18 - A música que grita emoções

2009 Palavras
*Amber Lee PoV* Rico finalmente retorna dos bastidores e se junta a mim e a Lauren, que está me encarando estranho desde que me sentei. Dou uma arrumada no cabelo com as mãos e bebo meu drinque, fingindo que nada aconteceu lá atrás. ㅡ Bem… Você vai me contar ou não? Meus olhos saltam para fora das órbitas e eu me engasgo com a bebida. Rico dá uns tapinhas nas minhas costas enquanto eu tusso, porém Lauren continua me encarando desconfiada. ㅡ Do que está falando? Ela suspira e coloca seu copo de volta na mesa para cruzar os braços. ㅡ Estou falando do perfume do Michael estar impregnado em você. Não posso negar que o cheiro dele ficou na minha pele. Um cheiro tão gostoso… Devo estar vermelha como um tomate porque um sorriso sacana nasce nos lábios dela. Tento me recompor e finjo indiferença. ㅡ Ah, é… Esse ot@rio me encurralou lá nos bastidores só porque eu quase toquei na guitarra dele. Nesse momento, os olhos azuis dela se arregalam. ㅡ Você mexeu na guitarra dele? Eu bufo revoltada. Parece que todo mundo sabia o quão intocável era o instrumento do senhor arrogância em pessoa, menos eu. ㅡ Ela estava jogada em um canto! Eu não sabia! ㅡ Então, eu tento virar o jogo contra ela. ㅡ Como você reconheceu o perfume dele, heim? Já deram uns amassos? ㅡ Deus me livre! Eu já te falei que ele não faz o meu tipo! Mas eu adoro esse perfume, é o Sauvage da Dior. É bem marcante. Marcante é a palavra que realmente o define… Tento evitar a todo custo que um suspiro me escape. Logo, Pete e Michael aparecem no palco, testando seus instrumentos. Simplesmente não consigo tirar meus olhos desse ogro. É como se fosse tão necessário quanto respirar. Devo ser masoquista, só pode… Ele tem um lindo sorriso no rosto, muito distante daquela carranca arrogante de antes. No entanto, ao me ver olhando para ele descaradamente, seu sorriso iluminado some, para dar lugar a um que diz "Vou te devorar…" e o momento em que parecia que ele ia me beijar volta com força. Lauren não estava mentindo quando disse que ele tinha um corpo maravilhoso. Não é bombado com o Rico, porém não é magricelo. É simplesmente na medida que eu acho perfeita. Os gominhos, então… ㅡ Ah, Lauren! Você precisava ver! Os dois pareciam que iam entrar em combustão! Estavam se comendo com os olhos! Encaro Rico com um bico aborrecido e lhe dou um beliscão. Sei que ele falou a verdade, mas nem morta vou confirmar isso! ㅡ Você está delirando, Rico. Nada aconteceu! Não tenho culpa do seu amigo ser paranoico! ㅡ Sei… O olhar convencido dele sobre mim me deixa incomodada. ㅡ É só a sua imaginação, Rico. Ele toma um gole de sua cerveja, sem abandonar o sorrisinho. ㅡ Se serve de consolo, ojitos, eu nunca vi o Michael dar tanta atenção para uma chica. ㅡ Atenção? Pois, eu dispenso esse tipo de atenção! O cara quase me enxotou de lá! Ele não diz mais nada e eu agradeço às forças que me protegem por isso. Noto uma garota estranha entrar no pub. Seu cabelo é verde, todo repicado, com uma franja irregular que quase cobre os olhos. É cheia de tatuagens nos braços e pernas, com um belo vestido gótico de corpete preto. Ela é bonita e vejo vários pares de olhos masculinos caírem sobre ela. Mas os dela completam um sorriso que ela só mostra ao olhar para o palco. Foi como se ela tivesse visto a fonte da vida. Deve ser uma daquelas fãs ardorosas… ㅡ Hei, Dorothy! Meu olhar surpreso encara Rico, enquanto ele acena para a garota. Ela se aproxima de nós e estoura uma bolha de chiclete. ㅡ O que você quer, Rico? O tom dela é impaciente e seu olhar não perde o guitarrista no palco de vista. A forma como ela olha para ele me irrita profundamente. ㅡ Só queria te apresentar uma amiga… ㅡ Eu já conheço a Lauren, seu prego enferrujado! Ela toma a cerveja dele e bebe sem cerimônia. Acho o cúmulo da falta de educação, pois ela me ignora totalmente. Dou uma pequena tossida contra o punho. ㅡ Acho que ele falava de mim. Sou a Amber Lee. Estendo minha mão em sua direção, que ela encara inexpressivamente. Depois, ela apenas enterra a garrafa de cerveja vazia no peito do Rico, que a segura desengonçado, enquanto ela o repreende. ㅡ Você sempre me faz perder tempo, não é? Não estou interessada nas suas peguetes! Ela sai como um furacão, sem me dar chance de lhe responder à altura. Rico fica sem graça e Lauren dá de ombros. ㅡ Um poço de delicadeza como sempre… Minha amiga ri de sua própria brincadeira, porém eu não. Meus olhos estão grudados nessa s*******o e trinco os dentes quando ela vai até o palco. Ela e Michael conversam e parecem muito íntimos. O sussurro do meu amigo sentado ao meu lado me alcança. ㅡ Dorothy é a baixista da Everlasting e Michael a vê apenas como uma irmã. Bom, ela não olha para ele como um irmão, isso é um fato. Então, dou-me conta do que Rico está insinuando. ㅡ Eu não tenho nada a ver com a vida dele, muito menos quero saber quem são as mulheres que o rodeiam! ㅡ Eu não disse nada… Ele abre as mãos como se mostrasse estar desarmado e eu bufo. Volto minha atenção para o palco e lá está o senhor da guitarra, distribuindo charme para algumas fãs coladas na beirada. Ele parece gostar da tietagem, claro, é um galinha, de acordo com Lauren. Deve estar escolhendo quem será a vítima de hoje… Esse pensamento deveria me enojar, porém só consigo sentir inveja. Não sei nem do quê. Contudo, quando nossos olhares se encontram de vez em quando, eu percebo do que tenho inveja: Da atenção que ele dá para as outras oferecidas. Sai dessa, Amber Lee! As luzes no salão começam a diminuir e os artistas no palco assumem suas posições em seus instrumentos. Rico se levanta e me guia pela cintura até perto do palco. Sinto o peso daqueles olhos cor de gelo sobre mim o tempo todo. Ou, talvez, eu esteja apenas tão paranóica quanto o dono desse olhar, pois ele me ignora solenemente para cumprimentar Rico com um aceno. Ser ignorada é a pior coisa que existe. Você se sente sem voz, sem chão, sem nada. ㅡ Um, dois, três… A contagem de Michael marca o início da apresentação. Quando a música explode pelo salão, eu me vejo tragada para um novo mundo. Um mundo onde a poderosa voz cheia de drives dele predomina. Rico me disse que a maioria das músicas da banda são compostas por Michael e, quando me lembro de tudo o que foi dito sobre ele, sinto ser verdade. Há uma fúria desesperada gritando por liberdade em cada palavra e em cada nota que ele arranca de sua guitarra. Eu conheço bem essa sensação, de uma forma que só a música te liberta. Pete e Dorothy embarcam nesse frenesi de notas e ritmos que fazem os meus pés sair do chão. Logo, estou pulando ao som da Everlasting, de um jeito que nunca pensei que faria, porque sua essência vem dele. De um cara que odiei à primeira vista e que, agora, me mantém cativa de sua performance admirável. É como estar na presença de uma lenda viva. Nossos olhares se conectam em algum ponto da apresentação e não se desgrudam mais. Quando ele canta, me encarando diretamente, deliro imaginando que ele esteja cantando apenas para mim e que as outras não importam. Até olho ao redor, para me certificar de que é para mim mesma que ele está olhando. Essa percepção faz minhas bochechas arderem e eu rezo para que ele não veja o meu rubor através da parca iluminação do ambiente. Quando o show termina, estou sem fôlego. Não sei o que aconteceu, acho que foi um daqueles momentos de sublimação, porém não sei se foi devido à música ou ao intérprete. Ele causa sensações em mim que eu prefiro não nominar. Lauren se afasta para "caçar" e Rico me leva para o bar, onde nos sentamos em banquinhos altos. Depois de alguns infindáveis minutos, vejo os integrantes da Everlasting surgirem pela lateral do palco e logo são cobertos por fãs querendo tudo deles. Autógrafos, selfies… Vejo até uma garota apalpar o Michael nas partes íntimas. Ele ri, brinca e bate uma foto com ela. A garota quase desfalece, enquanto eu cerro meus dentes tão fortemente que quase os quebro. Fica pior quando o pessoal da banda se senta em uma mesa e uma abusada se joga no colo dele. Tenho que fazer um enorme esforço para não tirá-la de lá pelos cabelos. O que eu tenho a ver com isso afinal? Ele não é nada meu! Eu decido desviar minha atenção para o meu copo sobre a bancada. Quando penso que vou ter uma trégua da calamidade de emoções que Michael Denver provoca em mim, eis que ele surge bem ao meu lado no bar. Faço uma contagem mental enquanto o encaro. Ele fica ali parado, me olhando tão intensamente, que chega a ser um atentado ao pudor. Não ouso me virar para Rico e pedir ajuda para quebrar o clima tenso. À essa altura, sei como o meu amigo adora pôr lenha na fogueira, uma que não estou pronta para deixar se tornar um incêndio. ㅡ Você gostou? Seu tom educado é surpreendente, contudo não vou me deixar enganar por esse Don Juan de quinta categoria. ㅡ Minha opinião te interessa? Ele dá de ombros e parece tenso. Sua mão passa por seus cabelos e a forma como os fios brilhantes e lisos caem é hipnotizante. Eu me pego desejando entranhar meus dedos por sua maciez. Ou pelo seu peito definido, cujos músculos ficam salientes através da camisa cinza-escuro transparente. Opa! É melhor ir com calma, Amber Lee. Esse homem é tão perigoso quanto é bonito. Eu me armo novamente, tudo para não deixar a presença dele me invadir. Trocamos meia-dúzia de farpas e me irrita a forma como ele me rebate. Até parece que tem um prazer quase sádico em me provocar. O pior é perceber que gosto desse jogo. Quando eu finalmente admito que ele tem talento, o sorriso sincero que ele me dá quase me derruba do banquinho. Fico ali, presa naquele semblante, meio que enfeitiçada. Não me foge o momento em que os olhos dele descem para os meus lábios, que pinicam com um desejo ardente. Um desejo despertado por ele. Então, Rico abre a boca. ㅡ Vejo que você parece fascinado pela minha amiga. Você sabia que ela toca piano? Oh, Rico… Por que você tinha que falar disso agora? Só a mera menção do instrumento me deixa completamente sem chão. Piora com o súbito interesse de Michael. Ele é músico, e um dos bons, é claro que essa informação despertaria sua curiosidade. ㅡ Que tipo de música você toca? Não sei o que responder. Tirando aquela vez no Butterfly, fazia anos que eu não tocava. No entanto, foi tão natural quanto respirar. Eu dou uma resposta vaga, abrangendo tudo e nada ao mesmo tempo. Obviamente, ele não fica satisfeito e nós voltamos ao ponto onde a provocação mútua vira o nosso diálogo. Porém, dessa vez, não tem mais graça e eu chuto o balde, tentando atingi-lo de alguma forma. ㅡ Você é maníaco depressivo? Michael fica chocado e penso que irá me engolir viva. Pete surge do nada, o que faz com que nossa conversa termine por aí. Acabamos os quatro, Michael, Rico, Pete e eu, indo para o Star Club. Não sei o que me deu na cabeça para acompanhá-los. Uma horda de fãs os seguem como cães e Michael faz questão de me lembrar que basta ele estalar os dedos para ter um monte delas aos seus pés. Humpf! Eu não!
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR