Pronto, eu disse tudo. Agora aquele cara estranho e intrometido sabia o real motivo de eu estar ali naquele quarto.
Ele ficou um segundo em silencio e depois tossiu meio constrangido. Parecia sem saber o que falar.
- Ou você acha que eu acordei e estalei as dedos: Plin, vou virar put@ hoje!
Ele enfim me encarou. Era um homem diferente. Não se podia dizer que era bonito e nem muito menos feio. Era diferente. Alto demais, musculoso demais, tatuado demais. Tudo nele parecia exageradamente grande, inclusive aquilo... No fundo eu agradecia a Deus por ter sido ele o escolhido para teoricamente ser meu primeiro homem naquela maluquice. Se tivesse mesmo que t*****r com ele talvez não fosse tão r**m. Ele era cheiroso, as mão grandes e macias e o corpo era quentinho. Não seria tão nojento, mas e os outros? E aquilo que ele tinha falado? Meu Deus! e agora?
- Não precisa baixar o nível também, put@ é uma palavra muito forte.
- E não é? Não é que vocês falam? Vou ali pegar uma put@?
- Não, nem sempre. As vezes dizemos: vou pegar uma garota sem precisar de muito esforço e nem sentimento envolvido.
Observei ele ajeitando a roupa e vestindo de novo a camisa. Ele não ia querer t*****r mesmo?
- Você... não vai querer...?
Ele me olhou cínico e riu balançando a cabeça.
-Vê-se que você não entende nada disso mesmo, acha que eu tenho disposição pra te comer depois de tudo que passamos agora?
Encolhi os ombros.
- Sei lá, você pagou né.
Ele se aproximou e sentou ao meu lado na cama.
- Mesmo pagando não somos uma máquina não menina, precisa de clima, envolvimento, t***o.
Ele tinha razão.
- Não sei onde eu estava com a cabeça achando que um homem ia sentir t***o por mim, eu não tenho jeito pra isso não.
Ele franziu a testa.
- Calma ai, porque um homem não pode senti t***o por você?
Eu ri balançando a perna.
- Você me viu direito? Viu meu corpo? Eu nem s***s tenho direito! Ondei eu achei que dava pra ganhar a vida vendendo meu corpo?
- Seu corpo é lindo Melissa, deixa de se colocar pra baixo.
- Lindo? Ta. Obrigada por tentar me animar.
- Se você fosse mais velha, eu trepava com você, mas não quero me sentir abusando de uma adolescente.
Olhei pra ele.
- Não sou adolescente e você não é velho.
Ele soltou uma gargalhada. Era uma risada linda.
- Sou menina, eu tenho 40 anos.
Tudo isso? Não parecia.
- É, é um pouco velho.
Ele olhou para o chão e pigarreou.
- Quantos anos tem a criança?
- Três.
- E o pai?
Em não falava daquele assunto com a Paloma. Imagine com um estranho.
- Morreu.
- Ah
- E eu estou sem dinheiro e sem perspectiva de emprego. Pensei que aqui em ganharia um pouco até conseguir algo melhor.
Ele virou a cabeça e me olhou sério.
- Isso é um caminho sem volta Melissa.
Eu bem sabia disso. Eu via a Paloma se matando aos poucos para poder aguentar aquilo.
- Eu não tenho saída no momento.
- Sempre há uma saída.
- Eu já procurei todas. Meu filho está prestes a passar fome, você queira que eu fizesse o quê?
Ele pegou o celular.
- Fala ai sua conta, eu vou te emprestar um dinheiro....
Segurei na mão dele.
- Não! pare, eu não tenho como pagar.
Ele puxou o braço e continuou digitando.
- Vai deixar seu filho passar fome?
- Eu vou continuar aqui, eu vou trabalhar e ganhar meu próprio dinheiro.
Ele me olhou de forma acusadora.
- Como, trepando com esses caras nojentos que te falei? Como você acha que vai chegar em casa pela manhã depois de ter sido fodida por uns dez homens? Acorda menina!
Meus olhos estavam úmidos e meu coração apertado pela forma dura como ele falava comigo.
- Pode chorar mesmo, minha intenção é justamente essa: te fazer ver a loucura que você está fazendo.
Bati no braço dele com a mão fechada, dando diversos socos e ele nem sequer se mexeu do lugar.
- Chega de fazer tortura comigo, saia daqui! Me deixe sozinha!
- O número da conta, por favor!
- Não quero seu dinheiro!
- Quer sim, ou fala ou eu mando levar a comida na sua casa, eu tenho como descobrir onde você mora.
Eu não queria aquele homem louco na minha porta.
- Anota ai, que merda!
Ele digitou em silencio e virou o celular pra mim.
- Está certo?
Pisquei tentando confirmar o valor que estava na tela.
- Você ficou maluco? Eu não quero esse dinheiro!
- Está certo seu nome?
- Está mas...
Ele confirmou a operação e eu tive a certeza que tinha entrado 5 mil reais na minha conta. Aquele homem era maluco.
Ele guardou o celular e levantou.
- Se eu souber que você voltou aqui, eu vou te caçar e você vai me devolver cada centavo desse dinheiro, entendeu?
- É muito dinheiro, eu não tenho como pagar.
- Eu te dei o dinheiro Melissa,. Não precisa pagar nada. Minha empresa é obrigada a fazer caridade para reduzir o imposto de renda. Você sacrificou umas ou duas famílias, mas uma criança vai ficar de barriga cheia por uns dias, é o que importa.
Ele se dirigiu á porta.
- Já passamos do horário faz tempo, preciso ir.
Levantei e me aproximei dele apreensiva.
- O que eu digo? Que a gente não fez nada?
Ele riu.
- Diga o que quiser, eu não me importo.
- Eles vão dizer que você brochou.
Ele se aproximou e segurou meu queixo com força.
- Ele sabem que Ronivon Aguiar não brocha meu amor, pena que você não pôde tirar a prova. Tchau.
Ele bateu a porta e me deixou ali no meio do quarto de boca aberta.