eu não estava com saco para o bar do Hugo, eu queria algo mais emocionante. Era hora de recorrer a minha lista de contatos de emergência. Procurei com atenção e disquei. - Priscila! quando tempo linda, vamos sair hoje? A resposta foi seca e fria. - Quem está falando? Puta merda, ela tinha apagado meu contato. - Sou eu Rony delicia, esqueceu de mim? - Sinto muito, meu marido está me esperando no carro, tchau. E desligou. Olhei o celular como se ele queimasse na minha mão. Marido? Ela tinha casado? Bom, vamos pra outra. - Oi Michele, tudo bem? - Rony! Quanto tempo! Pelo menos aquela lembrava de mim. - E ai linda, quer sair hoje? Ela sorriu manhosa. - Estou namorando amor, mas eu a Paty gostamos de uma pessoas a mais pra apimentar, quer vim? Duas eram bom, mas eu não estava no clima. - Não. Hoje não, deixa pra outro dia. - Tchau querido, beijos. Disquei outro número. - Marisa, diga ai gata, já casou? - Ai Rony... você ligou numa péssima hora, eu estou em trabalho de parto! Arregalei os olhos. - Como assim, parto? Nem sabia que você estava grávida. - Eu casei com o Marcos Rony, você até foi no nosso casamento. Desgraça. - Esqueci, boa sorte no parto, beijos. Joguei o celular em cima da minha mesa. Tinha que ser no bar do Hugo mesmo. Arrumei alguns papeis e estava fechando o notbook quando meu celular tocou. Sorri animado. Seria minha salvação? O Número na tela era desconhecido. - Alô. A pessoa ficou em silêncio. - Quem está falando? - Rony...? Franzi a testa. - Sim, sou eu. - Aqui é Mellissa.
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