DV narrando. As semanas passaram, mas a ferida não fechou. Eu achava que depois da Sombra, o peso ia diminuir. Mas o silêncio dela foi trocado pelo eco dos meus próprios gritos. Por dentro, ainda era guerra. O morro respirava diferente. Tava em paz. Mas eu não. Fui voltando pra rotina aos poucos, de olho em tudo, calado com todos. Menos com ela. A Ester me olhava como quem sabia o que eu tava sentindo. E aquilo me dava um tipo de abrigo que eu não tô acostumado. Ela e a pequena me traziam um tipo de silêncio que cura. Mas nos últimos dias, eu comecei a notar as mudanças. Acordava e ela já tava no banheiro. Ficava mais tempo sentada. Reclamava de enjoo. Dizia que era o calor, que era comida. Mas eu via. Ela tá diferente. Tava se cuidando de um jeito estranho, mais protetora, mais se

