Capítulo 10

1595 Palavras
César chegou em casa por volta das nove horas da noite, exausto após um longo dia de trabalho. Ao abrir a porta, ouviu o som familiar do videogame vindo da sala. Caminhou silenciosamente pelo corredor e parou à porta, observando seu filho, Gabriel, sentado no sofá com os fones de ouvido, totalmente imerso no jogo. Gabriel, percebendo a presença do pai, virou-se rapidamente e começou a tirar os fones, com uma expressão de preocupação no rosto. — Pai, eu... eu estava só jogando um pouco... — começou Gabriel, já se preparando para desligar o controle e César levantou a mão, interrompendo o filho. — Pode continuar jogando até às dez, se quiser, Gabriel — disse César, com um sorriso cansado. — Só não se esqueça de dormir cedo. Gabriel, surpreso e aliviado, sorriu de volta. — Sério, pai? Obrigado! Eu prometo que vou desligar às dez — respondeu Gabriel, voltando a se concentrar no jogo. César caminhou até a cozinha, deixando Gabriel continuar. Enquanto preparava um jantar simples, seus pensamentos se voltaram para Aly. Ele se preocupava com ela e se perguntava se ela estava se sentindo melhor após o dia difícil. Após aquecer a comida, César sentou-se à mesa, ainda perdido em seus pensamentos. — Pai, você está bem? — perguntou Gabriel, surgindo na porta da cozinha. César olhou para o filho e sorriu. — Estou bem, filho. Só um pouco cansado. E você, como foi o seu dia? — perguntou César, enquanto começava a comer. — Foi legal. A escola foi tranquila e depois fiz meus deveres antes de começar a jogar — respondeu Gabriel, sentando-se à mesa com uma maçã na mão. César assentiu, contente por ouvir que Gabriel estava se mantendo responsável com seus estudos. — Fico feliz em saber disso. E sobre o jogo, está ganhando? — perguntou César, tentando desviar seus pensamentos de Aly. — Sim,! Estou quase terminando essa fase. É bem desafiador — disse Gabriel, animado. César sorriu, apreciando o entusiasmo do filho. — Bom saber. Só não fique acordado até muito tarde, ok? — lembrou César. — Pode deixar, pai. Vou desligar às dez, como prometi — garantiu Gabriel. Depois de terminar o jantar, César foi tomar um banho para relaxar. Enquanto a água quente caía sobre ele, seus pensamentos voltaram para Aly. Ele se perguntou se deveria ligar para ela, mas decidiu que seria melhor não incomodá-la. Terminado o banho, ele se sentiu um pouco mais relaxado. Ao descer novamente para a sala, viu que Gabriel já havia desligado o videogame e estava arrumando suas coisas. — Boa noite, pai. Vou subir agora — disse Gabriel, caminhando em direção às escadas. — Boa noite, Gabriel. Durma bem — respondeu César, dando um leve abraço no filho. César subiu para seu quarto e deitou-se na cama, ainda pensando em Aly. Pegou o celular e digitou uma mensagem rápida. "Oi, Aly. Espero que esteja se sentindo melhor. Se precisar de qualquer coisa, estou aqui. Boa noite." Ele hesitou por um momento antes de enviar a mensagem, mas finalmente apertou o botão de enviar e colocou o celular de lado. Enquanto olhava para o teto, sentiu uma mistura de preocupação e esperança. Eventualmente, o cansaço do dia tomou conta e ele adormeceu, com pensamentos em Aly l ainda flutuando em sua mente. (...) No dia seguinte César acordou na manhã seguinte com o som de seu alarme. Ainda sonolento, pegou o celular para verificar se havia recebido alguma resposta de Aly, mas a tela mostrava apenas a mensagem enviada na noite anterior. Ele se levantou, preocupado, mas decidiu que iria esperar um pouco mais antes de tentar contato novamente. Descendo para a cozinha, encontrou Gabriel já acordado, sentado à mesa comendo cereal. — Bom dia, pai! — disse Gabriel, animado. — Bom dia, filho. Dormiu bem? — perguntou César, servindo-se de uma xícara de café. — Sim, dormi muito bem. E o senhor? — perguntou Gabriel, com a boca cheia de cereal. — Também. Só um pouco cansado ainda — respondeu César, sentando-se à mesa. Eles conversaram sobre os planos para o dia enquanto tomavam café da manhã. César, no entanto, não conseguia tirar Aly da cabeça. Depois de garantir que Gabriel estava pronto para a escola, pegou suas coisas e se preparou para sair. — Se cuida na escola, filho. E me liga se precisar de alguma coisa — disse César, dando um abraço em Gabriel antes de sair. — Pode deixar, pai. Até mais tarde! — respondeu Gabriel, pegando sua mochila, quando o filho saiu césar pegou suas coisas e também saiu de casa para a empresa, e no caminho ele parou em uma lanchonete para comprar um croissant de chocolate e um suco de laranja natural para Aly. Chegando à empresa, foi direto para sua sala e mandou uma mensagem pedindo para que Aly fosse vê-lo quando tivesse um momento livre. Poucos minutos depois, Aly entrou na sala, parecendo surpresa e um pouco hesitante. — Bom dia, senhor César. Você queria falar comigo? — perguntou ela, com um leve sorriso. — Sim, Aly. Queria te entregar isso. Pensei que poderia te animar um pouco — disse César, entregando-lhe o croissant e o suco. — Nossa, muito obrigada, senhor César. Isso é muito gentil da sua parte — respondeu Aly, sorrindo mais amplamente. Eles conversaram por alguns minutos, César perguntando como ela estava se sentindo e se precisava de alguma coisa. Aly agradeceu a preocupação, mas assegurou que estava se sentindo melhor. — Bem, se precisar de qualquer coisa, não hesite em me procurar, ok? — disse César, enquanto Aly se preparava para sair. — Tá bom, pode deixar.— Ela agradeceu mais uma vez e quando Aly se levantou para sair da sala, sua visão ficou turva e ela começou a se sentir tonta. Antes que pudesse reagir, desmaiou, caindo nos braços de César, que a segurou rapidamente. — Aly! — gritou César, preocupado. Ele a deitou cuidadosamente no chão e pediu ajuda. Juliana, que estava passando pelo corredor, ouviu os gritos e correu para a sala. — O que aconteceu? — perguntou Juliana, ofegante. — Ela desmaiou de repente. Chame uma ambulância, rápido! — disse César, tentando manter a calma. Enquanto Juliana corria para chamar ajuda, César permaneceu ao lado de Aly, segurando sua mão e falando com ela na esperança de que acordasse. — Aly, vai ficar tudo bem. A ajuda está a caminho — disse ele, com voz suave e muito preocupado. A ambulância chegou rapidamente e levou Aly ao hospital, com César acompanhando-a. Ele avisou Juliana e pediu para que ela cuidasse das coisas na empresa enquanto ele estava fora. No hospital, César aguardava ansiosamente por notícias enquanto os médicos examinavam Aly. Depois de algum tempo, um médico se aproximou, com uma expressão grave. — Senhor, a Aly está acordada e estável. No entanto, temos notícias difíceis. Infelizmente, ela teve um aborto espontâneo e perdeu o bebê. Vamos mantê-la sob observação por algumas horas — explicou o médico. — Não pode ser... — murmurou César, sentindo um nó na garganta. — Posso vê-la? — Claro, siga-me — disse o médico, levando-o ao quarto onde Aly estava. Ao entrar no quarto, César viu Aly deitada na cama, com lágrimas nos olhos e uma expressão de profunda tristeza. — César... — disse Aly, com uma voz fraca e quebrada. — Aly, sinto muito... — disse César, sentando-se ao lado dela e segurando sua mão. — Eu perdi meu bebê... — murmurou Aly, começando a chorar. — Eu sei, Aly. Sinto muito por isso. Estou aqui para você — respondeu César, apertando a mão dela com força.Depois de algum tempo, César falou suavemente: — Aly, sei que é um momento muito difícil, mas quero que saiba que você não está sozinha. Se você quiser, pode ficar na minha casa por alguns dias. Acho que seria bom você ter alguém por perto.— César terminou de falar e Aly olhou para ele, ainda com lágrimas nos olhos, mas sentindo uma onda de gratidão. — Obrigada, César. Eu... eu aceito. Não tenho ninguém aqui e não quero ficar sozinha agora — respondeu ela, com um leve aceno de cabeça. Quando os médicos liberaram Aly, César a levou para sua casa. Ele fez questão de garantir que ela estava confortável e tinha tudo de que precisava. Gabriel, ao ver Aly, sorriu amigavelmente e ofereceu ajuda. — Oi, Aly o meu pai falou que você vinha. . Espero que você se sinta melhor logo. Se precisar de alguma coisa, pode contar comigo também — disse Gabriel, com um sorriso. — Obrigada, Gabriel. Você é muito gentil — respondeu Aly, tocada pela atitude do garoto. Durante os dias que Aly passou na casa de César, ela se deu muito bem com Gabriel. Ele a distraía com conversas e jogos, e sua presença ajudava a aliviar um pouco da dor que ela sentia. César, por sua vez, continuava a oferecer todo o suporte possível. Ele cozinhava para Aly, assegurava que ela estava descansando e se certificava de que ela sabia que não estava sozinha. — Aly, quero que saiba que pode ficar o tempo que precisar. Você é importante para nós — disse César, numa noite, enquanto eles conversavam na sala. — Obrigada, César. Vocês têm sido incríveis. Não sei como agradecer — respondeu Aly, sentindo-se acolhida e um pouco mais forte a cada dia. A presença de César e Gabriel estava ajudando Aly a encontrar forças para seguir em frente, e ela começava a acreditar que, mesmo após tanta dor, ainda poderia haver esperança e felicidade em seu futuro.
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