- Como é que é? O homem te deu 5 mil reais???
Virei a tela do meu celular e mostrei o saldo da minha conta para a Paloma.
- Ai está, esse valor mesmo.
- Que d***o você fez? Deu quantas vezes para esse homem?
Fechei a tela do celular.
- Ai que está, não fizemos nada.
Paloma arregalou os olhos.
- Como assim, não fizeram nada? Não entendi.
- Não fizemos nada. Ele não quis t*****r comigo.
Paloma começou a andar pela sala.
- Não estou entendendo nada.
Encolhi os ombros.
- Eu também não, mas ele me deu essa dinheirama toda e disse que se sonhar que eu pisei lá de novo ele vai me caçar e vai pegar o dinheiro dele de volta.
Paloma sentou ao meu lado.
- Ele se apaixonou por você.
Soltei uma gargalhada alta e cai no sofá.
- Se apaixonou o que sua doida, eu nunca vi aquele homem antes.
- Então por que ele fez essa pataquada toda?
- Sei lá, ele disse que a empresa dele reduz imposto de renda quando ele faz caridade.
- Porr@! Por que ninguém faz uma caridade dessas comigo.
Levantei feliz da vida.
- Eu não sei, eu só dei que agora eu tenho dinheiro para pagar minhas despesas até eu procurar correndo um emprego.
Paloma começou a pular de alegria.
- Vamos comparar um monte de coisas gostosas? Vamos amiga, vamos...
Tratei de apagar logo o fogo dela.
- Não. Esse dinheiro é para coisas urgentes e não para comprar besteira.
- Mel...
A campainha tocou e nós nos olhamos confusas. Quase ninguém aparecia ali naquele apartamento.
- Está esperando alguém?
- Não. E você.
- Também não.
Fui abrir a porta com medo de ser alguém para fazer cobrança. Será que eu estava devendo alguma coisa e mão lembrava?
Um garoto de entrega com a marca de um supermercado famoso na cidade nos aguardava e aos seus pés estava um monte de sacolas.
- É aqui que mora Melissa?
Franzi a testa.
- Sim, sou eu, mas eu não comprei nada nesses supermercado não.
O garoto sorriu e apanhou as sacolas fazendo menção de entrar.
- Eu sei, mandaram entrega pra você e disseram que eu não posso levar de volta senão estou morto.
Afastei para o lado e ele depositou as sacolas no meio da sala.
Ofegante ele tirou um papel do bolso e me entregou.
- Ele mandou entregar.
Peguei o papel confusa e a Paloma fechou a porta quando o entregador saiu.
Abri o bilhete que tinha uma pequena frase e eu li alto para uma Paloma se coçando de curiosidade.
- Para o caso de você usar o dinheiro para outra coisa e deixar a criança com fome. Tentei comprar de tudo um pouco e espero que gostem. Assinado Rony A.
Paloma caiu no sofá com a mão no coração.
- Ai que lindo! Eu quero um homem desses!
Coloquei o papel no bolso e abri as sacolas. Tinha arroz, feijão, biscoitos, leite, café, um monte de salgadinhos, iogurte, sucos de caixa e mais um monte de coisas, inclusive carne, frango e ovos.
Meus olhos se encheram de lágrimas ao pensar que ali tinha coisas que meu filho nunca tinha comido. Porque ele tinha feito aquilo? Já não bastava o dinheiro? Por que aquele homem resolveu me ajudar daquele jeito?
Sentei no chão ao lado das sacolas e eu não sabia se ria ou chorava de felicidade. Eu precisava agradecer a ele, mas só agora lembrei que eu não tinha o número dele.
- Eu preciso falar com ele.
Paloma sentou ao meu lado.
- Claro que vai falar, você vai grudar nesse homem Melissa.
- Para Paloma, não é nada disso, por favor pede o número dele para o Hugo.
-Só se for agora.