- Você vai passar um mês na Itália, escoltando um político famoso.
Olhei para meu pai e tossi sem saber como dizer a ele que queria passar aquele serviço.
- Tem que ser eu?
Ele franziu a testa.
- Ué, não é você que prefere trabalhar fora do Brasil? Por que essa pergunta agora?
Porque no momento eu quero ficar aqui.
- Tenho uns compromissos importantes aqui.
Ele me olhou confuso.
- Mais importante que seu trabalho?
Nico se mexeu na cadeira.
- Tem mulher no meio disso.
Chutei a perna dele.
- Não tem mulher nenhuma, é coisa minha, mas quer saber? Eu vou nesse trabalho sim, quero ficar longe de vocês por uns dias e não precisar olhar para essa cara cínica de vocês.
Nico deu uma gargalhada.
- Está nervosinho Ronivom? Que foi? Levou chifres ou brochou?
Fuzilei-o com o olhar.
- Você devia se preocupar com sua protegida e me esquecer.
Ele fechou a cara.
- Esqueça a Isabela, ela é problema meu.
- Bota problema nisso hein!
Valentim parecia perdido na conversa.
- Que merda vocês estão falando?
Falamos ao mesmo tempo.
- Nada.
- Hum, estou de olho em vocês.
Levantei e olhei o relógio.
- Posso ir? Já que vou viajar tenho umas coisas a resolver.
- Vá e volte com mais um serviço exemplar, não quero saber de surpresas dessa vez.
- Não terá, eu garanto.
Surpresa era a p***a da minha mente estar totalmente voltada para um assunto que eu não devia.
Fazia uma semana desde aquele encontro inusitado com aquela garota e desde então eu só fiz coisas absurdas. Primeiro coloquei uma fortuna na conta dela e não satisfeito mandei minha secretaria comprar várias coisas de comer e mandar entregar na casa dela. Eu não a conhecia o suficiente e vai que a maluca gastasse o dinheiro com roupas e drogas e deixasse a criança com fome, isso se existisse uma criança mesmo. Elas recorriam a todas as artimanhas para conseguir dinheiro, embora eu achasse que a tal Melissa não tinha cara de mentirosa, parecia mais uma garota sofrida e sozinha.
- Bom Ronivon Aguiar, já fez sua cota de caridade, que tal um boa trepada antes de enfrentar essa viagem?
Naquela noite eu não estava com saco para o bar do Hugo, eu queria algo mais emocionante. Era hora de recorrer a minha lista de contatos de emergência.
Procurei com atenção e disquei.
- Priscila! quando tempo linda, vamos sair hoje?
A resposta foi seca e fria.
- Quem está falando?
Puta merda, ela tinha apagado meu contato.
- Sou eu Rony delicia, esqueceu de mim?
- Sinto muito, meu marido está me esperando no carro, tchau.
E desligou.
Olhei o celular como se ele queimasse na minha mão. Marido? Ela tinha casado? Bom, vamos pra outra.
- Oi Michele, tudo bem?
- Rony! Quanto tempo!
Pelo menos aquela lembrava de mim.
- E ai linda, quer sair hoje?
Ela sorriu manhosa.
- Estou namorando amor, mas eu a Paty gostamos de uma pessoas a mais pra apimentar, quer vim?
Duas eram bom, mas eu não estava no clima.
- Não. Hoje não, deixa pra outro dia.
- Tchau querido, beijos.
Disquei outro número.
- Marisa, diga ai gata, já casou?
- Ai Rony... você ligou numa péssima hora, eu estou em trabalho de parto!
Arregalei os olhos.
- Como assim, parto? Nem sabia que você estava grávida.
- Eu casei com o Marcos Rony, você até foi no nosso casamento.
Desgraça.
- Esqueci, boa sorte no parto, beijos.
Joguei o celular em cima da minha mesa. Tinha que ser no bar do Hugo mesmo.
Arrumei alguns papeis e estava fechando o notbook quando meu celular tocou.
Sorri animado. Seria minha salvação?
O Número na tela era desconhecido.
- Alô.
A pessoa ficou em silêncio.
- Quem está falando?
- Rony...?
Franzi a testa.
- Sim, sou eu.
- Aqui é Mellissa.