Capítulo 06 – Melissa

636 Palavras
- Como é que é? O homem te deu 5 mil reais??? Virei a tela do meu celular e mostrei o saldo da minha conta para a Paloma. - Ai está, esse valor mesmo. - Que d***o você fez? Deu quantas vezes para esse homem? Fechei a tela do celular. - Ai que está, não fizemos nada. Paloma arregalou os olhos. - Como assim, não fizeram nada? Não entendi. - Não fizemos nada. Ele não quis t*****r comigo. Paloma começou a andar pela sala. - Não estou entendendo nada. Encolhi os ombros. - Eu também não, mas ele me deu essa dinheirama toda e disse que se sonhar que eu pisei lá de novo ele vai me caçar e vai pegar o dinheiro dele de volta. Paloma sentou ao meu lado. - Ele se apaixonou por você. Soltei uma gargalhada alta e cai no sofá. - Se apaixonou o que sua doida, eu nunca vi aquele homem antes. - Então por que ele fez essa pataquada toda? - Sei lá, ele disse que a empresa dele reduz imposto de renda quando ele faz caridade. - Porr@! Por que ninguém faz uma caridade dessas comigo. Levantei feliz da vida. - Eu não sei, eu só dei que agora eu tenho dinheiro para pagar minhas despesas até eu procurar correndo um emprego. Paloma começou a pular de alegria. - Vamos comparar um monte de coisas gostosas? Vamos amiga, vamos... Tratei de apagar logo o fogo dela. - Não. Esse dinheiro é para coisas urgentes e não para comprar besteira. - Mel... A campainha tocou e nós nos olhamos confusas. Quase ninguém aparecia ali naquele apartamento. - Está esperando alguém? - Não. E você. - Também não. Fui abrir a porta com medo de ser alguém para fazer cobrança. Será que eu estava devendo alguma coisa e mão lembrava? Um garoto de entrega com a marca de um supermercado famoso na cidade nos aguardava e aos seus pés estava um monte de sacolas. - É aqui que mora Melissa? Franzi a testa. - Sim, sou eu, mas eu não comprei nada nesses supermercado não. O garoto sorriu e apanhou as sacolas fazendo menção de entrar. - Eu sei, mandaram entrega pra você e disseram que eu não posso levar de volta senão estou morto. Afastei para o lado e ele depositou as sacolas no meio da sala. Ofegante ele tirou um papel do bolso e me entregou. - Ele mandou entregar. Peguei o papel confusa e a Paloma fechou a porta quando o entregador saiu. Abri o bilhete que tinha uma pequena frase e eu li alto para uma Paloma se coçando de curiosidade. - Para o caso de você usar o dinheiro para outra coisa e deixar a criança com fome. Tentei comprar de tudo um pouco e espero que gostem. Assinado Rony A. Paloma caiu no sofá com a mão no coração. - Ai que lindo! Eu quero um homem desses! Coloquei o papel no bolso e abri as sacolas. Tinha arroz, feijão, biscoitos, leite, café, um monte de salgadinhos, iogurte, sucos de caixa e mais um monte de coisas, inclusive carne, frango e ovos. Meus olhos se encheram de lágrimas ao pensar que ali tinha coisas que meu filho nunca tinha comido. Porque ele tinha feito aquilo? Já não bastava o dinheiro? Por que aquele homem resolveu me ajudar daquele jeito? Sentei no chão ao lado das sacolas e eu não sabia se ria ou chorava de felicidade. Eu precisava agradecer a ele, mas só agora lembrei que eu não tinha o número dele. - Eu preciso falar com ele. Paloma sentou ao meu lado. - Claro que vai falar, você vai grudar nesse homem Melissa. - Para Paloma, não é nada disso, por favor pede o número dele para o Hugo. -Só se for agora.
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