*Michael PoV*
Ainda não consigo acreditar na ousadia que tiveram. Ameaçar o McGregor por telefone? Isso só me faz acreditar que estamos muito perto. E que, talvez, nossos adversários tenham mais informações sobre nós do que pensávamos. Todo cuidado é pouco.
Durante a tarde, vou para o último andar participar de uma reunião com McGregor e outros gerentes e diretores. Odeio isso, porém sou responsável por um setor vital na empresa. Normalmente, me reporto diretamente ao CEO apenas. Contudo, tenho que fazer esse papel social pelo menos uma vez por mês. Não quero dar aos outros a impressão que tenho alguma regalia, principalmente àquele tal de Tanaka, que gerencia o setor jurídico, sob a direção do Clay.
McGregor está analisando os gráficos que a siliconada do RH trouxe com uma sobrancelha arqueada.
ㅡ Senhorita Smith, foi você quem montou essa apresentação?
ㅡ Ah... A senhorita Hills montou os slides. Não sei como isso aconteceu…
Hills… Esse nome soa familiar. Eu sempre fui péssimo com nomes de mulheres…
ㅡ Deixe-me ver se entendi bem... Solicitou à senhorita Hills que organizasse a apresentação que você deveria fazer, porém não conferiu como ela executou a tarefa antes de vir para a reunião?
Confesso que, dessa vez, é no mínimo divertido observar a Katherine se enrolar. Ela parece ficar desesperada quando McGregor manda chamar a secretária dela.
ㅡ Não é necessário, senhor McGregor. Vou despedi-la pessoalmente quando...
Será que ela apenas jogou a culpa do seu erro para cima da secretária e agora está com medo de ser pega na mentira?
ㅡ Senhorita Smith, sou responsável pela admissão da senhorita Hills. Se for o caso de sua demissão, serei eu a comunicá-la.
Katherine infla o peito como um pombo e sorri. Estou com pena dessa pobre garota. Em poucos minutos, ela chega correndo pela porta e acaba tropeçando no carpete. Como sou o mais próximo, me precipito em lhe segurar. Seria vergonhoso demais deixá-la se esborrachar, sabendo que, provavelmente, ela irá tomar um esporro. Ela olha para mim e vejo que é a ruiva sardenta com quem fui grosseiro dias atrás.
Ah! Por isso o nome não me era estranho!
Ao me reconhecer, ela fecha a cara e se afasta de mim, ajeitando seu blazer.
ㅡ Perdão, senhor Denver.
Ela é tão segura de si que, mesmo que tivesse caído de cara no chão, acho que ainda assim sairia com classe. Eu decido brincar para quebrar a tensão, porém não sou muito feliz.
ㅡ Não se preocupe. Estou acostumado com garotas se jogando sobre mim.
Ela arruma um fio fora do lugar de seu coque, estica os braços ao longo do corpo e me dá o sorriso mais falso do mundo.
ㅡ Estou certa que sim. ㅡ Depois disso, ela me ignora solenemente e vai em direção ao CEO. ㅡ Em que posso ajudar, senhor McGregor?
Ele pega a pasta com os slides dos gráficos e empurra sobre a mesa na direção dela. Volto a me sentar para assistir o espetáculo. Alguém vai se queimar feio hoje.
ㅡ Senhorita Hills, a senhorita Smith me disse que foi você quem organizou essa apresentação. Procede?
ㅡ Sim, senhor. Tentei avisá-la sobre as alterações que fiz, porém, quando ela chegou, estava em cima do horário da reunião e ela não queria se atrasar.
Ele olha de lado para Katherine que se defende.
ㅡ Não queria fazê-lo esperar, senhor McGregor. Não imaginei que ela havia tido a audácia de estragar meu trabalho.
ㅡ Sempre tenha um minuto do seu tempo para escutar o que um funcionário possa ter a dizer. Como gerente do RH, você, mais do que ninguém, deveria fazer isso. De qualquer forma, foi bom ter a senhorita Hills aqui, assim posso parabenizá-la pessoalmente. Nunca vi gráficos tão bem detalhados e de forma tão clara.
Ai!
Essa doeu no fundo da alma da Katherine, pois posso vê-la cerrar os dentes. O sorriso dela se desfaz completamente, enquanto a secretária agradece o elogio. O ápice é quando McGregor pede a ela para fazer a apresentação no lugar de sua gerente. Seguro o riso o máximo que posso. Meu estômago chega a doer de espasmos, enquanto eu abaixo a cabeça um momento para disfarçar. Apoio os cotovelos sobre a mesa e escondo minha boca, que ameaça um sorriso atrás das mãos cruzadas. Fazia tempo que uma reunião não era tão divertida. Tenho a impressão de que Katherine vai entrar em ebulição a qualquer momento.
A tal Hills faz a apresentação com primor. Ela é concisa e segura. Fiquei impressionado. Normalmente, essas reuniões são um porre, porém, ela é tão carismática discursando, que prendeu até a minha atenção. Olho de canto de olho para Ethan. Ele também está concentrado nas palavras dela. Vejo um leve sorriso em seu rosto, o que não é comum. Normalmente, ele é muito sério durante essas reuniões. Ela parece ter cativado a todos, exceto a megera siliconada.
ㅡ Isso é ridículo, uma perda de tempo, pois irá precisar de muita observação por parte de um gerente.
ㅡ Talvez possa ser criada no sistema uma entrada para esta finalidade. Para que um funcionário faça ho®a extra, um gerente deve autorizar. Bastaria alimentar o motivo...
ㅡ Alguns setores possuem centenas de funcionários, é humanamente impossível!
Nesse momento, a ruiva respira fundo rapidamente pela interrupção de sua gerente, de novo.
ㅡ Senhorita Smith, nem todos os funcionários de um mesmo setor fazem ho®as extras ao mesmo tempo. Mesmo que fosse o caso de mil funcionários, é responsabilidade de seu gerente se certificar que o dinheiro e o tempo da empresa não estejam sendo usados incorretamente.
Smith: 0, Hills: 2. Ou seria 3? Cara, perdi a conta!
Katherine abre a boca para protestar novamente, porém o Tanaka intervém.
ㅡ Senhorita Hills, é um belo projeto, porém teríamos que desviar recursos e pessoal para a criação desse sistema e...
Então, eu resolvo participar da brincadeira. Vai me dar trabalho, porém qualquer coisa vale a pena só para tirar esse ar de entendido metido a b&sta dele. Ele nunca foi com a minha cara e vive questionando minha funcionalidade ao McGregor. Minha sorte é que o meu CEO sabe o meu valor, caso contrário, já teria sido demitido há séculos.
ㅡ Para que desviar recursos e pessoal? Eu sou suficiente.
ㅡ Pode fazer esse sistema que a senhorita Hills sugeriu, Denver?
ㅡ Só não digo de olhos fechados porque preciso ver o que estou fazendo, McGregor. Acredito que, em menos de um mês, posso criar as entradas necessárias em todos os setores. Se der certo, poderíamos estender o projeto para as outras filiais.
ㅡ Isso só iria aumentar a quantidade de tarefas que um gerente deva executar e…
Katherine realmente está de birra com esse projeto. Será que ela não percebe o quão ridículos são seus argumentos?
Eu não perco a oportunidade para lhe dar uma patada.
ㅡ Um gerente é pago para cuidar de seus funcionários. Acho justo que tome conta das ho®as. Ficar sentado na sala brincando ou namorando pelo celular pode ser um tempo direcionado para essa nova tarefa, que não vai levar mais do que uns dez minutos por dia.
Eu tenho acesso às câmeras de segurança, sei muito bem o que ela faz com seu tão precioso tempo de trabalho.
ㅡ Eu sou a favor.
Edward Mortimer, gerente do setor da Amber Lee, me surpreende erguendo a mão. O setor dele é um dos maiores.
ㅡ Eu também. ㅡ Diz Alexander Clay, após arrumar seus óculos.
Um a um, todos os presentes concordam, até mesmo o Tanaka. Katherine acaba se vendo obrigada a aceitar. Ela não tem mais argumentos contra sua adversária, comigo dando suporte.
ㅡ Então, estamos entendidos. O senhor Denver irá fazer as modificações necessárias no sistema de acordo com as orientações da senhorita Hills.
ㅡ Perdão, senhor McGregor. Não deveria ser eu a fazer isso, já que sou a gerente do setor?
Katherine me olha faminta e um arrepio de puro nojo corre pelo meu corpo.
Deus, não! Fiz uma boa ação hoje, tenha piedade de mim!
Para minha sorte, McGregor tem uma opinião diferente da dela.
ㅡ Senhorita Smith, não está a par das alterações que devam ser feitas, porém a senhorita Hills está. Ela é a escolha mais óbvia, não acha? ㅡ Antes que ela possa responder, ele se vira para a secretária dela, que ainda está em pé diante do telão que usou para a apresentação. ㅡ Parabéns, senhorita Hills. Estou impressionado. Bom, senhoras e senhores, a reunião está terminada.
A expressão pasma da Katherine valeu o dia. McGregor pede à ruiva sardenta para esperar. Paro diante dela e lhe estendo a mão.
ㅡ Você é boa. Foi m@l pelo outro dia.
ㅡ Está perdoado. Se não fosse pelo seu apoio, eu não teria nenhuma credibilidade.
ㅡ Então, aguardo um e-mail seu com as especificações?
Pisco para ela que sorri em resposta. Retiro-me da sala e retorno para o meu setor.
Michael Denver, não te reconheço. Passou de um cara que não se envolvia nos problemas de estranhos, para o que aconteceu hoje. O que Amber Lee fez com você?