Ester Narrando Eu sentia o cheiro da guerra no ar. Ele era diferente do cheiro da rua, da poeira, do suor do Vintém. Era um cheiro quente, meio amargo, que grudava na pele igual promessa maldita. Desde a noite em que os tiros ecoaram no morro e eu comandei a linha de frente, minha alma não teve mais descanso. Mas eu não queria descanso. Eu queria mais. Davi tava estranho desde que recebeu aquela mensagem. Não me mostrou de cara, mas eu conheço o olhar dele. Não era só medo. Era lembrança. Algo que ele enterrou tá querendo sair da cova. Acordei com ele de pé na janela, olhando o morro como se esperasse que alguma coisa subisse das sombras. As mãos tavam fechadas, a respiração pesada. Levantei devagar, vesti uma calça larga e fui até ele. Ester: Davi, fala comigo. Ele demorou algun

