Batom da minha detenta..

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Marcos: Acordei com a sirene tocando pesas chegando hoje tem um trabalho daquele geito eu to animado hoje chega carta da minha detenta eu chamo ela sim deve de ficar bolada as cartas ela da pra ver que e brava to doido pra saida dela saio caminhando vendo saul asoviando ta feliz estranho iso -Saul: ate que enfim olha a hora se a sirene nao apita tu dorme ate a noite Olho pra ele debochado pegando a termica de cafe de sima de um tijolo o copo ta suspeito mais porco limpo nao ingorda ja dicia o velho -Saul: toma iso e vai la separar as feramentas ja tem que estar as rodas pra levar -Sim chefe Falo e ele me olha cuase me batendo vou indo a fome ja ta apertada mais cé eu não trampo..Saul não para ele nem lembra da fome já eu eu nao vivo sem comer entro vendo umas pesa que tem aqui pego as enquanto eu fico ali, segurando o papel amassado com os rabiscos do tal carro, o ronco do caminhão fica mais alto, e agora dá pra ver a poeira subindo como se fosse um tornado o bicho estaciona bem no meio da sucata, derrubando uma pilha de lataria velha que tava m*l equilibrada o motorista desce, com cara de quem tá pouco se lixando pro caos, e começa a abrir a traseira do caminhão Saul tá com as mãos na cintura, olhando pro caminhão como se tivesse vendo um OVNI. -Saul: Marcos, vem cá, rapaz! Olha o tamanho dessa encomenda! Tô achando que o chefe perdeu o juízo de vez como é que a gente vai montar um carro do zero com esse monte de traste? Eu largo o carrinho de mão, que já tá torto de tanto peso, e vou até lá, meio curioso, meio desconfiado o caminhão tá carregado de peças tem chassi, motor, umas rodas que parecem novas demais pra esse lugar, e um monte de caixote que deve ter parafusos, chapas e sei lá mais o quê tudo cheira a graxa e metal quente... Fico pensando se o carro é só um ou se eles estão querendo fazer uma frota de carros pra que tanto? Olho o papel com os rascunhos e confirmo sim, é só um carro que eles querem montar. Penso na minha detenta de novo, imaginando ela me vendo no meio dessa bagunça, montando um carro como se eu fosse o Tony Stark da sucata dou uma risada sozinho, e Saul me fuzila com o olhar. -Calma, chefe, se o cliente mandou isso tudo, é porque acha que a gente dá conta o então é rico demais e não sabe onde enfiar o dinheiro deixa eu ver esse motor aí, vai que é uma nave! Saul resmunga, mas me ajuda a descarregar uma peça que parece o coração do carro um motor grandão, meio enferrujado, mas que dá pra sentir o peso da potência enquanto a gente arrasta o troço pro canto da sucata, eu fico pensando na dúvida que tá martelando na cabeça do Saul montar um carro do zero? Aqui, no meio de pneu furado, lataria amassada e ferramentas que parecem que vieram da Idade da Pedra? É o tipo de trampo que ou te deixa rico, ou te deixa louco. -Saul: Marcos, tu já mexeu com carro assim? Porque eu já consertei caminhonete, fiz gambiarra em fusca, mas carro do zero? Isso é coisa de engenheiro, e a gente é só peão de sucata. Eu paro, enxugo o suor com a camisa que já tá mais preta que o café da térmica, e dou um sorriso torto. -Saul, meu velho, se o cliente tá pagando, a gente aprende na marra pensa assim se der certo, a gente vira lenda se der errado, a culpa é do chefe, não nossa e, olha, se esse carro ficar bonito, eu vou querer dar uma volta com minha detenta quando ela sair. Ela merece um rolê de respeito Saul solta uma risada que parece um latido, balançando a cabeça como se eu fosse um caso perdido mas ele tá animado, dá pra ver ele pega uma chave de f***a enferrujada e começa a fuçar num dos caixotes, enquanto o motorista do caminhão, que tá fumando o segundo cigarro, grita. -Motorista: Ó, seus maluco, assina aqui que eu quero vazar antes que esse sol me torre! Assino o papel sem nem ler, porque, né, quem tem tempo pra isso? O sol tá castigando, a sucata tá um forno, e as peças tão espalhadas como se um tornado tivesse passado mas, no fundo, eu tô animado esse trampo é diferente é grande. É tipo um desafio que ninguém aqui pediu, mas que agora a gente tem que encarar penso na carta da minha detenta, que deve tá chegando hoje, e no que ela ia achar disso tudo provavelmente ia me chamar de louco, mas com aquele jeito dela que mistura bronca com orgulho. -Saul, bora organizar esse bagulho? Se é pra fazer carro do zero, pelo menos vamos fingir que sabe o que tá fazendo primeiro, separa esse motor depois, a gente vê o que faz com esse chassi torto aí. -Saul: Torto é tu, Marcos! Mas vambora se é pra afundar, que afunde com estilo. A gente começa a mexer nas peças, com o barulho do metal batendo e a poeira subindo a dúvida ainda tá ali, pairando como uma nuvem, mas agora tem um fogo novo no peito esse carro vai sair, nem que seja na base da gambiarra e da teimosia e se der certo, eu já sei vou pintar ele de vermelho, igual o batom da minha detenta..
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