Ester Narrando. A estrada parecia longa demais. Não só pela distância entre o morro e Recife, mas pelo que a gente tava deixando pra trás. Cada curva era um pedaço de vida que ficava. Cada quilômetro, um adeus silencioso. Eu olhava pela janela, com a cabeça apoiada na mão, tentando organizar o que sentia. Medo e esperança brigando dentro do peito. E, de vez em quando, eu virava o rosto pra ele. Pra DV. E só de ver ele ali, com as duas mãos firmes no volante e o olhar calmo, me dava força. Ele tava mesmo tentando. Pela primeira vez ele tava tentando viver de outro jeito. Eloá dormia no banco de trás, abraçada com aquela boneca velha que a vizinha deu antes da gente sair. Às vezes eu olhava pra ela e pensava: tomara que a gente esteja fazendo a escolha certa. Tomara que ela cresça longe d

