Precisa disso pra ficar bem

659 Palavras
Saul: O dia tá acabando olho pro carro, que já tá ganhando jeito de carro foi um trampo dos infernos montar um carro zero do nada é mais difícil que lidar com os velhos o chefe, de duas em duas horas, manda mensagem querendo saber se tá tudo no prazo seja lá o que vão fazer com esse carro, é importante. Mauro e Sofia tão trabalhando no outro motor um reserva, caso algo dê errado. Quem quer esse carro pra fuga deve tá fugindo do próprio inferno, só pode. Marcos me interrompe. —Marcos: Cara, não chegou a carta. Olho pra ele todo dia ele esperando essa bendita carta, só fala disso já tô com a cara cheia... — Deve ter atrasado. digo, dando de ombros, apagando o cigarro com o pé. —Marcos: Será? ele pergunta, meio perdido. — Vou tomar banho e já tô lá.. não me incomoda. falo, já me afastando vou pra cabine de controle, olho as câmeras minha Pérola tá desenhando tá tão linda... Pego uma roupa qualquer e a toalha, sigo pro banheiro a água aqui é gelada, perfeita pra aliviar o corpo do calor do dia o sol castiga, e as manchas de graxa nas mãos custam a sair minhas mãos ásperas... não gosto disso se eu tocar a Priscila, posso machucá-la, sei lá a pele dela é tão macia, tão delicada. Termino o banho, me sentindo renovado me seco, coloco a roupa, ajeito o cabelo ainda pingando tá calor, melhor assim saio do banheiro, e o Marcos já tá na fila pra se banhar, com aquela cara de cachorro sem dono. — Essa cara tá de doer, hein. digo, rindo. —Marcos: Me erra.. ele retruca, sem ânimo. Passo por uma mesa, pego um chiclete pra enganar o estômago lembro que nem comi hoje que se dane caminho até o quarto dela, afastado, no fundo da propriedade, passando por pneus velhos e um galpão sujo, cheio de descartes parece nada, mas é tudo. Chego, olho pros lados nada de errado abro a porta, destrancando a fechadura entro, e ela me olha, sem se assustar hoje, ela tá calma. —Priscila: Demorou diz ela, a voz leve sorrio de leve hoje ela tá linda, doce. — Desculpa tá desenhando? pergunto, me aproximando sento do lado dela, apoiando as mãos na mesinha olho pra ela e pro desenho. —Priscila: Me lembrei de um lugar. Quis desenhar. — Tá bem que lugar é esse?. pergunto, olhando não reconheço nada parece um lugar com livros, estantes. —Priscila:Não sei acho que alguém me levava, mas não lembro.. ela diz, os olhos distantes. — Não tem pressa pra lembrar hoje tu tá bem falo, tentando soar leve. —Priscila: Aham...queria sair pro pátio já saí pro pátio?. ela pergunta, me pegando desprevenido olho pra ela, sério antes que eu responda, ela continua. —Priscila:Tentei abrir a porta, e não deu eu sempre fico trancada aqui? — É pelo teu bem. digo, a voz pesando. —Priscila: Tem mais gente como eu aqui?. ela insiste, os olhos grandes, redondos, sem piscar a pele pálida pela falta de sol me encara, e eu me sinto um maldito por mentir. — Tu ainda não pode sair, mas já tá quase pronta. falo, me levantando, olhando pra ela por um tempo ela espera algo mais, mas eu sou covarde... — Daqui a pouco a comida chega tá com fome? —Priscila: Não. ela responde, seca. — Tá certo digo, me virando devagar. —Priscila: Espera.. ela chama, levantando a mão olho pra trás. —Priscila:Pode dizer pra minha mãe que eu quero vê-la? Fico parado por milésimos de segundos. Respiro fundo, só mexo a cabeça concordando ela não lembra hoje que a mãe morreu eu podia falar, mas ela entraria em crise, e não precisa disso saio, me sentindo um lixo, impotente ver ela viver numa realidade paralela dói, mas se ela precisa disso pra ficar bem, eu dou.
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