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1091 Palavras

Sombra narrando O sangue seca, mas a memória não. E a minha, é viva. Arde. Lateja. Queima. Eles me esqueceram. Riram, se beijaram, reinaram no trono que deveria ser nosso. Como se eu nunca tivesse existido. Como se a dor que deixaram não fosse real. Mas agora, agora sou eu quem escreve o fim dessa história. O Vintém não esquece. Ele sussurra pra quem sabe ouvir. E eu ouvi. Cada passo de Davi, cada suspiro da Ester. Eles acham que dominam esse morro. Mas o morro já me pertence. Eu sou a sombra que cresceu no silêncio. A voz abafada. A cicatriz viva. Lembro da infância como se fosse ontem. Eu, Davi, Ester e Tiago. Rindo, brincando, fazendo promessas na árvore velha atrás da mata. Tiago era o riso fácil, o escudo de todos nós. Ester era luz. Davi, ele era meu. Sempre foi. Mesmo quando nã

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