CAPÍTULO 09

980 Palavras
O resto da semana passa rapidamente, e as horas na escola e pedalando por aí tornaram a convivência um pouco mais fácil, apesar daquele filho da p**a ter ficado mais irritante ainda. Hoje meu pai teve que sair para resolver algumas coisas no escritório onde trabalha, e provavelmente só vai chegar no domingo, porque parece que o serviço acumulou pra caramba. Agora, são quase três da tarde, e estou invocando todos os demônios existentes no inferno com meus xingamentos, enquanto limpo o meu banheiro com sangue nos olhos. Não sei como, mas Lucas conseguiu fazer a água respingar para fora do box de vidro e empoçar no canto do banheiro, e agora eu tenho que enxugar com o pano de chão. — Esse merdinha desgraçado. — Rosno baixinho, de joelhos no chão enquanto limpo, porque o rodo não entra nesse pequeno espaço entre o armário e a parede. — Tá falando com quem, Nanico? — A voz irritante de Lucas vem do quarto dele, seguida por batidinhas na sua porta do banheiro. — COM VOCÊ!! — exclamo, fazendo-o rir e abrir a porta do banheiro. Eu olho para cima e encontro-o vestindo só uma cueca Boxer branca, deixando em evidência todos os seus músculos e aquele negócio marcando sob o tecido. As minhas bochechas ardem de vergonha quando percebo que estou encarando de forma descarada, e ele alarga ainda mais o sorriso, tendo total ciência disso. — Pode apreciar à vontade, Baby. As vezes eu faço isso em frente ao espelho. — Lucas dá de ombros e cruza os braços, flexionando os bíceps, tríceps e todos os outros músculos terminados em "íceps". Eu solto um rosnado e levanto do chão rapidamente, porque ficar de quatro não é a melhor posição pra começar uma discussão. — Como você fez aquilo?! Não consegue fechar a boca enquanto escova os dentes?! — Aponto para o espelho que fica em cima da pia, que está repleto de pequenas manchas e respingos de creme dental. Lucas apenas dá de ombros novamente e me avalia de cima à baixo, ainda sorrindo feito um maníaco, que é exatamente o que ele é. A minha cabeça ferve de tanto ódio, e quando percebo, já estou erguendo o braço pra jogar o pano de chão sujo e molhado bem na cara desse arrombado. — Epa epa, Nanico. — Ele se esquiva facilmente do pano (que atinge a porta num baque molhado e meio gosmento), antes de praticamente pular em cima de mim com sangue nos olhos. — AAAAH!!! — Grito com toda força que tenho quando suas mãos envolvem a minha cintura e seu corpo gigante empurra o meu. Os acontecimentos seguintes se passam meio que em câmera lenta. O meu grito espantado morre pela metade quando o susto me faz engasgar com a minha própria saliva. Eu sinto os meus pés engancharem no vazo, me fazendo tropeçar de costas com um corpo de 90 quilos em cima de mim. Um pensamento assustador de que eu vou rachar a minha cabeça no canto do box de vidro e sentir o meu cérebro escorrendo pra fora me atinge em cheio, mas antes que eu possa sequer tocar o chão, Lucas me vira bruscamente pro lado, invertendo as nossas posições e ficando por baixo. O corpo imenso dele absorve todo o impacto, e eu caio estatelado em cima dele, montado no seu corpo com a minha b***a exatamente em cima da sua virilha, me fazendo sentir bem mais do que o necessário alí. — SEU DESGRAÇADO!! — Grito, batendo no seu peitoral duro com força, mas isso só o deixa ainda mais divertido com toda a situação. — FOI VOCÊ QUE COMEÇOU!!! — Suas mãos ainda estão na minha cintura, e eu estou sentindo elas passearem de forma tranquila por mim. — EU VOU TE m***r. SEU p*u NO TOBA FILHO DE UMA RAMPEIRA!!! — Tento agarrar o cabelo dele, mas o desgraçado desvia, movendo a cabeça para o lado na velocidade da luz. — OLHA LÁ O QUE VOCÊ FALA DA MINHA MÃE VIU SEU RUIVO SARDENTO!! — Ele levanta as mãos e puxa o meu cabelo com força, que é bem maior e fácil de agarrar. — AAH!!! — Dou um tapão espalmado na cara dele, fazendo-o soltar o meu cabelo e tirar a outra mão da minha cintura. Essa é a minha deixa pra sair de cima dele e correr para fora do banheiro, usando a porta aberta do meu quarto para sair no corredor cinco segundos depois. — Laura!! — chamo, seguindo pelo corredor e descendo as escadas na velocidade de um foguete (quase escorregando no processo). Encontro Laura sentada no sofá da sala, assistindo alguma novela antiga. — O que foi, querido? — Ela arregala os olhos ao ver o meu estado (todo molhado, sujo e com o cabelo assanhado). — EU VOU m***r O LUCAS!! AQUELE DESGRAÇADO TEM ME ATORMENTADO TODO SANTO DIA E FEITO DO MEU BANHEIRO UM CHIQUEIRO TOTAL!!! — Desabafo, sentindo meus olhos pinicarem de tanto ódio. Lucas surge no topo da escada, ainda vestindo só a cueca Boxer e com a marca vermelha na bochecha. — ELE TAMBÉM NÃO É UM SANTINHO, MÃE!! NÃO ACREDITA NELE!! — É VOCÊ QUEM TEM FEITO DA MINHA VIDA UM INFERNO!! — Aponto pra ele e tento controlar a vontade louca de agarrar o vaso de porcelana mais próximo e atirar na cara dele. — OLHA AQUI SEU DESG... — CHEGA VOCÊS DOIS!!! — Laura nos interrompe, zangada como nunca à vimos antes. - Estão parecendo duas criancinhas!! Nem parece que vocês tem 16 e 18 anos!!! — Mas Laura... — Mas mãe... — Nós começamos ao mesmo tempo, mas ela ergue a mão, silenciando-nos novamente. — Quando Alexandre chegar, à noite. Vamos ter uma conversa séria com vocês dois. Até lá, tentem não se matarem. — Explica ela, alternando o olhar entre nós dois.
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