Capítulo 03 – Melissa

1031 Palavras
Estava na cara que aquilo não ia dar certo. Me olhei no espelho do pequeno quarto que eu ocupava no minúsculo apartamento que eu dividia com a Paloma e me odiei pelo que eu estava fazendo. Eu estava me arrumando como se fosse para um trabalho qualquer, quando na verdade eu estava prestes a vender meu corpo para adquirir dinheiro. Pensei um milhão de vezes e por fim decidi ariscar. Seria por pouco tempo, só até eu conseguir alguma coisa, nem que fosse para lavar banheiro em alguma casa de rico. O importante era não faltar comida no prato do meu filho. O importante era ele não ter a infância que eu tive e correr o risco de ir dormir chorando apertando a barriga com um travesseiro para aguentar a fome, isso enquanto eu tive um travesseiro para abraçar, por qte em um determinado momento nem aquilo eu tive o direito de ter. Empurrei aquelas memórias para longe, não era hora de lembrar dos piores anos da minha vida, pior até mais do que foi quando fui jogada grávida no olho da rua e tive que pedir abrigo em um abrigo público para menores sem família. Naquele momento foi a Paloma que me salvou e me levou para morar com ela, quando o abrigo me intimou e disse que eu podia ficar lá só até a criança nascer e depois eu teria que sair. Ela me apresentou a uma amiga que fazia quentinhas para revender e eu fui contratada para fazer as entregas. Tudo correu bem por dois anos, mas as vendas foram caindo e ela resolveu encerrar o negócio. Eu complementava a renda com algumas faxinas e serviço de manicure, mas tudo aquilo só me rendia trocados que m*l dava para pagar a creche do Rian e a nossa comida. O resto eu escolhia entre o urgente e o qeue podia ir empurrando para frente. Roupas era uma dessas coisas que eu evitava comprar, pelo menos pra mim, por que meu filho tinha tudo que eu podia comprar. Agora eu me olhava no espelho, vestida com a única calça jeans decente que eu tinha comprado no cartão da Paloma e uma camiseta justa e aperta que mostrava propositalmente meus s***s, na tentativa de fazê-los parecer maiores do que eram. Que homem em sã consciência ia pagar 500 reais para t*****r comigo? uma garota de 19 anos, magricela, quase anêmica, negr@ e não mito bonita. Não muito, porque eu tinha duas coisas que me salvava, da derrocada total: meus olhos e meus cabelos. Meus olhos eram grandes e tinham um tom meio esverdeado e meus cabelos eram longos e cheios de cachinho uniformes que mais parecia um cabelo de boneca. Quando tudo aconteceu cheguei a pensar em raspar minha cabeça só para esquecer as palavras que eu era obrigada a ouvir enquanto aquele mostro apertava meu cabelo e tapava minha boca enquanto abusava do meu corpo. E agora novamente eu estava prestes a me entregar a um homem que eu não queria, prestes a me prostituir novamente, só que agora com meu consentimento. - Mel, está pronta? Voltei à realidade com a voz da Paloma do outro lado na porta. Respirei fundo e peguei a bolsa. Ela me esperava na sala vestida com uma calça preta brilhante e um top branco que mostrava metade da barriga. Uma barriga chapada das horas de academia que ela fazia. Ela me olhou de alto a baixo e apertou os lábios. - Se não tem jeito de ficar melhor, então vamos. - Estou ótima. Ela sorriu. - Ótima é um pouco demais, vamos rezar para que algum cara se aventure a te inaugurar. - Credo, que palavra horrível! Ela abriu a porta. - Inaugurar mesmo não é Melissa, faz quando tempo que você não transa? - Eu não quero falar disso. O elevador fazia um barulho estranho e eu olhava assustada esperando o baque. - Meu Deus esse elevador parece que vai cair uma hora dessas. Paloma riu. - E vai? É por isso que eu prefiro as escadas. Enfim chegamos no térreo sãs e salvas. - Sua tia vai cuidar bem do Rian, não vai? Ela chamava um uber pelo celular. - Vai, minha tia adora crianças. - É a primeira vez que ele dorme sem mim, desde que nasceu. - Então se prepare por que seu trabalho agora é noturno meu bem. Meu estomago revirou e em engoli a ânsia de vômito. - Vamos logo. O bar do Hugo era perto e meia hora depois descemos do taxi e entramos pelos fundos. A Paloma já tinha avisado e ele nos esperava no quarto que ela alugava para receber os cliente. - Oi Paloma, a garota veio mesmo hein? Os dois se agarraram e se beijaram bem na minha frente. Que merda era aquela? Ele eram namorados? Como assim? A Paloma fazia programas. Eles me olharam rindo da minha cara de espanto. - Relaxa amiga, a gente só se curte um pouquinho sem precisar pagar. Nossa! Como ele aguentava ver a namorada transando com vários homens por dinheiro? Mas aquilo não era da minha conta. Tossi e olhei em volta. -Eu... vou ter um quarto? Paloma chegou perto de mim. - Hoje eu estou de folga, vou para o quarto do Hugo e você fica aqui, vamos ver como será sua noite. Meu coração parecia sair pela boca. - Como... eu vou.. saber que um homem quer ficar comigo? Hugo sorriu. - Facilitei seu trabalho hoje. Um amigo me ligou e me pediu uma garota especial e eu falei de você. Paloma o encarou curiosa. - Que amigo? Eu conheço? - Sim, vou dar o melhor pra inaugurar sua amiga. Ronivon Aguiar está lá fora só aguardando. Paloma assoviou. - Rony gostosão? Que sorte hein garota? Ele esnoba todo mundo aqui, nunca nem olhou pra minha cara. - O que tem ele? é feio? É velho? Hugo soltou uma gargalhada. - O Rony? Feio? Não. Velho? Depende do seu conceito. Peguei a bolsa novamente. - Acho que vou desisti. Paloma empurrou o Hugo para a porta. - Vai e enrola o homem, me dar meia hora pra preparar a mocinha aqui eu te aviso.
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